Honoré (cit. in Silva, 2006), descreve o cuidar por parte do enfermeiro como “uma maneira de se ocupar de alguém, tendo em consideração o que é necessário para que realmente exista segundo a sua própria natureza, ou seja, segundo as suas necessidades, os seus desejos, os seus projectos”. O mesmo autor defende que as acções do cuidar dividem-se em três tipos : «formar, educar e acompanhar»; «aliviar» e «satisfazer» e têm como principais objectivos a manutenção de vida e a promoção do bem-estar.
Para Pechevis (cit. in Pereira 2004), o sucesso do aleitamento materno, não depende só dos conhecimentos dos profissionais de saúde, mas também da sua atitude.
Os profissionais de saúde têm papel de educadores e é essencial que escutem de forma empática a mulher e que transmitam a informação que lhes pareça oportuna, exacta e actualizada. (Galvão, 2006).
Uma boa atitude por parte do enfermeiro, habilidades clínicas e de aconselhamento ajudam o enfermeiro numa boa actuação para promover a amamentação. Uma boa atitude implica saber ouvir, desenvolver confiança e dar apoio (Giugliani, 2000). Segundo este autor, as seguintes técnicas ajudam no sucesso do aconselhamento:
Comunicação não verbal, mostrando-se interessado (balançar a cabeça afirmativamente, sorrir), prestando atenção, mostrar-se disponível para ouvir e tocando na mulher de forma apropriada.
Perguntas abertas, dando mais espaço para a paciente se expressar.
Empatia, ou seja, mostrar às mães que os seus sentimentos são compreendidos.
Não usar palavras que soam como julgamentos.
Aceitar as opiniões e pensamentos das mães, mesmo não concordando com a mesma.
Elogiar a mãe e o seu bebé sobre o que estão a fazer, e assim aumentando a confiança da mãe e encorajando-a a manter práticas saudáveis.
Não dar todas as informações de uma vez, mas sim poucas em cada aconselhamento.
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Dar informações sobre todos os procedimentos e normas.
O enfermeiro acompanha as mulheres, tanto na fase pré-natal como após o parto. Desta forma desempenham um importante papel e são eles que acompanham a mulher na decisão da escolha entre leite materno e leite artificial. Assim, o sucesso do aleitamento materno está muitas vezes relacionado com a atitude do profissional (Santos e Sapage, 2005).
Também a OMS está de acordo que os enfermeiros têm um papel muito importante na promoção do aleitamento materno e devem actuar no período pré-natal, durante o parto, no período pós-parto e até o período de amamentar acabar.
Ventura (2001) considera que é no inicio da gravidez que o enfermeiro tem mais contacto com a grávida, tendo que aproveitar esse momento para a promoção do AM.
Reeder et al. (cit in. Silva, 2006) defendem que “ (…) o ideal é que o tema da alimentação seja discutido ainda durante a gravidez, pois durante este período haverá tempo e oportunidades para esclarecer dúvidas e tomar decisões que pareçam mais adequadas”.
Está comprovado que a preparação das mulheres para a lactação na fase pré-natal contribui para o sucesso do aleitamento materno, principalmente em mães que amamentam pela primeira vez (Giugliani, 2000). “ A decisão de amamentar é pessoal, mas o sucesso do aleitamento materno depende da informação e apoio que a mulher recebe no período pré e pós-natal” (Sousa e Bernardes, 2010).
Para Pereira (2006), o sucesso do AM é maior quando a educação sobre este tema começa na entrada da criança para a escola, continua em todos os graus académicos e se intensifica na gravidez, parto e pós-parto e enquanto a amamentação durar, variando a transmissão dos conhecimentos de acordo com o momento.
Colliére (cit. in Silva, 2006) defende que os enfermeiros são “uma ajuda muito preciosa” nos primeiros cuidados que a mãe presta ao RN. Nestes primeiros cuidados a atenção deve ser
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especial e requerem a presença de um enfermeiro, principalmente quando a mulher amamenta pela primeira vez. Neste caso, a atenção deve ser redobrada, pois naturalmente a sua dificuldade vai ser maior (Silva, 2006).
Tendo em conta que a alta hospitalar é dada cada vez mais precoce, é importante uma intervenção urgente por parte dos enfermeiros, no sentido de acompanhar a mãe e a família para as dificuldades do pós-parto. De acordo com Graça (cit. in Silva, 2006), é importante que os enfermeiros se desloquem ao domicílio para que possam actuar no meio em que o RN se desenvolve, ou seja, no seu contexto familiar. Assim, a visita domiciliária pode ser utilizado pelas mães como um recurso para minimizar as suas dificuldades.
A DGS (2002) defende que é importante
(…) Desenvolver os meios que possibilitem a visitação domiciliária, essencialmente pelo enfermeiro, pois esse é um elemento fundamental da vigilância da promoção da saúde, em particular, nos dias seguintes à alta da maternidade (…)
Assim, é importante a promoção dos cuidados realizada pelos enfermeiros na 1º Consulta de Vigilância do RN, onde várias temáticas são abordadas, entre as quais a amamentação.
De facto, é essencial redobrar o acompanhamento nas primeiras mamadas, no sentido de diminuir o stress da mãe e proporcionar um ambiente adequado, pois a atitude positiva e o equilíbrio emocional da mãe são fundamentais. O enfermeiro deve ouvir e esclarecer dúvidas e promover a autonomia materna (Santos e Sapage, 2005). Deve também informar os pais que a amamentação passa por um processo de aprendizagem, por vezes demorado em que o RN nascido e a mãe são os dois intervenientes e, por isso, devem trabalhar em conjunto (Silva, 2006).
Hagemann et al. (cit. in Pereira 2004), fizeram um estudo que demonstra o impacto da educação para a saúde sobre AM em diversas etapas. Este estudo foi feito seis semanas depois do parto e comprova que a informação e o apoio dado por parte dos enfermeiros tem “(…) um impacto positivo no sucesso do AM seis semanas após o parto.”
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Em 1998, Neifert (cit. in Pereira 2004), descreveu algumas estratégias para promover o aleitamento materno com sucesso: “a vigilância pré-natal com aconselhamento sobre o aleitamento; a implementação da Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés; ensino sobre a técnica correcta de amamentação e o seguimento da mãe-filho logo a seguir à alta.
A OMS em conjunto com a UNICEF emitiram um comunicado denominado “Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés”, que inclui dez medidas importantes para o sucesso do aleitamento materno. Estas medidas seriam implementadas nos serviços de saúde de forma a definir objectivos e estratégias, que atribuiriam a categoria “Hospital Amigo dos Bebés” a esses serviços de saúde. As dez medidas contempladas, são as seguintes:
1. Ter uma política de promoção de aleitamento materno, afixada, a transmitir regularmente a toda a equipa de cuidados de saúde.
2. Dar formação à equipa de cuidados de saúde para que implemente esta politica. 3. Informar todas as grávidas sobre as vantagens e a prática do aleitamento materno.
4. Ajudar as mães a iniciarem o aleitamento materno na primeira meia hora após o nascimento. 5. Mostrar às mães como amamentar e manter a lactação, mesmo que tenham de ser separadas dos
seus filhos temporariamente.
6. Não dar ao recém-nascido nenhum outro alimento ou líquido do além do leite materno, a não ser que seja segundo indicação médica.
7. Praticar o alojamento conjunto: permitir que as mães e os bebés permanecem juntos 24 horas por dia.
8. Dar de mamar sempre que o bebé queira.
9. Não dar tetinas ou chupetas às crianças amamentadas ao peito.
10. Encorajar a criação de grupos de apoio ao aleitamento materno, encaminhando as mães para estes, após a alta do hospital e da maternidade.
Em Portugal, vários hospitais e maternidades têm-se candidatado a HAB (Levy e Bértolo, 2008).
Actualmente, diversos estudos publicados comprovam a eficácia do programa IHAB, e indicam o aumento das taxas do AM exclusivo e o aumento da duração desta prática
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