A pesquisa foi realizada em duas escolas de Educação Básica, na cidade de Uberlândia-MG. Visitamos mais de dez instituições de ensino de Educação Básica desse município, até que selecionamos as duas escolas participantes. Como critérios de seleção, as escolas teriam que ser públicas, consentir com a nossa pesquisa e contar com um laboratório de informática. Ainda, no que tange ao laboratório, esse teria que oferecer disponibilidade aos professores em suas disciplinas curriculares, e não somente para curso de computação para os alunos em horário extraclasse. Portanto, esses quesitos foram decisivos em nossa escolha.
Durante a nossa procura pelas escolas que seriam pesquisadas, deparamo-nos com certas dificuldades, em algumas havia muitos portões (a maioria bem trancafiados) que nos impediram de entrar, pois ou a campainha não funcionava ou não ouviam os chamados e/ou batidas nos portões. Embora tenhamos voltado, não conseguimos adentrar esses espaços escolares. Outras escolas nos recebiam razoavelmente bem, todavia não possuíam ainda laboratórios de informática ou estavam em fase de implementação dos laboratórios.
Houve, também, uma escola que não concordou com nossa pesquisa, alegando que atrapalharia o desenvolvimento da rotina escolar, bem como a metodologia programática dos professores. Por fim, decidimos por duas que atenderam nossas expectativas e que deram seu consentimento para o desenvolvimento de nossa pesquisa. Isso, após termos ido muitas vezes à instituição de ensino, esperado, argumentado, reunido com funcionários, mostrado nosso projeto, bem como seus objetivos e aguardado sobre a decisão da escola.
Pudemos compreender a demora em atender nosso pedido e até a resposta negativa recebida por uma escola, pois abrir as portas tão bem guardadas de uma instituição de ensino não é uma tarefa tão fácil. Muitos problemas ficam à mostra, há um receio da escola de ser avaliada, bem como o desconhecimento do objetivo da pesquisa, que não é avaliar, mas somente de investigar a respeito da inclusão digital.
A coleta de dados foi realizada durante o primeiro semestre letivo do ano de 2008, em ambas as escolas no período matutino.
3.2.1 Escola 1 (E1)
A escola que denominamos de E1 foi fundada em abril de 1967. É uma escola pública estadual que é atendida pela Superintendência Regional de Ensino de Uberlândia, segundo a qual trata-se de uma escola modelo, pois oferece ensino de qualidade. A “Escola Modelo”, além de ser reconhecida pelo seu desempenho, tem também o privilégio de receber mais recursos do Governo Estadual, como por exemplo, algumas ferramentas tecnológicas. Seu patrimônio contém muitos recursos como som, aparelhos de videocassete e de DVD, televisões, retroprojetores, data show, computadores para a administração, um para os professores, outro na biblioteca, e um laboratório de informática com dez máquinas, todos conectados à Internet.
Pelo censo escolar de 2007, havia 1856 alunos. Como o censo só divulga o número exato somente no final do ano, então não temos dados muito precisos, mas a direção nos adiantou que havia 2150 alunos matriculados em 2008, divididos em Ensino Fundamental e Ensino Médio. No Ensino Fundamental, há o que a escola chama de “anos finais”, que significa do sexto ao nono ano com a nova nomenclatura (antes era a 5ª a 9ª série). No Ensino Médio há de 1º ao 3º anos. Esse número de aluno fornecido pela direção está dividido em três turnos, sendo que no período noturno existe o projeto “Acelerando” voltado ao Ensino Médio, em que os discentes concluem os estudos em um ano e meio. No entanto, a escola nos adiantou que tem a intenção de, em vez de oferecer o Acelerando, implantar o programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA); os educadores alegaram que nesse programa é melhor para os alunos em termos de aprendizagem.
As matrículas na E1 são realizadas na própria escola, mas ao atingir o limite de 40 alunos por sala essas são encerradas e é gerada uma lista de espera, em caso de desistência de alguns alunos.
A E1 está equipada com um Laboratório de Química, de Biologia e o de Informática, mas os mais visitados são os de Química e o de Biologia. Pelo que vimos, o laboratório de informática é voltado às aulas de Informática em horário extraturno. O laboratório foi montado no ano 2000, contendo dez computadores conectados à Internet, não há ar condicionado nessa sala, mas há janelas amplas.
Essa escola oferece a merenda escolar somente ao Ensino Fundamental. É uma escola grande, que proporciona um bom atendimento aos alunos e suas instalações estão bem conservadas. Há um bom quadro de funcionários que ocupam cargos de diversas ordens, da portaria, coordenação, secretaria até a direção. O único espaço em que a direção reclamou haver falta de funcionário é o do laboratório de informática, que não conta com um trabalhador exclusivo para trabalhar lá, dificultando-lhe o uso.
3.2.2 Escola 2 (E2)
Essa escola pública foi criada em março de 1977, pelo Governo Federal. De acordo com o secretário dessa escola, 928 alunos foram matriculados em 2008. Essa funciona em três turnos, entretanto no período noturno abriga apenas o projeto EJA, que
atende alunos a partir dos dezesseis anos, que querem concluir o Ensino Fundamental do sexto ao nono ano.
Nessa escola, há a fase introdutória, ou seja, a Educação Infantil que tem o primeiro período, em que o aluno inicia com quatro anos de idade e o segundo, que a criança frequenta aos cinco anos. Com seis anos, o aluno entra no primeiro ano do Ensino Fundamental e chega até nono ano, sendo que essa escola não oferece, ainda, o Ensino Médio.
Para o ingresso nessa escola, é preciso contar com a sorte, pois as vagas são limitadas a, no máximo, 26 alunos por sala. Dessa forma, quem quer uma vaga faz a inscrição, pela qual paga uma taxa e aguarda o sorteio. Somente após esse sorteio é que o aluno pode ser matriculado na E2.
A E2 oferece merenda escolar aos alunos. Sempre durante o recreio, enquanto há esse intervalo das aulas, os alunos lancham e assistem aos projetos que a escola realiza com cada turma. Há um espaço com palco para isso, um auditório, acoplado ao refeitório, proporcionando um conforto aos alunos e aos professores que os acompanham. Na verdade, há uma escala desses professores semanalmente, em cada um supervisiona o período do recreio, não ficando os alunos sozinhos sem a orientação e supervisão de um funcionário da escola.
O espaço físico é muito bom e a E2 possui uma excelente quadra coberta, bem como pátios, banheiros, biblioteca, salas de línguas, entre outros espaços, sendo todos muito bem conservados. Há equipamentos como data show, retroprojetores, som, televisões, aparelhos de vídeo cassete e de DVD, entre outros. Ainda no que se refere às salas de línguas, é preciso ressaltar que ao chegar ao sexto ano, o aluno pode optar pela língua estrangeira que quer cursar. Assim, ele pode escolher entre o Inglês, o Espanhol ou o Francês. Essa estratégia pode promover o aprendizado do aluno, pois devido à sua opção, um pequeno número de alunos irá para a sua determinada sala, tendo maior oportunidade de participação e, logo, aprendem mais. Somente a título de informação, a LI é a mais escolhida entre as três opções.
Há nessa escola um bom laboratório de informática, onde todos os alunos estudam, desde a fase introdutória até ao nono ano. Há um horário planejado para isso. Foi implantado em 1993, é climatizado e comporta quatorze computadores para o uso dos alunos e mais um servidor; há impressora a laser, impressora jato de tinta, matricial,
scanner; tudo bem atual. Há uma coordenadora exclusiva no laboratório de informática