• No results found

5. FUNN OG DRØFTING

5.1 P RESENTASJON AV FUNN

5.2.1 Barns opplevelsesverden

A década de 1990 representou um período de importantes mudanças para a economia brasileira. Devido, sobretudo, às mudanças no âmbito de políticas adotadas e aos seus rebatimentos para os distintos segmentos do setor industrial. O processo de reestruturação econômica, as políticas fiscais adotadas induziram fortes repercussões por todos os segmentos da economia do país.

Ressalta-se que o setor industrial, em particular, foi fortemente atingido. No período pós-Real, a política econômica estava voltada para o combate à inflação e na busca pela estabilidade econômica e política. Dessa forma, o crescimento econômico ficou em segundo plano e consequentemente a geração de empregos. É importante ressaltar, com relação à geração de empregos nesse período que a reestruturação das empresas e as novas tecnologias dispensaram mão de obra, fecharam linhas de produção, reduziram custos e diminuíram pessoal contribuindo para a perda de uma quantidade significativa de empregos formais.

Para Coutinho (1996) entre 1990 e 1992 no governo Collor, com a abertura econômica e recessão, o Brasil perdeu dois milhões e 150 mil empregos formais. Entre 1993 e 1994 foram gerados aproximadamente 500 mil empregos. Com a redução do ritmo de crescimento e a intensificação da modernização das empresas, em 1995, ocorreu o fechamento de 380 mil postos de trabalho e o pequeno crescimento de 1996 criou poucas novas vagas.

Muitos fatores têm afetado diretamente e indiretamente mudanças nas relações de emprego no período estudado, um deles foi a questão da economia ter passado por altas taxas de inflação, período em que foi adotada uma política de câmbio flutuante permitindo manter a estabilidade de preços. Outro fator do ponto de vista produtivo foi a mudança de uma economia fechada para um economia aberta expondo as empresas nacionais à competição internacional implicando em grandes desafios pois o avanço tecnológico e as práticas administrativas vindas do exterior são fortemente poupadores de mão de obra.

Um terceiro fator importante refere-se ao papel do Estado na forma de atuar na economia, voltado mais para fiscalização e regulação da economia. Assim, essas transformações tiveram implicação direta para o mercado de trabalho, com impactos no emprego. Essas observações são de muita importância para entendermos a evolução do emprego formal nos tópicos seguintes. Salienta-se que este trabalho não tem por intuito estudar os elementos responsáveis pelo desemprego, fruto de vários fatores estruturais e conjunturais.

Na Tabela 13 observa-se, conforme esperado, que a região Sudeste foi a que mais contribuiu com a criação de emprego formal industrial no período em análise, na sua maioria com participação relativa acima de 50% do total. Os demais empregos distribuem-se pelas outras regiões, com participação maior para a região Sul e menor para a região Norte e Centro-Oeste. No entanto, as taxas de crescimento do Sudeste e do Brasil foram negativa na ordem de 18,8% e 7,2% na década de 1990.

Como já mencionado no item de reestruturação produtiva no Brasil, a região Sudeste apresentou menor número de estabelecimentos devido a vários fatores como desconcentração da produção, flexibilização da organização do trabalho e produção e transformações na estrutura e organização da indústria brasileira, bem como na política da estabilização do Plano Real. Nos anos 2000 essa região apresentou uma taxa positiva porém a mais baixa se comparado com as outras regiões e com o Brasil (ver Tabela 13). Tabela 13- Emprego Formal no setor industrial nas grandes regiões do Brasil (1990 a 2010)

FONTE:Elaboração com base nos dados da RAIS/MTE 1990/2010.

Observa-se na Tabela 13 com relação à participação relativa que o Sudeste vem reduzindo relativamente sua participação no contexto nacional, se analisado desde a década de 1990 e que a região Nordeste, ao contrário, apresentou participação crescente. Vale salientar que um dos motivos para esses resultados foi a desconcentração de empresas no período analisado. Muitas instalações de novas montadoras de veículos

Grandes Regiões

Absoluto Reletivo Absoluto Reletivo Absoluto Reletivo 2000/1990 2010/2000

NORTE 193.938 2,8 222.038 3,5 475.615 4,3 14,5 114,2 NORDESTE 867.611 12,6 872.564 13,7 1.736.302 15,8 0,6 99,0 SUDESTE 4.319.627 62,8 3.508.722 55,0 5.694.285 51,7 -18,8 62,3 SUL 1.294.167 18,8 1.471.008 23,1 2.450.484 22,3 13,7 66,6 C. OESTE 199.461 2,9 305.517 4,8 651.438 5,9 53,2 113,2 BRASIL 6.878.044 100,0 6.379.849 100,0 11.008.124 100,0 -7,2 72,5 EMPREGO NO SETOR INDUSTRIAL NAS GRANDES REGIÕES

Tx. de crescimento %

automotores foram realizadas em vários estados (Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia) e de fábricas de calçados de origem gaúcha em diferentes estados do Nordeste, aproveitando incentivos fiscais (DINIZ e BASQUES, 2004).

Algumas empresas de gêneros industriais mais intensivas em mão de obra (calçados, confecções, por exemplo) buscaram se relocalizar no interior do Nordeste, para competir com concorrentes externos, atraídos pela mão de obra barata, baixos salários e incentivos fiscais. Com essa desconcentração industrial, fecham-se postos de trabalho na grande São Paulo e abrem-se outros no Nordeste.

No que se refere aos anos 2000, evidencia-se na Tabela 13 um crescimento absoluto do número de empregos em todas as regiões. Esse fato deve-se principalmente a um contexto externo favorável, especialmente o efeito China. Internamente com à reorganização do Estado houve uma retomada da intervenção do Estado e seu papel de agente definidor e impulsionador do novo padrão de acumulação. Pode-se citar como novo padrão de intervenção estatal a recuperação do planejamento através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Salienta-se também aumento do salário mínimo, o bolsa família e a abundância de crédito. Igualmente relevante foi o crescimento do investimento das empresas públicas (Petrobras e Eletrobras) e o financiamento da produção e do consumo através dos bancos estatais e federais (BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil) (IPEA, 2010).

Dessa forma, a economia tomou maior fôlego na década recente e propiciou melhores resultados no que se refere ao crescimento econômico, pois o mercado interno se tornou mais dinâmico e a conjuntura econômica externa favorável ao padrão de inserção dos países latinos americanos na economia mundial. Essa década caracterizou- se pela forte demanda do resto do mundo por produtos que o Brasil possuía vantagens comparativas como é o caso de produtos da cadeia agropecuária, indústria extrativa, siderurgia, cadeia de petróleo e gás (IPEA, 2010).

Observando as taxas de crescimento do emprego industrial nos estados nordestinos na década de 1990, estas foram bem menores do que nos anos 2000, conforme a Tabela 14. As intensas reformas, como políticas de flexibilização nas relações de trabalho, o processo de reestruturação produtiva e política de estabilização do Plano Real reduziram a capacidade do setor industrial gerar emprego formal e elevou a taxa de desemprego no país. Esses fatores repercutiram no setor industrial contribuindo para baixo dinamismo do emprego formal na década de 1990.

Tabela 14- Emprego Formal no setor Industrial nos estados do Nordeste (1990 a 2010)

FONTE:Elaboração com base nos dados da RAIS/MTE 1990/2010.

A descentralização do crescimento depende muito da iniciativa e da capacidade dos governos estaduais e municipais em adotarem políticas e criarem mecanismos para atrair e apoiar investimentos produtivos. Observando os resultados constantes na Tabela14, atestam-se que os estado da Bahia, Pernambuco e Ceará foram os de melhor desempenho.Tomando como referência o crescimento absoluto do número de empregos nos anos de 1990,o destaque foipara o estado de Pernambuco e nos anos 2000 o estado da Bahia.

No caso da Bahia, tal desempenho foi resultado das políticas industriais adotadas no estado que fortaleceram o setor pelo complexo petroquímico, pela siderurgia do cobre, as atividades de madeira de celulose e de alimentos. O Complexo Petroquímico de Camaçari, o Centro industrial de Aratu e o Centro Industrial do Subaé, são os principais segmentos responsáveis pela dinâmica industrial do Estado.

No caso do estado de Pernambuco, a modernização setorial ampliou a diversificação de várias atividades, impulsionadas pelos polos presentes no estado, entre eles: Suape, Igarassu e Itapissuma (bebidas), Ipojuca (cerâmica, química, têxtil; Cabo (química, cerâmica); Camaragibe e paulista (têxtil).Este estado apresentou as maiores participações relativas no período estudado com relação ao emprego formal, porém essas participações foram decrescentesentre 1990 e 2010. As indústrias responsáveis por melhores taxas de crescimento entre 2010/2000 foram a indústria têxtil, indústria mecânica e borracha/couros/fumo (Tabela 13).

Assim, estes estados tiveram o melhor desempenho desde o início do período estudado. Os dados da Tabela14 mostram que o estado do Ceará (44,4%) apresentou a

NORDESTE

Absoluto % Absoluto % Absoluto % 2000/1990 2010/2000

MARANHÃO 37.390 4,3 42.575 4,9 103.684 6,0 13,9 143,5 PIAUI 28.400 3,3 33.278 3,8 63.615 3,7 17,2 91,2 CEARÁ 125.053 14,4 180.535 20,7 337.171 19,4 44,4 86,8 RIO G. DO NORTE 52.047 6,0 62.237 7,1 128.171 7,4 19,6 105,9 PARAIBA 58.496 6,7 66.161 7,6 115.696 6,7 13,1 74,9 PERNAMBUCO 261.421 30,1 187.456 21,5 359.359 20,7 -28,3 91,7 ALAGOAS 74.954 8,6 74.552 8,5 138.473 8,0 -0,5 85,7 SERGIPE 42.097 4,9 37.665 4,3 80.885 4,7 -10,5 114,7 BAHIA 187.753 21,6 188.105 21,6 409.248 23,6 0,2 117,6 TOTAL 867.611 100,0 872.564 100,0 1.736.302 100,0 0,6 99,0 2010

EMPREGOS NO SETOR INDUSTRIAL

Tx. Crescimento %

maior taxa de crescimento na década de 1990, seguido pelo Rio Grande do Norte (19,6%). Com relação à década de 2000, vale salientar em termos relativos, foi o estado do Maranhão (143,5%) que demonstrou maior crescimento do número de empregos formais, seguido pela Bahia (117,6%).

Na distribuição de emprego por gêneros da indústria no Nordeste, conforme Tabela 15, evidencia-se uma forte concentração no setor tradicional nos anos de 1990 a 2000, como foi o caso da indústria de produtos alimentícios. Porém, em 2010 foi a indústria de construção civil que apresentou maior concentração. As atividades industriais da região Nordeste, em termos percentuais a que apresentou o maior crescimento no que se refere à taxa de crescimento do número de empregos na década de 1990 foi a indústria de calçados (561,8%) seguida pela de material de transporte (30,8%).

Tabela 15- Emprego Formal nas Atividades Econômicas Industriais dos Estados do Nordeste (1990 a 2010)

FONTE: Elaboração com base nos dados da RAIS/MTE 1990/2010.

É importante ressaltar que no início do período estudado, a produção de calçados no Nordeste era predominantemente artesanal ou realizada em pequenas unidades industriais aproveitando-se do couro na região. A justificativa para o destaque na indústria de calçados na década de 1990 é devido a grande migração de empresas que teve início nos anos 1990 e ficou restrita àquela de grande porte e as vantagens de custos se revelaram mais expressivas. Essas empresas tinham sede em São Paulo e Rio Grande do Sul e considerado grandes grupos calçadistas que estabeleceram linhas de

NORDESTE

Absoluto % Absoluto % Absoluto % 2000/1990 2010/2000

Extrativa mineral 17.214 2,0 20.070 2,3 35.576 2,0 16,6 77,3

Ind. de prod. minerais nao metálicos 36.684 4,2 43.160 4,9 78.185 4,5 17,7 81,2

Indústria metalúrgica 28.520 3,3 25.859 3,0 58.422 3,4 -9,3 125,9

Indústria mecânica 11.279 1,3 7.761 0,9 24.900 1,4 -31,2 220,8

Ind. do mat.elétrico e de comunicações 11.211 1,3 8.066 0,9 12.004 0,7 -28,1 48,8

Indústria do material de transporte 3.936 0,5 5.148 0,6 22.557 1,3 30,8 338,2

Indústria da madeira e do mobiliário 22.301 2,6 22.982 2,6 34.270 2,0 3,1 49,1

Ind. do papel, editorial e gráfica 27.213 3,1 24.511 2,8 41.429 2,4 -9,9 69,0

Ind. da borracha, fumo, couros, peles 26.037 3,0 15.643 1,8 28.654 1,7 -39,9 83,2

Ind. química de prod. farmacêuticos 54.539 6,3 46.646 5,3 106.913 6,2 -14,5 129,2

Ind. têxtil do vest. e artefatos de tecidos 110.066 12,7 120.159 13,8 180.597 10,4 9,2 50,3

Indústria de calçados 7.297 0,8 48.292 5,5 125.601 7,2 561,8 160,1

Ind. de prod. alimentícios, bebidas 264.512 30,5 216.920 24,9 338.912 19,5 -18,0 56,2

Serviços industriais de utilidade pública 64.982 7,5 58.725 6,7 78.259 4,5 -9,6 33,3

Construçao civil 181.820 21,0 208.622 23,9 570.023 32,8 14,7 173,2

INDÚSTRIA 867.611 100,0 872.564 100,0 1.736.302 100,0 0,6 99,0

EMPREGO NO SETOR INDUSTRIAL

2000 2010 Tx. Crescimento % 1990

produção complementares11, algumas dessas empresas eram especializadas em calçados de couro (DINIZ e BASQUES, 2004 apud HAGUENAUER; PROCHNIK, 2000).

De acordo com a Tabela 16,no que se refere ao setor industrial do Ceará, quanto à participação relativa, houve forte concentração em termos de empregos formais na indústria têxtil, vestuário e artefatos de tecidos que detinha em 1990 (28,0%) do emprego industrial, percentual levemente reduzido para (21,1%) em 2010, quando perde posição para a indústria de construção civil (22,5%). Esta também foi destaque no mesmo período para a região Nordeste.

Tabela 16- Empregos no setor industrial - Ceará (1990 a 2010)

FONTE:Elaboração com base nos dados da RAIS/MTE 1990/2010.

Quanto à indústria têxtil, Diniz e Marques (2004) relatam que é principalmente no Ceará que se localizam e merece destaque grandes empresas produtoras e é no estado que se localiza o polo têxtil e de confecções na cidade de Fortaleza. Essas empresas se relocalizaram devido à abundância de mão de obra barata e aos incentivos oferecidos.

No entanto, na década de 1990 o setor industrial calçadista se destacou com (1.689,3%) de taxa de crescimento. A indústria de calçados no Ceará, no início da década era responsável por apenas (1,2%) do emprego formal nesse setor e em 2010 passou a ser responsável por (18,9%), conforme Tabela16.

A política estadual de incentivos fiscais e atração de investimentos contribuíram para o bom desempenho da indústria de calçados. O crescimento regional na produção de calçados se alterou. Em 1986 a 2000, a participação no Nordeste subiu de 3% para

11

Algumas empresas são responsáveis apenas pela montagem.

Tx. Crescimento % CEARÁ Absoluto % Absoluto % Absoluto % 2000/1990 2010/2000 Extrativa mineral 1.875 1,5 2.714 1,5 2.654 0,8 44,7 -2,2 Ind. de prod. minerais nao metálicos 6.296 5,0 7.186 4,0 12.041 3,6 14,1 67,6 Indústria metalúrgica 5.427 4,3 5.502 3,0 14.425 4,3 1,4 162,2 Indústria mecânica 1.568 1,3 2.364 1,3 4.683 1,4 50,8 98,1 Ind. do mat.elétrico e de comunicaçoes 1.378 1,1 1.321 0,7 1.895 0,6 -4,1 43,5 Indústria do material de transporte 745 0,6 1.211 0,7 4.193 1,2 62,6 246,2 Indústria da madeira e do mobiliário 3.361 2,7 4.955 2,7 8.066 2,4 47,4 62,8 Ind. do papel, editorial e gráfica 3.715 3,0 4.336 2,4 8.359 2,5 16,7 92,8 Ind. da borracha, fumo, couros, peles 4.939 3,9 3.894 2,2 7.706 2,3 -21,2 97,9 Ind. química de prod. Farmacêuticos Vet. 5.228 4,2 6.162 3,4 13.090 3,9 17,9 112,4 Ind. têxtil do vest. e artefatos de tecidos 35.008 28,0 48.485 26,9 71.006 21,1 38,5 46,4 Indústria de calçados 1.525 1,2 27.287 15,1 63.562 18,9 1689,3 132,9 Ind. de prod. alimentícios, bebidas 25.672 20,5 30.900 17,1 42.331 12,6 20,4 37,0 Serviços industriais de utilidade pública 7.718 6,2 6.472 3,6 7.187 2,1 -16,1 11,0 Construçao civil 20.598 16,5 27.746 15,4 75.973 22,5 34,7 173,8

Total 125.053 100,0 180.535 100,0 337.171 100,0 44,4 86,8

2000 2010

20%, a paulista caiu de 41% para 27% e a gaúcha de 55% para 52%. O crescimento da produção é justificado pela produção de calçados de plásticos e o estado do Ceará detinha 65% do total brasileiro (DINIZ; MARQUSES, 2004).

Nos anos 2000 a indústria de material de transporte toma a liderança, apresentando a maior taxa de crescimento (246,2%) ficando à frente da construção civil (173,8%), segundo Tabela 16. Vale salientar que a indústria de material de transporte também foi destaque na análise da região Nordeste, no mesmo período.

Ressalta-se conforme Tabela 16, para o ano de 2010 que quatro setores foram responsáveis por 75,1% do emprego formal em todo o estado do Ceará, este estado se especializou nos setores industriais: têxtil, calçados, alimentos e construção civil. Nos anos 1990 apenas três setores eram responsáveis pela concentração: têxtil alimentos e construção civil juntos contribuíam com 64,2% de todo emprego formal.

Conforme a RAIS e analisando a Tabela 17, o setor que mais contribuiu para geração de emprego formal nas CMs-Ceará foi à indústria calçadista. Na década de 1990 esse setor contribuía com apenas 346 empregos formais e no final de 2010 se tornou o setor de maior destaque com concentração de 26.884 mil empregos formais. Outro setor que mereceu destaque foi o da construção civil que passou de 839 empregos formais na década de 1990 para 3.795 em 2010. Vale salientar que o setor de calçados com apenas 341 estabelecimentos contribuiu com mais empregos que o setor da construção civil, que possuía 592 estabelecimentos em 2010.

Tabela 17- Número de Empregos Formais nas Atividades Industriais Econômicas – CMs-Ceará (1990 a 2010)

FONTE:Elaboração com base nos dados da RAIS/MTE 1990/2010. CMs CEARÁ

Absoluto % Absoluto % Absoluto % 2000/1990 2010/2000

Extrativa mineral 131 2,0 222 1,0 268 0,6 69,5 20,7 Ind. de prod. minerais nao metálicos 1.250 19,0 1.047 4,9 1.500 3,6 -16,2 43,3 Indústria metalúrgica 118 1,8 368 1,7 1.180 2,8 211,9 220,7 Indústria mecânica 1 0,0 401 1,9 405 1,0 40000,0 1,0 Ind. do mat. elétrico e de comunicações 13 0,2 2 0,0 3 0,0 -84,6 50,0 Indústria do material de transporte 4 0,1 45 0,2 12 0,0 1025,0 -73,3 Indústria da madeira e do mobiliário 215 3,3 342 1,6 355 0,9 59,1 3,8 Indústria do papel, papelao, editorial e gráfica 104 1,6 222 1,0 828 2,0 113,5 273,0 Ind. da borracha, fumo, couros, ind. diversas 1.318 20,0 1.046 4,9 1.470 3,5 -20,6 40,5 Ind. química de prod. farmacêuticos, veterinários... 249 3,8 377 1,8 1.058 2,5 51,4 180,6 Indústria têxtil do vestuário e artefatos de tecidos 1.059 16,1 975 4,5 1.005 2,4 -7,9 3,1 Indústria de calçados 346 5,2 13.145 61,3 26.884 64,5 3699,1 104,5 Ind. de prod. alimentícios, bebidas e álcool etílico 817 12,4 1.395 6,5 2.107 5,1 70,7 51,0 Serviços industriais de utilidade pública 132 2,0 559 2,6 790 1,9 323,5 41,3 Construçao civil 839 12,7 1.313 6,1 3.795 9,1 56,5 189,0

TOTAL 6.596 100,0 21.459 100,0 41.660 100,0 225,3 94,1 TX. CRECIMENTO %

1990 2000 2010

A Tabela 17 evidencia que as cidades médias, em estudo, perderam diversidade do ponto de vista do emprego formal. Os dados mostram que a indústria de borracha, couros, a de produtos minerais não metálicos e a têxtil, eram os segmentos que mais ofertavam empregos em 1990, pois essas atividades geravam 20,0%, 19,0% e 16,1% respectivamente, de todos os postos de trabalho. Estes segmentos perderam destaque até anos 2000. A participação desses segmentos foi declinando ao longo dos últimos anos, cedendo para os segmentos: calçadista e de construção civil.

No entanto, analisando os dados de acordo com a Tabela 17 a partir da década de 2000, observa-se que o segmento calçadista tem-se mostrado como o mais importante na geração do emprego formal nesses municípios. Vale ressaltar que a taxa de crescimento do segmento que mais tem crescido nas cidades em estudo, como um todo na década de 1990 foi o segmento da indústria mecânica. Porém, esse fato justifica-se pela base bem pequena quando comparada com a década anterior. O mesmo caso se aplica a indústria de material de transporte que se apresentou como o segundo setor em destaque.

Verificando a Tabela17, um fato chama atenção no início do período estudado. A cidade de Juazeiro do Norte contribuiu com a maior participação relativa na indústria de borracha. Tal resultado foi devido ter ocorrido nas décadas anteriores, um dinamismo na indústria de plásticos e borracha, como também na produção de sandálias de material sintético a partir de investimentos em tecnologia. Então, tal resultado foi reflexo das modificações estabelecidas, a partir das décadas anteriores, nas atividades produtivas (BESERRA, 2006).

É importante mencionar que 64,5% do emprego formal nas cidades médias em estudo, conforme Tabela 17, estava concentrado em um único setor o da indústria calçadista e isso aconteceu após os anos 1990. Então setores como: borracha, minerais não-metálicos, produtos alimentícios, têxtil e construção civil perdem significativamente espaço para a atividade calçadista. A indústria calçadista sai do Sul do País para essas cidades devido a política fiscal implementada. Existia nessas cidades um depósito de mão de obra para esses setores tradicionais. Conforme Carvalho (2008) essa mão de obra quantificada e qualificada foi determinante para atração dessas empresas.

Pode uma região se especializar em um único setor? Vale salientar que se a indústria de Calçados de Sobral - a GRENDENE por algum motivo for desativada se

desmonta a estrutura de emprego de Sobral, diferente de Juazeiro do Norte e Crato que possuem setores mais diversificados. O fenômeno Padre Cícero em Juazeiro do Norte e Crato faz uma diferença tremenda na aglomeração urbana e no rebaixamento do valor da força de trabalho. Essas empresas estão presentes devido ao excedente de trabalho. Vale salientar um fato importante já mencionado por Rigotti e Campos (2009) no capítulo anterior, o movimento pendular, isso acontece em Juazeiro do Norte e Crato que tem um efeito sobre o valor da força de trabalho muito grande.

De acordo com a Tabela 18, em 2010 a indústria calçadista do Crato, Juazeiro do Norte e Sobral apresentaram participação relativa de 51,1%, 39,9% e 80,2%, respectivamente e participação significativa no emprego total da indústria em seus municípios, implicando em uma elevada concentração de empregos formais nesse segmento. No caso dos municípios de Juazeiro do Norte e Crato, o segmento calçadista tem participação desde início do período estudado, isso se deve ao fato desse segmento ser tradicional.

Tabela 18- Participação Relativa do Emprego Formal de cada segmento Industrial, na indústria de cada CMs-Ceará (1990 a 2010)

FONTE:Elaboração com base nos dados da RAIS/MTE 1990/2010.

A dinâmica econômica desses três municípios foi formada por atividades de ramos tradicionais da indústria de transformação. No caso de Juazeiro do Norte e Crato muitas atividades estão ligadas ao movimento de romarias. Juntas têm o setor de

CMs-CEARÁ Cra. J. Norte Sob. Cra. J. Norte Sob. Cra. J. Norte Sob. Extrativa mineral 5,6 0,0 2,1 0,7 0,4 1,5 1,2 0,4 0,7 Ind. prod. minerais nao metálicos 25,2 6,0 27,4 6,5 1,8 5,8 11,6 2,3 2,5 Indústria metalúrgica 3,6 1,4 1,3 3,0 3,9 0,3 5,2 6,8 0,2 Indústria mecânica 0,1 0,0 0,0 0,6 6,8 0,0 0,2 3,1 0,0 Ind. mat. Elétrico/ comunicações 0,5 0,3 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 Indústria do material de transporte 0,0 0,2 0,0 0,2 0,0 0,3 0,0 0,1 0,0 Ind. da madeira e do mobiliário 3,9 4,6 1,8 2,1 2,7 0,9 1,3 1,4 0,5 Ind. papel, editorial e gráfica 0,6 2,8 0,9 0,4 2,8 0,4 4,4 1,3 1,8 Ind.borracha, fumo, couros, peles 1,2 35,4 15,0 1,3 15,9 1,0 0,3 11,4 0,2 Ind. química prod. farmacêuticos 6,5 4,4 2,0 3,4 2,3 1,0 5,4 4,1 1,1 Ind. têxtil do vest. artef. de tecidos 1,3 5,1 32,2 0,7 8,2 4,1 2,4 4,5 1,3 Indústria de calçados 0,1 13,9 0,0 66,7 33,4 72,4 51,1 39,9 80,2 Ind. prod. alimentícios, bebidas 13,1 12,6 11,9 5,8 7,9 6,1 5,0 7,6 3,7 Serv. industriais utilidade pública 0,0 3,1 1,9 3,1 3,3 2,1 1,5 3,1 1,4 Construçao civil 38,5 10,2 3,4 5,4 10,6 4,3 10,4 14,0 6,3

Indústria 100 100 100 100 100 100 100 100 100

1990 2000 2010

calçados como principal atividade na geração de emprego formal. É importante mencionar que a indústria calçadista em Juazeiro do Norte tem origem a partir da segunda metade do século XIX em moldes artesanais, utilizando couro como matéria prima principal. Atualmente a principal matéria prima é o PVC.

Com a migração da Grendene para a cidade do Crato distante a 10km de Juazeiro do Norte, esta sofreu grandes mudanças no setor calçadista. Assim, a partir da década de 1990, os empresários perceberam a necessidade de adquirirem mecanismos para fortalecer o setor. Houve grande esforço na intenção de atrair grandes fornecedores, prestadores de serviços e agentes financeiros que estimularam o aumento da produção local. Hoje a cidade ocupa o terceiro lugar na classificação dos polos calçadistas do país, perdendo apenas para Franca (SP) e Novo Hamburgo (RS) (DIÁRIO DO NORDESTE, 01/05/2011).

Estas cidades têm absorvido grandes investimentos. O segmento calçadista se destacou a partir dos anos 2000 como o que mais gera emprego formal nesses municípios. Porém, nas décadas anteriores o foco eram os tradicionais segmentos de produtos alimentícios, produtos minerais não-metálicos e construção civil, que se avultavam nesses municípios desde o início do período estudado.