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Este trabalho de intervenção/ investigação assenta no paradigma interpretativo – hermenêutico uma vez que se irá trabalhar com a realidade social, onde estão em causa diversos fatores, como motivações, desejos, angústias, capacidades e dificuldades. As metodologias qualitativas fundamentam-se neste paradigma na medida em que se baseiam numa estratégia de interação entre os intervenientes para poderem compreender e interpretar o comportamento humano. Assim e, como refere Ander-Egg (1990, p. 34), “as vivências de experiências que expressam a sabedoria popular, não só comportam o conhecimento da realidade que é motivo de estudo, como também ajudam os investigadores e promotores da compreensão dos problemas estudados”.

Com base nos objetivos traçados, optou-se pela abordagem qualitativa, uma vez que se busca uma compreensão particular do objeto em estudo, de forma a apreender a complexidade do fenómeno

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do aleitamento materno. A metodologia qualitativa caracteriza-se pela proximidade com o contexto e com o sujeito, que assume um papel participativo e ativo, inserido no seu contexto natural. Neste tipo de metodologia o investigador interessa-se mais pelo processo do que pelos resultados, não pretende fazer generalizações antes pelo contrário, particulariza para entender os indivíduos e os acontecimentos a ele inerentes. Como postula Bogdan &Biklen (1994, p. 16) “ […] a abordagem à investigação qualitativa não é feita com o objectivo de responder a questões prévias ou a testar hipóteses. Privilegia, essencialmente, a compreensão a partir da perspectiva dos sujeitos de investigação […] em função de um contacto aprofundado […] nos seus contextos ecológicos naturais.”

Apesar das especificidades inerentes à metodologia qualitativa e quantitativa, o cruzamento destas duas linhas complementares de investigação conduzirá a uma pesquisa mais fortalecida pela melhor compreensão da realidade. Assim, e como defende Fernandes (2009, p. 24) “O ideal é a aplicação de ambas, desta forma, o investigador conseguirá, além de uma melhor compreensão da realidade, ter a oportunidade de fazer o cruzamento das conclusões das diferentes análises”.

Neste sentido, a metodologia qualitativa foi predominante e transversal a todo o projeto, fortemente impulsionada pela participação ativa dos atores sociais. Assim, no âmbito qualitativo usaram-se as técnicas da entrevista semiestruturada, análise documental, observação direta e participante, notas de diário de bordo e conversas informais. A metodologia quantitativa foi aplicada, na avaliação dos inquéritos por questionário e na análise estatística dos dados, através das representações gráficas. De referir que a aplicação complementar destas metodologias possibilitou uma investigação/intervenção mais fortificada e completa.

A investigação qualitativa como forma de produzir conhecimento é hoje muito utilizada. A procura, por parte desta, de muitas verdades, ou seja, a “descoberta através de múltiplos modos de compreensão”, foi descrita por Streubert & Carpenter (2002, p. 18) e vai de encontro à importância destas metodologias.

O fenómeno do aleitamento materno enquadra-se numa metodologia qualitativa, dado que, ao tratar-se de uma experiência humana, subjetiva, ele reveste-se de múltiplas realidades e significados próprios, conforme os participantes. E como afirmam, Denzin e Lincoln (1994) citados por Streubert e Carpenter (2002, p. 2) “a investigação qualitativa possibilita encontrar respostas para questões centradas na experiência social, como é criada e como tal dá sentido à vida humana”.

67 4.1.2 Metodologia de intervenção / investigação

Tendo em conta o paradigma adotado, a metodologia deste projeto de investigação/ intervenção é a investigação – ação participativa por se considerar que é a que melhor se adequa ao âmbito do projeto, uma vez que se torna difícil conhecer a realidade social do público-alvo sem interagir com ele e levar os sujeitos a ter uma participação ativa na comunidade e maior autonomia no estudo.

Segundo Ander-Egg (1990), a investigação-ação participativa é um conjunto de procedimentos técnicos e operacionais que visam a busca de um conhecimento mais aprofundado da realidade social, implicando a população alvo como agente ativo nesse processo de transformação. Ainda segundo Ander-Egg (1990) para melhor compreendermos esta metodologia devemos começar por analisar os termos que a definem e a forma como se articulam entre si. Assim, a investigação enquanto processo reflexivo, controlado e crítico estuda a realidade social, com envolvimento dos atores sociais, no sentido de atuar sobre ela e a transformar. A ação permite aos intervenientes um conhecimento da sua realidade de modo a poderem alterá-la. Já a participação implica a contribuição conjunta dos investigadores, dotados de conhecimentos teóricos e metodológicos, e dos intervenientes com as suas vivências e experiências de vida.

A investigação-ação participativa constitui-se, portanto, como forma de democratização do saber, ao promover o intercâmbio de conhecimentos entre as partes, bem como o desenvolvimento da capacidade de atuação das populações. Fomenta, desta maneira, a participação das pessoas, cria condições de fortalecimento das organizações de base e pressupõe um projeto político e um modelo de sociedade a que Ander-Egg (1990, p. 33) apelida de “democrática e participativa”.

É um processo coletivo de pesquisa e intervenção sobre uma determinada realidade, visando a produção de conhecimento que possibilita uma modificação dessa mesma realidade social, com a participação ativa dos atores sociais, ou seja, esta metodologia consiste num trabalho cooperante entre o investigador e os atores sociais, pretendendo diagnosticar e solucionar um determinado problema social, isto é, a transformação da realidade por meio da inovação, bem como a formação de competências para uma mudança.

Esta metodologia é no fundo a que mais se adequa à educação de adultos, em que o próprio adulto se vê envolvido na sua autoformação, e o educador/investigador também tem um papel importante pois não poderá assumir uma postura de observador mas terá que viver as mesmas situações como membro integrante do grupo em estudo. Este deve saber trabalhar com a comunidade, fazendo com que os sujeitos se envolvam nas transformações sociais e culturais que poderão ocorrer, esforçando-se por fazer com que as pessoas se sintam integradas.

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A investigação- ação participativa parte do pressuposto de que a comunidade é o principal agente das mudanças sociais e apenas é exequível quando se verifica uma participação efetiva da comunidade, dado que é ela que promove tanto o desenvolvimento como a educação dos sujeitos. Possibilita a abertura aos três pilares básicos na intervenção comunitária: uma intervenção integrada, coordenada e globalizada, uma intervenção sistematizada e planificada, e uma intervenção baseada na participação da comunidade (Garcia& Sánchez, 1997)

A investigação-ação participativa define-se pelo seu objeto de estudo ser do interesse de um grupo ou comunidade. Não se trata de estudar algo com interesse científico para o investigador, mas de situações/ assuntos que sejam do interesse do público-alvo, que envolvam questões relativas à sua vida. Percebe-se, assim, que a investigação-ação participativa implica um trabalho conjunto entre investigador e público-alvo, implicando convergência de interesses e atuações, possibilitando uma constante reavaliação da intervenção, dada a complexidade dos intervenientes, para que os resultados pretendidos e previamente delineados sejam alcançados.

Os projetos de intervenção comunitária implicam uma intervenção integrada, coordenada e globalizada dado que o desenvolvimento tem de ser visto como algo complexo e integral. Defende ainda que:

“uma intervenção baseada na participação da comunidade, ou seja, um processo interactivo de conquista de autonomia por parte das populações que tomando consciência das suas próprias necessidades e rentabilizando as suas capacidades e recursos tomam a iniciativa de um processo de promoção das suas condições de vida. (Antunes, 2008, p. 84).

A metodologia de investigação-ação participativa desenvolve-se numa perspetiva emancipatória e não assistencialista pois ao investigador “ […] não cabe resolver os problemas mas, em conjunto com a população encontrar formas de resolvê-los” (Antunes, 2008, p. 88).

Ao trabalhar as questões relativas ao aleitamento materno, só uma intervenção baseada nesta metodologia seria a mais adequada uma vez que parte das reais necessidade da população e implica uma participação ativa proporcionando o seu desenvolvimento.

In document Årbokom menneskerettigheteri Norge 2009 (sider 165-176)