6. Konklusjon
6.3 Veien videre
6.3.2 Bedre metoder innen synsrehabilitering
O século XVIII afirma-se como o século da estética que teria como ponto de partida a indicação da possibilidade de lançar uma reflexão sobre aquilo que é obscuro, confuso e que pertence ao domínio da sensibilidade. E, assim, o pensamento filosófico passaria a ocupar-se do belo, do sublime e do gosto, tendo a experiência como uma questão a ser refletida. Nesse momento, a estética se desliga do vínculo com a religião para se dizer por si mesma, e afirma-se como uma reflexão filosófica da arte, mas também como manifestação sensível da beleza, situando-se entre a busca de um controle racional do sujeito pensante e o discurso sensível. Poderíamos dizer que se trata de uma metafísica do belo que eleva os fenômenos de arte à dimensão conceitual, posto que ela se ocupa da totalidade da experiência do belo e sugere uma definição geral da arte.
Assim, no momento da fundação da estética, a beleza é compreendida como o lugar intermediário e fronteiriço entre o domínio do puro pensar e da inteligibilidade e o domínio da sensibilidade. Neste sentido, ela teria a função de conduzir a percepção ao conhecimento. Colocada desta maneira, a estética seria comparável ao brilho sensível da idéia, pois através dela é possível ascender ao domínio espiritual do conceito, pois “em Hegel a filosofia do belo, e o belo já não é julgamento de origem subjetiva, mas uma Ideia que existe na realidade, em obras de arte reais e históricas” (LACOSTE, 1986, p. 42).
A estética seria a contemplação do Absoluto mediante as formas fenomênicas da beleza, a convergência do que se apresenta como diverso na unidade conceitual do belo. Isto porque o conceito estabelece a harmonia, a unidade e a ordem, a fim de estabelecer um discurso filosófico sobre o belo. O belo estaria, desta forma, organizando o que aparece como confuso, a percepção sensível, para a sua ascensão à luz. Ela surge como propedêutica da lógica e se propõe a estender a aprimoração do conhecimento além dos limites do conhecimento distinto e preparar a percepção para os estudos contemplativos. Porque surge a necessidade de organizar a percepção sensível, mas sem prejudicar a razão
lógica24. Caberia à estética educar a percepção sensível a fim de atingir a perfeição do conhecimento sensitivo: a beleza. Este modo de educar a percepção para o que de perfeito há na esfera sensitiva é uma gnoseologia, um modo de conhecer através da contemplação da beleza, visto que a alma possui duas faculdades do conhecimento, uma inferior, que diz respeito ao que aparece como confuso e obscuro, e outra superior, porque se trata de algo claro e distinto.
A confusão corresponde à dimensão sensível e a clareza à esfera inteligível. O que consiste dizer que no seu nascimento a estética é entendida como uma gnoseologia inferir por ocupar-se do conhecimento sensitível. Ela amplia o modo de conhecer para além da racionalidade e se estende à realidade sensível a fim de iluminá-la com o brilho inteligível (BAUMGARTEN, 1993, p. 95).
Assim, a origem da estética encontra pontos norteadores no Renascimento com a auto-reflexão e a autonomia em relação à metafísica e a teologia, a partir das mudanças na dimensão do pensamento filosófico, intelectual, teológico e moral, com o movimento de emancipação da arte e busca de sua autonomia como discurso livre. Isto porque, na modernidade, surge a certeza de si mesmo, a subjetividade da consciência de si através da racionalidade. Fundamento universal do pensamento que se sabe livre e autônomo, a substância pensante. Neste momento, a arte passa a se dizer por si mesma.
A reflexão sobre a arte “surge da necessidade universal de reencontrar o eu na alteridade [...] trata-se de um momento prático da duplicação do eu [...] através do qual se alcança a consciência de si” (VERCELLONE, 2000, p. 36). Isso porque o século XVIII visa o esforço de classificar os conceitos de modo universal como um movimento de libertação intelectual que funda uma nova disciplina, a filosofia estética, da qual advém uma consciência filosófica da arte.
Nesse processo de afirmação da arte em sua autonomia e liberdade é que se localiza os Cursos de Estética de Hegel, estando sua obra inserida no contexto que lhe permite lançar uma discussão histórico-estética da arte. Dessa maneira, o autor comunica
24 Baumgarten afirma que a estética visa a perfeição composta da matéria e da forma, de modo que a arte
em sua obra que a abertura para uma concepção filosófica e científica da arte se funda em transformações históricas que viabilizaram a reflexão acerca da arte livre.
Hegel tem algumas reservas quanto à terminologia estética devido ao seu significado epistemológico. Segundo o autor, esta nomenclatura não é propriamente adequada, porque ela indica precisamente a ciência do sentido e da sensação. Para Hegel, o ideal seria designá-la como filosofia da bela arte, mas devido à propagação que o termo estética já havia alcançado na linguagem corrente, ele decide mantê-lo apenas como um mero vocábulo. Ressaltando que a autêntica expressão para a nova ciência é filosofia da arte, e de modo mais preciso, filosofia da bela arte.
A estética, em Hegel, é definida como a filosofia da bela arte, tendo o belo artístico por objeto de investigação, o que significa que dela se exclui o amplo reino do belo natural. Logo de início, esclarece que “estas lições são dedicadas a estética, cujo objeto é o amplo reino do belo; de modo mais preciso, seu âmbito é a arte, a bela arte” (HEGEL, 2001, p. 27). O autor justifica a delimitação do objeto artístico a partir de argumentos esclarecedores quanto à dignidade e superioridade da produção artística em face da natureza, porque as obras são engendradas pelo Espírito e, ele, em sua liberdade, é superior a natureza e as suas produções.
Embora na vida cotidiana seja comum a atribuição da qualidade da beleza à natureza, quando se fala de um belo céu, um belo rio, de belas flores e de belos animais, de modo a colocar o belo artístico ao lado do belo natural, essa atribuição não é válida para a discussão filosófica da arte, pois a existência natural é indiferente, não é livre em si mesma e autoconsciente, e assim, não se sabe bela. Ela precisa ser nomeada para que seja considerada como bela, já que em si mesma, apenas possui existência exterior. A superioridade do belo artístico lhe advém do espírito, pois tudo o que o espírito produz é superior à natureza. O belo natural é apenas um reflexo do belo pertencente ao espírito, um modo incompleto e imperfeito. Ademais, a delimitação ao belo artístico ainda pode ser justificada pelo fato das coisas naturais não serem vistas em sua beleza, antes, elas sempre são consideradas a partir do caráter de utilidade. A este respeito Hegel nos adverte:
Uma ciência das coisas naturais que serve para combater as doenças, uma descrição de minerais, produtos químicos, plantas, animais que são úteis para a cura, mas as riquezas da natureza nunca foram compiladas e julgadas do ponto de vista da beleza (HEGEL, 2001, p. 28-29).
O belo da arte está acima do belo natural porque sua beleza nasce do espírito como produção espiritual. O Espírito é o pensamento que pensa a si mesmo, sendo dotado de Idéia e, portanto, livre. Ele comunica esta liberdade à suas produções. A sua aparição visa tornar o exterior adequado ao seu conceito. Neste sentido, Hegel pondera que qualquer idéia pensada pelo homem é superior à natureza, devido ao fato de aquela ser dotada de espírito, ou dito de outro modo, de racionalidade. No seu ponto de vista:
Sob o aspecto formal, mesmo uma má idéia, que porventura passe pela cabeça dos homens, é superior a qualquer produto natural, pois em tais idéias sempre estão presentes a espiritualidade e a liberdade (HEGEL, 2001, p. 28).
Ao afirmar que o espírito e a sua beleza artística estão acima do belo da natureza, o autor tem o cuidado de esclarecer que o termo acima apenas estabelece uma diferença quantitativa e exterior, porque leva a concluir que a beleza artística e a beleza natural estariam lado a lado, quando na verdade não se trata de algo relativo, mas de caráter bem mais significativo. Porque “somente o espírito é o verdadeiro, que tudo abrange em si mesmo, de modo que tudo o que é belo só é verdadeiramente belo quando toma parte desta superioridade” (HEGEL, 2001, p. 28). A exclusão do belo natural não é arbitrária, nem fruto do capricho. E, “a necessidade do belo artístico nasce da imperfeição da efetividade finita” (GONÇALVES, 2001, p. 59).
O conceito filosófico do belo é a um só tempo constituído de matéria e forma, ou seja, de aparência sensível sob a forma imagética da arte e também de pensamento abstrato e racional. Ele “reúne a universalidade metafísica com a determinidade da particularidade” (HEGEL, 2001, p. 45). Assim, à exigência do método científico de que o objeto seja válido e comprovado como verdadeiro e necessário, Hegel responde que a filosofia da arte
encontra sua fundamentação em uma ciência que a antecede e que em seu conceito lhe confere o caráter de necessidade: a filosofia. De modo que a filosofia no seu conjunto:
É o conhecimento do universo como uma totalidade orgânica em si mesma, que se desenvolve a partir de seu próprio conceito e, sua necessidade de se relacionar consigo mesmo como um todo que retorna a si, se une a si como um verdadeiro um mundo da verdade. No conjunto dessa necessidade científica cada parte singular é igualmente [...] um círculo que retorna a si. (HEGEL, 2001, p. 47).
Hegel não pretende demonstrar a idéia do belo, segundo os ditames da ciência positiva que se baseia na verificação e experimentação do seu objeto, mas esclarecer que o conceito do belo e da arte são um pressuposto dado pelo sistema da filosofia, pois “a filosofia da arte constitui um capítulo necessário no conjunto da filosofia” (HEGEL, 2001, p. 31). Assim, importa defini-la enquanto parte da totalidade que compõe a filosofia e como ciência do belo artístico, para elucidar essa questão, Hegel parte as seguinte problemática: “por onde iremos abordar a nossa ciência que nos servir de introdução na filosofia do belo” (HEGEL 1999, p. 29), pois para que a estética seja afirmada como ciência, precisa de seja definido o seu objeto, o seu método e a sua fundamentação.
O objeto da estética enquanto ciência é o belo artístico que existe em obras produzidas pelo espírito e que refletem o seu conteúdo, esse objeto de ordem espiritual não encontra a sua necessidade imediatez da existência puramente imediata como ocorre, por exemplo, nas ciências naturais. O belo artístico não se ocupa com a imediatez, mas com algo que eleva o espírito a uma dimensão livre de toda necessidade imediata e transitória, nesse sentido, segundo Duarte (1997), o belo artístico é a Ideia transfigurada em realidade efetiva. A estética, assim compreendida, apresenta ligações com a filosofia enquanto a ciência que a antecede, uma vez que esta se ocupa do absoluto, da totalidade e do ser, desse modo, a estética encontra na filosofia a sua fundamentação, enquanto um capítulo no conjunto da filosofia. Só pensada nesse conjunto é que a estética pode ser demonstrada e justificada a partir do caráter de necessidade, que lhe advém da filosofia. Nesse sentido, a
filosofia no seu conjunto possibilita o conhecimento como totalidade que se desenvolve a partir do conceito, na qual cada uma de suas partes, ou seja, suas disciplinas, constituem um círculo que regressa ao conjunto da filosofia.
Após ter definido o objeto da estética, o autor esclarece ainda que à argumentação sobre a estética enquanto uma nova ciência, insurgem algumas objeções, e aqui convém acompanhar como Hegel as apresenta e as refuta, alcançando uma base sempre mais sólida para a fundamentação da filosofia da arte. A primeira é referente à dignidade científica da arte e a apresenta como algo servil e não livre. De acordo com ela, o belo e a arte estão presentes nas diversas ocupações da vida com a função de adorno dos ambientes, suavizando a seriedade das relações, enquanto entretenimento e diversão para tornar a vida agradável. Assim, a arte estaria “presente por toda parte, desde os enfeites mais rudes dos selvagens até o esplendor dos templos adornados com toda a riqueza” (HEGEL, 2001, p. 29).
Segundo tal objeção, a arte ao assumir uma forma, necessita da ilusão da aparência e aquilo que é verdadeiro em si mesmo, não seria gerado da ilusão. A forma seria um modo contingente, já que a aparência e a ilusão não podem gerar o Verdadeiro, pois somente ele pode gerar-se. A este raciocínio se pode deduzir que a bela arte não mereça ser tratada cientificamente, pois “a ciência tem que refletir sobre os verdadeiros interesses do espírito” (HEGEL, 2001, p. 30). A ciência funda-se a partir de regras e procedimentos e a arte não se deixa subjugar por eles.
A segunda objeção centra-se na inadequação da arte à consideração científica. De acordo com esta hesitação à nova ciência, apesar da arte permitir a reflexão filosófica, ela não seria adequada ao trato científico, pois só há ciência do necessário e não do contingente. A beleza artística por se apresentar aos sentidos, à sensação, a intuição e a imaginação, situa-se numa dimensão diferente do pensamento científico. A fruição da beleza provém da liberdade das produções, uma atividade livre da fantasia. A arte, assim compreendida, pertenceria ao domínio da fantasia, intuição e imaginação. E, “a ciência, segundo sua forma, ocupa-se com o pensamento que abstrai da massa de particulares” (HEGEL, 2001, p. 31). Dela, se exclui a imaginação e a fruição, pois o conteúdo da ciência
é o si mesmo necessário e a estética ao prescindir do belo natural, estaria se afastando do que é necessário. Com efeito, Hegel nos adverte que:
Segundo todos estes aspectos parece que a bela arte, tanto em sua origem quanto em seu efeito e âmbito de abrangência, em vez de se mostrar adequada ao esforço científico, antes resiste em sua autonomia contra a atividade reguladora do pensamento (HEGEL, 2001, p. 31).
Segundo Hegel (2001) tais dificuldades à ocupação científica com a bela arte são extraídas de concepções usuais em escritos franceses. De acordo com estas, a configuração do belo e sua difusão parece ser tão múltipla que se torna praticamente impossível a existência de leis gerais sobre ele, já que suas representações são variadas e particulares. Hegel as contra-argumenta ao declarar que o que pretende examinar é a arte livre em seus fins e em seus meios. E pondera que o fato dela atender a outros fins, objeção que apresentou a arte como um jogo fugaz a serviço da diversão e do entretenimento, esse aspecto ela tem em comum com o pensamento, pois a ciência também pode ser empregada como entretenimento servil para fins finitos e meios causais, não sendo determinada a partir de si mesma, mas a partir de outrem. Contudo, a arte se liberta dessa servidão aos fins finitos e, em sua autonomia livre, se eleva à Verdade: o Absoluto, instância independente, que possui o seu próprio fim em si mesma (HEGEL, 2001, p. 32). Além disso, a ciência da arte tem como ponto de partida a ideia do belo e não a sua contingente configuração fenomênica.
Além do mais, “a verdade nada seria se não se tornasse aparente e aparecesse” (HEGEL, 2001, p. 33). A arte dá conta da necessidade que a Verdade tem de se tornar conhecida. A aparência da arte é somente um modo particular através do qual o verdadeiro se efetiva e se dá a conhecer. Não se trata de uma mera aparência restrita ao objeto observado, mas da autêntica efetividade do transcende, de modo a elevar-se acima da imediatez da sensação. A arte através de sua forma imprime uma efetividade superior, nascida do Espírito à sua aparência, e em sua aparência, ela significa além de si apontando para algo espiritual por meio dela representado. Todavia: “longe de ser [...] mera aparência, deve-se atribuir aos fenômenos da arte a realidade superior e a existência verdadeira, que
não se atribui à efetividade cotidiana” (HEGEL, 2001, p. 33), pois a essência da arte é a liberdade.
Ainda no tocante à hesitação ao caráter de cientificidade da filosofia da arte, Hegel pondera:
Considero o filosofar completamente inseparável da cientificidade [...] e isso porque é tarefa da filosofia considerar um objeto segundo a necessidade, que não pode [...] ser subjetiva ou estar submetida a uma ordem de classificação exterior [...] a filosofia deve desenvolver e demonstrar seu objeto segundo sua própria natureza interior. Somente esta explicação constitui em geral a cientificidade de uma consideração [...] na medida em que a necessidade objetiva de um objeto reside essencialmente em sua natureza lógico-metafísica, não somos obrigados a nos ater ao rigor estritamente científico [...] a configuração da necessidade deve [...] ser buscada no progresso interior de seu conteúdo e em seu meio de expressão (HEGEL, 2001, p. 36).
O método utilizado na fundamentação científica da estética consiste em ter a idéia como ponto de partida, e assim, o intelecto vislumbra a luz da Verdade expressa na arte. Desse modo, a nova ciência “recebe o seu conteúdo e o seu sentido filosófico quando compreende o que representa na totalidade do saber, o lugar [...] que lhe compete nesse conjunto” (CASSIRER, 1992, p. 443). Ela é parte da filosofia.
As objeções não se sustentam à consideração de que as obras de arte são geradas pelo Espírito, uma consciência pensante sobre si e sobre suas produções, pois o pensar constitui a sua natureza mais íntima e essencial. As obras de arte são de natureza espiritual, embora sua exposição acolha em si a aparência sensível. Estando mais próximas do Espírito do que a natureza destituída de pensamento (HEGEL, 2001, p. 37).
Na arte, o conceito se desenvolve a partir de si mesmo como um estranhamento rumo à sensibilidade para apreender-se e reconhecer-se em sua alienação, sob a forma fenomênica do belo artístico, a fim de reconduzir-se de volta a si mesmo. E assim, Ele impregna de pensamento os seus produtos e os transforma em parte de si. A tarefa da arte,
assim compreendida, é comunicar os interesses do Espírito à consciência, apesar de suas formas serem variadas e inesgotáveis, tendo em vista que:
Numa obra de arte partimos daquilo que nos é apresentado de modo imediato e somente então perguntamos por sua significação ou conteúdo. A exterioridade em sua imediatez não tem valor para nós, mas admitimos que por trás dela haja algo de interior, um significado, por meio do qual a aparição exterior é espiritualizada. A exterioridade aponta para o que é a sua alma [...] o significado é [...] algo mais amplo do que aquilo que se mostra no fenômeno imediato. É deste modo que a obra de arte deve ter significado [...] É preciso que ela manifeste uma vitalidade interior, um sentimento, uma alma, uma substância, um espírito (HEGEL, 2001, p. 43).
A arte expõe a contraposição reconciliadora entre forma e conteúdo, razão e sensibilidade. Nesta ótica, ela difere dos interesses prosaicos,25 não visa finalidades imediatas, nem está atrelada às necessidades finitas da existência, mas antes, encontra nela mesma a sua razão de ser. A respeito da liberdade e autonomia da arte, podemos dizer:
Infinitização do infinito, transformação do passageiro e do contingente em algo necessário, em algo permanente, em algo ideal: esta é uma das formas de se entender o fenômeno da beleza. A arte supera a natureza e a vida prosaica na medida em que a transforma em algo independente de suas condições imediatas e retira das coisas a forma imediata de ser contingente ou dependente, de ser-para-outro. Essa transformação constitui o trabalho artístico, que é, em si mesmo, livre (GONÇALVES, 2001, p. 53).
A bela arte se destina a fins superiores que nada tem a ver com as querelas da existência imediata. É a contemplação de algo que nos permite vislumbrar o infinito e
25 Interesse prosaico refere-se às carências naturais imediatas do mundo que se encontra alienado imerso na
conceber-nos como livres. Nela o pensamento pode ultrapassar a visão imediata da matéria e lançar-se ao infinito ali representado. A liberdade da arte bela é o primeiro momento em que a aparência se une a essência estabelecendo uma unidade concreta entre o conteúdo e a forma26 sensível, a fim de espiritualizá-la. Essa compreensão da arte se justifica a partir do desenvolvimento percorrido por ela ao longo de suas manifestações na história.
A relação existente entre a arte e a consciência da liberdade, resulta do seu desenvolvimento ao longo da história, daí resulta o motivo pelo qual partimos de uma exposição sintética do contexto histórico de Hegel, passamos pela evolução do pensamento hegeliano em sua vida teórica, bem como da análise do processo gradual da afirmação da arte em sua livre autonomia, para assim, podermos acompanhar a descrição de Hegel acerca de como esse processo de iluminação da consciência vai sendo delineado: a partir das questões finitas da existência imediata, para projetar-se ao infinito pensamento