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3.2 Laboratory tests of beetle host preference in spruce bark agar .1 Beetle preference in spruce bark agar without bluestain fungi

3.2.2 Beetle preference in spruce bark agar with bluestain fungi

Falar do significado do cuidar no processo de morrer na voz das mulheres, sujeitos de minhas reflexões, levou-me a compreender que a realidade de suas vidas cotidianas está organizada em torno do “aqui” de seus corpos e do “agora” vivido no presente. Essa fala expressa, como realidade, o enfoque educativo no sentido de recuperar o EU da pessoa humana debilitada, especialmente na cultura em que vivemos, na qual a mulher vivencia a sua terminalidade e é estigmatizada como doente terminal, sendo, ainda, pouco assistida em suas reais necessidades.

Relatam as mulheres, com muita clareza, que se obrigam a um confronto com a difícil realidade da vida cotidiana, ao terem de conviver com todas as dificuldades relacionadas à ação de cuidar prestada pelos profissionais de saúde que as assistem quando internadas.

Dessa forma, a vida dessas mulheres, marcadas por problemas diversos, transcende para uma realidade superior na constatação de seus direitos como pessoa, mormente no pleno exercício para a sustentação de sua dignidade, por tratar-se de um ser único, com todos os atributos e sentimentos que lhe são inerentes e dado o valor oriundo de si mesma como pessoa.

Protestam essas mulheres com veemência, mesmo na sua fragilidade, em face da constatação de que a sua dignidade é tratada de forma precária, ao serem cuidadas por profissionais de

saúde despreparados humanisticamente para as atribuições que lhes são confiadas. Declaram merecer todo o respeito, difícil de enfrentar o cotidiano, pois relatam com extrema tristeza, alterações emocionais, angústia, abandono e, particularmente, buscam, muitas vezes, não atraírem para si a antipatia dos profissionais que delas tratam, pois são conscientes da necessidade de cuidado.

Neste sentido, a mulher doente e sem esperanças de cura, ao conscientizar-se da debilidade de sua saúde e da falência generalizada de seu organismo, grita por socorro, implora que se preste mais atenção a todos os seus problemas, pedindo que não seja classificada como algo sem importância e descartável. Em face do olhar da mulher no processo de morrer, fica claro que a atenção requerida por ela já é direcionada às questões existenciais.

Sua fala pede aos profissionais de saúde uma atenção cuja qualidade assistencial seja não só o resultado da competência técnica, mas também o de uma maior sensibilidade humana.

Esse mundo institucionalizado do qual fazem parte hospitais, protocolos de tratamentos, ou, mesmo, ausência de atendimento, experimentado pelas mulheres por mim ouvidas, apresentam-se como uma dura e crua realidade. Todo o ser humano reage com certo temor ante a incapacidade, à diminuição de potencialidade, à dependência, por vezes humilhante, a solidão, a incerteza do quando e de como se dará a sua própria morte.

Estes temores evidenciaram-se na voz das mulheres de diferentes maneiras. A equipe que assiste o enfermo em situação de finitude deve estar atenta aos sinais velados, verbalizados ou simplesmente manifestados por expressões não verbais, que tornam possível a percepção da existência desses temores, e,

assim, de posse do conhecimento da realidade existente, possa exercer plenamente sua função de cuidador, proporcionando o conforto para amenizar a dor, o consolo da companhia, uma palavra de ânimo, de carinho, de acolhimento, sem frivolidades, ou simplesmente, sua permanência em respeitoso silêncio ao seu lado. É possível perceber nos depoimentos que as mulheres procuram superar as transformações que ocorrem em suas vidas cotidianas, buscando a convivência mais próxima com os familiares, mesmo tendo em mente que está dependente de todos à sua volta. Convive ela, entretanto, com pensamentos conflitantes, solicitando o acolhimento de amor e de mais atenção dos profissionais de saúde que também coexistem em seu mundo.

É lamentável que os serviços de saúde, de maneira geral, apresentem características de atendimento que se aproximam da desumanização, dificultando o acesso ao sistema e falta de resolubilidade dos problemas. A mulher com câncer e que se encontra no processo de morrer tem, todavia, uma capacidade maior de percepção da plenitude de ser, apesar de suas limitações. Se a mulher tem capacidade de organizar-se, é preciso respeitar ao máximo possível os seus desejos, especialmente os que dizem respeito a visitas, conforto ou atenção em todos os níveis de suas necessidades, conforme foi observado em seus discursos.

As mulheres aqui ouvidas testemunham que a autonomia exercida por elas deve transitar pela liberdade de pensamento e expressão, e, serem livres de coações internas ou externas para escolher entre as alternativas que lhe são apresentadas.

Silva (2001) ressalta que a enfermagem precisa pensar sobre o que é importante quando se cuida, se somente o

desenvolvimento de técnicas e o ministrar tratamentos são importantes ou se há de considerar que ajudar a pessoa a resguardar sua dignidade é diferencial altamente significativo no ato de assistir o paciente no processo de morrer.

A lição apreendida aqui, pelo testemunho das mulheres, indica que o profissional de saúde deve esforçar-se sempre para diminuir o sofrimento do doente, tendo em mente que estar doente não é um problema separado de sua pessoa, biografia e meio. Deve-se também evitar, na medida do possível, que a terapêutica analgésica provoque, desnecessariamente, a perda da consciência do enfermo.

Com relação aos familiares, estes devem ser considerados pela equipe como uma unidade também carente. Ambos, paciente e familiares, precisam de ajuda. O objetivo maior do cuidado está em integrá-los ao máximo no processo da doença em curso, para que, ao chegar o momento da morte do ser doente, possa ele estar acompanhado de seus entes queridos, em todos os sentidos, e com o menor sofrimento possível.

Tendo em vista, portanto, toda essa minha longa e gratificante vivência, cuidando de mulheres com câncer, posso dizer, agora, com o desvelamento de uma das facetas deste fenômeno, que é imprescindível ouvir com freqüência as confidências das mulheres. Estas não têm só medo da morte, mas temem ainda o sofrimento relacionado ao processo de morrer. Isso ocorre especialmente quando esta experiência é marcada pela intervenção mutilante, impotência física ou pela dor.

A dor é o que existe de mais terrível na experiência humana e fato que tão freqüentemente acompanha a evolução da

doença oncológica, trazendo ameaça à integridade pessoal e rompendo perspectivas futurais.

É preciso que o profissional de saúde desenvolva a sensibilidade necessária, colocando em prática os fundamentos humanitários de sua formação acadêmica, de sua trajetória pessoal, como indispensáveis à percepção e contenção do sofrimento que vivencia a mulher no processo de morrer.

Terminado este capítulo, o significado do cuidar na voz das mulheres, reporto-me novamente à fala que desvela, de forma autêntica o fenômeno que estava velado no início deste estudo:

Aproximaria mais do paciente, ficaria mais tempo ao seu lado, tentaria ouvi-lo mais. Prestava mais atenção naquilo que ele está querendo dizer, ou seja, talvez naquilo que ele quer dizer, mas, não está conseguindo. Daria mais oportunidade para ele exteriorizar a sua dor, o deixaria chorar os seus medos, chorar as injustiças, chorar seu sofrimento. (d-11)