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Os valores médios de desempenho zootécnico encontram-se na Tabela 1. Foi verificada maior porcentagem de sobrevivência (89,47) dos animais alimentados com o aditivo probiótico (P<0,05). Este resultado pode ser atribuído à ação inibitória das bactérias do probiótico na multiplicação das bactérias patogênicas, letais para os peixes. Entretanto, houve pequena mortalidade dos animais alimentados com o probiótico, o que poderia ser explicado pela ação benéfica do mesmo sobre o mecanismo de defesa ao estresse crônico resultante do manejo.

Os valores de comprimento inicial e final, conversão alimentar aparente e taxa de eficiência proteica não foram afetados significativamente pelo tratamento.

Ϯϭ 



Tabela 1. Valores médios e desvio padrão dos parâmetros zootécnicos de Tilápias-do-Nilo (Oreochromis niloticus) por grupo de tratamento. Jaboticabal- SP-Brasil, 2012. Consumo Total¹ (g) 229.5 ± 57.1 210.4 ± 46.4 Consumo de Proteina (g) 64.6 ± 16.1 59.2 ± 13 Comprimento Inicial (cm) 20.8 ± 0.2 20.6 ± 0.3 Comprimento Final (cm) 23.2 ± 0.9 22.5 ± 0.8 Ganho de Peso (g) 66.91 ± 23.4 60.11 ± 27.1 Fator de Condição Inicial 2.02 ц 0,04 2.08 ц0.07 Fator de Condição Final 2.0 ц0.1 2.11 ц 0.32 Conversão Alimentar Aparente 3.74 ± 1.48 4.05 ± 1.76 Taxa de Eficiência Protéica 1.05 ± 0.31 1.04 ± 0.48 Sobrevivência (%) * 76,61± 38,4 89,47 ± 23,3

Tratamento

Parâmetros Grupo Controle Grupo Tratado

¹ Com base na matéria seca.

Ghosh et al (2008), quando utilizaram Bacillus subtilis, por um, período de 90 dias, em peixes ornamentais desafiados com Aeromonas hydrophila, observaram melhora no desempenho e sobrevivência desses animais. A colonização por Bacillus

subtilis no intestino dos peixes promoveu diminuição na densidade total de bactérias

patogênicas. Haroum et al (2006), verificaram que o uso de probiótico comercial composto por B. subtilis promoveu melhora significativa no crescimento de tilápias. Mohapatra et al (2011), utilizando uma mistura de duas espécies de bactérias (L. lactis e B. subtilis) e uma espécie de levedura (S. cerevisiae) em igual proporção, como suplemento probiótico, num período de 60 dias, em alevinos de carpa (Labeo rohita), observaram melhora no desempenho e crescimento desses animais.

ϮϮ 

Esses resultados de desempenho zootécnico, embora aparentemente contraditórios, merecem análise mais cuidadosa. Deve-se ressaltar que animais, mantidos em boas condições de manejo (nutricionais e sanitários), muitas vezes não apresentam respostas de desempenho à inclusão de probióticos na ração (LIMA et

al., 2003). Nessas condições, existe a possibilidade de menor contato dos animais

com microrganismos patogênicos (ZUANON et al., 1998; LODDI et al., 2000), sendo, portanto, pouco eficiente a ação de probióticos no desempenho zootécnico.

Os resultados deste trabalho demonstraram que os valores da composição corporal dos peixes que receberam dieta com aditivo probiótico apresentaram diferença significativa (P<0,05) entre os teores de proteína bruta e extrato etéreo conforme expresso na Tabela 2, com maior teor protéico e menor teor de gordura na carcaça.

Tabela 2. Valores médios e desvio padrão da análise da composição químico bromatológica da carcaça de Tilápias-do-Nilo alimentadas com ração com ou sem aditivo PAS-TR® . Jaboticabal-SP-Brasil, 2012.

%MS %Cinza* %PB* %EE*

Grupo Controle 37,56± 0,19A 18,81± 0,52A 48,79± 0,04A 30,87± 0,01A

Grupo Tratado 30,42± 0,01B 15,97± 0,21A 53,60± 0,63B 27,32± 0,3B

Valores seguidos de letras diferentes diferem-se entre si pelo teste de Tukey (P<0,05) * Base na materia seca.

O grupo de peixes alimentado com ração contendo probiótico apresentou melhor aproveitamento da proteína e, maior porcentagem desse nutriente na carcaça. O inverso aconteceu com o teor de gordura. Portanto, neste estudo, o uso de Bacillus cereus e Bacillus subtillis, em dietas para juvenis de tilápia, foi satisfatório também neste aspecto na medida em que sugere a possibilidade de aumento da

Ϯϯ 



deposição de proteína na carcaça e diminuição do teor de gordura com o aditivo alimentar com o probiótico testado.

6.3 Análise histomorfométrica das vilosidades intestinais

A análise histomorfométrica da porção anterior do intestino mostrou diferenças significativas nos valores de altura das vilosidades, altura total das vilosidades e largura do epitélio das vilosidades nos peixes alimentados com ração adicionada do probiótico (Tabela 3). O número de células caliciformes foi proporcional à altura de vilosidades intestinais. A integridade da mucosa intestinal medida pela altura e densidade dos vilos está relacionada com a renovação celular do epitélio da mucosa intestinal que indicou aumento no número de suas células epiteliais (Figura 3).

Tabela 3. Parâmetros histomorfométricos da porção média do intestino de juvenis de Tilápias-do-Nilo após 80 dias de alimentação. Jaboticabal-SP-Brasil, 2012.

Tratamento

Grupo Controle Grupo Tratado

130,4 ц 22A 154,2 ± 34,3B

110,5 ± 20A 130,7 ± 27,8B

30,6 ± 4,1A 40,9 ± 9,1B

17,7 ± 13 17 ± 2,1

1 Valores seguidos de letras diferentes diferem-se entre si pelo teste de Tukey (P<0,05)

Parâmetros

Altura Total dos Vilos Altura dos Vilos Largura dos Vilos

Espessura do Epitélio dos Vilos

 



Os peixes alimentados com o probiótico PAS-TR® mostraram diferenças

significativas na altura da camada epitelial das vilosidades da porção média do intestino, quando comparadas aos peixes do tratamento controle. Tal fato mostra que o probiótico promoveu aumento da camada epitelial do intestino médio desses

Ϯϰ 

peixes, coincidindo com os resultados dos estudos descritos por Medri et al., (1999), para a mesma especie, porém, alimentadas com levedura. O probiótico com Bacillus

cereus e Bacillus subtilis, presentes na dieta, provavelmente alterou a microbiota do

trato intestinal, incorporando-se à mesma e competindo de modo efetivo com bactérias que promoveram a descamação da mucosa. Ressalta-se que as alterações mostraram caráter benéfico sobre as características morfométricas da mucosa intestinal, promovendo aumento da área de absorção da mucosa de Tilápias-do-Nilo alimentadas com o aditivo probiótico.

Ϯϱ      

Figura 3 - . Fotomicrografias da camada epitelial das vilosidades da porção média do intestino de juvenis de Tilápias-do-Nilo. A: tratamento controle; B: tratamento com aditivo probiótico. Coloração: HE. Obj. 20x

Ϯϲ 

Alguns autores avaliaram o efeito de probiótico no epitélio da mucosa intestinal de salmonídeos alimentados com dieta suplementada com Lactobacillus

delbrueckii (SALINAS et al., 2008) e bactérias ácido lácticas (RINGO et al., 2010).

Outros autores verificaram alterações benéficas na morfometria intestinal das microvilosidades dos salmonídeos, quando alimentados com ração suplementada com probióticos (MERRIFIELD et al., 2010), de maneira semelhante ao observado nesta parte da pesquisa. Em ambos os casos é possível inferir que as interações entre a microflora intestinal, a morfologia do intestino, o sistema imune e a absorção de nutrientes podem influenciar positivamente a saúde e o desempenho dos peixes (SWEETEMAN et al., 2008).

O uso de probiótico na ração teve influência positiva na densidade de vilos e na sua altura, que resultou em uma mucosa mais íntegra. As alterações morfológicas intestinais observadas, mostraram o efeito benéfico do aditivo PAS-TR® probiótico que pode ser explicado pela redução da colonização por bactérias prejudiciais à mucosa, que atuam inibindo sua aderência ao enterócito, por meio da ligação com o glicocálix. Esta ligação promove a exclusão competitiva de bactérias indesejáveis por meio da aderência aos sítios de ligação dos enterócitos (glicocálix), nos diferentes segmentos do intestino (FURLAN, 2005).

Desta forma, as diferenças entre os valores da morfometria sugerem o grau de eficiência do probiótico. Segundo Radecki & Yokoyama (1991) os probióticos adicionados à dieta estimulam o crescimento e a estabilidade de populações bacterianas, pois a produção de ácidos orgânicos pelas mesmas reduzem o pH lumenal e inibem a proliferação de bactérias nocivas ao epitélio, produtoras de sulfido, amônia e toxinas feólicas, contribuindo para a redução do processo descamativo da mucosa.

A camada de muco tem papel importante na proteção contra infecções, pois funciona como barreira protetora que impede o contato de microrganismos com as células epiteliais, além do seu efeito bactericida devido à presença de lisozima e ácidos graxos (NOGA, 1995). O muco é uma glicoproteína insolúvel em água, secretada pelas células caliciformes. A digestão intestinal depende da secreção de substâncias glicoproteicas pelas células caliciformes, da ação proteolítica do suco

Ϯϳ 



pancreático e também da digestão intracelular, que está associada à presença de glândulas gástricas. A população de células caliciformes no intestino de peixes está relacionada a diferentes condições do microambiente local.

A contagem do número de células caliciformes (Tabela 4) apresentou diferença significativa (P<0,05) entre os tratamentos. Nos peixes que receberam o probiótico o número de células caliciformes (Figura 4) foi significativamente maior que o observado no grupo controle e corresponde, junto com as células epiteliais à altura das vilosidades intestinais.

Tabela 4. Média ± desvio padrão das células caliciformes da camada epitelial (μm) da porção média do intestino de juvenis de Tilápias-do-Nilo após 80 dias de alimentação. Jaboticabal-SP-Brasil, 2012.

Tratamento

Grupo Controle

Grupo Tratado

220,62ц18,55

A

521,88ц45,72

B

6,41ц0,562

A

5,37ц0,498

B

1 Letras diferentes diferem-se entre si pelo teste de Tukey (P<0,05)

Parâmetros

Nº Células caliciformes

Nº de Vilos

     

Ϯϴ     

Figura 4 - . Fotomicrografias da camada epitelial das vilosidades da porção média do intestino de juvenis de Tilápias-do-Nilo, mostrando as células caliciformes. A: tratamento controle; B: tratamento com aditivo probiótico mostrando maior marcação das células caliciformes. Células caliciformes (setas). Coloração: PAS. Obj. 20x

Ϯϵ 



O número de células caliciformes foi proporcional à altura de vilosidades intestinais. As células caliciformes proliferam-se para aumentar a produção de muco quando ocorre a agressão por agentes patogênicos (SCHWARZ et al, 2010). Assim, a adição do aditivo probiótico PAS-TR ®à ração podem ter favorecido o aumento do

número de células caliciformes contribuindo para a defesa contra a ação de bactérias prejudiciais à mucosa.