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3. Organisering av ACT-teamene

3.2 Bemanning i teamene

“Então hoje o que mudou? Mudou que a gente tem uma relação formalizada, eu sinto que isso é quase que um pouco assim quando a gente passa de namoro a casamento: enquanto tá namorando, brigou você vai pra sua casa, eu vou pra minha, a gente tá junto mas... e na hora que casa não, a gente tem um documento que formaliza aquilo, a proposta é outra, o caminho é diferente, vai se estabelecer uma relação que nenhum dos dois sabe como é que faz porque acabaram de fazer aquilo. Então o que é estar casado? O que é agora ter uma relação junto com a secretaria de educação?” (João, coordenador geral da ONG).

A parceria com o PEI suscitou ações políticas, novas parcerias e articulações com outros órgãos e outras instituições. O coordenador de unidade, Luiz, explica que a própria parceria com a Secretaria de Educação foi uma consequência da parceria com o PEI. Sob o ponto de vista de João, o convênio com a prefeitura surge de uma necessidade da comunidade, e a parceria com o PEI é um reflexo da municipalização das políticas. Num primeiro momento, a parceria foi boca a boca, depois foi sendo estabelecidos os termos, pois a Secretaria de Educação também conseguiu entender o que era o papel de cada um nesse lugar, porque, num primeiro momento, ela mesma não sabia, afirma ele.

“Quando vem a parceria via secretaria municipal de educação, acaba aquela parceria improvisada, porque aí são duas instituições se juntando. A parceria com a Escola Integrada deu forma. Eu acho que essa é a mudança. Isso que mudou, isso ficou muito legal, porque são duas instituições focadas num mesmo propósito, por caminhos totalmente diferentes mas que efetivamente se estabeleceram enquanto parceria, uai. Então, ó, eu faço isso, você faz isso, eu cuido dessa parte você cuida dessa, eu te dou isso, você me dá isso e a gente combina. As ONGs tinham um processo que era assim, tinha um edital que falava que precisava defender os direitos das crianças e adolescentes, então formatava a

ONG inteira para aquele edital, formatava a ONG inteira pra poder fazer a parceria com a prefeitura. Isso é uma coisa que a gente batalha a todo momento. Nós estávamos formatando a parceria, e não a ONG, e nem lá fora.” (João, coordenador geral da ONG).

Durante a entrevista, João deixa muito claro que a consolidação dessa parceria foi muito positiva, porque eles entraram nela muito cientes do trabalho que desenvolviam, assim como a Secretaria de Educação. O que estava sendo negociado era uma questão institucional: Brincadeira de Roda, ONG, CNPJ, Prefeitura, Secretaria Municipal de Educação. Não estavam sendo discutidos metodologia nem formato. Eles já tinham sua identidade bem definida.

“Uma coisa que eu vejo que foi uma vantagem muito grande pra gente é o fato de que quando essa relação foi estabelecida, a Brincadeira de Roda sabia quem ela era. Ela não chegou em uma relação, junto com a secretaria de educação, sem identidade, perguntando o que ela faz. Não, a gente já sabia, a gente já foi lá sabendo qual que é o nosso métier, o que é o nosso gol. Então, por mais que a secretaria às vezes tentasse direcionar pra um outro caminho ou tentasse dizer alguma situação que não fosse aquilo, a gente não aceitou. Então foi possível estabelecer uma relação muito coerente. Tanto a secretaria de educação prezando por aquilo que ela deseja, e a gente também, né, e pensando assim: ‘Então como é que a gente casa isso?’. Um exemplo prático era: a gente solicitou à secretaria então um espaço para a realização das oficinas e a gente lutou junto com a secretaria até conseguir um espaço adequado para o nosso trabalho. Não é perfeito, mas ele é adequado. Eles queriam que aqui funcionassem outras oficinas. Não, não! É pra gente! A gente precisa dessa tranquilidade de ter o espaço, e com todas as justificativas, do porque que tinha que ter, porque que tinha que ser nesse formato, porque a gente já tinha essa identidade antes da relação. A Brincadeira de Roda entrou como sujeito dessa política. Não era a relação de dois gigantes não, mas de duas instituições. A gente acompanhou algumas ONGs que se perderam nesse caminho porque não tinha essa identidade do que elas fazem. Eu acho que primeiro a gente tem que se estabelecer enquanto ONG, para depois dar conta de uma parceria. Manter a identidade de uma instituição é o maior desafio, mas também o maior mérito.” (João, coordenador geral da ONG).

Quando questionado sobre o que significa ter uma identidade, ele responde que, mais do que ter experiência na área e clareza do seu trabalho, é preciso se posicionar politicamente, e essa é a parte mais difícil.

“É uma proposta política, por isso que a nossa base se chama Proposta Político Educativa, porque a gente sabe que tem política; a nossa política é esta. Tem jeito sim, é possível sim, é nesse formato que a gente entende, a criança pode e deve ser respeitada, tem uma lei que defende ela e nós batemos na tecla, tem que ter qualidade. São diferentes posições dentro da Educação Integral que estão o tempo

todo disputando espaço e eu achava que isso tinha que ser informação publica. Pra poder falar assim, aqui deixa eu te contar... fazendo assim você vai comer do mesmo. Qual é a maneira que a gente tem de enxergar a ? É isso que a gente tá brigando uai. A gente tá brigando com aquilo que a gente sabe que a gente tá brigando. A gente não tá dando tiro pra qualquer lado.” (João, coordenador geral da ONG).

Essa clareza da posição política da instituição pesquisada é crucial, pois segundo Arroyo (2012),

Uma forma de perder seu significado político será limitar-nos a oferecer mais tempo da mesma escola, ou mais um turno – turno extra –, ou mais educação do mesmo tipo de educação. Uma dose a mais para garantir a visão tradicional do direito à escolarização. (ARROYO, 2012, p. 33).

Apesar das tensões colocadas para o ajuste da parceria, tanto o coordenador geral da ONG como a Professora Comunitária da Escola definem a parceria como sensacional.

6.2 Os sujeitos da ONG no dia a dia da Escola Redescobrir e a presença da Escola no