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3.2 Barnets beste
Na tentativa de oferecer ao professor estratégias eficientes para lidar com a inclusão de alunos com dificuldade de aprendizagem de leitura e escrita, foi proposto um conjunto de quatorze práticas reflexivas de linguagem, desenvolvido simultaneamente em ambas as classes. Semanalmente, durante aproximadamente uma hora, a pesquisadora realizava as atividades em sala de aula, na presença da professora responsável pela turma.
Cada atividade foi previamente preparada tendo como objetivo desenvolver habilidades consideradas relevantes no processo de aquisição de leitura e escrita. Em todas as atividades, havia uma etapa oral e outra escrita do tema proposto.
A partir da combinação dos dados coletados na avaliação (Apêndice B) e da análise das respostas das professoras aos questionários sobre o desempenho de cada aluno (Anexo C), as classes foram separadas em grupos, de acordo com o nível de conhecimento sobre a língua escrita que cada um possuía (ótimos, bons, regulares e insuficientes). Na maior parte dos casos a avaliação da professora e da pesquisadora tiveram resultados equivalentes em relação ao desempenho dos alunos. Entretanto, quando a opinião da professora e da pesquisadora sobre o desempenho de um aluno eram divergentes, esta recorria à professora em busca de mais informações sobre a criança em questão, a fim de melhor classificá-la e, assim, tentar proporcionar a ela maiores ganhos com o trabalho fonoaudiológico a ser desenvolvido. Foram formados seis grupos de trabalho com seis alunos em cada, sendo que as crianças cujos pais não assinaram o termo de consentimento também participaram das atividades, embora seus dados não tenham sido utilizados nesta pesquisa.
Para a organização dos grupos, a produção escrita de cada aluno foi analisada e classificada com base em dois critérios, ou seja, nas categorias de análise ortográfica e textual descritas a seguir.
Entretanto, conforme Bagno (2003), neste trabalho a noção de “erro” deve ser entendida como “tentativa de acerto”. Essa mudança de paradigma baseia-se no pressuposto de que a língua escrita é uma tentativa de análise da língua falada e essa análise é feita utilizando-se as referências que o usuário da escrita possui no ato de grafar sua mensagem, de acordo com seu perfil sociolingüístico.
Quanto à análise ortográfica, levando-se em conta que o texto ditado era adequado para a escolaridade dos alunos amostrados e possuía apenas 59 palavras, em sua maioria conhecidas do público-alvo desta pesquisa, organizou-se o critério descrito abaixo para quantificar as palavras grafadas ortograficamente fora do padrão esperado. Dessa forma, a unidade de erro contabilizada foi a palavra errada, independentemente da quantidade de erros ortográficos nela encontrada.
Critério de classificação ortográfica:
- foram considerados ÓTIMOS os alunos que grafaram entre 1 e 10 palavras ortograficamente diferentes do padrão correto, o que corresponde a até 25% do texto grafado de forma não ortográfica;
- foram considerados BONS os alunos que contabilizaram de 11 a 19 tentativas de acerto, ou seja, até 50% das palavras grafadas de forma errada;
- foram considerados REGULARES os alunos que produziram de 20 a 29 tentativas de acerto, o que corresponde a até 75% do texto comprometido;
- foram considerados INSUFICIENTES os alunos que somaram mais de 30 tentativas de acerto, tendo mais de 75% de seu texto escrito de foram incorreta.
Quanto à análise textual, a produção dos alunos foi classificada como: - foram considerados ÓTIMOS os alunos que tiveram seus textos considerados como adequados em, no mínimo, 75% das categorias de análise;
- foram considerados BONS os alunos que tiveram seus textos classificados como adequados em até 50% das categorias de análise;
- foram considerados como REGULARES os alunos que tiveram seus textos considerados como adequados em até 25% das categorias de análise;
- foram considerados como INSUFICIENTES os alunos que tiveram um desempenho inferior a 25% nas categorias de análise textual estabelecidas nesta pesquisa.
Dessa contabilização foram retirados quatro alunos que, na avaliação inicial, não conseguiram ou se recusaram a escrever o texto sob ditado e produziram apenas palavras isoladas, sendo suas produções analisadas individualmente no item 5.1 (Estudos de casos).
Assim, a produção escrita de cada aluno na avaliação foi analisada individualmente, seguindo as categorizações ortográficas e textuais propostas acima e cada sujeito foi classificado globalmente a partir da quantidade de tentativas de acerto encontrada em seu texto.
Na execução do Programa, optou-se por iniciar os encontros com tarefas mais fechadas, realizadas em grupos de seis ou sete crianças, tendo sido mescladas em um mesmo grupo crianças consideradas ótimas, boas, regulares e com mais dificuldade, no intuito de que se auxiliassem mutuamente. A pesquisadora também lembrava insistentemente as crianças de que a participação de todos era muito importante para o resultado final do trabalho e que, dependendo da tarefa, um ou outro membro do grupo poderia apresentar mais ou menos dificuldade, sendo primordial que todos se ajudassem e que não houvesse discriminação de nenhuma natureza.
No início do trabalho, a divisão da classe em grupos foi motivo de grande divergência entre os alunos, que preferiam escolher seus companheiros de trabalho. No entanto, foi-lhes explicado que, para o trabalho que seria realizado, aquela era a melhor forma de organização, além de ser importante o relacionamento entre colegas que não estavam acostumados a trabalhar juntos.
Na execução das atividades, observou-se que, nos grupos, alguns alunos não participavam nem das tarefas em que predominava a comunicação oral, nem das demais, em que a escrita era o principal foco de trabalho. Por outro lado, muitas crianças eram bastante participativas e respondiam prontamente as questões propostas verbalmente ou por escrito. Dessa forma, na tentativa de promover um maior envolvimento de todos, a partir do décimo encontro, optou-se por realizar as atividades em duplas, compostas por uma criança com mais facilidade em leitura e escrita e outra que apresentava mais dificuldade.
Ao final de cada encontro, a pesquisadora registrava suas impressões sobre aquele trabalho num diário para posterior análise qualitativa dos dados. As atividades escritas produzidas pelos alunos também foram recolhidas e arquivadas.
4.3.6 Materiais e Procedimentos para a execução do Programa de Práticas