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Behov for varetekt?

Durante o período de estágio em jardim de infância, a sala era frequentada por 21 crianças, com idades compreendidas entre os 3 e os 6 anos de idade. Assim, 5 crianças tinham 3 anos, 7 crianças tinham 4 anos e 9 crianças tinham 5 anos de idade.

Como se pode verificar, o grupo era constituído maioritariamente por rapazes. Divididos da seguinte forma é possível afirmar que: no grupo de 3 anos existe um maior número de rapazes; nos 4 anos temos uma maioria de raparigas e no grupo de 5 anos existe também uma maioria de rapazes.

Contudo, apesar desta discrepância no que diz respeito ao sexo das crianças, o grupo revelou-se bastante unido, onde nos momentos de brincadeira livre, tanto os rapazes como as raparigas criavam grupos e interagiam, ao ponto de ser visível laços de amizade em alguns casos. Porém, apesar de existir interação em brincadeiras na área da casinha, jogos de mesa e na área da expressão plástica, verifiquei que nos jogos de futebol desenvolvidos no recreio, havia alguma resistência por parte dos rapazes para aceitar as raparigas no seu grupo.

O grupo mostrou-se bastante cooperativo, onde os mais velhos tendiam em ajudar as crianças mais novas, tanto nas tarefas de higiene, alimentação, como na aquisição de conhecimentos e ações, como por exemplo pegar corretamente num lápis. Ou seja, tratando-se de um grupo heterogêneo, as crianças mais velhas (5 anos de idade), tornaram-se os padrinhos/madrinhas das crianças mais novas, visto que a sua tarefa centrou-se em apoiar na adaptação das rotinas.

No geral, as crianças de 3 anos mostraram-se interessadas em pegar nos lápis de cor, bem como noutros materiais riscadores e mostram-se capazes de executar jogos de encaixe, construir torres, recortar papel com os dedos e manipular massas plásticas. As crianças de 4 anos interessavam-se bastante por copiar figuras geométricas e revelaram bastante interesse em realizar

48 desenhos e pinturas apenas por prazer. Já as crianças de 5 anos de idade, mostram-se crianças com uma coordenação motora mais controlada, que sentem prazer em mexer-se e desenvolver atividades mais ativas, como saltar à corda, correr, trepar, dançar, fazer exercício, entre outros. As crianças mostraram-se confiantes e facilmente manejavam o lápis para realizar desenhos e iniciar a produção de escrita.

A nível das relações estabelecidas com os outros, verifiquei que as crianças com idades entre os 3 e os 4 anos foram aumentando gradualmente os contatos sociais com os outros, passando menos tempo em jogos solitários, pois começaram a explicar-se, a revelar o que pretendiam fazer e a querer desenvolver diálogos com os outros. Contudo, um número significativo de crianças com 3 anos de idade, ainda não ultrapassou a fase egocêntrica e a sua colaboração com os outros tende a ficar menos presente. Apesar disso, as crianças começam a aceitar brincadeiras que envolvem pequenos grupos e a estabelecer relacionamentos, o que lhes permite descobrir mais sobre si próprias e a sentirem-se mais confiantes.

Relativamente às crianças com 5 anos de idade, notei que continham um espírito muito competitivo com os restantes colegas. No entanto, as crianças já têm noção do grupo e participaram em situações que implicam uma certa concentração e realismo nas suas ações individuais, ou seja, o faz de conta e as representações tendem para uma imitação cada vez mais perfeita da realidade, funcionando como um meio de comunicação entre as crianças. Surgem algumas regras nas brincadeiras, pois começa a existir um acordo e uma combinação prévia entre os participantes que se envolvem num conjunto de atividades.

No geral, o grupo mostrou-se bastante interessado, participativo e autônomo nas tarefas de higiene e alimentação, bem como na escolha de materiais a utilizar no espaço educativo. Porém, o grupo revelou-se falador, participativo, interessado em assuntos novos, agitado e com dificuldade em respeitar as regras da sala e as restantes crianças, visto que era frequente a existência de conflitos entre pares.

O grupo caracterizava-se por conter crianças que arrumavam os materiais, estando sempre disponíveis para ajudar o adulto e os mais pequenos. Porém, na área da casinha existe uma maior dificuldade por parte das crianças para realizar esta tarefa, sendo então necessária a intervenção do adulto como apoio.

49 As crianças desenvolveram inúmeras conversas durante as suas brincadeiras, através de um vocabulário adequado à idade. Porém, tendem a ocorrer conflitos durante as brincadeiras, visto que de uma forma geral o grupo tem dificuldades em cumprir regras, pois o facto de algumas crianças quebrarem sistematicamente as brincadeiras, originava momentos de conflito entre o grupo e era necessária a intervenção por parte de um adulto.

Face estas características, optei por planear em conjunto com a educadora cooperante um conjunto de propostas que corresponde-se aos interesses das crianças, até porque sendo o grupo heterogêneo em idades, cada criança revelou interesses e necessidades distintas. Quando intervi tive em atenção o facto das crianças se encontram a meio do seu letivo, o que me reforçou a necessidade de colocar materiais distintos e fora do que estavam habituados, no espaço exterior, que por sua vez, já era bastante frequentado pelo grupo. Deste modo, também ponderei sobre o facto de colocar materiais que levassem ao desenvolvimento de interações entre criança-criança, até para aproximar as crianças de todas as idades, o que certamente também iria diminuir a ocorrência de conflitos entre os elementos do grupo.