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2.1. Algumas considerações sobre a aproximação dos usuários do Sexlog

Para conhecer alguns desses perfis, necessitei de uma aproximação através do convite para amizade. Isso aconteceu, pois nesses casos não houve a procura do meu perfil por essas pessoas e sim o contrário. Na maioria das vezes, a interação iniciou no momento em que o meu perfil foi criado. Ao anunciar que estava ali para conhecer pessoas interessadas em participar da pesquisa, no primeiro momento aguardei a procura das pessoas em participar do trabalho. Foi isso que ocorreu. Todos os usuários deram entrevistas espontaneamente, no sentido de que não houve uma procura para que o contato ocorresse em nenhum momento. Os que se dispuseram a participar, na maioria das vezes confirmando a participação através de mensagens, horário e lugar, conversaram abertamente sobre as suas trajetórias, dentro e fora da rede social.

A maioria se aproximou pela curiosidade. Por que alguém se associaria em uma rede social de sexo, criando um perfil e mostrando o rosto só para conversar com pessoas? Esse estranhamento conduziu a aproximação. A curiosidade levou ao questionamento acerca do que eu fazia ali. Isso foi um aspecto a ser ressaltado e no entendimento sobre o meu papel como pesquisador presente naquela rede.

Esse início não foi fácil. A negação foi uma postura que acompanhei. Acostumei a ser levado como piada nos grupos e nos perfis da rede social pesquisada. Quando não havia essa galhofa, havia a negação antecipada, ao não aceitar inclusive o convite feito. Por me identificar como homem no perfil que foi publicado, existe alguns dispositivos no perfil de cada usuário para limitar o acesso a determinados tipos de categorização, que ficam organizados através de características de sexo e de gênero. Neste caso, alguns perfis, por exemplo, barram o contato e, assim, o acesso aos convites para usuários que se configuram como homens solteiros e assim por diante.

Portanto, nos dois casos, tanto nas situações em que havia a piada e a dúvida de que a minha presença ali não passava de uma brincadeira de mau gosto, mas também na negação de qualquer tipo de contato com determinados usuários pré-selecionados, não houve a aproximação e o impedimento foi deixado claro em

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todos os sentidos. Isso foi respeitado e segui adiante, buscando outros perfis que se dispusessem a participar. Na mesma intensidade que ocorreu o bloqueio de alguns perfis, também aconteceu a abertura para o acesso irrestrito para outros, que contribuíram largamente para a realização desse levantamento no Sexlog.

Essa variação se deu muitos mais pela opção de cada perfil. Não houve em nenhum momento alguma atitude da minha parte que tivesse como objetivo fazer com que os sujeitos falassem comigo. A aceitação em participar das conversas foi realizada de forma cordata, com uma aproximação simples sobre o perfil. A não ser os casos onde o perfil entrou em contato comigo solicitando a amizade e depois a conversa pelo bate-papo, os outros foram chamados através de solicitação de convite ou de contatos realizados com o envio de mensagens encaminhadas pelo perfil e a partir dai houve a espera, para que tudo convergisse para uma conversa proveitosa. Esse foi um procedimento que se repetiu algumas vezes no Sexlog.

Quase sempre as solicitações enviadas aos perfis foram aceitas. As poucas vezes em que o convite foi negado a explicação encontrada reside em motivações muito comuns em se tratando de uma rede social de sexo e em uma pesquisa cuja investigação gira em torno desse tema. Como já disse, alguns perfis já são taxativos desde a solicitação de amizade, filtrando até na própria solicitação de aceite o tipo de interesse que buscam na rede. Portanto, muitos não aceitaram o convite por se tratar de um perfil que se configurava como masculino, pois não querem se relacionar com homens solteiros. Mesmo que o perfil criado não tivesse esse intuito, ele já seria barrado antes mesmo de haver algum contato mais próximo.

Tendo em vista isso e o fato de que inicialmente não havia nenhum parâmetro específico para a escolha dos perfis, aqueles que demonstravam essa restrição não foram procurados; o outro caso é o mais comum e está relacionado à falta de interesse de muitos em contribuir com as pesquisas desse tipo. O que foi visto com bastante tranquilidade, tendo em vista que muitas pessoas que participam dessas redes estão ali pelo sexo e preferem não participar de entrevistas. Ou, como disse um dos informantes, de serem “ratinhos de laboratório”.

Os que se dispuseram a falar ofereceram importantes contribuições para a pesquisa. O diálogo entre os conteúdos coletadas nas entrevistas, as informações já reunidas de outras de redes como o Orkut, bem como de programas de mensagens instantâneas como o Messenger, conjuntamente com as entrevistas realizadas

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presencialmente, ofereceram um conjunto sem igual de ideias para a execução e o bom prosseguimento da pesquisa. Como já disse, a aproximação e os primeiros questionamentos giravam em torno do por que da pesquisa no Sexlog e como isso servia como estratégia para que o pesquisador pudesse utilizar esse questionamento curioso e instigante para iniciar uma conversa, que quase sempre culminou em uma entrevista. Sabemos do histórico de pesquisas sobre sexo realizadas. Uma tradição de pesquisadores que trabalham nas Ciências Sociais a etnografia da observação direta de práticas sexuais, notadamente Laud Humpreys (1970) e Gilbert Bartell (1971), entre outros. Todas elas mencionam a dificuldade em se trabalhar com pessoas e grupos por conta da precaução dos sujeitos sobre sigilo e privacidade.

Pesquisas sobre sexo trazem um ponto de vista muito peculiar sobre a pesquisa etnográfica hoje e revela a importância de um relato que não só vai a outra realidade diferente da sua e retorna para descrever o que foi testemunhado, mas que, no caso das redes sociais de sexo, faz aquilo que Gagnon pontua sobre o trabalho com a sexualidade7. O olhar do pesquisador no cenário da pesquisa sobre a sexualidade vai além de uma observação participante tradicional. Para Gagnon, o pesquisador que trabalha com as sexualidades faz aquilo que ele chama de observar o inobservável, trazendo à tona questões talvez sentidas, mas poucas vezes descritas com requintes de detalhes pelo especialista (GAGNON, 2006).

Nessa pesquisa sobre o Sexlog, isso não foi diferente. Dificuldades foram encontradas antes e durante o trabalho etnográfico. Apesar da aparente liberação dos corpos e a abertura para registrar e pronunciar os seus desejos, boa parte dos sujeitos que estão inseridos no Sexlog preferem fazer isso com muita discrição. Nesse sentido, discrição irá significar, acima de tudo, a proteção de suas identidades e tudo o que pode caracterizar o sujeito que está fora da rede do sexo. Ele se comunica utilizando-se de uma linguagem bastante conhecida, a da pornografia. Mas utiliza a pornografia dando um novo significado quando a articula aos seus interesses imediatos na rede.

As pessoas que postam os seus perfis na rede são caracterizados por alguns pontos que os aproximam: a utilização estratégica das estéticas erótica e

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pornográfica na composição de seus avatares. Geralmente utiliza-se de discrição e da ocultação da identidade por meio de pseudônimos. Na grande maioria dos casos o que se identificam nas fotos são corpos; nas mulheres, lingeries ou partes do corpo, de preferência partes anatômicas como a bunda ou dos seios; nos homens o pênis. Algo a ser destacado fica reservado à descrição que é inclusa nos perfis, que na maioria das vezes se caracterizam por um detalhamento das preferências que o participante possui sobre os tipos de fetiches, o perfil de casais ou pessoas solteiras que os casais pretendem conhecer; se possuem o que chamam normalmente de vícios (fumo, álcool, drogas ilícitas).

Tendo em vista uma observação sobre os perfis em redes sociais e os endereços eletrônicos dedicados à publicação de fotos dos perfis de sexo, se vê que a associação entre o swing e a pornografia não é forçosa. Eles se aproximam bastante. Visões de corpos, partes de corpos; partes que servem para fazer às vezes de fonte de sedução para o espectador que está do outro lado da tela. As imagens fazem o serviço de cartão de boas-vindas e de janela dialógica com os que acessam seus endereços. Essas fotos transmitem uma mensagem. Na maior parte das vezes a mensagem de sedução e de segredo, quase sempre ressaltados por corpos estabelecidos comumente pelos atuais parâmetros físicos e de beleza como “sarados”, bronzeados, utilizando-se de brinquedos eróticos ou em paisagens consideradas “paradisíacas”. No fim das contas o intento é seduzir.

Nesse sentido, a utilização estética para o sexo se coloca articulada a pornografia como é percebida de uma maneira geral: enquanto a pornografia pretende fazer com que o telespectador consuma e tenha prazer ao observar as imagens, a utilização desses recursos na rede social de sexo mantém um diálogo contínuo com essa estética. A intenção é que a pornografia sirva como fonte/canal de diálogo e de consumo entre as pessoas que interagem. Sejam fotos ou vídeos, o material que é encontrado nesses endereços atenderia a indústria pornográfica como um todo: do ponto de vista estético, mas também de consumo do material.

Em geral, a pornografia não segue uma regulação, um código restrito e estabelece uma relação intensa com o risível e com o que está de fora. Segundo Leite Junior (2006), esta íntima relação entre prazeres perversos, brincadeiras e pornografia como elementos perigosos e potencialmente desestruturadores da

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ordem social seria algo acompanhado desde os idos tempos e tomará ênfase do século dezenove de nossa época para cá.

Os desejos e as possibilidades de mencioná-lo nas redes sociais encontram barreiras na medida em que esbarram no risco que coloca em jogo a relação entre segredo/identificação em um ponto, e desejo/sexo/fantasias em outro. Cabe ressaltar que o ponto intimidade não está sendo ressaltado aqui. As redes sociais são pródigas de uma superexposição do sujeito. Exposição que passa pelo compartilhamento público daquilo que o autor deseja que os outros vejam. Essa divulgação nas redes sociais de sexo – e, no caso do Sexlog – se faz por força de signos que estão articulados às imagens e aos textos. Ambos pronunciam aquilo que os sujeitos querem e procuram na rede: falar de si, mostrar um pouco de si mesmos, em imagens e textuais, e produzir um regime de afetamentos que podem gerar, em última instância, a realização dos desejos e do sexo, muito além dos discursos sobre sexo inscritos nos seus perfis.

O papel da intermediação do Sexlog se encerra, na medida em que a mediação dos atores através dos seus perfis toma importância e rouba a cena. Ao usar os seus perfis, esses sujeitos tomam a cena. Recriam-se, a partir da busca pela realização dos seus fetiches. Usam para isso o suporte da rede, que serve como porta e como canal. Canal que também se alongará na medida em que homens, mulheres, casais, travestis e transexuais e todos os demais personagens utilizarem também de outros meios com objetivos de realização sexual.

A rede social de sexo é só mais um dos seus nós. A cartografia desses encontros irá levar o pesquisador da sexualidade a muitos outros espaços possíveis de afetos entre os muitos personagens. As salas de bate-papo, os programas de troca instantânea de mensagens, as redes sociais de sexo, além dos lugares de encontros pessoais desses personagens, como as casas de swing, as saunas, os motéis, os bares e as festas privativas. Essa outra parte do percurso será discutido na próxima parte da tese.

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2.2. Do Fotolog ao Sexlog: uma trajetória da rede social de sexo

O Sexlog, rede social de sexo e swing, existe no Brasil há mais de dez anos na internet. Em sua página de apresentação, se auto intitula como “a maior rede social de sexo e swing do Brasil”8. Segundo a descrição do próprio site e a partir de algumas conversas que tive com os administradores, atualmente o Sexlog reúne mais de quatro milhões de usuários cadastrados. São pessoas das mais variadas classe e faixas etárias que mantém perfis na rede. Nela compartilham fotos, vídeos, áudio e textos. Informações que são publicadas pelos proprietários de cada perfil, acessível aos seus amigos e contatos (Figura 1).

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Informações retiradas do seguinte link: https://accounts.sexlog.com/sobre-sexlog (Acessado em 28/06/2013, às 20 horas).

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Figura 1: Página principal do Sexlog

Fonte: Sexlog.com.br

Inicialmente com uma estrutura voltada para a postagem de fotos, o Sexlog começou os seus serviços com a construção de perfis que se associavam ao site para postarem fotos que sempre eram acompanhadas de uma legenda. Ainda não possuíam o nome nem o conceito do Sexlog, com o objetivo de ser uma rede de sexo ou de trabalhar com conteúdo erótico. Segundo os proprietários que possuem uma empresa para administração da rede, a plataforma utilizada no início foi o Fotolog, uma espécie de diário eletrônico de postagem de fotos nos anos 2000 na internet, onde os usuários se utilizavam de fotos para contar o seu dia a dia. No entanto, muitos perfis começaram a usar a sua conta para publicar fotos sem roupa, o que não era permitido. No começo a administração do site tinha muito trabalho em mediar à publicação dessas imagens e isso foi tomando uma proporção tão grande que eles resolveram criar um espaço específico para a publicação de fotos e conteúdos eróticos. Foi ai que surgiu o Sexlog.

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Outros perfis também podiam acessar essas fotos e incluir comentários. Muita coisa mudou ao longo desses dez anos. De uma rede baseada no compartilhamento de fotos, com um público em sua maioria constituído por casais, o Sexlog hoje congrega um conjunto de ferramentas que tem como particularidade o conteúdo erótico de seus produtos. Segundo a descrição do site, a rede tomou proporções consideráveis e diversificou os seus serviços. Além do sexo e do swing, outras oportunidades são possibilitadas a partir dessas ferramentas:

(..) o Sexlog também tem espaço para pessoas que querem apenas se exibir ou ter acesso ao maior conteúdo adulto amador da internet brasileira, com fotos, vídeos e contos. Nosso principal objetivo no Sexlog é garantir a nossos assinantes sucesso na formação de relacionamentos e meios de obter entretenimento real. Temos equipes exclusivas trabalhando diariamente para trazer novos recursos, funcionalidades e iniciativas que ajudem os sexlogers a se divertirem cada vez mais.

Hoje em nosso portfólio, além do Sexlog, temos a Revista Sexlog (com conteúdo inédito de assuntos relacionados a sexo, consumo e estilo de vida, além de fotos com modelos nuas em ensaios sensuais), o SexlogX (com vídeos pornôs de grandes gravadoras, atualizado diariamente e de acesso exclusivo para assinantes) e o Clube Sexlog (que oferece descontos e facilidades aos assinantes que possuem o cartão do Clube em estabelecimentos parceiros). (https://accounts.sexlog.com/sobre-sexlog).

Sobre o que eles chamam de “conteúdo adulto amador na internet” se explica toda e qualquer tipo de produção imagética feita pelos usuários do Sexlog. O significado da palavra “amador” nesse contexto não é a sua adjetivação, ou seja, a qualificação de que aquilo que é publicado nos perfis é um conteúdo “amador”, o que aproximaria de algo sem produção ou estrutura mínima, tendo como oposto a produção “profissional”, que possuiria de uma produção e estrutura maior e com outro patamar de qualidade. Não é isso. A palavra “amador” está articulada a fonte de produção e não a sua adjetivação. No caso, os usuários da rede, que periodicamente contribuem com fotos e vídeos nos seus perfis.

Apesar de ser o foco principal da equipe do Sexlog, os outros produtos que foram criados nesses últimos dez anos aos poucos adquirem importância na relação do Sexlog com os seus clientes. Na opinião dos administradores, isso multiplicaria as possibilidades de relacionamento na rede, já que as pessoas que transitam ali têm outras opções que podem ser agregadas ao seu dia a dia como consumidores

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de produtos e conteúdos eróticos. Os administradores sempre fazem questão de ressaltar que o foco deles é o Sexlog, mas que as ferramentas que já foram criadas até aqui agregariam funções e valores importantes aos usuários da rede.

Atualmente, a empresa que cuida do Sexlog oferece seis produtos diferentes aos seus usuários: o Sexlog como a ferramenta principal, a Revista Sexlog, que publica mensalmente ensaios eróticos de modelos contratadas, além de uma seção dedicada à publicação de ensaios com mulheres que mantém perfis na rede. Elas passam por uma eleição que ocorre mensalmente na rede social, onde são votadas no concurso “Garota Sexlog”. A escolhida faz um ensaio erótico para a revista, com o mesmo aparato que geralmente se vê em revistas eróticas ou sites especializados no tema.

O terceiro produto é o SexlogX, plataforma de visualização de filmes e cenas pornográficas. O SexlogX mantém uma parceria com o Grupo Palms, proprietário da produtora de filmes pornográficos Brasileirinhas. Periodicamente são publicados filmes completos e cenas diversas produzidos pela Brasileirinhas, que podem ser assistidos pelos usuários que mantem perfis no Sexlog. O quarto serviço é o Clube Sexlog, que congrega um conjunto de oportunidades de descontos e promoções em estabelecimentos como hotéis, pousadas, bares e boates. O quinto produto é um sex shop, que funciona como uma loja virtual de produtos e acessórios eróticos. Por último, o produto mais recente do grupo, um bate papo que está à disposição dos perfis no Sexlog.

Como espaço dedicado a interação entre pessoas, com um conjunto de ferramentas voltado para o contato entre os seus usuários, com o objetivo de aproximá-los pelas imagens, vídeos, mensagens e bate-papo, o Sexlog representa atualmente uma das mais acessadas e importantes redes sociais de sexo na internet brasileira. Isso não só porque possui um número considerável de assinantes (mais de quatro milhões, como já foi dito), mas por ter um volume importante de material erótico produzido por esses usuários, além do fato de ser um espaço de socialização (socialização sobre e para o sexo) cujo conteúdo é específico (erotizado, com uma estética que circula, entre o erótico e o pornográfico).

A forma de se integrar ao Sexlog começa por um cadastro. Nele, o usuário registra os seus dados básicos como nome, idade e endereço. Após o preenchimento dos dados básicos, o cliente deve incluir algumas informações

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especificas para o seu cadastro, que toma os contornos de uma rede social de sexo, cujo formato básico é o encontro, o compartilhamento e o contato com outras pessoas para o sexo. O formulário pede ao usuário que se cadastra respostas como “quais são os seus interesses no Sexlog?”; “quem você é?”; formulário que também requisita dados sobre a biografia e finaliza com a postagem inicial do cadastrado, da foto na qual quer ser identificado na rede, além da possibilidade de poder compartilhar as suas primeiras fotos, comentários, vídeos, entre outras informações, como pode se ver na tela abaixo (Figura 2), que reproduz o passo-a-passo do cadastramento:

Figura 2: Página de edição do perfil do usuário

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Nessas mudanças ocorridas ao longo desses dez anos, algumas ficam por conta da forma como os perfis no Sexlog são construídos. No ato do cadastro com as informações demográficas do assinante, existiam as seguintes opções: homem, mulher, casal. A inclusão no cadastro de opções das categorias de “transex” e casais do mesmo sexo marca uma mudança considerável para a construção das subjetividades e das relações conjugais nessa rede social. Uma relativa abertura para grupos que, antes da mudança, não podiam se identificar de maneira clara ao preencherem os espaços reservados às suas características biográficas, a não ser que tentassem explicar a sua condição em seu perfil biográfico, em lugares pouco adequados, ou mesmo com um apelido que trouxesse o significado do seu lugar e pronunciasse assim a sua identidade. No caso dos perfis pertencentes a travestis, o mais comum antes das mudanças biográficas era encontrar apelidos que se articulassem com o prefixo “trans”. Por exemplo, “transloirinha”, “Anatrans” ou