4.1 Beskrivelse og analyse av oppgavene
4.2.2 Be om forklaring
Dando continuidade ao processo de transformação, no ano de 1994, através da Lei nº 6573 de 03 de fevereiro, a Escola Estadual Presidente Kennedy passa a denominar-se Instituto de Formação de Professores Presidente Kennedy (IFP), ministrando em nível superior, o curso de formação para professores de 1ª a 4ª séries, reconhecido pela Portaria nº 69/96 do Conselho Nacional de Educação (CNE).
A experiência piloto estava voltada para a formação docente, desenvolvida segundo acordo de cooperação educativa Brasil – França, conforme as diretrizes educacionais presentes no Plano Decenal de Educação para Todos (1993-2003), integrando-se no âmbito nacional aos projetos dos CEFAMs (Centro de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério).
Com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional –9394/96 (BRASIL, 1996), o IFP se redefine como instituição de formação de professores, pois a nova LDB aponta para uma imediata necessidade de resposta à formação de professores que atuam de 1a a 4a séries em nível superior, demarcando prazo para que todos possam concluir sua
formação nesse nível.
Com essa abertura e a homologação da resolução CP/CNE 1/99 que dispõe sobre os Institutos Superiores de Educação, o IFP transforma-se em Instituto de Educação Superior Presidente Kennedy (IFESP), através do Decreto nº 7909 de 04 de janeiro de 2001, formalizando o Curso Normal Superior. Desse modo, o IFESP continua pautado na política de qualificação docente do Ministério da Educação da Secretaria Estadual de Educação visando à concretização das determinações da LDB de 9394/96, concernentes à formação de professores.
Todavia, a criação dos Institutos Superiores de Educação foi alvo de severas críticas por parte das organizações e entidades ligadas à educação, contrárias a essa proposta, justificando que não houve uma discussão mais ampla do modelo de formação a ser desenvolvido nessas instituições.
As críticas e protestos feitos aos Institutos Superiores de Educação, como instituições responsáveis pela formação de professores, não podem negar a sua importância no atual contexto. Se para alguns se caracteriza como “formação aligeirada e de baixo custo, a concentrar formação específica e formação pedagógica em espaço não universitário” (KUENZER, 2001), para outros, é um espaço em que se possibilita o atendimento a diversas demandas dos sistemas de ensino que não tiveram oportunidade de se formar em instituições universitárias que tem tradição nesse processo.
Os desafios da sociedade atual e o conjunto das demandas educacionais apontam para a necessidade de desenvolver projetos alternativos de formação de professores, superando assim, os moldes tradicionais. O Curso Normal Superior, ministrado no IFESP, apresenta estas especificidades.
Ao longo do tempo, essa instituição que iniciou como Escola Normal de Natal, vem sofrendo transformações de cunho político-pedagógico, conforme as demandas sociais. Entre estas, a criação do Curso Normal Superior, culminando com o estabelecimento de novos Cursos de Licenciaturas em Letras e Matemática, destinados à formação do professor do Ensino Fundamental e Médio da Rede pública do Ensino.
O curso de formação de professores tem desenvolvido uma proposta de trabalho de modo singular. O currículo ali trabalhado, por ser diferenciado, possibilita o envolvimento entre as disciplinas, com a principal finalidade de permitir “a valorização da ação docente, tendo como objeto de constante discussão e análise” o cotidiano da sala de aula (DANTAS, 1998b, p. 6), definindo-se, dessa forma, a proposta dos cursos já referidos.
Em relação às bases metodológicas, o curso vê a teoria e a prática como constituintes de uma unidade. Segundo o Projeto do IFESP:
além dos fundamentos da educação que deverão ser trabalhados no Curso, os conteúdos e a metodologia das disciplinas polivalentes serão tratadas de forma indissociáveis, a fim de que teoria/prática se complementem, (...) (PROJETO DO IFESP, 1993, p. 11).
De acordo com Brault (1994), a questão clássica da articulação teoria-prática requer a superação do teoricismo e do empirismo, dando lugar a um espaço onde possam ser efetivadas novas propostas de formação de professores. Ainda segundo o autor, essas propostas alternativas já se desenvolvem em outros estados brasileiros, além do Rio Grande do Norte. O que há de comum nessas propostas é a preocupação central com o desenvolvimento dinâmico de parcerias e a consideração das identidades profissionais dos atores.
Dentro delas, a questão dos currículos exige reformulação nos planos de formação para acompanhar as modificações estruturais que supõem a presença dos vários saberes para sustentar a construção de uma competência pedagógica. Então, entre esses saberes não podemos esquecer os que advêm das experiências dos professores, suscitando motivação e interesse, já que são as bases da sua formação.
É importante evidenciar que o atual Projeto Pedagógico do Curso Normal Superior, que se diz comprometido com a qualidade do ensino, possui algumas características e entre elas destacamos quatro principais:
a) Agrupamento das disciplinas em áreas de formação – Formação Básica, Formação Polivalente, Interação profissional Docente e Formação Complementar.
b) O Estágio Acadêmico Profissional desenvolvido ao longo do curso acompanhado pelo professor / tutor.
c) A Mediação Didática, espaço coletivo de diálogo-ação, que propicia a problematização das situações práticas, trocas de experiências e elaboração do memorial de formação.
A “mediação didática”, enquanto dispositivo de formação, é um importante espaço para discussão, reflexão e produção de conhecimentos, saberes, bem como construção e reconstrução de concepções. Para nossa pesquisa, a mediação didática consistiu num importante dispositivo de interação para as atividades formativas do IFESP. Por esta razão, foi utilizada neste estudo como um dispositivo de apoio que permite aos professores (participantes) e ao tutor (pesquisador) troca de experiências, interação e a realização de uma prática reflexiva crítica sobre as atividades de ensino e aprendizagens desenvolvidas na agência formadora e na sala de aula desses professores (escola-laboratório), na perspectiva de mudanças das concepções sobre o ensino da matemática.
O projeto inicial do Curso de Formação de Professores para o Ensino Fundamental, previa um percurso de formação constituído de diferentes elementos: a formação profissional, a formação polivalente, e a prática profissional. Para “assegurar uma articulação sólida entre aspectos da formação e de colocar a prática profissional no centro do dispositivo”, foi proposto por Brault (1993) uma nova forma de trabalho - espaço de mediação. Esse dispositivo objetivava principalmente “garantir uma seqüência efetiva do desenrolar da formação” (BRAULT, 1994, p.11). Essa nomenclatura se mantém até 1996. Mas, a partir do ano seguinte, esse dispositivo passa a chamar-se mediação didática (MD), e a integrar, na grade curricular, a formação profissional. Michel Brault (1994) foi consultor do projeto no acordo e cooperação técnica Brasil-França.
Gatti (1997), analisando os movimentos de renovação na formação de professores, aborda o IFP como uma iniciativa inovadora, e destaca a Mediação como o “momento de integração da prática com a teoria [...]”. Ainda segunda a autora, a Mediação desempenha um papel fundamental na formação do professor-aluno. (GATTI, 1997, p.69) A MD continua sendo uma situação especial dentro do processo formativo no IFESP - eixo central da formação. Nela, o professor formador, investido da função de tutor, discute com seus tutelandos questões relativas à prática pedagógica baseando-se num referencial teórico.
d) Memorial de Formação – trabalho final escrito sob a orientação do tutor que permite o resgate e a reflexão das experiências pedagógicas.
O quadro abaixo mostra a forma como a disciplina Matemática é organizada e distribuída ao longo dos três anos do curso.
Nível Componente 1º Ano Matemática – 50 horas
2º Ano Matemática – 50 horas
3º Ano -
QUADRO 9. Componente Matemática na formação inicial de nível superior de professores no IFESP – Natal
A experiência de formação do IFESP expressa a realidade das políticas educacionais ocorridas no Brasil e mais especificamente no Rio Grande Norte, desde a origem da Escola Normal de Natal até a transformação em Instituto de Educação Superior, destinado à formação do professor. Portanto, essa experiência se refaz constantemente para garantir um melhor nível do trabalho profissional docente.
Enfim o IFESP, desde sua criação (1908), vem buscando situar-se num patamar teórico-metodológico, acompanhando as mudanças paradigmáticas de renovação didático- pedagógicas predominantes em diferentes épocas, confirmando assim o sua caráter inovador no que concerne à formação docente no Estado Potiguar.
No intento de descrever o campo empírico desta investigação, adentramos na pesquisa de fontes documentais como: decretos, leis, mensagens governamentais, jornais, os relatórios da Escola Normal de Natal, as Atas da Congregação dos Lentes2 da Escola Normal e o Arquivo do professor Nestor Lima.
Fazendo o cruzamento entre as fontes documentais, construímos a trajetória da Escola Normal de Natal e de sua transformação no Instituto de Educação, demonstrando seus avanços e retrocessos, bem como as várias nuanças que esta gerou, decorrentes das mudanças ocorridas no contexto social e político em que foi produzida.
2 A Congregação dos Lentes eram as reuniões dos professores da Escola Normal, o que hoje poderíamos enterder
3.2.3 Os professores-alunos do IFESP
Os professores-alunos(as) da referida instituição são profissionais que estão em exercício na Educação Infantil e no ensino fundamental (1ª à 4ª série) em escolas públicas municipais e estaduais. A maior parte delas e deles exerce a docência, em média, há mais de dez anos e convive com frustrações e decepções por não ter conseguido obter sucesso em outros vestibulares para ingressar em cursos de nível superior. Trata-se, portanto, de uma parcela de profissionais que sente a necessidade de continuar seus estudos, ampliar suas competências, e, sobretudo, perceber-se mais valorizada pela obtenção de um diploma de nível superior.
É interessante observar que dos 140 professores-alunos, aproximadamente, que entram anualmente, 3% a 4% deles são do sexo masculino. Isto significa que o contingente de mulheres fica entre 96% a 97% dos professores-alunos da instituição. As implicações são muitas. Na prática, representa, para a maioria dos professores-alunos, a responsabilidade de toda a carga de trabalho doméstico, pois suas condições financeiras não permitem pensar em nenhuma ajuda que acarrete despesas a mais, já que o orçamento familiar conta, na maioria das vezes, com esta única renda concreta. Os companheiros (quando os têm) cobram delas a assistência ao lar e, às vezes, exigem ajuda nas tarefas profissionais deles. Estes, por sua vez, não possuem um curso superior e, quase sempre, não valorizam os esforços delas, na conquista desse título.
No memorial de formação aflora um pouco dessas histórias de vida, narradas nem sempre de forma explícita, mas que permitem detectar algumas das condições inferiorizadas às quais as mulheres ainda se submetem, por diversas razões.
De um modo geral, os alunos que iniciam o curso no IFESP possuem, em sua maioria, conhecimentos rudimentares e fragmentados de matemática. Raramente aparecem alunos habituados a raciocinar matematicamente, a perceber relações, a delinear estratégias adequadas diante de situações-problema. Outra lacuna que apresentam, de certa forma grave, é que não sabem estudar matemática. Ler um texto de matemática, interpretá-lo e discuti-lo é uma tarefa complicada tal qual pedir-lhes para escreverem ou para explicarem oralmente como resolveram um certo problema.