Este estudo buscou auxiliar a empresa na utilização das orientações do IIRC para relato integrado na construção das informações para seu Relatório de Sustentabilidade/GRI, propondo um framework em forma de etapas com as orientações trazidas pelo IIRC para relato integrado e as diretrizes GRI G4, iniciando, através da abordagem intervencionista a aplicação das três primeiras etapas, deparando-se na prática com dificuldades, desafios e oportunidades.
Assim, a questão de pesquisa é respondida através da demonstração da aplicação das etapas iniciadas durante o ano de 2014.
Na prática, a pesquisadora verificou que para um relatório ser considerado um relato integrado não basta apenas responder as perguntas elencadas nos elementos de conteúdo do
Framework <IR>, é necessário que internamente os gestores da empresa entendam o que é
uma relação integrada, que seja institucionalizado uma nova forma de pensar e que a alta gestão, bem como os funcionários, incorpore o pensamento integrado em suas ações e estratégias.
O disclosure das informações sociais e ambientais faz parte da realidade da empresa estudada desde 2001, evoluindo ano a ano, sendo que a partir de 2012 os gestores optaram pela utilização das diretrizes internacionais da GRI na elaboração de seu Relatório de Sustentabilidade, como uma forma de padronizar essas informações e demonstrar com maior clareza suas ações em sustentabilidade.
As empresas deparam-se, portanto, com uma nova demanda, imposta tanto pela sociedade quanto pelos diversos stakeholders, demanda que vai além das informações financeiras, considerada como uma nova necessidade do século 21, que são as informações sociais e ambientais integradas com as informações financeiras (PAVAN, 2014; CARVALHO E KASSAI, 2013; FRAGALLI; 2014).
Assim, surge o relato integrado como uma ferramenta capaz de satisfazer essa nova necessidade, com a introdução do pensamento integrado que incorpora visões a respeito de diversos capitais impactados, com atenção às necessidades de seus stakeholders, identificação do novo modelo de negócio, criação de valor no decorrer do tempo, demonstração das informações a respeito de estratégia, informações econômicas além de informações sociais e ambientais. Porém suas orientações são abrangentes e apresentam novidades de conteúdo, o
que pode exigir o desenvolvimento de novas informações e processos até agora não relatados tanto pela empresa estudada quanto pelas empresas em geral.
Apesar de as orientações do IIRC para relato integrado serem abrangentes possuem sete princípios básicos com informações e suporte suficientes para que a empresa consiga construir suas informações integradas.
Os desafios apresentados nos estudos citados no referencial teórico também foram os desafios encontrados pela pesquisadora na empresa estudada, sendo que as orientações do IIRC são recentes e que leva um tempo para as adaptações necessárias (FRAGALLI, 2014; RODRIGUES, 2014). Além disso, torna-se necessário também o dispêndio de dinheiro e tempo (RODRIGUES, 2014), a capacitação de funcionários e gestores (ROTH, 2014; FRAGALLI, 2014) e o desenvolvimento de novas métricas para a quantificação das informações sociais e ambientais (RIBEIRO, 2012; KROETZ, 2000; REPORT SUSTENTABILIDADE, 2013).
Com a aplicação de algumas das etapas propostas a pesquisadora confirma que dentro da realidade da na empresa estudada não é possível implantar as orientações para o relato integrado em curto prazo. É um processo que pode levar de dois a três anos, com a necessidade da participação de pessoas de diversas áreas que se disponham a estudar os novos conceitos e discutir sua incorporação e implantação nos processos da empresa, concluindo que a integração entre diversas áreas da empresa é essencial para a integração das informações.
Uma das maiores dificuldades encontrada pela pesquisadora na empresa estudada foi a disponibilidade de agenda para cumprir um cronograma de reuniões junto aos funcionários, o que pode ser explicado pelo ano de 2014, ter sido atípico, com forte interferência da crise hídrica nas atividades dos profissionais da empresa. Todavia, mesmo com essa dificuldade, obteve-se grande evolução na aplicação das etapas com a participação dos funcionários e apoio da alta gestão. O que se espera é que as próximas etapas sejam concluídas no decorrer de 2015 e 2016.
O ponto forte encontrado é que a Assessoria de Gestão da Sustentabilidade está ligada diretamente Presidência, demonstrando que o interesse pela sustentabilidade parte do mais alto cargo de gestão da empresa, o que colabora quando da incorporação e implantação dos seus conceitos por toda a empresa.
Outro ponto forte são os compromissos, mesmo que voluntários, que a empresa já tem assumidos com questões de governança, sociais e ambientais, tais como a publicação das informações de gestão, seu desempenho econômico, social e ambiental através das diretrizes internacional de GRI. Inclui-se também a iniciativa de responder os indicadores Ethos, o
compromisso com o Pacto Global e a assinatura do Ceo Water Mandate. Tais compromissos se tornam base para o disclosure de suas informações não financeiras e demonstra a preocupação com outros aspectos que não seja apenas o econômico.
As oportunidades geradas pela utilização das orientações do IIRC para relato integrado surgem já na Etapa 1 (processo de materialidade e limites), na qual a pesquisadora realizou um estudo a respeito dos temas materiais de empresas do mesmo setor para dar suporte na definição dos próprios temas materiais na empresa estudada. Isso ampliou o conhecimento de assuntos considerados importantes por essas empresas e que também devem ser discutidos e tratados pela SANASA, tais como os relacionados com emissões de gases de efeito estufa, energia e educação para a sustentabilidade.
As oportunidades gerais observadas na incorporação das orientações do IIRC até o presente momento, portanto, se apresentam em um conhecimento mais profundo a respeito de como a empresa cria valor ao longo do tempo, quais são capitais envolvidos nesta criação e principalmente quais capitais a empresa é dependente.
O que se desprende do estudo é que não basta responder as perguntas dos Elementos de Conteúdo apresentados pelo IIRC. A empresa só terá sucesso na integração de suas informações se de fato houver o envolvimento da alta gestão, integração de questões de sustentabilidade à estratégia da empresa, integração e participação de funcionários de diversas áreas da empresa, engajamento dos principais stakeholders, investimento em treinamento para os funcionários e investimento de tempo em reuniões, pesquisas e estudos. O que se busca na verdade é uma integração de pensamento, independentemente da forma de divulgação.
A pesquisadora conclui que na empresa estudada houve o envolvimento da alta gestão em questões de sustentabilidade, o que torna o tema parte de sua estratégia. Houve a participação e colaboração dos funcionários das mais diversas áreas, confirmando de fato uma integração interna. A empresa também incentiva à participação em treinamentos relacionados com relato integrado e assuntos relacionados com sustentabilidade, fornecendo treinamentos e
workshop a seus funcionários.
Por fim, mesmo que não foi concluída a aplicação de todas as etapas, os trabalhos seguirão em um cronograma de até dois anos, sendo que as etapas já aplicadas serão divulgadas gradativamente, conforme sua conclusão, no Relatório de Sustentabilidade/GRI da empresa estudada.
Para um disclosure completo de suas informações integradas no Relatório de Sustentabilidade/GRI conforme as orientações do IIRC a empresa estudada precisa continuar a aplicação das etapas sugeridas neste estudo, ou seja, realizar o engajamento proposto dos
stakeholders, demonstrar o desempenho conforme seus temas materiais e o efeito nos diversos
capitais, demonstrar quais são as implicações em seu modelo de negócio e desempenho futuro ao seguir suas estratégias, identificar e relatar seus principais riscos e oportunidades que afetam na capacidade que a empresa tem em gerar valor ao longo do tempo. É importante também que a empresa realize a verificação externa das informações constantes no seu relatório de sustentabilidade para proporcionar maior confiabilidade de suas informações.
Sugere-se que as etapas aplicadas na SANASA sejam aplicadas a outras empresas, com o objetivo de verificar se o modelo utilizado se adapta também a realidade de outras empresas, difundindo assim a utilização das orientações do IIRC, proporcionando maior transparência e integração no disclosure das empresas, na busca de suprir a necessidade de informação dos mais diversos stakeholders.
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Anexo A
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Estratégia e Análise:
Conteúdos padrão que oferecem uma visão geral da estratégia da sustentabilidade. G4-1: Apresentar declaração do principal tomador de decisão da organização sobre a relevância da sustentabilidade e para a organização e sua estratégia de sustentabilidade.
Perfil Organizacional:
Conteúdos padrão que oferecem uma visão geral das características da empresa.