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6 Analyse av magi og religion i Game of Thrones

6.3 The Faith of The Seven

6.3.2 Begravelse

A convergência das mídias22 no século XXI trouxe ferramentas como a internet que consolidaram e possibilitaram a expansão das narrativas. Muitas vastas narrativas que começaram como literatura, por exemplo, migraram também para o cinema, jogos e inúmeras outras mídias, colocando em evidência o conceito de transmídia23 e mundos transmidíaticos.

Com a consolidação do que Jenkins (2008) chamou de ―cultura da convergência‖24, hoje estamos em processo de descobrimento dos potenciais narrativos

abertos por essa nova cultura. Tradicionais obras literárias, como o cenário criado por Tolkien e as histórias de Arthur Conan Doyle25 sobre Sherlock Homes, constituíram exemplos da busca da vastidão narrativa no meio literário, que hoje se ramificam por inúmeras mídias, podendo ser vistas hoje como jogos, filmes, histórias em quadrinho e outros.

A expansão para outras mídias torna um universo narrativo cada vez mais complexo, onde várias linhas narrativas podem ser criadas, desenvolvendo enredos principais, histórias paralelas, ou adentrando áreas ―inexploradas‖ de um universo ficcional.

Antes de continuar aprofundando uma análise sobre o termo vale ressaltar que parece não existir um consenso geral do que seria uma narrativa transmídia, mas é possível retroceder para entender suas características principais, começando pela palavra ―transmídia‖, o prefixo trans em combinação com a palavra mídia. Do Latim esse prefixo significa além, através e transversal, trazendo a ideia de transcendência, dando entender que essa classificação representaria algo que vai além e que transcende várias mídias (GAMBARTO, 2013). Vamos apresentar algumas definições de narrativa transmídia de pesquisadores da área.

22Conceito desenvolvido por Henry Jenkins, designa uma tendência de convergência que os meios de

comunicação estão aderindo para poder se adaptar aos novos paradigmas tecnológicos e culturais do século XXI.

23Fenômeno do transporte da informação para múltiplas mídias. Movimento que pode acompanhar a

criação de novas tecnologias e a expansão de universos narrativos.

24Termo desenvolvido por Jenkins para definir a cultura formada em torno do movimento de

convergência das mídias

25Arthur IgnatiusConan Doyle foi um escritor e médico britânico, nascido na Escócia, mundialmente

famoso por suas 60 histórias sobre o detetive Sherlock Holmes , consideradas uma grande inovação no campo da literatura criminal.

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Jenkins (2008, p. 95-96, tradução nossa) tem a seguinte definição:

Uma história transmídia se propaga através de múltiplas plataformas, onde cada novo texto faz uma contribuição para o todo. Na forma ideal de uma narrativa transmídia cada medium faz o que faz de melhor – então a história pode ser introduzida em um filme, expandida para a televisão, livros e quadrinhos; seu mundo pode ser explorado através de jogos ou experiências como atrações de parques temáticos.

Enquanto isso, Scolari (2009, p. 587, tradução nossa) define uma narrativa transmídia como:

Uma estrutura narrativa particular que se expande através tanto de diferentes linguagens(verbal, icônica, etc) e diferentes mídias (cinema, quadrinhos, televisão, etc.). A narrativa transmídia não é apenas uma adaptação de uma mídia para a outra. A historia contada em um quadrinho não é a mesma contada não televisão ou no cinema; as diferentes mídias e linguagens participam e contribuem para a construção do mundo narrativo transmídia. Dena (2009, p. 18) define uma narrativa transmídia como: ―Um universo narrativo que se propaga através de mídia e plataformas‖ e Long (2007, p. 28) define uma narrativa transmídia como: ―A arte de criar mundo‖.

Essa dualidade apontada por Scolari entre mídia e linguagem aparece em outras discussões terminológicas, vale perceber que o presente estudo não possui pretensão de abordar essa discussão e se foca na questão narrativa propriamente dita, do universo ficcional e suas estruturas mais enquanto texto e menos enquanto linguagem.

Apesar das diferenças reconhecemos que existem similaridades e serão nelas que apoiaremos nosso estudo. Para a pesquisa será importante ressaltar o aspecto de criação de mundo e propagação narrativa pontuada pelos autores que será mais abordada adiante.

Tendo em mente algumas definições de narrativas transmídia e voltando às questões das narrativas seriadas e complexidade narrativa, essas são construídas pelos produtores, com o intuito de criar vastos universos, que por sua vez exigem a atenção e o engajamento da audiência para que possam ser plenamente usufruídas. Ainda assim, somente uma narrativa complexa, desconexa de um universo bem construído e possível de ser explorado, não garante o bom desempenho ou a longevidade de uma série.

No livro ―Cultura da Convergência‖, Jenkins levanta algumas questões sobre a relação entre os fãs e produtoras e de como as mudanças do nosso século tornaram essas relações mais complexas. O livro aprofunda a questão estudando vários casos com

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situações e resultados distintos, nos quais algumas dessas relações têm resultados mais construtivos, outras, mais destrutivos. As empresas assumem, às vezes, posturas mais abertas à participação do fã, outras vezes mais proibitivas e controladoras. O que fica claro, entretanto, é que a sociedade ainda está construindo o fundamento dessas relações. (JENKINS, 2008).

Apesar das dúvidas sobre que rumo essas relações irão tomar, esse é um dos paradigmas atuais que envolvem a produção de vastas narrativas e que precisa ser considerada, pois grande parte dos fãs busca interações cada vez mais profundas com seu objeto de consumo, muitas vezes obscurecendo a fronteira entre a posição de consumidor e produtor.

Podemos entender que existe uma espécie de espaço por onde transitam as obras, os produtores e fãs. Esse espaço é composto pelos elementos que compõem e orbitam determinada obra, como universo próprio acessível para alguns grupos de pessoas, trataremos desses conceitos a seguir.