A primeira geração da avaliação educacional ocorreu, ainda no século XIX, acompanhando significativas mudanças no campo das ciências sociais. Ilustre- se o positivismo, de Augusto Comte, que introduziu a utilização de variável na pesquisa social. O tratamento estatístico da informação permitiu mensurar fenômenos, testar hipóteses, conduzir trabalhos científicos, ou seja, quantificar fatos sociais, o que serviria de base para os testes avaliativos.
Em 1845 foram iniciadas nas escolas dos Estados Unidos a prática de exames escritos, pois, até então, era costumeira a realização de exames orais que
estimulavam mais a memorização do que um aprendizado significativo dos assuntos estudados.
Com a alteração dos testes orais para exames escritos, foram desenvolvidas técnicas interessantes, como descrevem Lima Filho e Trompieri Filho (2013, p.4):
De modo empírico, introduziu em 1845 o sistema de exames escritos nas escolas americanas como forma de substituir a prática ordinária dos exames orais; o George Fisher desenvolveu a primeira escala de medida de desempenho; o J. M. Rice criou uma bateria de testes sobre ortografia (pois, insistiu na necessidade de adotar medidas mais objetivas tanto para o ensino quanto para a avaliação da aprendizagem). No final do século XIX e início do século XX: o Francis Galton em 1882 fundou um laboratório.
Mesmo com o desenvolvimento de métodos e técnicas para os testes, o foco do trabalho avaliativo na primeira geração da avaliação educacional concentrou no professor e no saber, não se preocupando com a figura do educando.
Outras características desta geração constituem a grande importância atribuída ao instrumento, bem como a aprendizagem é entendida como a capacidade de reproduzir o saber e o erro apenas influenciando na nota, não servindo para verificar dificuldades do aluno.
Resta claro, na história da avaliação, que ela teve, durante muito tempo, apenas o sentido de mensuração, passando por uma modificação significativa, conceitualmente, em meados do século XX.
Lima Filho e Trompieri Filho (2013) ilustram a importância que a avaliação como medida teve, ao citar que os testes de quociente de inteligência (QI), considerados “técnicas novas de medida”, foram amplamente utilizados nas escolas ianques, no final do XIX e início do século XX, com a finalidade apenas de transmitir conhecimento.
Eles assinalam que testes de QI foram usados em 1914 para selecionar lideres militares estadunidenses para a Primeira Guerra Mundial e que, com o sucesso ianque na guerra, os testes passaram a ser aplicados na seleção de recursos humanos das empresas e indústrias.
Narra Vianna (2000) que, em 1905, Alfred Binet realizou estudos acerca da medida da inteligência, propondo testes, referenciados em critérios, que serviriam para determinar o desempenho de alunos. Os estudos de Binet demonstraram que a
ideia de que todos os alunos aprendem linearmente não era válida e influenciaram trabalhos posteriores, como os estudos de Ralph Tyler, pesquisador reconhecido como o Pai da Avaliação Educacional.
Para Vianna (2000), a separação avaliação/pesquisa foi necessária, visto que a avaliação utiliza os métodos da pesquisa para solucionar problemas de determinada área, mas não pretende generalizar resultados, servindo para conferir a eficácia do que se está avaliando. As atividades avaliativas e de pesquisa têm congruências e disparidades, cada qual tem particularidades, possuindo características específicas e finalidades diferentes.
Segundo Lima Filho e Trompieri Filho (2013), somente com os trabalhos do psicólogo estadunidense Ralph W. Tyler, por volta de 1942, se vislumbrou novo paradigma para a avaliação educacional, o que foi o marco da segunda geração da avaliação, pressupondo que a Educação não deve ser uma atividade isolada.
Tyler usou a Psicometria e introduziu uma proposta de avaliação por objetivos predefinidos, separando assim a avaliação da pesquisa científica. Para Tyler, educar consistiria em produzir ou mudar padrões de comportamento. Para isso, o currículo deve expressar os objetivos a serem alcançados.
Gurgel (2003) expressa o contexto histórico no qual Tyler desenvolve esse novo paradigma educacional. O século XX teve início com profundas transformações em vários setores da sociedade. Na Ciência, por exemplo, a Medicina se modernizou e a sua oferta foi muito ampliada; no campo da Política, surgiu o comunismo e o mundo vivenciou o primeiro grande conflito, a I Guerra Mundial.
Particularmente, as mudanças desse século foram mais expressivas nos Estados Unidos, que garantiram maior independência a mulher, com a aquisição de direitos políticos e usar o automóvel como símbolo do desenvolvimento urbano e o crescimento daquele País.
Nesse novo panorama mundial e estadunidense, Vianna (2000) acentua que os currículos e programas educacionais passaram a demonstrar uma obsolescência para as exigências da vida social e produtiva e a avaliação oferece grande relevância para atualizar as instituições e os programas educacionais.
Foi com Ralph Tyler que a avaliação passou a assumir novas finalidades, como a avaliação dos sistemas educacionais. Na época, ele integrava, na Universidade do Estado de Ohio, o Departamento de Pesquisa Educacional. As ideações de Tyler se alinham com as ideias de Jonh Dewey, filósofo e pedagogo estadunidense, no Movimento para a Educação Progressista, que objetiva uma educação que forme a criança física, emocional e intelectualmente.
Como narra Gurgel (2003), Tyler liderou um programa nacional do Governo dos Estados Unidos denominado “Eight-Year Study”, de 1933 a 1941, que fazia uma abordagem para verificar a eficiência de instituições educacionais secundaristas e superiores. Ao fim do trabalho, consolidou-se o estudo no livro Basic
Principles of Curriculum and Instruction , que moldou a modalidade como eram
organizados os currículos e a instrução na educação americana.
Em decorrência de suas propostas, Tyler teve grande relevância para o sistema educacional estadunidense e suas pesquisas educacionais desencadearam estudos sobre avaliação em todo o mundo, acrescentando ou refutando ideias de seu modelo.
A importância de Tyler aprofundou-se em toda a vida educacional americana, ao projetar, nos anos 60, o National Education Progress – NAEP - avaliação periódica da situação do ensino nos Estados Unidos e que ainda subsiste, fornecendo importantes elementos para as correções necessárias e a identificação de pontos de excelência ou pontos críticos a serem enfrentados. Um desdobramento do NAEP, na década de 90, no plano internacional, foi o IAEP- International Assesment of Education
Progress – que teve, inclusive, participação do Brasil, com amostras de
escolas de São Paulo e Fortaleza. (VIANNA, 2000, p.54).
Na proposta de modelo de avaliação tyleriano, esta evidenciada uma preocupação de como fazer comparações do desempenho dos educados, ou seja, uma comparação entre os desempenhos e os objetivos previamente determinados, mas o não êxito do aluno ainda é atribuído a eles. Nesse aspecto, Lee Joseph Crombach contesta Tyler, nos anos de 1960. Ademais, ainda nestes anos, Scriven e Stake abordaram aspectos fundamentais da avaliação, que irão influenciaram ou condicionaram os procedimentos de avaliação.
O prelúdio da avaliação institucional está nesta necessidade de transformar criticamente a escola, seus currículos e programas, que foi um processo
iniciado nas nações mais desenvolvidas e que foi se expandindo para países emergentes, como no caso do Brasil. As avaliações deram conta, nesse caso, de fornecer respostas aos tomadores de decisões, aos formuladores de políticas públicas e às grandes agências financiadoras nacionais e internacionais.
3.2 A terceira geração da avaliação educacional: o julgamento de base