O mashup Twittervision, site de visualização em tempo real dos últimos posts publicados no Twitter112 sobre o mapa do Google Maps de acordo com a localização geográfica dos seus usuários, é formado pela união das APIs do Twitter e Google Maps, retratando as funcionalidades de rede social via microblogging e localização geográfica em mapas respectivamente. O aplicativo apresenta uma interface simples, praticamente a mesma do Google Maps, com controles de navegação horizontal, vertical, aproximação e afastamento sobre o mapa mundi, imprimindo sobre o mesmo um pequeno balão, contendo os dados do post mais recente, como foto, nome do usuário, mensagem, tempo de publicação, cidade e país de origem. O post permanece na tela e é substituído automaticamente em intervalos de cinco segundos por outro mais recente, movendo o mapa para a localização geográfica da origem deste, alterando-se assim continuamente.
Figura 27: Twittervision.
109 Disponível em: http://twittervision.com 110 Disponível em: http://iguide.travel 111 Disponível em: http://taggalaxy.de 112 Disponível em: http://twitter.com
O guia interativo de turismo Iguide, utiliza-se de quatro APIs (Google AdSense113 + Google AJAX Search114 + Google Maps + YouTube) e screen scraping de conteúdos dos sites WikiTravel115, Wikipedia116, GeoNames117, Placeopedia118 para oferecer um serviço amplo, contendo informações sobre vôos, hotéis, mapas, resenha de viagens, vídeos, fotos, etc., a respeito de milhares de destinos ao redor do mundo. Em síntese pode-se dizer que o aplicativo apresenta as funcionalidades de visualização de dados; agregando e traduzindo visualmente o conteúdo de vários web sites turísticos numa interface própria, e de localização geográfica; utilizando-se de mapas interativos do Google Maps.
Figura 28: Iguide.
Inicialmente, como no Twittervision, o Iguide apresenta uma interface de navegação baseada no mapa mundi para localização do destino desejado, que também pode ser realizada por meio de um menu textual vertical lateral. Assim que selecionado algum ponto de interesse no mapa, são exibidas fotos e o menu textual é expandido com o link para informações do
113 Disponível em: https://www.google.com/adsense 114 Disponível em: http://code.google.com/apis/ajaxsearch 115 Disponível em: http://wikitravel.org
116 Disponível em: http://pt.wikipedia.org 117 Disponível em: http://www.geonames.org 118 Disponível em: http://www.placeopedia.com
mesmo, que, quando acessado, exibe uma página com todas as informações existentes para o destino agrupadas na mesma página, inclusive com links externos remetendo para suas fontes de origem.
Diferenciando-se dos demais, o mashup Tag Galaxy, site de busca e visualização de fotos dispostas em três dimensões da comunidade Flickr, é constituído apenas da API do Flickr, entrelaçando as funcionalidades de rede social, visualização de dados e busca. As fotos são pesquisadas através de uma ferramenta de busca, que compara a tag inserida pelo usuário dentro do Tag Galaxy com as pertencentes às fotos do Flickr, exibindo como resultado aquelas que apresentarem determinado nível de similitude entre si.
Figura 29: Tag Galaxy.
A interface Tag Galaxy se apresenta simples, como a maioria dos sites de busca, oferecendo uma caixa de texto para procura logo na página inicial; porém, assim que se realiza a primeira pesquisa, constata-se que esta simplicidade dá lugar à sofisticadas animações tridimensionais realizadas na plataforma Flash, que simulam viagens virtuais através do espaço. O resultado é exibido então por grupos de tags semelhantes, representados
por um sistema planetário virtual, em que a tag principal pesquisada é o planeta maior, rodeado por outros menores, que representam as tags afins. Assim que acessado o planeta/tag desejado, é possível navegar pelas imagens dispostas em formato de mosaico, manipulando-se uma esfera em três dimensões, onde é possível ampliar determinada foto, ou acessá-la diretamente no site de origem (Flickr) através de link próprio.
Figura 30: Exemplo de visualização de fotos no mashup Tag Galaxy.
3.7.2 Referências
Embora os mashups Twittervision e Iguide possuam interfaces semelhantes baseadas em mapas devido à funcionalidade de localização geográfica, são também um pouco diferentes, na medida em que o primeiro não requer a interação do usuário para exibição do conteúdo, ou seja, é realizado de modo automático, atuando apenas como um visualizador de dados específico; enquanto que o segundo necessita de tal interação para recuperar a informação, agindo como um agregador de conteúdo de fontes diversas.
Já o Tag Galaxy, identifica-se com o Twittervision diante da funcionalidade distintiva de rede social, onde o conteúdo, no caso fotos do Flickr e posts do Twitter respectivamente, é inserido através da comunidade de usuários; distinguindo-se também do mesmo e assemelhando-se ao Iguide no modo de visualização de dados, ao também requer a interação do usuário para exibição do conteúdo desejado.
3.7.3 Interpretação
O Twittervision, apesar de ser interessante por exibir os posts mais recentes do Twitter sobre o mapa mundi do Google Maps de modo dinâmico, simulando a visualização do funcionamento em tempo real de uma comunidade ou rede social virtual; age de forma lúdica, não apresentando uma utilidade prática imediata.
O Iguide se mostra como ferramenta muito útil para compras online de passagens aéreas e reservas de hotéis, destacando-se também como guia turístico virtual por agregar conteúdo de outros sites do gênero no mesmo espaço, agilizando e tornando prática a pesquisa por informações sobre os destinos pretendidos.
Ora, como ferramenta de busca de imagens, o Tag Galaxy talvez não seja um aplicativo prático para uso cotidiano, porém, assim como o Twittervision, proporciona a visualização do agrupamento de tags das comunidades virtuais (Flickr) e como se relacionam, também de forma lúdica, estimulando a interação do usuário para exploração do conteúdo por meio da interface, metaforizando uma viagem galáctica.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os caminhos trilhados durante esta pesquisa apontam para o entendimento das práticas cotidianas do ciberespaço, sobretudo o mashup, como ascendentes a uma estética edificada ao longo do tempo. Por se constituírem a partir de heranças adquiridas, pode-se afirmar que apresentam origem definida e não se estabeleceram do acaso; ressaltando assim, a importância do resgate histórico nessa investigação. Constatou-se que o processo de criação e produção a partir da combinação de uma ou mais fontes para formar um novo elemento, nos diferentes períodos é o mesmo, variando-se apenas o emprego conforme a época adotada, ou seja, não é em sua totalidade inovador; o mashup se utiliza dos mesmos conceitos de desconstrução- construção de seus antecessores, porém, relacionando-os à tecnologia e mídias emergentes.
Outra característica que devemos ressaltar no percurso de pesquisa, refere-se à concepção da lógica de funcionamento do mashup, pormenorizando o “ecossistema” tecnológico do qual habita. Tal abordagem contribui para iluminar a obscuridade concernente à noção da composição técnica do mashup, entreabrindo novos horizontes para outros estudos aprofundados dessa natureza.
Já o mapeamento dos mashups manifestou-se como uma árdua tarefa que se converteu em surpreendente recompensa. Ao considerar que a sistemática aplicada em sua realização, permitiu classificá-los sobre uma óptica funcional por ora não tratada, equiparando-os aos serviços nos quais se destinam; revelaram-se categorias “orgânicas” intercambiáveis, imperceptíveis até então, ilustrando os movimentos fluidos de associações e inter-relações característicos de sua organização, retratando com maior precisão o universo de possibilidades ilimitadas de imbricamentos do qual são próprios.
No desenrolar do trabalho, quando abordamos a questão do fragmento, pensamos em caminhar em direção à prática da reciclagem, da “colcha de retalhos”, mas não foi possível discutir estas questões, pois decidimos focar no objeto, nos movimentos artísticos e nas
estéticas tecnológicas, por motivo de se enquadrarem na linha de pesquisa decorrente da orientação. Também poderíamos ter desenvolvido mais as questões dos processos de produção e da contribuição das redes nas práticas de recombinação, que culminam no favorecimento da eclosão dos mashups de informação; porém, por desviar do foco já comentado e receando tornar o trabalho extenso, resolveu-se conservar esses espaços expostos para continuidade de pesquisa futura.
A análise dos processos associativos da formação dos mashups descobriu-se equivalente aos conceitos de mente e cérebro. A mente humana trabalha por associações, e ao realizá-las, caracterizam-se interconexões em rede. Esta investigação pode ser um interessante ponto de vista no entendimento das causas que conduzem as pessoas a se sentirem atraídas a produzir por intermédio de associações, fragmentos, sobretudo o mashup no desenvolvimento da cultura remix. Segundo Garcia (2007a apud SANTAELLA, 2007, p. 87-88), as interfaces cada vez mais se aproximarão da forma como pensamos:
Na nossa cabeça não sonhamos, nem pensamos, nem sentimos em apenas texto, som ou imagem visual ou olfativa, o que passa pela nossa consciência ou inconsciência são combinações diversas de mixagens e seqüenciamentos, narrativas e fragmentações, falas e silêncios, construídos com todas as imagens que nos chegam dos sentidos e da memória, que fluem em níveis diversos de predominância e interação. A prioridade é definida pelo conteúdo, pela sintaxe e talentos infinitos da mente, e não por uma hierarquia entre linguagens.
Santaella (2007, p. 89) complementa que o processo de hibridização da hipermídia permite simular o cérebro como um todo:
Ao integrar interativamente sons, imagens e textos escritos, a hipermídia “hibridiza a densidade simbólica com a abstração numérica, fazendo as duas partes do cérebro, até agora opostas, reencontrarem-se”.
Essas reflexões abrem possibilidades para continuidade da pesquisa em um nível mais avançado, a serem tratadas futuramente em pesquisa de doutorado.
Em suma, devido o advento recente de tal fenômeno e da carência bibliográfica específica sobre o tema no recorte proposto, entende-se que esta pesquisa poderá contribuir,
mesmo que modestamente, no preenchimento de uma lacuna dentro do vasto campo inexplorado pertinente ao objeto de estudo.
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Asynchronous Javascript And XML (Javascript Assíncrono e XML).
ABI - Acrônimo em língua inglesa para Application
Binary Interface (Interface Binária de Aplicativos), descreve a interface de baixo nível entre uma aplicação e o sistema operacional.
API - Acrônimo em língua inglesa para Application
Programming Interface (Interface de Programação de Aplicativos). Conjunto de rotinas e padrões estabelecidos por um software para utilização de suas funcionalidades por programas aplicativos que desejam utilizar alguns de seus serviços.
Atom - Tipo de especificação feed. Formato para
divulgação de conteúdos web que são periodicamente atualizados, baseado em XML e metadados, identificados como application/
atom+xml media type.
Feeds - Os arquivos feed são disponibilizados pelos
sites e assinados diretamente pelos usuários através de softwares agregadores ou leitores, que recebem o conteúdo desejado sem a necessidade de terem que visitar o site toda vez que novas atualizações ocorrerem. Alguns navegadores web modernos já possuem estas funções incorporadas.
Framework - Modelo de dados.
GUI – Acrônimo em língua inglesa para Graphical
User Interface (Interface Gráfica de Usuário). Interface representada por elementos gráficos, responsável por traduzir as informações visuais para o código de máquina e vice-versa, através da manipulação desses elementos, acionados pelos dispositivos de entrada controlados pelos usuários. Como exemplo, pode-se citar o sistema operacional
Windows da Microsoft, lançado como sucessor ao
MS DOS, até então de linha de comando.
JSON - Acrônimo em língua inglesa para
JavaScript Object Notation (Notação de Objeto
JavaScript). Formato leve para intercâmbio de dados computacionais, com uso difundido devido sua simplicidade, especialmente como alternativa para XML em AJAX. Embora seja um subconjunto da notação de objeto de JavaScript, seu uso não requer JavaScript exclusivamente.
Microblogging - O mesmo que micro-blog; contendo atualizações pessoais com apenas texto curto (menos de 140 caracteres) via SMS,
mensageiro instantâneo, e-mail, site oficial ou programa especializado.
OCR - Acrônimo em língua inglesa para Optical
Character Recognition (Reconhecimento Óptico de Caracteres). Tecnologia utilizada pelos scanners para conversão de texto impresso (analógico) em texto editável digital (via software).
PHP - PHP é uma linguagem de script originalmente concebida para a produção de páginas web dinâmicas. Ela evoluiu para incluir uma capacidade de interface de linha de comando podendo ser utilizada em aplicações gráficas autônomas.
Post - Do inglês, postar. Refere-se às entradas de texto efetuadas pelos usuários nos serviços de
blogging.
RDF - Acrônimo em língua inglesa para Resource
Description Framework (Modelo de Dados para Descrição de Recursos). É uma especificação da
World Wide Web Consortium (W3C) para representar informação na web, com o objetivo de oferecer uma semântica formal para modelos ou fontes de dados, conhecidos também como
metadata (metadados), através do uso de recomendações pré-estabelecidas.
RDF/XML - RDF baseado em XML.
REST - Acrônimo em língua inglesa para
Representational State Transfer (Transferência de Estado Representacional).
RIA - Acrônimo em língua inglesa para Rich
Internet Applications. Termo criado pela
Macromedia em 2002 para retratar aplicações web ricas onde o processamento é realizado no lado do cliente, através do navegador de internet, porém, mantém a maior parte dos dados no servidor. Por reduzir o tempo de processamento, RIAs possibilitam conseqüentemente melhores experiências de interação com os usuários.
RSS - Acrônimo em língua inglesa para Really
Simple Syndication (Sindicação Realmente Simples). Tipo de especificação feed.
SOAP - Acrônimo em língua inglesa para Simple
Object Access Protocol (Protocolo de Acesso a Objeto Simples).
Tags - As tags, rótulos ou etiquetas, são parte de um conceito de indexação informal, que permite a
caracterização da informação através da associação de palavras-chave de acordo com preferência do autor, com o propósito de organizar e facilitar a busca e acesso dessas informações na web. Cada conteúdo pode possuir uma ou mais tags.
Type library - Um arquivo ou componente dentro de outro arquivo que contém descrições padrão de objetos expostos, propriedades e métodos.
Turtle, Notation 3 (N3) e N-Triples - Formatos de
serialização concebidos para expressarem RDF de maneira simples, tornando fácil sua escrita à mão. UDDI - Acrônimo em língua inglesa para
Universal Description, Discovery and Integration
(Descrição Universal, Descoberta e Integração). URI - Acrônimo em língua inglesa para Uniform
Resource Identifier (Identificador de Recurso Uniforme).
Web services - Do inglês, serviços web, são também conhecidos como servidor de serviços, atuando como componentes que permitem às aplicações enviar e receber dados em formato XML. Cada aplicação pode ter a sua própria