2. Literature Review
2.2 Basic structure and function of haemoglobin gene
Tendo em vista a já citada redução nos ciclos de vida dos produtos, e urgência de desenvolvimento de novos motores em ciclos curtos para atendimento às legislações de emissões de poluentes, o tempo de projeto, ou time-to-market, representa um dos aspectos mais importantes de avaliação de desempenho dos projetos de desenvolvimento de motores de combustão interna. A Figura 7.5. mostra, de forma bastante simplificada, o tempo de desenvolvimento dos quatro projetos em avaliação, colocados a partir de uma escala de meses para o lançamento do produto. Com exceção do projeto Alpha, cuja disponibilidade de informações é precária, os outros três projetos foram indicados de acordo com a divisão básica das fases mais longas que definem o tempo total de projeto de um motor de combustão interna: conceito, projeto, verificação, validação e pré-produção.
Revendo os princípios citados no Capítulo 6, a fase de Conceito é aqui entendido como sendo as atividades de planejamento do projeto, podendo ou não ter tido atividades de investigação. Da mesma forma, a fase de Projeto deve ser aqui entendida como sendo a etapa de detalhamento do projeto de componentes e sistemas (design). Verificação e Validação são fases cujas atividades estão descritas no Item 6.3.4.
Cabe salientar que as informações representadas apresentam ajustes em relação aos cronogramas identificados como históricos dos projetos, baseado em outras evidências encontradas. Isso ocorre porque a maioria dos cronogramas encontrados representam o planejamento do projeto, ora não seguidos ou atrasados, e nem sempre atualizados ao seu final.
Chama atenção na avaliação dos projetos a falta de paralelismo ou mesmo o espaçamento entre as fases que representam o caminho crítico do projeto, em contrário do conceito de Engenharia Simultânea enfatizado ao longo do trabalho. Isso ocorre principalmente porque, embora muitas atividades do projeto de desenvolvimento de motores seja feita de forma simultânea, as atividades de projeto, verificação e validação do projeto, todas de responsabilidade maior da Engenharia do Produto, não podem ser feitas de forma paralela, pois representam justamente a evolução e passos necessários para as passagens de fase. Por outro lado, por trás desse caminho crítico de atividades, embora não mostrado, ocorrem as atividades paralelas, como desenvolvimento da combustão, ferramentais e processo produtivo, etc., como já discutido anteriormente. Além disso, o espaçamento entre as fases é explicado pelo fato de que, especialmente nas fases de testes, é preciso que se considere a necessidade de obtenção dos protótipos, de prazos de em média dois meses, entre a liberação do projeto de uma fase para o início da outra. Ainda assim, embora os cronogramas mostrem espaçamentos de aproximadamente dois meses entre as fases, deve-se considerar que alguns componentes podem ter prazos de obtenção de mais de 6 meses. Isso ocorre sobretudo com componentes complexos como bloco ou cabeçote de cilindros, e nesse caso normalmente se executam liberações avançadas – para o exemplo de 6 meses, aproximadamente 4 meses – sob risco.
Com o objetivo de tentar padronizar o tempo de desenvolvimento total para as situações particulares de cada projeto, a Tabela 7.7. indica não somente o tempo total em meses, mas também esses tempos tomando como base a quantidade de componentes reprojetados indicados pela Tabela 7.4.
Tabela 7.7. Tempo de Projeto.
Projeto Beta Gamma Delta
Tempo de Projeto 42 56 40
Componentes Novos 73 119 50
Tempo proporcional 0,58 0,47 0,8
A Tabela 7.7. indica uma tendência do projeto Gamma ser o mais curto, se considerada a proporção de componentes desenvolvidos. Tal característica é confirmada na Figura 7.4. pela falta de folga entre o final do desenvolvimento e início de produção, representando alto nível de risco de prazos e qualidade. Por outro lado, o projeto Delta é o que apresenta notável folga em relação aos demais, com média de 0,8 meses por componente. Cabe mencionar também que o projeto Beta, aparentemente o mais equilibrado, poderia ter de seu tempo total o desconto de 8 meses, sendo 4 entre fases de Conceito e Projeto, onde o projeto foi praticamente paralisado, e ao seu final, com quatro meses de folga entre o término da Pré- Produção e o lançamento efetivo do produto. Descontando-se esses oito meses do projeto Beta, chegamos em um total de 34 meses, ou 0,47 meses por componente, número mais aproximado ao projeto Gamma.
Embora a tabela e texto acima tenham atentado para as comparações dos tempos de desenvolvimento total, é interessante também a avaliação das mesmas características em relação à duração da fase de Projeto em diante. Isso se deve ao fato de que é a partir dessa fase que a execução do projeto se inicia efetivamente. Também, como será visto no item seguinte, é a partir dessa fase em que se inicia a despender os recursos mais significativos.
É importante considerar que a quantidade de componentes reprojetados, aqui tomada como característica de comparação, representa fielmente o esforço para projeto, desenvolvimento e produção desses componentes. Entretanto, essa comparação não leva necessariamente em consideração os esforços (tanto de engenharia quanto outros) para desenvolvimento de outros aspectos como as particularidades do desenvolvimento da combustão.
Não foi possível identificar na literatura referências de valores de tempos de desenvolvimento de motores que possa ser usado para a comparação com os quatro projetos em estudo. Os únicos dados disponíveis referem-se a time-to-market de veículos completos, que não podem ser utilizados para comparação direta com projetos de motores, de natureza completamente diferente.