Em sentido geral, a Igreja é constituída de todos os chamados: dos que foram, dos que estão e dos que serão salvos no futuro, segundo o plano eterno de
144 “Os últimos dias chegaram. Os últimos dias são os dias do Espírito que agora foi outorgado.” in: (LADD, 1986. p. 325).
145 “O tempo de cumprimento chego; porem o Dia do Senhor permanece um evento escatológico, num futuro indeterminado.” (LADD, 1986. p. 325).
Deus. É composta de todos os salvos, conforme: Mateus 7: 16; Efésios 4:1-3; Filipenses 1: 2ι, segundo Berkhof a igreja é: “[...] dita invisível porque é essencialmente espiritual e, em sua essência espiritual, não a pode discernir o olho humano [...], a união dos crentes com Cristo é uma união mística; o Espírito que os une constitui um laço invisível;” 146 (BERKHOF, 1990, p.569)
3.2. Igreja visível:
É constituída de todos os que professam a Jesus Cristo. A Igreja Visível não é constituída apenas de salvos. Existem pessoas tomando parte saliente no governo, nas atividades e na vida da Igreja, neste mundo e que, infelizmente não são regenerados, não pertencem Igreja Invisível, como afirma Berkhof147.
A Igreja local (visível) move-se pelo impulso do Senhor. A Igreja, segundo Stott, em seu livro: Contra Cultura Cristã, afirma que: “[...] este é um povo santo e separado [...]” 148 (STOTT, 1982, p. 03), devendo refletir no mundo, o que é verdadeiro na Igreja Invisível Mateus 18: 20; João 17: 18 - 26; Romanos12: 4 - 5. A Igreja é o vínculo de comunicação do próprio Deus. É o sacerdócio no mundo. A Igreja tem origem divina (Mateus16: 18), sua natureza é divina (I Pedro1: 3 - 5; I João 3: 9), seu ministério é divino (Efésios 3:1-12), sua constituição é divina (Efésios. 1: 22 – 23) e seu destino é divino, conforme Apocalipse 21
146 BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Campinas: Luz Para o Caminho (LPC), 1990. p. 569
147 “Por outro lado pode haver crianças e adultos não regenerados que, apesar de professarem a fé em Cristo, não tem a verdadeira fé nele, se achem na igreja como instituição externa; e estes, enquanto estiverem nestas condições, não pertencerão a igreja invisível.” (BERKHOF, 1990. p. 570).
148“O tema essencial de toda a Bíblia, desde o começo até o fim é que o propósito histórico de Deus é chamar um povo para si mesmo, que este povo é um povo “santo”, separado para lhe pertencer e obedecer; e que a sua vocação é permanecer fiel à sua identidade, isto é ser “santo” ou “diferente em todo o seu pensamento e em todo seu comportamento.” in: STOTT, John R.W. Contra Cultura Cristã. São Paulo: Aliança Bíblica Universitária (ABU) 1982. p. 03).
3.3. Igreja Militante:
Esta Igreja luta para implantar o Reino de Deus neste mundo corrompido e depravado pelo diabo. Ela é perseguida pelos sistemas filosóficos, ideológicos e religiosos. Seu adversário, satanás a todo o custo tenta neutralizá-la ou desviá-la do foco que é a implantação do Reino de Deus, conforme; Efésios 6: 12; Mateus 11: 12, sobre esta guerra Martyn Lloyd Jones afirma: “O diabo e todos estes poderes e forças subsidiários que agem em seu comando, e que se acham sob a sua direção e seu domínio, têm somente um único objetivo central – destruir a obra de Deus [...]” (LLOYD-JONES, 1981, p. 72) 149
Enquanto estivermos nesta Terra haverá luta, pois embora satanás saiba da sua derrota. Ele arremete com toda sua fúria contra a Igreja do Deus vivo Gênesis 3: 15; João 16: 33; Apocalipse12: 11; Mateus 5: 10 – 12. A Igreja está engajada nas lutas150 de seu Senhor.
3.4. Igreja Triunfante:
Enquanto a da Terra luta e é perseguida a do céu é triunfante, ou seja, é aquela que já recebeu do Senhor sua herança, conforme Mateus 25: 20-23; II Timóteo 4:7-κ, Hebreus 11). Sobre a igreja triunfante Berkhof afirma: “A Luta é finda, a batalha está ganha, e os santos reinam com Cristo para sempre.” 151 (BERKHOF, 1990, 569)
3.5. A Universalidade da Igreja:
A Igreja ocupa na história da humanidade um lugar todo especial. Conforme Efésios 1:4; a Igreja foi gerada antes da fundação do mundo, conforme Gênesis 4:
149 LLOYD-JONES, Martyn. O Combate Cristão. São Paulo: Publicação Evangélicas Selecionadas (PES), 1991. p. 72.
150 “Ela tem que estar engajada com todas as suas forças nas pelejas de seu Senhor, combatendo numa guerra que é tanto ofensiva, quanto defensiva [...].” In: BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Campinas: Editora Luz Para o Caminho, 1990. p. 560..
151 BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Campinas: Luz Para o Caminho (LPC), 1990. p. 569 .
26; planejada pelo Pai, gerada pelo Filho conforme Mateus 16: 18; João 19: 34; Gênesis dois: 21-13 e aplicada pelo Espírito Santo veja João 16; Atos dois. Como corpo, Atos 5: 11. Allmen em seu Vocabulário Bíblico afirma que: “[.] a igreja é una [...] seu cabeça é Cristo e cujos membros são os crentes [...]” 152 (ALLMEN, 1972, p. 181) nos fins do século II, dava-se o nome de Igreja Católica (Universal), com o sentido de que a Igreja está, onde Cristo estiver e que a Igreja deve ser uma e seu governo deve expressar esta verdade, sendo uno, termo usado por Inácio de Antioquia153, bispo na cidade de Antioquia, nasceu por volta de 30 ou 35 e morreu martirizado em 107 d. C. são nas cartas de Inácio que se encontram o embrião de uma estrutura centralizada ministerial, que ao passar dos tempos, veio a prevalecer em toda a cristandade posterior.
O Cristianismo começa a tomar forma e a se definir, com dirigentes reconhecidos e capazes.
Todas as Igrejas e as Congregações deveriam concordar com a Igreja de Roma, onde a tradição apostólica foi fielmente preservada.
O poder dos bispos foi fortalecido. Houve o reconhecimento de uma coleção de escritos autorizados do Novo Testamento, o Kanon Sagrado154, lista de livros, considerados inspirados por Deus e a formulação de um credo, o apostólico, que são as declarações de fé, ou símbolos de fé, aqui no caso dos cristãos, eles foram criados para expressarem as bases de fé, da Igreja, sobre este credo ou declaração de fé e seu propósito Justo L. Gonzales escreve: “[...] era um meio para reconhecer
152 ALLMEN, JJ, Von. Vocabulário Bíblico. São Paulo: Associação de Seminários Teológicos Evangélicos (ASTE), 1972, p. 181.
153 WALKER, W. W. História da Igreja Cristã. São Paulo: Associação dos Seminários Teológicos Evangélicos (ASTE), 2006. pps. 59-65.
154 GONZALES, Justo. A Era dos Mártires. São Paulo: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1986. pps 66-69. (Volume 1)
àqueles cristãos que sustentava a verdadeira fé, em meio da toda a sorte de doutrinas que pretendiam ser verdadeiras.” 155 (GONZALES, 1986, pps. 100-102).
3.6. Suas Marcas:
Sua marca por excelência é a Pregação da Palavra de Deus, conforme diz Louiz Berkhof: “[...] é a mais importante marca da igreja [...] A fiel, pregação da Palavra” 156 (ERKHOF, 1990, p. 580), sem a pregação e o ensino fiel das Escrituras, não há igreja cristã, os outros dois são decorrentes deste primeiro, quando há o fiel ensino e exposição da Palavra de Cristo, a Ceia do Senhor e o batismo serão corretamente administrados, onde a Palavra de Deus é ensinada fielmente, os sacramentos serão administrados e ensinados corretamente fazendo com que os homens temam diante de Deus e sua disciplina será exercida fielmente157
3.7. Sua Missão:
Sua tarefa principal é ensinar e pregar a Palavra de Deus158 qualquer outra coisa que faça, por melhor que seja, deve estar subordinada a isto, esta, pois, é sua tarefa primordial O homem revela seu propósito de existência quando este adora a Deus esta é a razão da existência humana159 até aqui investigamos as bases teológicas da Igreja, quanto sua origem, natureza e propósito encerraremos citando uma frase de J. D.Senarclens: “Falar da igreja, pois é, falar antes de qualquer coisa
155 GONZALES, Justo. A Era dos Mártires. São Paulo: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1986. pps 100-102. (Volume 1)
156 BERKHF, Louis. Teologia Sistemática. Campinas: Luz Para o Caminho (LPC), 1990, p. 580.
157 BERKHOF, Louis. História das Doutrinas Cristãs. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas (PES), 1992, pps. 225-227.
158 CALVINO, João. Institución de la Religión Cristiana. Paises Bajos: Fundacion Editorial de Literatura Reformada (FELIRÉ), 1986. IV, 22, 5
de Jesus Cristo que é sua vida, sua verdade, e sua realidade por meio dos membros que ele mesmo cria e anima.” 160 (SENARCLENS. p.331, 1970)