1.2 Metode
1.2.1 Beregningsmetode – hel og fraksjonert metodologi
A conceituação categorial de “formação”, enquanto equivalente à educação, está relacionada com a noção genérica, e muitas vezes abstrata, de formação humana, constituindo-se numa função social de grande complexidade em razão de suas múltiplas relações com as condições de existência humana.
Segundo Maia (2011), o termo “formação” contempla por si só certas ambiguidades, que podem conduzir a uma conceituação mais restrita ou mais ampliada. Na sua acepção restrita, conforme o citado autor, o conceito de formação vincula-se como uma ação de conformação de sujeitos a uma forma preestabelecida, sujeitos adaptados a um conjunto preestabelecido de demandas e uma determinada posição no estrato social.
Em contraposição a essa abordagem reducionista, Maia (2011) pontua que o termo “formação” pode ser tratado de maneira ampla, onde seu sentido está associado com a ação de construir uma forma, dar uma forma enquanto produção de sujeitos no tempo, de produção de uma forma em ação, de uma subjetivação, levando-se em consideração as especificidades de cada sujeito, sua história, o contexto de seu desenvolvimento, num processo que produz sujeitos diversificados.
Assim posto, o termo formação está associado com processo de subjetivação, que sendo equivalente à educação, cumpre o papel de formar homens diversificados necessários aos processos de produção e de reprodução social. Tal noção genérica e
abstrata da educação, como formação de homens, estabelece um vínculo conceitual com o que se define como homem e com as condições de sua existência humana. Assim não se pode falar de formação como equivalente à educação sem se predefinir o que se supõe formar homens.
De acordo com Maia (2011), a “formação do homem” significaria dar uma forma ao “ser humano” nas circunstâncias do tempo e do espaço, nas suas condições históricas e no seu contexto, na sua materialidade de ser humano, não segundo um ideal, inspirado no platonismo, mas enquanto uma intenção construída nessa historicidade, enquanto essência possível decorrente da evolução desse homem, em sua materialidade, e do projeto de homem decorrido de sua própria ação no mundo.
É nesta abordagem ampla do conceito de formação que ancoramos nossa análise sobre a “formação do trabalhador”, que tem como referência a concepção hegeliana de “bildung”, que trata este conceito como uma “formação da totalidade das capacidades humanas”, mediante a formação do indivíduo vivente para superação de suas limitações, para ser agente de sua emancipação.
Segundo a tradição marxista o que define a existência humana e as condições de sua sociabilidade é o trabalho, enquanto categoria central da formação humana. Para Saviani (2003), o homem se constitui pelo trabalho, no momento em que necessita adaptar a natureza a si, no momento histórico em que não é mais suficiente adaptar-se à natureza, mas faz-se necessário a sua ação teleológica pelo trabalho.
Saviani (2003) considera que a formação dos homens ao longo da história traz a determinação do modo como produzem a sua existência, e ao produzi-la, transformam a natureza a si próprio, gerando conhecimentos e travando relações entre si, que fundam os princípios da sociabilidade humana e suas normas de convivência.
Segundo Adorno (1995), a análise do conceito de formação, como equivalente à educação, sob a ótica da cultura ocidental é possível apreendê-la como “formação subjetiva”, que na sua condição de categoria social, ela sempre esteve vinculada a pressupostos teóricos – uma teoria produzida no âmbito da filosofia, de forma articulada com o rol mais amplo das ciências humanas.
A “bildung”, na concepção adorniana de formação, tem a dupla função formativa: a “formação social”, que forma os sujeitos para convivência de maneira a evitar a barbárie, e a “formação para autonomia” orientada para busca da emancipação humana. Na modernidade, no entanto, a educação, enquanto formadora
de subjetividade, acabou se tornando refém do desenvolvimento científico e tecnológico, subsumida ao capitalismo, e a formação para emancipação, pela via do trabalho, é enquadrada ao ambiente de universalização da forma social do trabalho alienado, resultando em um aviltamento e em uma usurpação da individualidade do trabalhador e dos demais indivíduos ou marginalizados (RECH et al., 2010).
Parafraseando Adorno (1995), podemos afirmar que a formação para rimar com emancipação deve necessariamente estar amparada em uma autoreflexão crítica. Ela não pode consistir em um processo de modelagem de indivíduos, nem pode se restringir a uma mera transmissão de conhecimentos, mas deve antes visar uma formação expressiva da consciência crítica, cônscia das contradições do universo econômico-social e político-cultural e das deficiências de sua própria constituição enquanto sujeito.
As diferentes abordagens da formação do trabalhador confrontam-se com as concepções vinculadas com a formação para o trabalho, em razão de essa última trazer consigo a dependência da lógica do mercado, a qual, na perspectiva adorniana, está vinculada à “semi-cultura” e à “semi-formação” que orientam a formação para seu sentido restrito de treinamento para o mercado de trabalho.
Segundo Maia (2011), a formação humana enquanto produtora de sujeito de trabalho é um processo inerente a nossa condição de humanos. Para esse autor, tal formação, não pode ser confundida com a formação para o trabalho que é histórica e contextualmente localizada e está relacionada ao patamar de desenvolvimento das forças produtivas.
De acordo com Rech et. al (2010), é evidente que Adorno, enquanto um dos fundadores da teoria crítica, tem contribuições notáveis para a construção de uma teoria social que sirva de base para formular os pressupostos filosóficos e políticos de uma formação do trabalhador, que aponte para o resgate do potencial emancipatório do trabalho social. Embora o pensamento de Adorno seja taxado de um aparente pessimismo e de não apresentar uma alternativa viável para uma motivação de luta por emancipação, este entende que a única forma de práxis que ainda pode alimentar iniciativas de resistência é a práxis teórica de uma consciência crítica auto-reflexiva, capaz de impor resistência à dominação ideológica da indústria cultural mediante a formação de subjetividades expressivas contra a perpetuação alienante e onipresente de um processo sócio-cultural e político abstratamente anêmico. Porém esta concepção
ampliada de formação somente poderá se concretizar se formos capazes de resgatar o potencial emancipatório do trabalho na atualidade.