DEL III - TILTAK FOR Å REDUSERE ETTERSPØRSELEN
Kapittel 10. Behandling
Essa é uma rede social dedicada a discutir livros e possui alto nível de utilização em todo o mundo. A rede foi lançada em 2007 e já alcançou cerca de 16 milhões de usuários espalhados pelo mundo com mais de 525 milhões de livros adicionados50. Tais números foram informados no final de março de 2013.
Figura 17: Página inicial do Goodreads (logado).
Fonte: http://www.goodreads.com/
A rede funciona como uma “estante virtual” que registra e guarda os registros dos livros lidos, dos que ainda estão na lista para serem lidos ou dos que se deseja ler no futuro. Oferece interatividade aos usuários da rede, com a opção de obter as opiniões dos outros leitores em relação a um determinado livro. Assim com em outras redes sociais, é possível
50 Dados do Infográfico feito pelo ebook friendly. Fonte:
<http://ebookfriendly.com/wp-content/uploads/2013/03/Goodreads-success-story-infographic.jpg>. Acesso em: 30/04/2013.
adicionar “amigos” e ter conhecimento do que eles estão lendo e suas opiniões sobre o livro. Possui em seu sistema uma quantidade considerável de livros em português e uma boa parte deles tem a indicação do nome do tradutor.
Gráfico 2: Dados de busca de livros no Goodreads de 2007 a 2011 nos Estados Unidos.
Dados extraídos da fonte: http://lerebooks.wordpress.com/tag/goodreads/
A adesão dos usuários e o volume de buscas por livros feitas no Goodreads vêm crescendo ano após ano. Mais de 60 milhões de buscas foram feitas em 2011.
Dados extraídos da fonte: http://lerebooks.wordpress.com/tag/goodreads/
O encontro do livro com o leitor é feito de diferentes formas, e com o desenvolvimento da internet e das redes sociais essas formas diversificaram-se ainda mais. De acordo com o gráfico nota-se que as principais formas de se encontrar um determinado livro são a partir de busca e registro, ambos com 19%, seguido de mecanismos de recomendação. Dados da comunidade apontam que “amigos” são uma poderosa forma para encontrar livros, representando 79% dos resultados encontrados. Desses, 64% são a partir das atualizações de amigos do Goodreads51.
Analisando estas informações pode-se considerar o Goodreads como uma importante ferramenta utilizada para o consumo de livros por meio de diálogos. As dinâmicas de comunicação utilizadas pelo Goodreads, a fim de estimular as interações entre seus usuários, incluem a constante atualização, que é informada ao usuário a cada ação. Toda vez que um usuário recebe um novo seguidor em sua rede de relacionamento ou que algum membro avalia um determinado livro, o usuário recebe um e-mail convidando-o a voltar à rede e fazer sua interação.
Como análise da rede social, cada membro integrante do Goodreads pode ser considerado um ator, cuja conexão é a definição das diversas formas de atuação ou interação. A rede social permite que leitores ou atores atuem criando grupos por classificação de interesses, avaliando livros lidos, comentando livros que outros membros estão lendo e recomendando livros a mais pessoas dentro e fora da rede.
Caso o usuário utilize o aplicativo de e-mail do Gmail, pode optar por receber um alerta na tela do celular sempre que alguma ação ocorrer na rede. O usuário é avisado no celular, como se pode ver na imagem a seguir:
Figura 18: Tela do iPhone com o alerta do e-mail enviado pelo Goodreads.
A ferramenta do Goodreads permite ao usuário a customização da frequência de envio dos e-mails da rede. Na comunicação do e-mail, o usuário receptor consegue ver as atividades de seus amigos e, ao clicar em “adicione um comentário”, é remetido à rede para concluir sua interação.
Figura 19: E-mail enviado pelo Goodreads.
O Goodreads possui um sistema de recomendação de títulos avançado, que funciona a partir das preferências definidas pelo próprio leitor em suas leituras. O leitor, quando termina um livro, volta à rede e avalia o livro dando uma nota (no formato de estrelinhas). A organização dessas informações permite que o sistema de recomendação funcione bem, ou seja, a partir das notas o sistema tem capacidade para recomendar novos títulos. O site tem uma dimensão social considerável: o leitor pode trazer seus contatos no Facebook e criar “clubes do livro” dentro da plataforma.
Contudo, o Goodreads ainda não oferece o sistema de metas, que é encontrado no Skoob, a rede brasileira de leitores. O sistema de metas é uma funcionalidade que ajuda o usuário a organizar e manter o ritmo de sua leitura. Ele informa os livros em acervo e a data em que o usuário deseja finalizar a leitura de cada um deles. Quando termina de ler um livro, o usuário volta à rede e classifica o título. Com essa informação, o sistema calcula quão distante o leitor está da meta determinada.
As diferentes funcionalidades, entre as redes (Goodreads e Skoob) que têm objetivos similares, contribuem para encontrar os mesmos usuários nas duas redes utilizando as duas para aproveitar em uma as recomendações e na outra para definir as metas.
Figura 20: Imagem do sistema de metas do Skoob.
Fonte: www.skoob.com.br
As mobilizações dos leitores que atuam nas redes sociais digitais tem chamado a atenção de empresas do mercado de livros. Um exemplo ocorreu em abril de 2013, quando foi divulgada a compra da rede Goodreads pela Amazon52, que entendeu que 30% dos usuários da rede possuem o Kindle.
Com isso, a Amazon pode acessar dados dos leitores e colocá-los frente à possibilidade da compra do livro cujo interesse foi sinalizado na rede, com o objetivo final de claro, de aumentar suas vendas. Segundo Castells (1999, p.565), vivemos na era da
52 Disponível em: <http://www.publishersweekly.com/pw/by-topic/digital/retailing/article/56575- amazon-buys-goodreads.html>. Acesso em:30/04/2013.
conexão, no qual “o poder dos fluxos é mais importante que os fluxos do poder”, neste sentido, a informação e a rede estão intimamente associadas e determinam mudanças em todo o âmbito da sociedade. Os diálogos informais com o vizinho até as negociações das grandes empresas, compreendidas como formas de interação social foram transformadas pela lógica das redes interligada às denominadas tecnologias da informação.
Mais ainda, com a perspectiva delineada pela propagação dessa segunda geração de aplicativos para internet, reconhecida pelo nome de web 2.053, mais do que a simples técnica era exaltada, havia o primor pela ótica humana. Isso significa que era proposta uma mudança na forma de utilização das ferramentas, fazendo da rede uma plataforma e abraçando como essência o poder que a web tem de ser palco de uma comunicação extensiva.
A configuração em rede aumentou o potencial da informação e a possibilidade de conectar pessoas e conteúdos. Cada vez mais é possível reconhecer uma difusão de ferramentas de interatividade que colaboram com um usuário, antes somente receptor, que hoje é um agente de comunicação que desempenha papéis adicionais de produtor e disseminador de conteúdo. Segundo o autor, a rede é a estrutura atual de organização da sociedade em que vivemos e tem como base a tecnologia da informação onde a experiência social é modificada por meio dos fluxos informacionais.
Outras redes sociais estão direcionando sua atenção aos consumidores de livros. Em março de 2013, o Facebook programou em sua nova interface a possibilidade dos usuários adicionarem e organizar seus livros de interesse, além de outras preferências, como músicas e filmes. O usuário pode configurar seu perfil da rede social informando os livros que já leu e os que deseja ler. Para adicionar novos títulos, a rede oferece sistema de integração com listas disponíveis no Goodreads e no Skoob, ou seja, com apenas um clique todos os livros do Goodreads ou Skoob passam a compor a lista de livros no Facebook, com a possibilidade de compartilhar com a rede os livros de interesse, ampliando o alcance do estímulo ao consumo de livros.
53A Web 2.0 O “2.0” indica a segunda versão da internet, um próximo capítulo cujo objetivo é fornecer aos usuários dispositivos de compartilhamento de informação e colaboração entre eles.
Figura 21: Biblioteca de livros do Facebook.
Fonte: www.facebook.com
Ao clicar na imagem do livro na lista do Facebook, o usuário é levado, neste caso, para a rede de leitores Goodreads.
O Facebook não compõe o corpus desta pesquisa, mas é preciso informar que os dados levantados na pesquisa qualitativa realizada no decorrer deste trabalho sobre o consumo do livro mostraram que os amantes de livros e atores dessa rede têm se organizado em grupos para troca de e-books. Os livros digitais ainda não possuem um preço tão menor em comparação ao preço dos livros impressos. Por conta disso, é possível encontrar grupos no Facebook que foram criados com o objetivo de trocarem e-books. Um usuário troca com o outro seus títulos de interesse sem custo algum.
Neste ponto da pesquisa, pode-se relacionar as ideias de Maffesoli (1997, p. 9), que define tribos como microgrupos que se deslocam dentro de uma massificação crescente. Segundo o autor, “a metáfora da tribo permite dar conta do processo de desindividualização, da saturação da função que lhe é inerente, e da valorização do papel que cada pessoa é chamada a representar dentro dela”. Essas tribos não são estáveis, são mutantes, pois são compostas por pessoas, que naturalmente mudam, evoluem. Uma pessoa pode ser por toda a sua vida de uma mesma tribo, mas essa tribo com certeza terá pessoas que a deixarão, ou a encontrarão ao longo dos anos.
Sobre esse pensamento, podemos entender que o indivíduo atua conforme a identidade do grupo, a fim de garantir o sentimento de pertencimento. O pensamento ou os sentimentos individuais, se estes divergirem do grupo, não são externalizados. Neste sentido, Maffesoli afirma que as pessoas se unem por uma emoção coletiva, e configuram- se os laços sociais e as comunidades, sendo estas efêmeras, mutantes e estruturadas no cotidiano. Procuramos proximidade com aqueles com quem nos identificamos, procuramos a companhia “daqueles que pensam e sentem como nós” – nossas paixões, nossos sentimentos, nossas repulsas, nossas convicções, nossas opiniões e, constituindo-se de sentimentos, isso pouco tem a ver com a razão, e mais com a emoção, uma emoção coletiva. Maffesoli (1997, p. 21) traduz esse sentimento, essa emoção coletiva em uma aura, que particulariza cada época. A aura em que estaríamos vivendo agora é a aura da estética, onde a estética do sentimento, em sua essência, é a “abertura para os outros, o outro”. Esta aura provém do corpo social e é determinada por ele.
Fonte: www.facebook.com
Os casos analisados nesta pesquisa apontam que o consumo de livros no Brasil tem tomado formas diferentes na prática da leitura e na aquisição de livros. Mesmo as lojas físicas, como a Livraria Cultura ou a Livraria da Vila, oferecem um ambiente aconchegante no qual o público já identifica um local não só para comprar livros, mas também um local de lazer para encontrar pessoas, tomar um café, apenas ler, ouvir música ou participar de eventos oferecidos. Percebe-se que empresas como Amazon, Google, Livraria Cultura entenderam que a relação com o consumidor mudou. O consumidor está mais consciente e assim determina as regras do que e como quer consumir. O fácil acesso, a quantidade e distribuição de livros são fatores característicos do ciberespaço e os consumidores estão cada vez mais organizados em rede para compartilhar conhecimento e sugestões de livros. É possível encontrar livros em bibliotecas do mundo inteiro, com amigos, em ambientes de compartilhamento de arquivos ou mesmo nos diversos links de download grátis espalhados na rede.
Figura 23: Pessoas lendo na Livraria
Livraria Cultura Shopping Market Place São Paulo
O comportamento de consumo do livro também sofreu mudanças a partir da acessibilidade em tempo real por meio dos smartphones. O cliente presente na livraria física pode, no momento em que está olhando o livro conferir o preço nos leitores de preços e imediatamente acessar o site comparador de preços por meio do celular para certificar-se de que o preço da loja está realmente mais vantajoso do que em outro lugar. Ao constatar que realmente o mesmo livro está com preço ainda menor em outra loja concorrente e com a possibilidade de comprar on-line, pode dirigir-se ao caixa e mostrar a tela do celular com o intuito de provar ao atendente que outra loja está com o preço menor. O funcionário então cobre a oferta e o cliente compra o livro por um preço menor. Este fato foi identificado na Livraria Cultura. Com isso, o lojista entendeu que a concorrência está nas mãos do cliente e orientou seus funcionários a cobrir a oferta caso o cliente comprove o preço mais baixo em outro lugar por meio da tela do celular. Caso não tivesse se adaptado a esta realidade, o cliente certamente compraria o livro pelo celular ali na hora dentro da loja na frente do caixa e devolveria o que estava em suas mãos à prateleira, ou ainda permaneceria mais alguns minutos no local, lendo o livro, e continuar a leitura quando o seu exemplar chegasse em sua casa.
Discussões em torno do Big Data54, ou seja, um grande volume de dados desestruturados mostra que um simples clique em uma página na internet possui uma série de informações sobre o consumidor. Informações fornecidas por clientes no momento da compra representam apenas uma parte do volume que as empresas pretendem estudar. O que importa são os dados não estruturados, dados sujos e incompletos, ou seja, um clique para comprar um livro e acabar não comprando, uma nova foto adicionada no Facebook, um tweet ou um novo vídeo, uma pesquisa feita no Google, uma música que se escuta on-
line ou um livro que se lê por meio de e-reader. A Amazon tem avaliado os dados de seus clientes e identificou que, de cerca de 100 pessoas que acessam a loja, apenas 2% cumprem todas as etapas de compra. Sobre estas duas pessoas, a Amazon já tem todos os dados. O desafio é capturar dados dos 98% restantes que não completaram a transação, mas que ao mesmo tempo deixaram uma série de informações no meio do percurso de navegação. É o tratamento destas informações que permitirá à loja melhorar a experiência de compra dos usuários e, assim, incrementar suas vendas, aumentando esta marca de 2%55.
No caso do Google, já foi compreendido que a inteligência computacional utilizada é capaz de organizar e classificar preferências individuais a partir de termos buscados, de páginas acessadas e do tempo de permanência em determinado site. Interessados em aprimorar ainda mais o valor de suas informações, o Google estuda aplicativos capazes de identificar as preferências dos usuários através do movimento dos olhos capturados por meio de webcam.
O consumo de livros, quando se analisa o campo dos hábitos e estilo de vida de consumidores conectados à rede, várias empresas têm trabalhado para captar informações de interesses e comportamentos de consumo em torno do livro, a fim de estarem ainda mais aptas no processo de conquista deste consumidor.
54 O Big Data estuda os dados não estruturados gerados por todos no âmbito da internet. Mais informações sobre o tema disponível em: <http://www.technologyreview.com/news/514351/has-big-data-made- anonymity-impossible/>. Acesso em: 10/05/2013.
55 A Revista Veja publicou a matéria “O berço do Big Data”, onde apresenta a definição do termo Big Data e as movimentações recentes que envolvem principalmente o mercado de livros. Por André Petry de Nova Iorque – Edição 2321 - ano 46 – n. 20, de 15 de maio de 2013.
Este cenário nos leva a pensar que rastros digitais deixados por atividades geradas pelos atores em rede, cujas ações deixam uma informação que pode ser facilmente recuperável, forma uma rica base de dados ao nosso respeito, incluindo nossas escolhas, interesses, hábitos, opiniões etc. Essas informações têm valor para empresas com fins comerciais, como é o caso da Amazon e do Google. Para nós, estas informações muitas vezes são descartadas, portanto tratadas como “lixo”, contudo este trabalho de mineração de estudar o que é descartado é a base para a construção do saber ou para a aquisição de poder e controle.
A identidade criada e transmitida a partir de perfis nas redes sociais apresenta um viés de como o usuário quer ser visto, porém pode estar distante do real comportamento de consumo. Contudo, a informação que é descartada, o rastro, o “lixo” digital, são os dados não organizados e são os que mais definem o hábito de consumo das pessoas. A música
on-line, a foto publicada, o comentário deixado em algum blog ou a busca por um produto (sem o cadastro efetivo) são informações deixadas na internet que revelam nosso real perfil consumidor e não o perfil criado a partir de avatares com os quais tentamos passar uma imagem fantasiosa de personalidade. Consumir, com contexto apresentado por Flusser é “gastar valores e formas produzidas e devolver os pedaços desvalorizados e desinformados à natureza” (FLUSSER, 1972. p. 36). Os produtos produzidos vão formando um labirinto onde circulam os aqueles cujo foco é produzir mais produtos e transportá-los para outros cantos do labirinto. “E em todos os cantos do labirinto está-se amontoando lixo, isto é: restos inconsumíveis. E é este lixo que merece uma atenção mais apurada, porque tende a ser a parte mais determinante da condição humana” (FLUSSER, 1972. p. 37).