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2. BENSINDREVNE PERSONBILER
Proposta de princípios metodológicos no trabalho terminológico:
a) Explicitar o objetivo do trabalho;
b) Precisar bem o domínio e subdomínio da especialidade;
c) Determinar o público-alvo do produto terminológico, o tipo de terminologia a compilar e as convenções linguísticas a seguir;
d) Definir o modelo de trabalho e o formato;
e) Selecionar um corpus adequado ao domínio ou subdomínio que se quer tratar; f) Selecionar os candidatos a termo - detetar as formas terminológicas e verificar se
estas servem para designar sistematicamente um conceito;
g) Organização conceptual (ao nível dos conceitos) para definir quais são os termos do domínio;
h) Organização semântica (ao nível do léxico) para chegar às designações dos conceitos, ou seja, aos termos em uso ou normalizados;
i) Determinar quais são os termos do domínio - passagem de candidatos a termo a termos;
j) Definições dos conceitos e respetiva validação por especialistas;
k) Identificação das fontes de validação das entradas principais (termos, contextos de uso, definições). As fontes poderão ser corpus escrito, oral ou multimedia, especialistas, fontes ou referências bibliográficas, gravações de reuniões com especialistas, etc. As fontes devem constituir autoridade. Importa recorrer a todas as fontes terminológicas fiáveis que possam validar os termos como normalizados no domínio;
l) Apresentação dos dados de maneira sistemática e uniforme e atualização regular – correções, adição de novos termos, eliminação de termos obsoletos ou fora de uso, atualização de corpus;
m) Constituição de normas de edição para um recurso terminológico, ou de manual de utilizador, especialmente se se tratar de uma base de dados para utilização externa, como por exemplo terminologia colaborativa.
Considerações a ter em conta no processo de trabalho:
a) Métodos específicos de compilação de terminologia dependem da natureza do conteúdo a extrair e do objetivo da compilação. (Sager:1990,153) “A terminological application must be oriented towards the solution of specific needs (…). It must take into account its recipients and the activities they plan to carry out by means of such a specific application. (…) It is the circumstances of each situation which determine the type of application (…) in one or several languages, the information they must contain, their representation and even their means of dissemination.” (Cabré: 2003,182,183);
b) Qualquer terminologia é sempre social e cultural. A terminologia descritiva permite ter em conta a dimensão conotativa adquirida pelo uso;
c) Cada domínio e grupo profissional tem necessidades diferentes e por isso as aplicações terminológicas devem adequar-se à situação comunicativa de uso. A prescrição não é eficaz em certos contextos, exceto quando se trata de normalização industrial. “Les méthodes issues d´ applications de sciences plus formalisées sont dificilmente utilisables dans des savoirs plus incertains (…).” (Rey, 1979:13);
d) A presença dos não ditos é uma das principais características do discurso especializado. A análise conceptual previne erros de interpretação e reduz a ambiguidade. Para melhorar a qualidade da língua é preciso organizar o conhecimento. Perceber o conceito é fundamental para chegar a uma tradução adequada dos termos;
e) “Em cada idioma seleciona-se o termo mais apropriado que represente o conceito nesse idioma, em detrimento de uma tradução literal.” (NP EN ISO 9000:2005,28);
f) Quanto mais técnica for a área, menos é aceite variação que possa trazer ambiguidade ao discurso;
g) Nem todos os corpora servem para a base de dados. O corpus a selecionar deve respeitar estes critérios: adequação, atualidade, qualidade, representatividade. h) “A qualidade de uma ficha terminológica reside na autenticidade e
representatividade dos usos. (…) O terminólogo responsável por uma área temática (…) deve garantir que os dados que põe à disposição (…) sejam coerentes, estejam atualizados e cumpram normas de qualidade.” (Pavel e Nolet:2001, 1,9) ;
i) A frequência dos termos não deve ser considerada um indicador 100% fiável. Uma palavra pouco frequente pode ser um termo e uma muito frequente pode não o ser. Logo, o humano terá sempre de certificar os resultados;
j) O uso profissional dos termos suscita novos termos, cuja estabilização lhes concede o estatuto de discurso harmonizado, o qual deve ser distinguido de normalização, que resulta de uma instituição;
k) O terminólogo deve ser ele próprio um especialista na(s) sua(s) área(s) de trabalho ou manter-se em contacto com especialistas. É crucial que o
terminológo aprenda a documentar-se, utilizando uma bibliografia de referência, fiável e útil;
l) Para elaborar um arquivo terminológico é conveniente estabelecer um método de registo e elaborar um guia de redação.
Além das considerações anteriores, é importante considerar que a sistematização do processo de trabalho por etapas faz com que não se perca tempo desnecessariamente. Muitas vezes, perde-se demasiado tempo com o corpus e há que ter em conta que a abrangência total de corpora não é exequível. Assim, a constituição de corpus deve ser considerada uma parte do trabalho terminológico, mas não o trabalho essencial. Além disso, a informação extraída de determinado corpus, em determinada altura, é válida enquanto a atualidade da base textual se mantiver. Quando essa atualidade é posta em causa, a informação tem de ser revista. Como tal, a compilação de terminologia deve ser uma atividade contínua e sistemática.
O especialista pode entrar em todas as fases do processo terminológico, pois pode contribuir para aumentar a qualidade da metodologia, a qual influencia o trabalho terminológico. O terminólogo deve delimitar com o especialista a fronteira entre conhecimento e opinião, para a validação de uma terminologia. Além disso, deve ter em conta que cada especialista tem uma escola teórica, uma visão, uma posição na carreira, e pertence a uma determinada geração. Sendo que a seleção de um só especialista pode conduzir a apreciações não objetivas da informação, o ideal é comparar várias apreciações.
A compilação da terminologia de uma área de especialidade permite expor conhecimentos relativos ao funcionamento discursivo e social dos termos. Para perceber esse funcionamento, o terminólogo deve estar consciente de todas particularidades que um discurso especializado pode conter. Quanto mais especializado for o texto mais tem de se ler nas entrelinhas. Tal reforça a importância de trabalhar a partir do corpus, no trabalho terminológico.
A terminologia tem de ultrapassar as barreiras culturais que se colocam, tendo em vista uma comunicação funcional. Muitas vezes, é preciso reter colocações, efeitos
estilísticos, subentendidos, alusões, o registo, a tonalidade. De acordo com Roche (2005), os termos empregues são específicos de uma profissão e remetem para uma realidade extralinguística partilhada que envolve objetos, métodos, práticas ou processos. Assim, é necessário precisar os termos e equivalentes corretos para cada domínio e/ou subdomínio do conhecimento. O terminólogo deve utilizar o mais possível a terminologia normalizada da indústria, adequada ao domínio do conhecimento – o registo correto de acordo com as convenções.
Cada domínio do conhecimento apresenta problemas específicos próprios e é preciso assegurar a transferência intercultural. Além disso, um domínio especializado integra frequentemente discursos de outros domínios. O terminólogo é confrontado com frequência com o problema da polissemia, o qual só se resolve em contexto.
Em suma, para melhorar a qualidade da língua é preciso organizar o conhecimento. O papel da terminologia a um nível prático é compilar, descrever e gerir termos, através de métodos e procedimentos adequados. Consideramos que é possível alcançar resultados fiáveis através de princípios teóricos sólidos e do apoio de especialistas. É preciso recorrer a todas as fontes terminológicas fiáveis que permitam validar os termos como harmonizados ou normalizados de um domínio. Assim, o conhecimento teórico e a prática devem aliar-se na conceção de produtos terminológicos, os quais devem servir para estabelecer ou facilitar a comunicação profissional.