• No results found

Behandle komorbiditet hos eldre

Em Portugal, que relevância tem sido atribuída aos canais informais, no contexto das políticas de promoção da Aprendizagem ao Longo da Vida (fruto da necessidade constante de ajustamento de competências próprias ao longo da vida)?

É dada muito pouca relevância. Julgo mesmo que a existência destes canais nem chega a ser conhecida/considerada, no contexto das políticas de promoção da Aprendizagem ao Longo da Vida.

Considera existirem incentivos públicos à promoção destes canais informais de aprendizagem (flexibilidade de horários, subsídios, legislação, políticas de reconhecimento da importância destes canais para a aprendizagem e qualificação, promoção; criação de “espaços e tempos” (infra-estruturas e recursos humanos favoráveis à sua promoção: espaços públicos de lazer, cultura, comunicação, socialização – incentivos à criação de redes sociais entre as comunidades de especialistas e os cidadãos)?

A relevância destas iniciativas prende-se com a exigência de reconhecimento por parte do mercado das mesmas, por oposição ao papel tradicional do Estado “paternalista”. Aliás, a intervenção do Estado no mercado de trabalho cria segmentações. Em Portugal há intervenção, mas não é sustentada e os incentivos acabam por gerar apenas mais e informação em detrimento da intervenção pretendida.

Quais os mecanismos ou iniciativas mais relevantes ou eficazes na promoção de educação informal cientifica e tecnológica?

A melhor iniciativa é garantir que o mercado reconheça a importância da educação informal. Só desta forma é que o cidadão encontrará incentivos (retornos) ao desenvolvimento da aprendizagem pela via informal. Caso não seja reconhecida pelo mercado, temos um efeito in(per)verso. Neste sentido caberia ao Estado garantir que o mercado reconheça a importância da educação informal o que por sua vez conduziria a uma sinalização por parte do mercado, para o cidadão, de um potencial retorno (efeito gatilho).

Contudo, esta não é uma relação linear, considerando a realidade portuguesa. Podemos mesmo falar num paradoxo: sendo evidente a sinalização positiva do mercado face ao nível de qualificações/competências/habilitações, então por que é que a população apresenta níveis de qualificação tão baixos?! (obviamente têm de ser tidos em conta factores de outra natureza, digamos que isto é uma análise muito pela rama de uma questão bastante mais complexa).

Na sociedade portuguesa, quais os actores-chave deste processo?

Sem dúvida temos dois “agrupamentos” de actores-chave: por um lado, os agentes envolvidos neste processo, por outro, o mercado de trabalho, na sua expressão mais pura: a da procura e da oferta. De referir que o papel do Estado deve cingir-se ao mínimo possível, dadas as ineficiências decorrentes da eventual centralização deste processo.

É possível fazer uma avaliação do efeito destas iniciativas na qualificação da população activa/formação de adultos? Quem é que estaria em melhores condições para proceder a esta avaliação (Estado – ME/MCES/IEFP, entidades independentes, empresas certificadas) e com que objectivos? A avaliação incidiria sobre que tipo de qualificação (competências-chave, específicas, outras)? Em que áreas (TIC’s?)?

Sem dúvida, a Academia e Universidades têm um papel fulcral.

Parece-lhe legítimo afirmar que a educação informal é uma fonte privilegiada de renovação de competências e conhecimentos. Concorda com este ponto de vista? Porquê?

Parece-me legítimo fazer essa afirmação, se bem que teria alguma cautela com o “privilegiada”. A educação, per se, é a principal e mais relevante fonte de sinalização no mercado de trabalho.

Na sua opinião, qual o potencial/limitações da educação informal na qualificação da população activa em Portugal? Em que medida é que as especificidades portuguesas, no que respeita ao investimento pessoal e das empresas na qualificação (p.e. peso social da educação a postura/valoração dos cidadãos face às suas próprias qualificações), podem influenciar a adequação das políticas de aprendizagem ao longo da vida?

O ambiente/contexto não é nada favorável. E não o é na medida em que as políticas de aprendizagem ao longo da vida implicam uma grande mudança, decorrente de uma ruptura...e

nós ainda temos uma grande dificuldade em lidar e viver com a mudança. A somar a esta tendência pesada temos um Estado paternalista, que condiciona e limita a nossa própria postura face à mudança e, por fim, a reduzida qualificação da população condiciona a forma como valorizamos as “unidades marginais de educação/formação/qualificação/aprendizagem”.

Parece-me ainda, a propósito da C&T, que podemos estar a caminhar para o precipício: quando se fala em supressão de emprego devido à crescente utilização das tecnologias, em especial das TIC, sabemos que esta tem especial incidência sobre os níveis de qualificação médios, sendo que nos extremos (níveis mais baixos e mais altos de qualificação) o impacto é quase residual, não é possível ou não compensa a substituabilidade por tecnologia. Estamos a assistir (e bem) a um esforço para a qualificação da população, mas a qualificação das pessoas faz-se por níveis, graus organizados hierarquicamente. Assim, estamos a conduzir a população para o tal nível médio de qualificação, aumentando a vulnerabilidade/propensão ao desemprego destes futuros trabalhadores....havemos de lá chegar, porque os mais desenvolvidos já lá chegaram! É a substituição tecnológica nos serviços...será avassaladora e tão inexorável como actualmente está a ser o ritmo de deslocalização das empresas.

Os canais informais de aprendizagem serão tanto mais fortes quanto mais consolidados tiverem sido os processos de aprendizagem formal? Faz sentido estabelecer esta relação? Se sim, no contexto português, tal relação pode ser vista como um força ou fraqueza à qualificação da população activa? E qual o papel das instituições de ensino, em todos os níveis? E o papel das Universidades?

Em termos gerais concordo. Até porque quanto maior for a qualificação, menores tendem a ser os custos (objectivos e subjectivos) associados à aprendizagem. Ainda assim, também é possível argumentar que, no limite, a produtividade marginal de uma unidade adicional de “aprendizagem” é maior nas pessoas com menores qualificações...é a dinâmica de catching-up!

Estando as TIC associadas a actividades de lazer e comunicação, o que alavanca o quê: são as iniciativas de promoção da educação informal que têm um efeito de alavancagem sobre o desenvolvimento de competências em TIC ou será o contrário? Como aproveitar o carácter lúdico da aprendizagem no desenvolvimento de competências?

Neste contexto, é possível entender as TIC como um importante instrumento que não só contribui para uma transição sustentada dos canais formais para os canais informais de aprendizagem como também contribui para o fortalecimento deste último?

Depende do papel que as TIC possam vir a ter no preenchimento dos gaps de formação/qualificação. A minha convicção é que esse papel deverá ser grande, As TIC são transversais. Genericamente falando, é através delas que hoje se promove a procura e oferta no mercado de trabalho, dinamizam-no!

Como explica o reconhecimento social (quase unânime) da importância das competências em TIC (tanto para desenvolvimento profissional como pessoal)? Como aproveitá-lo para a disseminação de oportunidades de formação?

Julgo que é por ser algo de tão inevitável no nosso quotidiano e que nos “entra pela porta” sem que nada possamos fazer para o impedir.

Será excessivo pôr a “digiteracia” (literacia digital, em TIC) ao mesmo nível da literacia e numeracia, em termos de prioridades de política pública?

Só o facto de ainda estarmos a falar em literacia e numeracia como prioridades de política pública já é motivo de preocupação, dá muito que pensar...comparemo-nos com os restantes países europeus. O melhor mesmo é nem falarmos de alfabetização....

Mas, uma vez mais, não se pode resistir às TIC e, como tal parece-me natural complementar a literacia e numeracia com a digeteracia.