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Beinhellerbekken og Blyfjellsbekken – eksisterende overføringer

Como descrito na seção 2.2 desta tese, a ACAP é influenciada por diferentes fatores internos e externos. Dentre esses estudos há os que apontam para o papel relevante da cultura organizacional (Zahra & George, 2002; Daghfous, 2004; Jansen et al., 2005; Vega-Jurado et al., 2008), referindo por exemplo, que a empresa com um comportamento colaborativo está em melhor posição para identificar e buscar oportunidades de mercado (Zahra et al., 2004). Nesse sentido, os estudos sobre EF apontam que a interação dos sistemas família e negócio criam a essência da EF (Chirico et al., 2011; Chirico & Salvato, 2016) o que, por sua vez, acaba por produzir fortes características distintivas que auxiliam essas empresas a serem empreendedoras e se engajarem em comportamentos inovadores (Zahra, 2005; Gómez-Mejía et al. 2007). Algumas dessas idiossincracias são descritas nos estudos de Zahra et al. (2004) e Kellermanns et al. (2012) que referem, por exemplo, que a cultura organizacional das EF baseia- se no altruísmo recíproco dos membros da família, criando um ambiente de ajuda mútua e empregados mais motivados, ou seja, um ambiente com grande potencial para mobilizar pessoas. Outros estudos caracterizam o contexto das EF com uma forte identidade coletiva,

orientação estratégica de longo prazo, maior agilidade no processo decisório, informalidade nas relações, apego e compromisso com a sobrevivência da empresa, os quais se constituem uma valiosa fonte de recursos (Zellweger & Sieger, 2012; Zahra, 2016).

Sob outra perspectiva, alguns autores referem a estrutura e o sistema presentes nas EF como sendo, pelo menos em parte, fatores determinantes do desempenho dessas empresas. Formalização, por exemplo, tem um efeito positivo sobre a aquisição de conhecimento (PACAP), enquanto mecanismos de integração social têm um efeito semelhante positivo na transformação e exploração (RACAP), especialmente quando o conhecimento tem um menor nível de aplicabilidade (Zahra & George, 2002; Vega-Jurado et al., 2008). Contrariamente, para König et al. (2013) a formalização impede a inovação em EF, na medida em que tende a retardar a tomada de decisão, induz a empresa a ignorar e subestimar as oportunidades de inovação, tornando a estrutura inerte.

Um aspecto importante a ser considerado nas EF é que essas empresas parecem ter uma abordagem muito diferente para as estratégias e processos de inovação quando comparadas com as ENF (Kellermanns et al., 2012). Nesse sentido, a decisão de inovar sofre a influência dos objetivos socioemocionais, ou seja, são aqueles objetivos que buscam satisfazer os desejos da família, o que pode estimular uma postura mais conservadora e de aversão ao risco e, desta forma, levar a empresa a investir menos nas estratégias de inovação (Gómez-Mejía et al., 2007; Miller et al., 2015).

Percebe-se que, de uma forma geral, os aspectos determinantes da inovação no contexto das EF centram-se, ou agrupam-se, nas questões de propriedade e gestão, bem como do impacto potencial das gerações, e que serão apresentados a seguir.

 Propriedade - estudos que lidam com questões de propriedade em EF têm como foco o impacto potencial de sua dispersão. Nesse sentido, por um lado, é revelado que uma grande dispersão de propriedade pode levar as EF a um desempenho inferior em inovação, principalmente como consequência dos conflitos de interesse (Kellermanns et al., 2012). Por sua vez, os resultados de Zahra (2012) referem que a propriedade familiar está positivamente associada à amplitude e velocidade de aprendizagem, mas está negativamente associada à sua profundidade da aprendizagem;

 Gestão - os resultados relativos à relação entre controle familiar e inovação são ambíguos. Ao estabelecer uma comparação entre empresas geridas pelo fundador e aquelas geridas por outros membros da famílias, Block et al. (2013) revelam que estes últimos tendem a se concentrar principalmente na busca de sua riqueza socioemocional e, portanto, tendem a produzir inovações radicais menos frequentemente. Um mecanismo utilizado para diminuir o efeito negativo do envolvimento da família na gestão da empresa, é a criação dos conselhos administrativos. Liang et al. (2013) sugerem que o envolvimento da família nos conselhos tende

o envolvimento familiar em equipes de gestão tende a enfraquecer essa relação positiva. Tendo como base uma meta-análise de 108 estudos primários abrangendo 42 países, o estudo realizado por Duran et al. (2015) mostrou que embora as EF invistam significativamente menos em inovação do que as ENF, sua produção de inovação é maior. Para os autores o engajamento de um gestor da família (não fundador) leva a uma diminuição na entrada de inovação, mas simultaneamente aumenta a produção de inovação da empresa. No entanto, quando a empresa é gerida pelo fundador a entrada de inovação é aumentada, enquanto a produção de inovação diminui;

 Geração - os resultados relativos ao efeito do envolvimento das gerações na relação entre inovação e crescimento do negócio é ambíguo. Enquanto Kellermanns et al. (2008) e Kraiczy et al. (2014) encontraram evidências de um efeito positivo, Casillas et al. (2010) não encontraram qualquer apoio para esta hipótese. Entretanto, de um modo geral, é um fato aceite que o fundador tem uma postura competitiva, enquanto as gerações posteriores são propensas a agir de forma mais conservadora, centradas principalmente na preservação da riqueza socioemocional da família (Block et al, 2013). Além disso, o comportamento empresarial transgeracional pode resultar em inovação contínua em EF. Esse efeito é reforçado quando o número de membros da família envolvidos na gestão aumenta (Casillas e Moreno, 2010). Esse determinante será abordado de forma mais específica na próxima seção deste estudo.

Por outro lado, a inovação não é apenas influenciada por recursos e capacidades de uma empresa, deve-se considerar também os fatores ambientais. Nesse sentido, Miller et al. (2015) referem que diferentes níveis de inovação são necessários para sobreviver, dependendo da velocidade do meio ambiente. Para os autores, para cada tipo de ambiente as EF terão de dispor de um conjunto de diferentes recursos e capacidades com as quais irão competir e inovar. Assim, ambientes dinâmicos exigem que as EF sejam flexíveis, adaptáveis e inovadoras, sendo importante que estabeleçam práticas de governança e de gestão que sejam capazes de antecipar e se adequar às mudanças (Miller et al., 2015).

2.4.3 O Envolvimento da Família na Gestão da Empresa – o papel da