6 SAMTYKKEVURDERINGEN
6.8 Barn og samtykke
Ao centrar os olhares sobre a cobertura telejornalística ao vivo, busca-se com esta pesquisa indicativos do modo como as alterações na temporalidade dos processos de produção e divulgação das notícias, possíveis graças aos avanços e à convergência da tecnologia, refletiram- se sobre conceitos-base da prática jornalística, como a credibilidade e a legitimidade. Desse modo, a Análise de Conteú do (AC) surge como um mé todo capaz de dar conta do problema de pesquisa apresentado e dos objetivos a serem alcançados.
De acordo com Laurence Bardin (1977), que sistematizou o conjunto de procedimentos da análise de conteúdo, a metodologia surge com dois objetivos primordiais: ultrapassar a incerteza sobre o objeto estudado e enriquecer a leitura, no sentido da descoberta de conteúdos que, a princípio, não apareceriam explícitos nas mensagens. A análise de conteúdo, segundo a autora, abriga diversos instrumentos de verificação, que vão possibilitar a articulação entre a descrição e a superfície dos textos, ou seja, aquilo que é visível e a dedução lógica dos fatores implícitos que determinam essas características.
A análise de conteúdo é um método muito empírico, dependente do tipo de ―fala‖ a que se dedica e do tipo de interpretação que se pretende como objetivo. Não existe o pronto-a-vestir da análise de conteúdo, mas somente algumas regras de base, por vezes dificilmente transponíveis. A técnica de análise de conteúdo adequada ao domínio e ao objetivo pretendidos tem que ser reinventada a cada momento, exceto para usos simples e generalizados. [...] A análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análise das comunicações. Não se trata de um instrumento, mas de um leque de apetrechos; ou, com maior rigor, será um único instrumento, mas marcado por uma grande disparidade de formas e adaptável a um campo de aplicação muito vasto: as comunicações (BARDIN, 1977, p.31).
Leal e Antunes (2011, p.17) destacam o quanto essa metodologia vem sendo utilizada ―quando se busca apanhar o(s) modo(s) como os veí culos noticiosos constroem os acontecimentos‖. Ao problematizar o uso da té cnica em pesquisas centradas no jornalismo, Herscovitz (2007, p. 127) compara a atividade do pesquisador com a de um detetive ―em busca de pistas que desvendem os significados aparentes e /ou implí citos dos signos e das narrativas jornalísticas‖. No percurso de interpretaç ão, o analista descreve as caracterí sticas do texto e , então, em um processo intermediário baseado na lógica, elabora inferências.
Enquanto mé todo, a Análise de Conteú do é estruturada em trê s partes : pré-análise; exploração do material e tratamento dos resultados obtidos; inferência e interpretação dos dados por meio da observação do corpus da pesquisa. A pré-análise consiste na organização da pesquisa propriamente dita. É a etapa, portanto, em que o investigador deve escolher os documentos a serem submetidos à análise, formular hipóteses, objetivos e indicadores que fundamentem a interpretação final de seu estudo. Nas palavras da autora, é um momento ―de intuições, que tem por objetivo tornar operacionais e sistematizar as ideias iniciais de maneira a conduzir a um esquema preciso de desenvolvimento das operações sucessivas em um plano de análise‖ (1977, p. 95).
Na fase da pré-análise deste estudo, foi lançado um olhar sobre todo o arquivo de coberturas que a emissora brasileira por assinatura Globo News disponibilizou em seu site5. A escolha pelo canal deve-se ao fato de ele dedicar grande parte de sua programação ao
telejornalismo ao vivo. Além disso, a emissora enfatiza em vinhetas e slogans o compromisso que tem com a agilidade de trazer as notícias aos seus telespectadores.
A Globo News passou a publicar diariamente trechos gravados de sua programação ao vivo na página online a partir da segunda quinzena de julho de 2015 — antes disso, somente alguns vídeos aleatórios eram disponibilizados, sem qualquer regularidade. Foi então verificado, a partir de uma leitura flutuante, todo o material publicado no site desde 15 de julho de 2015 até o fim do mesmo ano. Com uma amostra de envergadura numérica em mãos — o número de arquivos postados diariamente variou entre 20 e 40 — foi possível identificar vídeos que correspondiam a reportagens ou entradas ao vivo sobre assuntos pontuais, e também aqueles que faziam parte de uma cobertura jornalística mais extensa, de continuidade, que se prolongara por dias a fio. Assim, conseguiu-se fazer a primeira delimitação: ficou definido que se tentaria responder ao problema proposto por esta pesquisa a partir da cobertura jornalística dos atentados simultâneos em Paris, desencadeada na noite de 13 de novembro — o objeto desta pesquisa.
Foi então definido um corpus para ser submetido aos procedimentos analíticos: 91 arquivos de vídeo disponibilizados pela emissora em seu site entre 13 e 18 de novembro de 2015, período em que a cobertura dos ataques na capital francesa ganhou maior destaque na programação do canal. Na pré-análise também foi identificado o objetivo geral deste estudo: investigar de que maneira as mudanças nas configurações relativas ao tempo das transmissões telejornalísticas, possibilitadas pelo avanço e pela convergência das novas tecnologias, refletem- se em pilares básicos do jornalismo, como a legitimidade e a credibilidade. Entre os objetivos específicos, petende-se ainda apurar de que maneira o imediatismo foi incorporado pelas coberturas televisivas e aferir que contribuições ou prejuízos as possibilidades geradas com as novas tecnologias trouxeram para as transmissões jornalísticas na televisão.
Definiu-se, assim, que a análise teria de ser divida em duas partes: uma análise de caráter mais quantitativo teria de anteceder a análise qualitativa. Inicialmente, então, foram assistidos aos 91 arquivos da cobertura dos ataques terroristas com o objetivo de se fazer uma sistematização a partir de categorias relativas ao tempo das transmissões (ao vivo, gravado, tempo atual, tempo real), à mobilidade/local de onde foram realizadas (estúdio, casa, pontos externos ou local dos
fatos) e à tecnologia empregada (satélite, ligação por celular, streaming via computador ou streaming via celular). Os resultados obtidos com esta etapa foram analisados posteriormente de maneira qualitativa.
A análise qualitativa apresenta certas características particulares. É válida, sobretudo, na elaboração das deduções específicas sobre um acontecimento ou uma variável de inferência precisa, e não em inferências gerais. Pode funcionar sobre corpus reduzidos e estabelecer categorias mais discriminantes, visto não estar ligada, enquanto análise quantitativa, a categorias que dêem lugar a frequências suficientemente elevadas, para que os cálculos se tornem possíveis. [...] Em conclusão, pode-se dizer que o caracteriza a análise qualitativa é o fato de a ―inferência – sempre que é realizada – ser fundada na presença do índice (tema, palavra, personagem, etc.), e não sobre a frequência de sua aparição, em cada comunicação individual (BARDIN, 1977, p.115-116).
Para Bardin, uma das mais importantes etapas da análise de conteúdo qualitativa, é a escolha de categorias (classificação ou agregação), que permitem reunir maior número de informações às custas de uma esquematização. É em função da categorização, sugere Bardin (1977), que se tem a passagem dos dados brutos para os dados organizados.
A partir do momento que a análise de conteúdo decide decodificar o seu material, deve produzir um sistema de categorias. A categorização tem como primeiro objetivo (da mesma maneira que a análise documental) fornecer, por condensação, uma representação simplificada dos dados brutos. [...] A análise de conteúdo assenta implicitamente na crença de que a categorização (passagem de dados brutos a dados organizados) não introduz desvios (por excesso ou por recusa) no material, mas que dá a conhecer índices invisíveis, ao nível dos dados brutos. [...] Um bom analista será, talvez, em primeiro lugar, alguém cuja capacidade de categorizar – e de categorizar em função de um material sempre renovado e de teorias evolutivas – está desenvolvida (Bardin, 1977, p. 119). Para o desenvolvimento das categorias de análise, buscou-se respeitar a rigidez exigida pelo método. O desenvolver das categorias que serão apresentadas a seguir, fez-se a partir de uma leitura flutuante do corpus e das suposições e objetivos traçados para este trabalho. Como sugere Bardin (1977), foram consideradas cinco regras essenciais: exclusão mútua (um elemento pode existir em somente uma divisão), homogeneidade (todas as classes devem ser orientadas por um único princípio de classificação), pertinência (o sistema precisa estar de acordo com as hipóteses e objetivos do pesquisador), fidelidade (devem estar claros, desde o início do processo, os índices
que determinarão o ingresso dos elementos nas categorias) e a produtividade (as divisões devem produzir resultados férteis e, principalmente, dados exatos).
A partir da leitura analí tica e de anotaç ̃es sistemáticas, foram identificados tr̂s eixos que perpassam toda a discussão relativa ao tempo no processo jornalístico: legitimidade do conteúdo; credibilidade do jornalista; sensação de ubiquidade do telespectador. Esses conceitos circundam diferentes aspectos relativos ao problema proposto por esta pesquisa: o de se verificar os efeitos que as características relativas ao tempo, propiciadas pelo avanço e convergência das tecnologias, trouxeram para o processo telejornalístico. Conforme definido pela AC, as três perspectivas de análise estão ancoradas no aporte teórico desta pesquisa.
A seguir, será apresentado o mapa do objeto deste trabalho, bem como os argumento para a escolha dele. Depois, será detalhada a etapa quantitativa elaborada a partir do arquivo disponível da cobertura dos atentados em Paris. Por fim , serão realizadas a inferê ncia e a interpretação propriamente ditas.