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Beregnede og ikke beregnede prissatte virkninger

5 Prissatte virkninger

5.1 Beregnede og ikke beregnede prissatte virkninger

Sabemos que a entrevista é um importante instrumento de recolha de dados. É um processo direto para recolher informações sobre fenómenos, através da colocação de questões às pessoas que neles estão envolvidas. É um “[…] processo de interação social entre duas pessoas na qual uma delas, o entrevistador, tem por objetivo a obtenção de informações por parte do outro, o entrevistado […]” (Haguette, 1997, p.86) e é um dos processos mais diretos para recolher informação acerca de um assunto, baseando-se na formulação de questões aos indivíduos (Tuckman, 2005),

conseguindo recolher dados subjetivos relacionados com valores, atitudes e opiniões dos entrevistados (Boni & Quaresma, 2005).

Da interação que se estabelece entre investigador e entrevistado resulta um relato das vivências e perceções que permitem ao investigador “desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam os aspetos do mundo” (Bogdan & Bilken, 1994, p.134), interação essa que é provocada pelo investigador que em grande parte a estrutura.

Os seus objetivos estão relacionados diretamente com aquilo que está subjacente ao estudo que se pretende desenvolver, pelo que a entrevista é tida como “um processo” (Quivy et al., 2003, p.79) em que o entrevistado exprime, com maior ou menor facilidade, as suas ideias sobre um assunto em concreto. O investigador tem, por isso, de ter muito bem definido quem vai entrevistar, que estrutura a entrevista terá e, posteriormente, que tratamento irá dar aos dados que obteve.

A tipologia de entrevista escolhida para este estudo foi uma das formas de entrevista mais utilizadas em Ciências Sociais, a entrevista semiestruturada, com 17 questões, tendo por base um guião previamente construído que permitiu obter as informações pretendidas. Este modelo de entrevista permite ao investigador “[…] aceder à visão emergente do entrevistado […]” (Merriam, 1998, p.74) e colocar novas questões para acrescentar novas ideias ao tópico melhor adequado aos objetivos da investigação. A escolha de um formato semiestruturado das entrevistas teve como objetivo permitir que os participantes pudessem estruturar o pensamento de forma livre, dentro do campo em estudo, tendo sido solicitado o aprofundamento de ideias e o recurso a exemplos de situações experienciadas que não teriam surgido espontaneamente (Albarello et al., 1997).

No que diz respeito à preparação da entrevista, é fundamental que sejam tidos em consideração alguns aspetos, como a escolha dos participantes, a sua disponibilidade em participar, a marcação antecipada e as questões de confidência e anonimato dos entrevistados (Lakatos, 1996).

Entre as vantagens da entrevista, podemos assinalar que tem um índice de respostas mais abrangente do que um questionário, uma vez que é mais comum as pessoas aceitarem falar sobre certos assuntos; possibilitam a correção de algum engano que possa surgir por parte do entrevistado; é flexível quanto à sua duração; permite uma análise mais aprofundada sobre o assunto; a interação e a proximidade entre os intervenientes poderá proporcionar respostas espontâneas, as quais, por serem

inesperadas, poderão originar outras questões que, não estando previstas, podem ser úteis para aquela investigação (Selltiz et al., 1987).

No que diz respeito às desvantagens da entrevista semiestruturada, aponta-se a escassez de recursos financeiros, o dispêndio de tempo e a insegurança em relação ao anonimato, o que poderá condicionar as respostas. Optou-se, assim, por este modelo de entrevista, em que a sequência das questões (embora determinadas previamente) possibilitou alguma flexibilidade quer na sequência, quer no modo de formulação das mesmas. No entanto, foi possível, no decorrer das entrevistas, aplicar as questões a todos os entrevistados exatamente pela mesma ordem, ainda que tivesse havido momentos em que tivesse sido necessário ir incentivando os participantes com exemplos para ajudá-los a responder, tendo o cuidado de não condicionar as suas respostas.

O guião de entrevista (Anexo I) serviu para orientar a entrevista, de modo a colocar questões que permitissem compreender os significados dos avós para o Bem- Estar Psicológico de jovens universitários. Partindo deste grande objetivo, outros lhe estavam subjacentes, como (1) caracterizar a amostra em termos sociodemográficos; (2) conhecer o passado familiar da amostra; (3) caracterizar a amostra quanto ao contacto com os avós; e (4) conhecer as perceções da amostra acerca do contributo dos avós para o seu BEP.

O guião de entrevista foi estruturado em três partes: caracterização sociodemográfica da amostra (objetivo 1 – questão introdutória: sexo, idade e ciclo de estudos); contactos com os seus avós (objetivos 2 e 3 – questões n.º 1, 2 e 3); autoavaliação do Bem-Estar Psicológico e da perceção do contributo dos avós para o Bem-Estar Psicológico (objetivo 4 – questões n.º 4 a 17).

Para atingir o objetivo 4, e construir questões adequadas, foi necessário recorrer à delimitação das dimensões do Bem-Estar Psicológico, concretamente aos indicadores de high-score e low-score das Escalas de Bem-Estar Psicológico (Novo et al., 1997) apresentados no Quadro 4.

Quadro 5.

Construção do guião de entrevista

Objetivo geral Objetivo específico Questões

Compreender os significados dos avós para

o BEP de jovens universitários 1. Caracterizar a amostra em termos sociodemográficos

Idade / sexo / Ciclo de estudos

2. Conhecer o passado

familiar da amostra 1. Com quem viveu durante a sua infância?

3. Caracterizar a amostra quanto ao contacto com os avós

2. Costuma ou costumava estar frequentemente com os seus avós? Se sim, o que é que costumavam fazer juntos?

3. Qual dos seus avós lhe prestou mais cuidados ou que esteve mais presente na sua vida?

4. Conhecer as

perceções da amostra acerca do contributo dos avós para o seu BEP.

4. Os seus avós contribuíram para a sua autonomia e para a sua independência? Dê exemplos.

5. Considera que os seus avós o ensinaram a resistir às pressões, nomeadamente aquelas que são inerentes à frequência de um curso superior? Dê exemplos.

6. Os seus avós ajudaram-no a tomar consciência das oportunidades que lhe surgem no dia a dia e a tirar proveito delas?

7. Sente que é mais aberto a novas experiências porque contactou com os seus avós?

8. Considera-se esforçado e perseverante? Acha que apreendeu essa característica dos seus avós? 9. Os seus avós ajudaram-no a manter relações positivas com as outras pessoas, fomentando valores inerentes à boa convivência social? 10. Pense numa situação em que se tenha sentido

magoado/ injustiçado e que tenha sido do conhecimento dos seus avós. Como é que eles reagiram?

11. Costuma sentir dificuldade em colocar-se no lugar dos outros?

12. Os seus avós ajudaram-no a estabelecer projetos de vida? Como?

13. Considera que os seus avós o ajudaram a conhecer- se melhor, nomeadamente os seus defeitos e as suas qualidades ou a desenvolver determinadas aptidões pessoais?

14. De que forma é que os seus avós valorizam ou valorizaram o passado da vossa família? 15. Como avalia o seu bem-estar psicológico? 16. Acha que os avós contribuem para o bem-estar

psicológico dos netos?

17. Seria a mesma pessoa caso não tivesse contactado com os seus avós? Explique.

Síntese

No Capítulo II foram abordados os aspetos relacionados com a metodologia da investigação levada a cabo. Tendo em conta os objetivos deste estudo, considerou-se adequado desenvolvê-lo numa metodologia mista, tendo por base instrumentos que assumiram a forma de um questionário e uma entrevista semiestruturada, por parecer ser uma opção viável para a concretização desta investigação, ao conciliar as vantagens de ambos os métodos, enriquecendo o trabalho, ao permitir também flexibilidade para combinar metodologias e o desenvolvimento das capacidades de pesquisa e de adaptação da pesquisa para responder às questões de investigação.

O problema de investigação prende-se com a realidade demográfica e familiar que hoje se vive em Portugal, em que os avós e os netos têm oportunidade de conviver durante mais tempo e, por outro lado, considerando as exigências inerentes à frequência de um curso superior. O objetivo geral deste estudo é verificar se o Bem- Estar Psicológico dos jovens universitários e os contactos intergeracionais se relacionam, de forma a poder compreender se esses contactos poderão ser preditores de maiores níveis de Bem-Estar Psicológico nos jovens universitários, mas ainda caracterizar a amostra quanto ao estilo de relações intergeracionais que têm, conhecer a realidade sociofamiliar da amostra quanto à presença dos avós, identificar as perceções que estes têm acerca do contributo dos avós no seu Bem-Estar Psicológico, caracterizar a amostra quanto às dimensões do Bem-Estar Psicológico e compreender as implicações dos avós no Bem-Estar Psicológico dos jovens universitários.

Os instrumentos utilizados foram uma ficha de dados sociodemográficos, criada, testada e aplicada para recolher dados acerca dos participantes, de modo a caracterizá- los do ponto de vista sociodemográfico e também a Escala de Bem-Estar Psicológico (Novo, Duarte-Silva & Peralta, 1997), a qual se encontra adaptada à população portuguesa, construída a partir das escalas originais Psychological Well-Being Scales (PWBS) de Ryff e Essex (1992), com 14 itens por dimensão, num total de 84 itens.

A amostra do Estudo 1 é composta por 1287 participantes de ambos os sexos, estudantes dos diferentes ciclos de estudos da Universidade de Lisboa, apresentando uma margem de erro de 3%, um intervalo de confiança de 95%.

Antes da realização do Estudo 1, os instrumentos foram analisados por pessoas com experiência na área da investigação, com vista à obtenção de comentários, ideias ou sugestões e à verificação das perguntas individuais e verificação do questionário como um todo.

Como cada etapa da investigação pode ter problemas de ordem ética o investigador garantiu e respeitou os direitos dos participantes, tendo sido seguidos os princípios da American Psychological Association, nomeadamente os que se prendem com o respeito pelos direitos e dignidade dos participantes e com a responsabilidade social na divulgação dos resultados, a aceitabilidade ética do estudo, o consentimento informado, a salvaguarda da integridade dos participantes e a confidencialidade dos resultados obtidos.

As respostas à Escalas Bem-Estar Psicológico (Novo et al., 1997) foram analisadas no SPSS (v.24), devidamente pontuadas, e foram levadas a cabo várias ações, nomeadamente a análise fatorial confirmatória, a análise de consistência interna e testes estatísticos que forneceram informação relevante, tendo em conta tanto os objetivos do estudo como as questões de investigação.

No segundo momento da investigação (Estudo 2) foram realizadas entrevistas aos participantes, procedeu-se à transcrição das entrevistas e, numa fase posterior, à análise de conteúdo e à interpretação dos dados. Os participantes (n=18) foram selecionados de forma aleatória, de entre os participantes do Estudo 1 (n=1287), de acordo com os critérios previamente estabelecidos de manifestação de interesse e disponibilidade para serem entrevistados. Para o efeito foi elaborada uma lista com os contactos de email dos participantes que haviam mostrado disponibilidade para participar no Estudo 2 (n=317), pela ordem de chegada das respostas aquando do Estudo 1.

As entrevistas semiestruturadas centraram-se nos seguintes objetivos: caracterizar os jovens universitários em termos sociodemográficos; conhecer o seu passado familiar; caracterizar as formas de contacto entre jovens e avós; e conhecer as suas perceções acerca do relacionamento com os avós. A tipologia de entrevista escolhida para este estudo foi a entrevista semiestruturada com 17 questões, tendo por base um guião previamente construído que permitiu obter as informações pretendidas. Após as questões acerca da idade e do ciclo de estudos, o guião para a realização das entrevistas semiestruturadas baseou-se nos indicadores de high-score e low-score das Escalas de Bem-Estar Psicológico (Novo et al., 1997).