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How does ICT support inclusion of visually impaired students?

5 Chapter Results and Analyses

5.1 How does ICT support inclusion of visually impaired students?

Neste contexto, interessou-nos perceber como é que esta recente fase de reabilitação do edificado em Alfama transforma a vida dos residentes do bairro. Ou seja, procurámos saber se haveria melhorias nas condições de habitabilidade dos residentes bem como verificar outros fatores que, neste contexto, pudessem estar associados à reabilitação do edificado.

Como já verificámos no ponto anterior, parte do edificado do bairro tem sido recuperado devido ao investimento no alojamento turístico. No entanto, falta-nos mencionar o que iremos demonstrar a seguir, e que nos parece pertinente neste estudo: que esta fase de reabilitação do tecido habitacional, em vez de beneficiar os residentes do bairro, parece ter consequências nulas ou até negativas para o seu bem-estar.

Nenhum residente entrevistado viu melhorias nas condições de habitabilidade da sua casa, devido a esta recente fase de reabilitação, e nenhum entrevistado mencionou casos em que outros residentes pudessem ter sido por ela beneficiados. Pelo contrário, os depoimentos dos residentes apontam para duas consequências negativas: piores condições de habitabilidade e desalojamento.

A reabilitação do edificado habitacional em Alfama, quando associada ao alojamento turístico, faz-se de uma forma seletiva, em que os habitantes permanentes não usufruem das obras de melhoramento. Ou seja, há casos de edifícios compostos maioritariamente por apartamentos turísticos em que houve obras de reabilitação apenas nas frações destinadas ao aluguer de curta duração, excluindo as frações onde vivem residentes. As declarações do Taborda, que reside num prédio com 7 apartamentos turísticos, remetem para esta situação:

“O primeiro dizia-me assim: "Sr. Taborda, faça da casa o que quiser, desde que não a deite abaixo – mas dentro da casa faça o que quiser!". Também não gastou um tostão comigo... Nenhum senhorio gastou um tostão comigo – há 50 anos que ali moro! (…) A última que fiz, gastei 5000€ – pintar a casa toda, instalação nova toda, toda, canalização onde precisava... Na minha casa está tudo novo e não há senhorio nenhum que gastasse lá um tostão.” “O senhorio que comprou, fez obras no prédio todo. Está tudo com coisas novas, tudo, tudo, tudo.” “Menos a minha e a da vizinha. Mas a minha está boa, está nova! Mas é à minha conta! A lá de cima não sei como está e como não está...” (Taborda, entrevista nº12)

66 Verificámos, também, a existência de situações em que houve degradação das condições de habitabilidade devido a danos provocados pelas obras efetuadas no resto do edifício. As declarações do Júlio, que reside com os pais num prédio composto por alojamentos turísticos, mostram esta situação:

“As obras sempre foi o meu pai que fez! Isto já há... quê? Já passado uns três ou quatro senhorios! Que já passaram, que já compraram e venderam aquilo!” “Já o último é que, depois de ter comprado, fez obras nalgumas casas, mas não naquelas que ainda estavam arrendadas. E neste caso, o prédio está todo arranjado menos a casa do meu pai.” “Agora, é que eles andaram lá e estragaram aquilo tudo. (…) E, entretanto, eles foram para lá com as obras no prédio e meteram água para baixo e ficou tudo por arranjar! Disseram que iam arranjar... Tiraram as vigas e aquilo ficou por arranjar... Passaram aquilo para outro senhorio e pronto, são as tais palhaçadas! Ficámos à espera a acreditar que faziam as obras...” (Júlio, entrevista nº6)

Por último, verificámos existirem casos em que a reabilitação do edificado aparece diretamente implicada no desalojamento direto dos moradores. Ou seja, situações em que os inquilinos são intimados a abandonar a casa onde vivem, para que se possa proceder à reabilitação do imóvel e, depois, promovê-lo como alojamento turístico, com um arrendamento mais rentável que a habitação permanente. As declarações da Catarina e da Maria José, que tiveram de abandonar as suas casas (que são agora alojamento turístico), remetem para este fenómeno:

“E ali também fiz obras, o meu marido: pintou, o teto tinha uma barriga de humidade, ele fez um teto falso. O chão estava muito feio... A senhoria não fez obras à casa. Para ficar lá, pus o chão, o teto falso, pintei e fiquei ali.” “É que as casas eram muito antigas, com canos velhos por fora, eletricidade por fora. E ele começou a fazer obras nos que estavam vazios. Mas tinha que ir até abaixo. E foi. Fez isso.” “Ainda a única no prédio que não tinha tido obras, era a minha. E eu pedi, mas ele disse que não fazia obras porque no fim do ano acabava o contrato e ele não renovava.” ““Antes não tinha dinheiro para fazer obras, agora já teve, para o turismo.” (Catarina, entrevista nº1)

“Tens inundações, tens humidades, tens isto, tens aquilo... A minha andava a falar que tinha de mudar os tetos, mas que eu tinha de sair de casa... E que isto e que aquilo... (…) E coisas assim! Ela não queria era fazer! Mas eu também ia mantendo. Eu ia pintando a casa. E ia arranjando aquilo ali.” “” É só para dizer que não te vou renovar o contrato...!" A mim caiu-me tudo! Foi num domingo, eu ia trabalhar... caiu-me tudo! Fiquei sem ar…”

67 “E agora a minha casa está a ser arranjada, que ela bem precisava, para ser alugada a turistas...” (Maria José, entrevista nº8)

Apurámos, assim, duas consequências negativas: o agravamento das condições de habitabilidade dos residentes, nos casos em que as obras de reabilitação, para transformar habitação corrente em alojamento turístico, provocam danos nas casas envolventes; e o desalojamento direto, que iremos aprofundar no ponto seguinte, mas que neste contexto nos demonstra que a reabilitação do edificado pode implicar a expulsão dos inquilinos.