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I m pactos em áreas de acampamento

Áreas de acam pam ento são o principal destino de m uitos visitantes de áreas naturais e recebem um a grande quantidade de uso. Conseqüentem ente os im pactos são freqüentem ente pronunciados nesses locais. As áreas de acam pam ento variam m uito, desde áreas m uito desenvolvidas em locais extensos que recebem visitantes m otorizados até áreas de acam pam ento rem otas, pouco im pactadas e desenvolvidas. Da m esm a form a com o os objetivos dessas áreas são distintos, as form as de levantam ento de suas condições e o seu monitoramento também variam (Hammitt & Cole, 1998).

Nesse trabalho a caracterização do im pacto em áreas de acam pam ento foi realizada em duas etapas:

A. Avaliação do im pacto em áreas de acam pam ento utilizando a m etodologia utilizada por Magro et al. (1999), visando identificar as alterações dos im pactos no decorrer de um período de quatro anos;

B. Levantam ento detalhado dos im pactos em áreas de acam pam ento, visando obter inform ações m ais com pletas sobre a situação atual dos im pactos nas antigas áreas de acam pam ento do Planalto.

As áreas de acam pam ento estudadas em am bas as etapas foram aquelas que estão localizadas em frente ao Hotel Alsene, ao longo da estrada que liga esse hotel ao Posto 3, nas im ediações do Abrigo Rebouças e no Brejo da Lapa.

Etapa A - Avaliação do im pacto em áreas de acam pam ento

O prim eiro levantam ento de im pactos causados pela recreação em áreas de acam pam ento da região do Planalto do PNI foi realizado por Magro et al. (1999), com o parte de um program a de m onitoram ento e planejam ento do manejo das

atividades de uso público no Parque Nacional do I tatiaia. Essa avaliação foi realizada em 16 áreas, em julho de 1998, e em 19 áreas em fevereiro de 1999.

O presente trabalho seguiu a m esm a m etodologia de avaliação utilizada nas avaliações de 1998 e 1999, utilizando os seguintes indicadores de im pacto ecológico e recreativo:

a) Veget ação: para os verificadores área de solo nu e área de vegetação degradada deve- se identificar a form a da área (círculo, retângulo ou triângulo) e determ inar suas medidas (raio, base ou altura, dependendo da form a); para os verificadores arbust os com galhos quebrados e indícios de fogo deve- se cont ar o núm ero de ocorrências em cada área.

b) Saneamento: para os verificadores dej et os e lixo espalhado deve- se anotar a freqüência da ocorrência (não/ m uito/ pouco).

Utilizou- se a m esm a ficha de cam po (Anexo C) desenvolvida por Magro et al. (1999) e também foi possível contar com a presença de um membro da mesma equipe que realizou o levantam ento em 1998/ 1999, de form a a garantir a consistência e precisão dos dados.

Etapa B - Levantam ento detalhado: nesse levantam ento optou- se pela utilização da metodologia da avaliação de m últiplos parâm etros com base em m ensurações, pois de acordo com Monz (1999) e Ham m itt & Cole (1998) trat a- se

do m étodo m ais preciso de avaliação de im pactos em áreas de acam pam ento. Assim , com base nos estudos desenvolvidos por Takahashi (1998), Cole (1982), Cole & Hall (1992) e Marion (1991), selecionou- se os seguintes indicadores organizados em um a ficha de campo (Anexo D):

a) Área total: segundo Leung & Marion (1999b), o tam anho da área de acam pam ento é o indicador m ais utilizado para a avaliação do im pacto causado pela atividade de cam ping na paisagem. Essa medida foi tomada com base na m etodologia proposta por Marion (1991), denom inada Método do Transecto Radial Variável (Figura 2).

Figura 2 - Método do transecto radial variável

A seguir, está um a descrição das etapas do m étodo:

- I dentificar os lim ites da área de acam p am ento: percorrer os lim ites da área, colocando estacas em pontos estratégicos que, se conectadas, form arão um polígono cuja área é sim ilar à clareira de acam pam ento. Para definir claram ente quais são os lim ites utilizar a análise de fatores com o: cobertur a vegetal, altura e alterações na vegetação e presença de m atéria orgânica.

- Selecionar e referenciar o ponto central: selecionar um ponto central que seja visível de todos os pontos m arcados nos lim ites da área e que possa ser facilm ente referenciado a partir de estruturas perm anentes com o árvores ou blocos de pedra. Colocar um a estaca nesse ponto e referenciá- lo em relação a pelo m enos três estruturas perm anentes.

- Anot ar o azim ut e dos t ransect os e seu com prim ent o: de pé exatam ente sobre o ponto cent ral, identificar e anotar o azim ute de cada estaca localizada nos lim ites da área, assim com o a distância entre o ponto central e cada estaca.

- Medir as áreas “ ilha” e “ satélite” : identificar as ilhas de vegetação não perturbada que se encontram dentro dos lim ites da área de acam pam ento (freqüentem ente devido à presença de árvores ou arbustos), assim com o as áreas satélite de vegetação perturbada localizadas fora dos lim ites (freqüentem ente devido a áreas de “cozinha”). I dentificar os lim ites de cada um a dessas áreas usando um a fita. Medi- las utilizando o m étodo das figuras geom étricas, descrito por Marion (1991), através da associação de um a figura geom étrica à área.

A área de cada clareira de acam pam ento foi obtida através do cálculo da área do polígono form ado pela união dos pontos m arcados no seu lim ite. Esse cálculo foi obtido utilizando- se o Programa AUTOCAD. Em seguida somou- se as áreas sat élit e e subtraiu- se as áreas ilha, chegando- se ao valor final da área total de cada clareira de acam pam ento.

b) Área de solo nu: foi medida utilizando- se o m étodo das figuras geom étricas.

c) Danos às árvores/ arbustos: o núm ero de árvores/ arbustos localizados dentro da área de acam pam ento com m arcas, iniciais (letras), pregos, galhos quebrados ou out ras cicat rizes causadas por visitantes foi contado. Tam bém foram incluídos tocos e/ ou árvores derrubadas. Os indivíduos com vários danos foram contados apenas uma vez.

d) Marcas de fogueiras: foram contadas as m arcas de fogueiras existentes na área de acam pam ento e tam bém nas áreas “satélite”. Foram incluídas fogueiras antigas, pedras enegrecidas, carvão e restos de cinza.

e) Quantidade de lixo: o lixo presente na área de acam pam ento foi localizado, quantificado e classificado em: (N)= nenhum ou menos do que uma mão cheia; (P)= m ais do que um a m ão cheia até o suficiente para encher um balde de 10 litros; (M)= mais do que um balde de 10 litros de lixo.

f) Trilhas sociais: trilhas sociais são os caminhos informais que ligam a área de acam pam ento à fonte de água, à trilha principal, a outras áreas de acam pam ento ou a áreas satélite. As trilhas sociais ou acessos secundários foram localizados e quantificados.

g) Dejetos humanos: as trilhas sociais nos arredores da área de acam pam ento foram percorridas em busca das áreas utilizadas com o “banheiro”, tipicam ente áreas próxim as, m as não vistas, da clareira de acam pam ento. O núm ero de áreas de “banheiro” presentes, definidas com o áreas separadas que exibiam fezes hum anas ou papel higiênico, foi contado.

h) Núm ero de outras áreas visíveis: contagem do núm ero de outras áreas de acam pam ento que eram visíveis da clareira sendo avaliada (visibilidade inter áreas). i) Resistência do solo à penetração: considerando- se a resistência do solo à penetração um a m edida sensível e de fácil obtenção, como sugerem Cole (1989b) e Cole & Hall (1992) em suas avaliações de im pacto da recreação, a m edida foi determ inada utilizando- se um penetrôm etro m odelo Lang, aparelho com um a ponta de ferro que é introduzida no solo até a sua base. Um anel é deslocado ao mesmo tem po em que a ponta penetra no solo ao lado de um a escala que fica na parte superior do instrum ento. Os núm eros de 1 a 19 indicam o grau de resistência à penetração utilizando a unidade Kgf/ cm2. Quanto maior o número, mais dura é a

cam ada superficial do solo.

Em cada área de acam pam ento foram am ostrados cinco pontos, cujas distâncias a partir do centro em direção à borda foram sorteadas aleatoriam ente. Em cada ponto foram realizadas cinco leituras. Realizaram- se as mesmas medições para uma área adjacente à área de acam pam ento.

j) Fotografia: selecionou- se um ponto que perm itisse um a boa visada da área de acam pam ento, preferencialm ente um dos pontos localizados no lim ite da área utilizado na dem arcação da área total. O ponto foi referenciado em relação ao centro da área de acam pam ento e a outros objetos perm anentes, de form a a poder ser localizado em levantam entos posteriores (azim ute e distância). O objetivo foi obter um a fotografia que incluísse a m aior parte da área possível e perm itisse avaliar as condições do local. Os dados relativos à fotografia com o altura do tripé, azim ute, abertura e velocidade foram anotados. O equipam ento utilizado foi um a máquina digital modelo SONY DSC- S85.

I mpactos em trilhas

Da mesma forma que, em relação às áreas de ac am pam ento, a caracterização do im pacto nas trilhas foi realizada em duas etapas:

A. Avaliação do im pacto em duas trilhas (Agulhas Negras e Prateleiras), utilizando a m etodologia utilizada por Magro et al. (1999), visando identificar as alterações dos impactos após um período de quatro anos;

B. Levantam ento detalhado dos im pactos em quatro trilhas (Agulhas Negras, Prateleiras, Couto e Aiuruoca), visando obter inform ações m ais com pletas sobre a situação atual dos im pactos nas trilhas m ais utilizadas do Planalto.

Descrição das trilhas:

(1) Abrigo Rebouças – Base1 3 do Pico das Agulhas Negras: aproximadamente 1.300 m etros.

(2) Abrigo Rebouças – Base das Prateleiras1 4: aproximadamente 1.100 metros. O

trecho que liga o Abrigo ao início da trilha, com aproxim adam ente 1.100 m etros de estrada de terra, não foi considerado.

(3) Pico do Couto: aproxim adam ente 1.400 m etros.

(4) Abrigo Rebouças – Cachoeira do Aiuruoca: aproximadamente 6.000 metros.

Etapa A - Avaliação do im pacto nas trilhas das Agulhas Negras (base) e das Prateleiras (base)

O prim eiro levantam ento de dados de im pactos ecológicos nas trilhas do Planalto do PNI com finalidade de m onitoram ento foi realizado por Magro (1999) na trilha Rebouças- Sede. Os dados da autora são de levantam entos realizados em 1995 e 1996, onde os indicadores de im pacto que m elhor refletiam as condições de degradação e de recuperação da área estudada foram selecionados.

13 Est e est udo considerou o t recho da t rilha que vai at é a base do Pico das Agulhas Negras. A partir desse pont o exist em vários acessos ao Pico e part e da cam inhada/ escalada é feit a sobre rocha.

14 Este estudo considerou o trecho da trilha que vai at é a base das Prat eleiras. A part ir desse pont o exist em vários acessos ao cum e e part e da cam inhada/ escalada é feit a sobre rocha.

Posteriorm ente, Magro et al. (1999) realizaram novos levantam entos nas trilhas das Prateleiras e das Agulhas Negras. Os indicadores biofísicos selecionados foram avaliados através de um a am ostragem sistem ática. O levantam ento em cada um dos pontos am ostrais ocorreu em visadas de 360º , procurando detectar os im pactos nos dois sentidos de cam inhada e avaliando todos os verificadores e descritores1 5 selecionados. A distância entre pontos utilizada na avaliação de 1998/ 1999 foi de 50 m etros para as duas trilhas, totalizando 29 pontos am ostrais na trilha de Agulhas Negras e 23 pontos na trilha das Prateleiras.

Os indicadores utilizados nesse levantam ento estão descritos a seguir e organizados em uma ficha de campo (Anexo E):

a) Veget ação: verificar se a vegetação, no ponto de observação e ao lado da trilha, encontra - se pisoteada, anotando- se a intensidade do pisoteam ento (pouco ou m uito). Outros verificadores utilizados para esse indicador são: evidências de fogo ( incêndio); solo nu fora da trilha e vegetação degradada fora da trilha. Para todos esses verificadores deve- se anotar o núm ero de ocorrências a que se refere a pergunta, a presença ( s/ n – sim ou não) ou a intensidade (pouco ou m uito) (Magro et al., 1999).

b) Leito da trilha: os verificadores canal, sulco, erosão lateral e exposição de pedras devem ser preenchidos segundo a ocorrência no ponto de avaliação. Em cada um dos pontos deve- se medir a largura e a profundidade da trilha, que indicarão as condições de m anutenção desta. O verificador m á drenagem aponta deficiências da trilha em escoar a água das chuvas, resultando em poças ou em grande quantidade de lama. Quando a água não possui nenhum outro canal de drenagem além do leito da trilha, isto tam bém é considerado um problem a de drenagem . O verificador t rilhas não oficiais refere- se ao núm ero de cam inhos abert os pelos visit ant es, visualizado no ponto de avaliação e ao m otivo aparente da causa do problema (corte de cam inho, uso de “sanitários silvestres”, vista panorâm ica, banho de rio, et c.) . (Magro et al., 1999)

15 Os autores do trabalho citado (Magro et al., 1999) descrevem indicadores com o variáveis que podem represent ar condições am bient ais e experienciais que se desej am avaliar. Verificadores são parâmetros que perm item avaliar em cam po as condições em que se encontra o indicador selecionado. Os autores citam “ leito da trilha” com o exem plo de um indicador biofísico para se avaliar a qualidade das trilhas. Com o exem plos de verificadores para o indicador “ leit o de t rilha” est ão a largura, profundidade, risco oferecido aos visit ant es, et c. Já descrit ores são as cat egorias de cada verificador com o sim / não; m uito/ pouco.

c) Segurança: em cada ponto deve avaliar- se o risco de escorregam ent o e o risco fat al apresent ado ao visit ant e ( Magro et al., 1999) .

d) Danos: os verificadores são vandalism o em estruturas, árvores com danos e inscrições em rochas, devendo- se anot ar sua presença ou ausência e a causa aparente (Magro et al., 1999).

Na coleta de dados descrita neste item (Avaliação) utilizou- se a m esm a ficha de cam po utilizada por Magro et al. (1999) e tam bém foi possível contar com a presença de um membro da mesma equipe que realizou o levantamento em 1998/ 1999, de form a a garantir a consistência e precisão dos dados.

Etapa B - Levantam ento detalhado:

Utilizou- se a metodologia descrita por Hammitt & Cole (1998), que indica que as inform ações sobre as condições da trilha sejam coletadas em cem pontos am ostrais distribuídos sistem aticam ente ao longo do trajeto em função de sua extensão. Por exem plo, a trilha 1 tem 1.300 m etros, portanto os pontos foram distribuídos em intervalos de 13 m etros, a partir de seu início. Segundo Leung & Marion (1999a), um a estim ativa acurada do panoram a dos im pactos em um a trilha pode ser obtida através do m étodo da am ostragem sistem ática. Com base nos trabalhos desenvolvidos por Magro (1999), Takahashi (1998) e Cole (1991), foram selecionados os seguintes indicadores de im pacto:

a) Com pactação do solo: diminuição do volume do solo ocasionada por compressão causando um rearranjam ento m ais denso das partículas do solo e conseqüente redução da porosidade (Curi1 6 citado por Magro, 1999). Para obter um a m edida da resistência m ecânica da cam ada superficial do solo foi utilizado o Penetrôm etro Lang. Foram feitas cinco leituras para a obtenção de um a m édia para cada ponto amostral no leito da trilha e cinco leituras em uma área lateral à trilha, para com paração posterior.

b) Largura total da trilha: m edida da área de influência do pisoteio. Foram incluídas a s bifurcações, cam inhos antigos de gado e área pisoteada. Um a vez m arcado o t ransect o, buscaram- se os sinais m ais evidentes que indicassem o final da área de influência do uso com o a vegetação m ais baixa e alterada.

16 CURI ,N. ( Coord.) Voca bulá r io de ciê ncia do solo. Cam pinas: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 1993. 89p.

c) Largura da trilha: m edida tom ada entre as laterais do leito da trilha principal. Essa m edida tam bém foi usada para calcular a área da seção transversal da trilha. d) Solo exposto: área sob influência direta do pisoteio, sem vegetação. Considerou- se solo exposto toda a área no leito da trilha com m enos que 5% de cobertura vegetal viva e m usgo. O barranco não foi considerado, nem as áreas laterais da trilha que não são utilizadas para caminhar.

e) Profundidade do canal: m edida vertical da m aior profundidade do canal, tom ada a partir de uma linha horizontal esticada entre as duas extrem idades laterais do leito principal da trilha.

f) Área Transversal: a partir dos dados da largura da trilha (c) e da profundidade do canal (e), calculou- se a área transversal da trilha (perfil), que é um im portante indicador de erosão. De acordo com Hammitt & Cole (1998) essas medidas são mais rápidas de serem m ensuradas no cam po e tão eficientes quanto o levantam ento da área da secção transversal.

g) Trilhas e cam inhos secundários: núm ero de bifurcações a partir da trilha principal. Um a trilha que apresentava três cam inhos laterais teve a m arcação 1 + 3. h) I ndicadores qualitativos: são características indicativas da qualidade do leito da trilha e de sua aparência, levantados por Bayfield1 7 citado por Magro (1999), com o:

degraus, erosão, pedras, desbarrancam ento lateral, raízes expostas, drenagem ruim e lixo.

Após a seleção dos indicadores elaborou- se a ficha de cam po que foi utilizada no levantam ento (Anexo F). Para que os dados pudessem ser coletados de form a homogênea no cam po, considerando- se a subjetividade de alguns indicadores, os levantam entos foram realizados pela m esm a equipe, pois de acordo com Magro & Freixêdas (1998), o ideal é que a m esm a equipe efetue todo o levantam ento de uma trilha, para que não haja dif erenças significativas na form a de coleta de dados.

17 BAYFI ELD, N.G. M onit oring ha ndbook: t hree peaks proj ect . Banchory: I nst it ut e of Terrest rial Ecology, 1988. 61p. (I TE. Report, 3).