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5. Barrierer

5.2 Barrierer identifisert i datamaterialet

Ao se comparar os resultados deste trabalho com os de estudos anteriores realizados na cidade de Fortaleza/CE percebe-se que a Praia do Futuro também apresenta resultados superiores aos da Praia de Iracema para qualquer distância estudada, conforme Tabela 16.

Tabela 16 - Comparativo com resultados anteriores

CIDADES: Fortaleza / CE Fortaleza Fortaleza Fortaleza Fortaleza

FONTE: Próprio Autor Portella (2013) (2011) Silva Oliveira (2013)

Albuquerque e Otoch

(2005)

PONTOS: 46 4 4 5 4

PERÍODO: out/2015 à out/2016 ago/2011 à jul/2012 jul/2011 à out/2011 mai/2012 à ago/2012 ago/1990 à out/1991 LOCAL: Praia do Futuro P. de Iracema P.do Futuro Futuro P. do Iracema P. de P. do Futuro

DIST. (m) Média Maior Média Maior Média Média Média Média

15 - - - 3502 50 1498,77 5285,0 195,63 632,91 - - - - 100 - - - - 670 484,35 144,14 - 250 204,23 291,98 93,02 140,62 - - 130,68 - 300 - - - - 499 208,08 125,31 - 400 - - - 116,84 - 500 143,83 181,33 99,33 125,4 - - - - 740 - - - - 281 151,16 - - 880 - - - 83,49 - 1000 147,40 206,14 105,94 119,22 162 112,93 76,76 23,6 1460 - - - 55,63 - 2000 127,73 202,69 93,23 104,21 - - - - 4000 95,6 112,82 77,87 106,7 - - - 31,5 6000 64,12 74,97 77,55 80,66 - - - - 8000 73,45 73,45 80,08 102,52 - - - -

Fonte: Elaborado pela autora

Cabe ressaltar que esta é uma análise geral, pois há grande diferença nas pesquisas, no que diz respeito a quantidade e localização de pontos estudados e o período de exposição, que influência nas características climáticas. Nas últimas décadas alguns estudos foram realizados na região costeira do Brasil, dentre os quais destacam-se oito estudos realizados na região nordeste, um na região sudeste e dois na região sul, conforme a seguir.

 São Luís/MA - Sica (2006) realizou um mapeamento da corrosividade atmosférica na cidade, fazendo o levantamento do teor de cloretos no ar, dentre outros, em 15 pontos, durante os anos de 2002 à 2005.

 Fortaleza/CE – Foram realizados alguns estudos, onde destacam-se o realizado na década de 90 citado por Romero et al (1991) apud Albuquerque e Otoch (2005) e o realizado por Portella (2013), que em sua dissertação avalia a durabilidade de concretos expostos a névoa salina na praia do Futuro durante o período de agosto de 2011 à julho de 2012.

 João Pessoa/PB – Meira e Padaratz (2002) demonstram o efeito do distanciamento em relação ao mar na agressividade por cloretos, nesta cidade, durante o período de novembro de 2001 à março de 2002, através da coleta de dados em 5 pontos.

 Recife/PE – Pontes (2006) realizou em sua dissertação o estudo da disseminação de íons cloro na orla marítima no bairro de Boa Viagem, durante o período de agosto de 2005 à janeiro de 2006, coletando dados em 5 pontos.

 Maceió/AL –Alves (2007) fez uma análise da perspectiva de vida útil de estruturas em concreto face ao teor de cloreto registrado nesta cidade, coletando dados em 25 pontos, em outubro e novembro de 2006.

 Salvador/BA – Nesta cidade destacam-se dois estudos: o de Costa (2001), que verificou o teor de cloretos, em 9 pontos, durante o período de agosto de 2000 à janeiro 2001, e o de VilasBoas (2013), que fez o estudo em 20 pontos durante o período de outubro de 2010 à novembro de 2011.

 Vitória/ES – Borba Júnior (2011) fez um estudo da deposição de cloretos e sua concentração em concretos na região sudeste, em 5 pontos, em dois períodos: em novembro de 2007 e em fevereiro de 2008.

 São Francisco do Sul/SC – Vitalli (2013) estudou o efeito do distanciamento do mar da contaminação do concreto por cloretos, em 6 pontos, de janeiro de 2011 à maio de 2012.

 Florianópolis/SC – Garcia, Padaratz e Spoganicz (2007) publicou um artigo sobre a agressividade marinha medida pela taxa de deposição de cloretos na região da grande Florianópolis, através de dados obtidos em 6 pontos de coleta de dados.

Tabela 17 - Resumo dos estudos no Brasil

Cód. Cidade Referência Pontos Período

A São Luís / MA Sica (2006) 15 2002 à 2005

B Fortaleza / CE Albuquerque e Otoch (2005) 4 Ago/1990 à Out/1991 C Fortaleza / CE Portella (2013) 4 Ago/2011 à Jul/2012 D João Pessoa / PB Meira e Padaratz (2002) 5 Nov/2001 à Mar/2002 E Recife / PE Pontes (2006) 5 Ago/2005 à Jan/2006 F Maceió / AL Alves (2007) 25 Out/2006 e Nov/2006 G Salvador / BA Costa (2001) 9 Ago/2000 à Jan/2001 H Salvador / BA VilasBoas (2013) 20 Out/2010 à Nov/2011

I Vitória / ES Borba Jr (2011) 5 Nov/2007 e Fev/2008 J São Franc. do Sul / SC Vitalle (2013) 6 Jan/2011 à Mai/2012 K Florianópolis / SC Garcia (2008) 6 Nov/2006 à Nov/2007 Fonte: Elaborado pela autora

Ao se comparar os resultados obtidos neste estudo com os resultados destas outras cidades citadas, como expressos na Tabela 18 , pôde-se perceber que de forma geral o comportamento da concentração de íons cloro na Praia do Futuro na cidade de Fortaleza é superior ao das outras cidades,

Tabela 18 – Comparativo da média com outras cidades

CIDADES : Fortaleza / CE D E F G H I J K P. Fut. P. Irac. Dist. (m) Média 0-10 - - 540,74 554,4 - - - 513,59 - 1096 11-40 - - - - 740,46 - 1150,29 - - - 41-60 1498,77 195,63 - - 402,58 - - - 590,77 - 61-100 - - 125,26 393,04 230,59 46,2 950,84 54,83 63,51 11,5 101-150 - - - 21,1 225,25 125,12 - - 151-200 - - 13,89 145,07 - - 562,56 - 34,1 21,1 201-250 204,23 93,02 - 40,76 64,87 - 43,21 - - 251-300 - - - 303,96 - - - 301-500 143,83 99,33 11,74 44,06 77,09 - 156,86 - 20,14 15 501-750 - - - - 46,23 4,2 108,71 5,46 16,22 6,5 751-1000 147,41 105,94 - - 139,75 2,9 - - - 23,7 1001-2000 127,73 93,23 5,95 97,47 2,6 99,1 - 9,56 - 2001-3000 - - - - 72,58 4,6 103,44 - - - 3001-4000 95,6 77,87 - - - - 4001-6000 64,12 77,55 - - 73,66 - - - - - 6001-8000 73,45 80,08 - - - -

Até os primeiros 60 metros de distância do mar, a Praia do Futuro apresenta a maior média de concentração em relação as outras cidades (1498,77 mg/(m².d)). Em contrapartida, na Praia de Iracema, o valor médio (195,63 mg/(m².d)) é inferior Macéio e São Francisco do Sul. O que demonstra a diferença no comportamento dentro da mesma cidade, e enfatiza que a direção predominante e velocidade dos ventos influenciam diretamente na quantidade de deposição de íons cloro. Dentre os valores obtidos nos outros trabalhos, o maior valor encontrado para esta distância, até então, tinha sido em São Francisco do Sul/SC (590,77 mg/(m².d)) o que nos mostra que a praia do Futuro em Fortaleza é 153,69% mais agressiva que esta cidade, conforme Tabela 19 - Comparativo de agressividade.

Tabela 19 - Comparativo de agressividade

CIDADES: Fortaleza / CE Agressividade/distâMaior

ncia

Praia do

Futuro Iracema Praia de

Praia do

Futuro Iracema Praia de

Distâncias (m) (mg/m².diCloreto

a)

Cloreto (mg/m².dia

) Cloreto (mg/m².dia)

% mais

agressivo agressivo % mais

41-60 1498,77 195,63 S. Franc. do Sul / SC 590,77 153,69% -66,88% 201-250 204,23 93,02 Maceió/AL 64,87 214,83% 43,39% 301-500 143,83 99,33 Salvador/BA 156,86 -8,30% -36,67% 751-1000 147,41 105,94 Maceió/AL 139,75 5,48% -24,19% 1001-2000 127,73 93,23 Salvador/BA 99,10 28,89% -5,92% 4001-6000 64,12 77,55 Maceió/AL 73,66 -12,95% -5,28 Fonte: Elabora pela autora

Ao se analisar os resultados na faixa de 201 à 250 metros percebemos que tanto a Praia de Iracema quanto a Praia do Futuro se mantem superiores a todas as outras cidades. A praia do Futuro se apresenta 214,83% mais agressiva que o maior valor encontrado para esta distância, de 64,87 mg/(m².d) em Maceió/AL. No entanto ao se distanciar e chegar na faixa dos 301 à 500 metros, a cidade de Salvador apresenta uma média de 156,85 mg/(m².d), um pouco superior a da praia do Futuro 143,83 mg/(m².d), sendo seguido pela praia de Iracema com 99,33 mg/(m².d), o que nos demonstra que a praia do futuro é 8,30 % menos agressiva e a praia de Iracema 36,67% menos agressiva que Salvador, para esta distância.

A medida que se afasta do mar se percebe uma considerável redução na concentração de íons cloro em todas as cidades, no entanto para a faixa dos 751 à 1000 a Praia do Futuro em Fortaleza continua apresentando valores superiores a todas as outras cidades com 147,41 mg/(m².d), seguida de Maceió com 139,75 mg/(m².d) e seguida pela Praia do Iracema com 105,94 mg/(m².d).

Verificou-se ainda que a partir dos 2000 metros há poucos dados de medição, no entanto, para os valores encontrados percebe-se que não há uma variação grande em função do aumento da distância e da cidade.

Analisando os dados de forma geral, dentre as cidades estudadas, verificasse que após Fortaleza, as cidades de Salvador/BA e Maceió/Al podem ser consideradas as mais agressivas no que diz respeito a concentração de íons cloro no ar atmosférico. No entanto vale ressaltar que esta análise comparativa nos dá uma visão geral, mas restrita, levando em conta que em cada cidade o estudo foi realizado de forma singular, em anos diferentes, com variação de tempo de exposição e de distância em relação ao mar, além das diferenças climáticas peculiares de cada cidade em questão.

Verificou-se alguns estudos similares feitos em âmbito internacional, dos quais destacamos os seguintes países, conforme Figura 34 e descrição abaixo.

Figura 34 - Países com estudos similares

Fonte: Elaborado pela autora

 Nigéria, localizada no continente Africano, onde se realizou um estudo de maio de 1953 à fevereiro de 1954, em Lighthouse Beach – Lagos, região banhada pelo golfo da Guiné, que é uma reentrância na costa ocidental da África, fazendo parte

ainda do Oceano Atlântico, onde os resultados foram apresentados por Ambler and Bain (1955);

 Espanha, no continente Europeu, em estudo feito por Morcillo et al (2000), de agosto de 1994 à abril de 1995 e de março de 1996 à fevereiro de 1997, na cidade de Tarragona que é banhada pelo mar Mediterrâneo.

 Holanda, no continente Europeu, banhada pelo Mar do Norte, apresenta dados de 1983 à 1994, em pesquisa de Tem Harkell (1997);

 França, no continente Europeu, o estudo de Despiau at al (1991) apresenta resultados de pesquisa feita na ilha de Porquerolles, no mar mediterrâneo, em maio de 1990, outubro de 1990 e maio de 1991;

 Malásia, localizado no continente asiático, segundo Mustafa na Yosof (1994), a pesquisa foi realizada de janeiro à dezembro de 1991, em Port Dickson, no Estreito de Malaca, que é a passagem marítima entre o Oceano Índico e o Oceano Pacífico;

 Bangladesh, país asiático, foi realizado o estudo na cidade portuária de Chittagong, banhada pelo golfo de Bengala vindo do Oceano Índico, de abril à setembro de 2000 por Khandaker, Hossain e Easa (2011);

 Cuba, na América Central, por Castañeda et al (2012), estudo realizado de setembro de 2007 à agosto de 2008, na cidade de Havana;

 México, na América Central, também é apresentado por Castañeda et al (2012), em um estudo realizado de setembro de 2007 à agosto de 2008, na cidade de Yucatán;

 Havaí, ilha pertencente aos Estados Unidos da América, onde foi realizado um estudo na ilha de Oahu, de agosto de 2003 à fevereiro de 2004, descrito por Suzuki (2011);

 Coréia do Sul, no continente asiático, Lee e Moon (2005) desenvolveram um trabalho com a finalidade de pesquisar a slinidade no país como um todo, através de 70 pontos distribuídos na região Oriental, Ocidental e Costa Sul da Coréia do Sul, durante o período de um ano;

Tabela 20 - Resumo dos estudos internacionais

País Continente Referência Período

Nigéria África Ambler and Bain (1995) Mai/1953 à Fev/1954 Espanha Europa Morcillo et al (2000) Ago/1994 à Abr/1995 Holanda Europa Ten Harkel (1997) 1983 à 1994

França Europa Despiau at al (1991) Mai/Out 1990, Mai/1991 Malásia Ásia Mustafa and Yosof (1994) Jan/1991 à Dez/1991 Bangladesh Ásia Khandaker, Hossain and Easa (2011) Abr/2000 à Set/2000 Coréia do Sul Ásia Lee and Moon (2005) Set/200? à Ago/200? Havaí América Suzuki (2011) Ago/2003 à Fev/2004 Cuba América Castañeda et al (2012) Set/2007 à Ago/2008 México América Castañeda et al (2012) Set/2007 à Ago/2008 Fonte: Própria autora

Apesar destes países terem realizado estudos parecidos, nem todos utilizaram o mesmo procedimento, o que inviabiliza uma comparação direta. Nos países que adotaram a mesma metodologia, os resultados são demonstrados de formas diferentes, então se agrupou os resultados que foram fornecidos em forma de média, no Gráfico 8, e os que apresentaram os resultados máximos, no Gráfico 9.

Gráfico 8 - Concentração média em alguns países

Fonte: Própria autora

Ao se considerar os países em que foram apresentadas as médias, percebe-se que a Praia do Futuro, apresenta resultados superiores aos destes, com 87,97% a mais de concentração de íons cloro (Tabela 21), em relação à Nigéria, segundo colocado. O Brasil, na Praia do Futuro, é 52,67 vezes mais agressivo que a Espanha, último colocado entre os países que demonstraram os resultados médios. No que diz respeito à Praia de Iracema verificamos que ela é menos

0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 T e o r d e c lo re to s [m g /( m ². d )] Países

agressiva que a Nigéria, Cuba, França e México, ficando com o resultado muito próximo ao encontrado no Havaí e apresentando resultado bem superior a Bangladesh (273,71%) e Espanha (607,11%).

Tabela 21 - Comparativo de agressividade (concentração média) Fortaleza / CE

Agressividade Praia do Futuro Praia de Iracema

Praia do

Futuro Praia de Iracema

Cloreto

(mg/m².dia) (mg/m².dia) Cloreto (mg/m².dia) Cloreto agressivo % mais agressivo % mais

1498,77 195,63 Nigéria 800,00 87,34625 -75,5463 Cuba 719,50 108,3072 -72,8103 França 480,00 212,2438 -59,2438 México 470,80 218,3454 -58,4473 Havaí 150,00 899,18 30,42 Bangladesh 54,02 2674,472 262,1437 Espanha 28,55 5149,632 585,2189 Fonte: Elaborada pela autora

Os países que apresentaram os valores máximos obtidos nos primeiros metros de distância do mar, durante o período de exposição de estudo, percebeu-se que o Brasil e a Nigéria se mantiveram em primeiro e segundo lugar, respectivamente, sendo que a disparidade é elevada, onde o Brasil, na praia do Futuro, se mostra, aproximadamente, 62% mais agressivo que a Nigéria. Em seguida com valores próximos aparece o Havaí e a Malásia, e por fim, a praia de Iracema no Brasil e a Espanha com valores bem menores, como apresentado no Gráfico 9 e na Tabela 22.

Gráfico 9 - Concentração máxima em alguns países

Fonte: Elaborada pela autora 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 Brasil (P. Futuro) Nigéria Brasil (P. Iracema)

Havaí Malásia Espanha

T e o r d e c lo re to s [m g /( m ². d )] Países

Tabela 22 - Comparativo de agressividade (concentração máxima) Fortaleza / CE

Agressividade Praia do Futuro Praia de Iracema

Praia do Futuro Praia de Iracema

Cloreto

(mg/m².dia) (mg/m².dia) Cloreto (mg/m².dia) Cloreto agressivo % mais agressivo % mais

5285,06 632,91 Nigéria 2000,00 164,25 -68,35 Havaí 580,00 811,21 9,12 Malásia 500,00 957,01 26,58 Espanha 114,47 4516,98 452,90

Fonte: Elaborada pela autora