5.2 I NTERVJU MED KOMMUNALE LEDERE
5.2.6 Barrierer og suksessfaktorer for implementering av tiltak
Consideramos importante discutir a idéia a respeito do conhecimento de si e o surgimento da peste conforme aparece em Édipo Rei, tragédia escrita por Sófocles e representada pela primeira vez no ano de 452 a.C. Este tema, como veremos adiante, será de grande importância para a Companhia de Jesus e de sua noção de enfermidade e cura.
Façamos um exercício com nossa imaginação, e acompanhemos a tragédia de Édipo.
Estamos em Tebas59. Diante dos altares de Apolo, uma multidão lamenta e suplica pelo fim da peste e outros males que assolam a cidade. Não tarda para que os portões laterais do palácio se abram e para que surja Édipo, soberano daquelas terras, amado e admirado pelo povo: “por que estais prostrados nesses degraus?”60
Édipo se dirige ao ancião de Zeus e aguarda resposta:
A cidade como tu vês, anda extremamente agitada. Como nave batida na tempestade, em vão luta contra as vagas ensanguentadas, Já não é capaz de levantar a cabeça do fundo da voragem. Tebas vai se acabando à proporção que definham e desaparecem os frutos das plantas, morrem os rebanhos nos pastos e os ventres das mulheres vão se tornando estéreis. E, como se esses males não bastassem, um deus ignífero – sob forma de peste mortífera – lançando-se com ímpeto, arremate contra a cidade de Cadmo, que pela mão dessa deidade se vai esvaziando...61
Pois, entre os males que assolam Tebas, a esterilidade das mulheres e a morte dos rebanhos, está a peste. A enfermidade é a vontade divina que se lança sobre a cidade. E o motivo para tal destino logo será descoberto pelo rei e pelo povo.
59Cidade da Beócia, Grécia antiga 60Sófocles, Édipo Rei, p. 13 61Ibid, p. 14
Lança o ancião um pedido ao rei: “(...) consideramos-te o mais poderoso e capaz dos homens para nos valer nas vicissitudes da vida e nas funestas intervenções dos deuses.”62
Pois, o pedido se refere a como Édipo livrou a cidade da cruel poetisa, a Esfinge, e demanda ao rei que encontre um remédio ouvindo o oráculo. O oráculo como veremos é onde o destino torna-se conhecido. Ele tem uma importante participação da história, antes ainda de Édipo chegar a Tebas. O povo, na voz do sacerdote, encaminha a Édipo um pedido: um saber que possa livrar a cidade dos males e da peste. Da dúvida e da incerteza.
A resposta oráculo, é trazida por Creonte e é justamente um outro pedido ao rei: “Ordena o deus, claramente, que castiguemos com violência os assassinos de Laio, quaisquer que sejam.”63
A exigência de Apolo é que o crime contra Laio, o desconhecimento de seus assassinos, seja esclarecido. O crime é considerado como sendo a causa dos males que atormentam a cidade. De toda a forma, o que surge a Édipo é a demanda de um saber.
Até aqui, portanto, a enfermidade está relacionada ao deus e à sua vontade que frente ao crime cometido, o assassinato de Laio, espalha a peste como forma de exigir que o crime seja desvelado.
Nas páginas seguintes, no canto de entrada do Coro, encontramos dois trechos que se referem à peste e a seu significado sagrado:
A peste ceifa inumeráveis vidas, e a cidade vai se despovoando Sem ninguém que os chore,
sem ninguém que deles se compadeça, e disseminando a morte,
jazem por terra os filhos desta geração64
Expulsa, formosa filha de Zeus, o impetuoso e violento Ares,
62Sófocles, Édipo Rei, p.14 63Ibid, p.19
que agora, se bem que desarmado, em altos gritos, me acomete e abrasa com os ardores da peste.65
É o mesmo Coro que sugere a Édipo que chame o adivinho. Entra em cena Tirésias: “Conheço, ó rei, um sábio, um profeta (...) É o adivinho Tirésias”66
Não tarda para que Tirésias, conduzido por um jovem e acompanhado de dois mensageiros chegue ao palácio. Após saber dos males de Tebas, Tirésias avisa ao rei que era melhor não saber pois “o fardo do destino será para ti e para mim muito mais leve.”67 “De mim é que não saberás.”68 Mas ofendido pelo rei Tirésias, irônico anuncia: “(...) tu és o gênio maléfico e impuro que contamina esta terra.”69 “És o assassino do homem cujo matador procuras.”70
Édipo entende as palavras do adivinho como uma afronta ou como uma cegueira do entendimento, dos ouvidos e dos olhos. Desta forma, o rei supõe que se trata de uma conspiração articulada por Creonte, seu cunhado.
O adivinho, ainda antes de se retirar lança mais um enigma ao rei. Agora trata-se dos pais que geraram Édipo: “Sou, portanto, isto: na tua opinião, um parvo, na de teus pais, que te geraram, um sábio.”71
“Os que me geraram?! Quem? Espera. Qual foi o mortal que me gerou?”72 Édipo pensava que era filho legítimo de Polibo.
Pois então, conforme diz Tirésias, o assassino de Laio está em Tebas. Todos pensam que é estrangeiro mas que na verdade ele é tebano de nascimento e isso consolidará a tragédia. E ainda, o assassino é ao mesmo tempo, pai e irmão de seus filhos, filho e esposo de sua mãe, e assassino de seu pai.
Os enigmas de Tirésias nos conduzem a história de Édipo. Vejamos um aspecto interessante: ao mesmo tempo Édipo é filho e esposo da mulher que o gerou, irmão e pai de seus filhos e assassino de seu pai. E é devido a estes fatos que a cidade de Tebas está mergulhada em tantos males.
A enfermidade é a punição dos deuses a uma transgressão da ordem natural,
65Sófocles, Édipo Rei, p. 26 66Ibid, p. 34 67Ibid, p. 38 68Ibid, p. 39 69Ibid, p. 41 70Ibid, p. 42 71Ibid, p. 47 72Ibid, p. 47
o assassinato do pai e o incesto. Esta punição se funda no desconhecimento e exige um saber para o seu fim. E como Tirésias anuncia a Édipo: é sua própria história, o conhecimento de quem é, que levará o rei ao fim deste enigma.
Enfim, o enigma que Tirésias deixa ainda antes de sair de cena é: “Sabes quem és, Édipo?”