Lamas UnderFlow Espessamento Flotação Amostragem Classificação Rejeito Amostragem Concentrado
4.1 – Seleção e obtenção da amostra
Foram determinadas, com o auxílio da geologia de curto prazo, as principais litologias da mina do Sapecado e separado em domínios estratigráficos nas regiões da cava. Ao todo três domínios foram determinados e os pontos de amostragem foram demarcados e feito o levantamento topográfico e obtenção das coordenadas dos pontos e bancos. As amostras foram compostas de Itabiritos limoníticos, pobres e com alto teor de manganês.
As amostras foram determinadas pelo planejamento de curto prazo da mina do Pico, e as áreas cadastradas em um plano de lavra com seus respectivos pontos de carga. Para a composição desta amostra foi quantificado e qualificado o ROM relativo ao ano de 2009, para determinação dos fatores de concentração. Decidiu-se então pela amostragem das lamas nas baterias primárias de deslamagem de ambas as usinas.
O material foi obtido diretamente das instalações, compondo um total de três grandes grupos de amostras, Lamas D, Lamas I e Rejeito D, posteriormente subdivididos para composição das misturas e realização dos testes em batelada, numerados e especificados conforme tabela 4.1 e figura 4.2.
Tabela 4.1 – Testes em batelada
ITM-D ITM-I ITM-D+I Rej 25/75 Rej 50/50 Rej 75/25 Rejeito
20% de sólidos 1 5 9 13 17 21 25
30% de sólidos 2 6 10 14 18 22 26
40% de sólidos 3 7 11 15 19 23 27
50% de sólidos 4 8 12 16 20 24 28
Número do Teste
Testes 1 a 4 Testes 5 a 8 Testes 25 a 28
Lamas D Lamas I Rejeito D
50% 50% 0% 25% 50% 75% 100%
Mistura D+I Composição I+Rej
Testes 9 a 12 Testes 13 a 24
4.1.1 – Alimentação da Usina e coleta da Amostra
Com a pilha composta e o plano de amostragem concluído, foi iniciada a produção com a alimentação da pilha nos 2º, 3º e 4º turnos.
Figura 4.3 – Pilha formada para alimentação da ITM-D
4.2 - Análise química
Uma alíquota é pulverizada em moinho de disco e de anéis antes de ser enviada para análise química.
Todas as análises químicas foram realizadas no laboratório químico por via úmida (dicromatometria) para determinação do ferro total, espectrometria de emissão a plasma (ICP) para silício, alumínio e manganês.
4.3 – Realização dos testes
Os testes foram executados seguindo o procedimento padrão para testes de sedimentação e no laboratório de processos da Mina do Pico.
4.3.1 – Critérios para a realização dos testes de sedimentação
4.3.1.1 – Recursos Necessários
- Provetas de 2000 ml;
- Balança analítica (4 casas de precisão); - Balança com 5 kg de capacidade; - Becker de 500 ml;
- Cronômetro; - Agitador mecânico;
- Agitador para proveta de 2000 ml; - Fitas de papel milimetrado; - Durex;
- Planilha de campo; - pHmetro;
- Solução de NaOH (concentrado 5%);
- Solução de ácido clorídrico (concentrado 5%); - Mangueira para sifonamento;
- Baldes;
- Pincel atômico escrita fina; - Estufa a 105ºC;
- Seringa.
4.3.1.2 – Preparação das Provetas
- Lavar toda a vidraria somente com água (não deve ser empregado qualquer material de limpeza) e secá-la antes da introdução de polpa;
- Fixar a fita de papel milimetrado segundo a maior dimensão da proveta, sendo que o zero da escala milimetrada deve coincidir com a marca de 2000 mL da proveta;
- A fita deve estar bem esticada e fixada em pelo menos três pontos (base, topo e região intermediária). Esta fita é utilizada para registrar as leituras de deslocamento da interface ao longo do tempo de sedimentação, pois as provetas não apresentam calibração volumétrica confiável;
- Pesar a proveta sem polpa (mpr = massa da proveta) e registrar a sua massa na base, utilizando pincel anatômico.
4.3.1.3 – Preparação do Polímero (Degusa 2550 – Ashland)
- Pesar 0,5 gramas do polímero e adicioná-lo lentamente a um becker com 499,5g de água, sob regime de agitação laminar (não turbulenta), que deve ser mantida por 40 minutos. Ao final, tem-se uma solução a 0,1% de concentração, denominada solução mãe (validade: 48 horas);
- Transferir 100g da solução mãe para outro becker contendo 200g de água e agitar por mais 40 minutos. Ao final, tem-se uma solução a 0,033% que será utilizada para dosagem de polímero (validade: 24 horas);
A massa necessária de polímero deve ser calculada pela fórmula abaixo.
C1M1 = C2M2 (4.6)
C1 = concentração do polímero tal qual (%)
M1 = massa do polímero tal qual (g)
C2 = concentração desejada da solução (%)
M2 = massa desejada da solução (g)
A massa de água necessária para a solução é calculada pela fórmula abaixo.
Ma = M2 – M1 (4.7)
Ma = massa água (g)
M1 = massa de plimero tal qual (g)
4.3.1.4 - Determinação do % de sólidos
- Medir 2000 mL da polpa, obtendo a massa de polpa (Mp); - Flocular a polpa (utilizando polímero);
- Sinfonar a porção sobrenadante (desde que esteja clarificada); - Secar a porção afundada em estufa a 105ºC;
- Pesar a porção afundada (w); - Calcular o percentual de sólidos:
% S = W x 100% (4.8) Mp
Onde: W = massa de sólido na proveta, Mp = massa de polpa na proveta.
4.3.1.5 - Transporte, homogeneização e quarteamento da Polpa
A homogeneização da polpa deve ser feita com agitadores apropriados ao volume da polpa coletada, sempre que houver coleta de incrementos para qualquer teste de bancada. O quarteamento pode ser feito por sifonamento desde que a polpa seja mantida sob agitação durante a coleta destes incrementos. Durante o transporte, é comum a sedimentação das partículas mais grosseiras, ficando a porção sobrenadante da polpa com % de sólidos mais baixa devendo ser descartada toda amostra caso haja qualquer perda de polpa.
4.3.1.6 – Alimentação das Provetas
- Agitar a polpa e sifoná-la para um balde, em volume suficiente para completar o conjunto de provetas adotadas para o teste;
- Corrigir a polpa para o pH desejado, se necessário;
- Agitar a polpa e sifoná-la para cada proveta até completar exatamente o nível 2000 ml da proveta (referência: menisco inferior);
- Medir a massa de polpa mais massa da proveta ( Mprov + Mp) .
4.3.1.7 – Cálculo da massa de polímero a ser dosada
Cálculo da massa da solução a ser dosada (Md) em cada proveta.
(4.9)
Onde.: Md = massa da solução a ser dosada;
W = massa de sólidos na proveta, em gramas; D = dosagem do polímero a ser empregado, em g/t; C = concentração da solução em %.
4.3.1.8 – Ensaio
Os seguintes passos devem ser seguidos nos ensaios de sedimentação:
- Agitar a polpa na proveta, lentamente, até colocar todos os sólidos em suspensão;
- Adicionar o reagente, lentamente, em conjunto com a agitação já iniciada;
- Após o término da adição do reagente na proveta, agitar a polpa lentamente por mais 03 (três) vezes. No último curso, acionar o cronômetro no momento em que o agitador manual atinge a interface polpa / ar.
Desde que a dosagem empregada seja adequada, é possível marcar os pontos em uma fita milimetrada. A posição da interface é de acordo com os intervalos de tempo pré- estabelecidos (tempos sugestivo):
- Intervalo de 30 segundos ate 5 minutos. - Intervalo de 1 minuto entre 5 a 20 minutos. - Intervalo de 2 minutos entre 20 a 40 minutos. - Intervalo de 5 minutos entre 40 a 90 minutos.
W x D
1002 x C(%)
- Intervalo de 30 minutos entre 90 a 120 minutos. - Após 24 horas.
Caso haja superposição de marcação (estágio de compactação dos sólidos da polpa), o executante tem a liberdade de deixar de marcar alguns pontos, desde que isto seja informado para não gerar problemas de interpretação dos resultados. Para tanto, sugere- se necessárias (nº de teste, dosagem empregada, nome do reagente, amostra de polpa coletada, data, etc.) conforme visto na figura 4.3.
- Ho = Altura inicial da proveta (m);
- Co = Concentração inicial de sólidos na polpa (g/l = kg/m3); - V = Volume de polpa na proveta (mL);
- W = Massa inicial de sólidos na proveta (g);
- QaCa = Taxa de sólidos (base seca) que alimenta o espessador (t/h); - K = Calibração da proveta (mL/m)( calculado );
- Mprov. = massa da proveta;
- Mprov. + Mp = massa da proveta + massa da polpa (g):
% Sf(H) = W (4.10) W + (Mp – W) – (V – H)
4.4 – Coleta dos dados
Para uma maior representabilidade dos testes comparativos, foram realizados quatro testes para cada composição/amostra, sendo escolhido para os demais métodos não somente a curva de sedimentação do G crítico determinado pelo método de Coe e Clevenger, mas todos os ensaios realizados.
Todos os testes serão realizados em pH neutro conforme prática industrial.
4.5 – Aplicação dos métodos de dimensionamento de espessadores
Após a coleta de dados foram construídas as curvas de sedimentação dos ensaios. Todos os testes foram utilizados no dimensionamento de espessadores através dos métodos de Coe e Clevenger, Talmage e Fitch, Oltmann, e Wilhelm e Naide. Após a realização foi possível realizar uma comparação entre os métodos com a construção gráfica exemplificada na figura 4.5.