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BAR publikasjonsliste 2020 (183 publikasjoner)

In document Årsrapport - forskning 2020 (sider 47-56)

O grande desafio das sociedades atuais é a formação de cidadãos capazes de analisar criticamente as situações que os afetam, de forma mais ou menos próxima. (Martins et al., 2009, p. 11). Como tal, é muito importante que os cidadãos sejam cientificamente cultos, para assim, serem capazes de interpretar e reagir a julgamentos e opiniões tomadas por outros, de se pronunciarem sobre elas, de tomarem decisões informadas sobre assuntos que afetam as suas vidas e as dos outros, sendo desta forma, capazes de exercer uma cidadania ativa. Para que isso aconteça, é necessária uma educação em ciências desde cedo.

O projeto desenvolvido ao longo da Prática de Ensino Supervisionada I centrou-se na área do Conhecimento do Mundo, mais propriamente no domínio das ciências. Este projeto surgiu a partir dos interesses, curiosidades e dúvidas do grupo de crianças com o qual tive oportunidade de trabalhar e pretendeu: fomentar o gosto pelas ciências; estimular a curiosidade das crianças; favorecer a compreensão de fenómenos do mundo físico; promover a literacia científica; fomentar o trabalho colaborativo entre pares.

Através da realização deste projeto, as crianças tiveram oportunidades de realizar vários tipos de experiências, algo que não acontecia. Este projeto estimulou o desenvolvimento de várias capacidades nas crianças, tais como, a observação e a reflexão. Criaram-se ainda oportunidades para fazer previsões, debater ideias, tirar conclusões e, construir conhecimento. As várias atividades desenvolvidas deram a oportunidade às crianças de exploração de materiais, expressão de ideias e pensamentos e resolução de problemas. Como referem Kamii e Devries (1986), citadas por Peixoto (2005, p.86) “ As crianças devem ser activas, independentes, atentas e curiosas, devem ter iniciativa e confiança nas suas capacidades de solucionar qualquer problema, por si própria e de argumentar em defesa das suas ideias.”.

Procurei, sempre que possível, questionar as crianças quando tinham alguma dúvida para que, dessa forma, elas desenvolvessem o seu pensamento e tentassem procurar as respostas por si.

Procurei questionar as crianças e leva-las a pensar no porquê das coisas, dessa forma elas construíam o conhecimento através de si próprias e do seu pensamento.

O desenvolvimento deste projeto promoveu a curiosidade das crianças sobre fenómenos do mundo físico e, foi possível constatar que o grupo de crianças progrediu não só a nível dos

Considerações finais

46 conhecimentos científicos mas, também, ao nível da participação nas atividades. Como afirma Sá (2002), citado por Varela (2009), “desenvolve-se um impulso natural para a comunicação quando as crianças vivenciam experiências de aprendizagem verdadeiramente significativas para si, como podem ser as atividades de Ciências. Crianças geralmente apagadas e/ou desinteressadas mostram-se bastante ativas e comunicativas durante o desenvolvimento deste tipo de atividades.”. Isto foi possível constatar, principalmente, numa das crianças, que era bastante calada e calma. Nos momentos em grande grupo, e, quando desenvolvíamos as atividades, demonstrava muito interesse e, fazia vários comentários e observações sobre aquilo que estava a acontecer, chamando a minha atenção para tudo o que dizia e comentava.

Este projeto, para além de ter trazido benefícios para as crianças, trouxe outros tantos para mim pois, permitiu-me realizar várias aprendizagens profissionais. Ao realizar, na prática, um projeto de intervenção relacionado com as ciências, percebi a verdadeira importância do trabalho em torno deste domínio curricular com crianças em idade pré-escolar. Também me permitiu constatar a importância das intervenções do educador no desenvolvimento das atividades, algo que refiro no capítulo acerca do enquadramento teórico e que tentei seguir na minha prática.

Numa fase inicial, sempre que as crianças faziam alguma pergunta, a tendência era dar uma resposta imediata mas, com o desenrolar do projeto percebi que não o devia fazer e o porquê, como refiro acima. Desta forma, fui capaz de alterar as minhas intervenções tornando- as mais significativas para as crianças.

Uma das principais dificuldades que considero durante o meu estágio foi a fase inicial da intervenção pois, tinha de perceber os interesses, as curiosidades e as dúvidas do grupo, para que deste modo, fosse possível desenvolver um projeto significativo para as crianças. Com isto, não sabia como, através de conversas, de brincadeiras ou até de comentários iria conseguir obter informação para desenvolver um projeto.

Logo, o facto de ter realizado este projeto, foi importante para mim pois, permitiu-me perceber como é possível, através de um comentário, desenvolver um projeto ou uma atividade. Considero, que este projeto me preparou para o meu futuro enquanto Educadora pois, acredito que é de grande importância ouvir e perceber os interesses das crianças, para que, estas possam desenvolver projetos e atividades significativas e, com impacto nas suas aprendizagens.

Considerações finais

47 Outra das dificuldades relaciona-se com o tempo disponível para a realização das atividades. Todas as semanas, o infantário oferecia algumas atividades extracurriculares e, isso acontecia em momentos em que, normalmente, as crianças estavam a trabalhar em grande ou pequeno grupo. Logo, o tempo restante era limitado.

Devido ao facto de o espaço disponível ser reduzido, não era possível estar a fazer uma experiência com algumas crianças, enquanto outras trabalhavam no projeto de sala. Consequentemente, o tempo disponível para a realização das experiências era mais reduzido que o esperado. Isto levou a que não desse a devida continuidade a algumas atividades e, por vezes, à realização das experiências em condições menos favoráveis.

Apesar disso, penso que o trabalho desenvolvido teve um impacto positivo nas crianças, permitiu que elas desenvolvessem várias capacidades e, possibilitou também, a promoção do gosto pelas ciências.

Em suma, a realização deste projeto foi fundamental para o meu futuro como Educadora e, permitiu-me constatar na prática a teoria que aprendi. Tive oportunidade de refletir sobre a minha prática, perceber onde, quando e que erros estava a cometer e alterar certos comportamentos menos adequados.

Com a realização deste projeto, desenvolvi aprendizagens profissionais que, de outra forma, não seriam possíveis e melhorei a minha prática nomeadamente ao nível da observação das capacidades de aprendizagem das crianças. Percebi que as crianças são capazes de aprender conceitos aparentemente difíceis para as suas idades. Aprendi também, a importância de planificar atividades com significado para as crianças e observar o impacto que têm nas suas aprendizagens. Compreendi ainda a importância da experimentação, ou seja, de deixar as crianças tocar, manipular e explorar materiais.

Por fim, percebi que o educador deve estar bem preparado para todas as atividades que realiza, pois, não só deve conhecer toda a planificação que fez anteriormente, os conteúdos que irá trabalhar, para assim poder estar preparado para esclarecer as dúvidas e questões das crianças e sobretudo desafiar o seu pensamento. Graças a esta intervenção, sinto-me mais preparada para o meu futuro apesar de saber que tenho um longo caminho a percorrer em termos profissionais.

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