4.0 Alt kan ikke måles, noe må «males»
4.1.4 Baner
A segunda condução hidráulica que abastecia a cidade, conhecida atualmente como Rabo de Buey-San Lázaro, se originava a uns 5 quilômetros ao norte da cidade, onde se encontravam mananciais subterrâneos e correntes de água, nos prédios de Casa Herrera, Las Tomas e Valhondo, convenientemente canalizados, constituíam o
aporte fundamental para o duto. Também, no começo de seu percurso, igual como sucedia em Cornalvo, o duto foi alimentado por outras contribuições consideráveis, cujas as canalizações se conservam em parte (ÁLVAREZ MARTÍNEZ; ANTÓN; JIMÉNEZ, 1995).
Desta forma o aqueduto de San Lázaro recebia água de diversas fontes e arroios ao redor de Emerita Augusta. Atualmente a obra se encontra bastante destruída, mantendo conservado algumas seções, conhecidas como de Casa Herrena e a de Tomas. A capitação de Tomas termina num depósito, que cobre por 4 quilômetros uma galeria romana média de alvenaria. Junto à condução Tomas se une a de Casa Herrera, onde ambas conduções passavam a formar uma só corrente caudal, que através do aqueduto de San Lázaro abastecia Emerita Augusta. Os primeiros trechos do aqueduto são subterrâneos, mas para salvar o vale do rio Albarregas se levantou uma potente arcada dos quais só se conservam três pilares e dois arcos (ALMAGRO, 1961).
Mesmo encontrando-se atualmente incompleto e mais deteriorado que o aqueduto de Los Milagros, o aqueduto de San Lázaro também constituiu-se como uma obra grandiosa da arquitetura romana, medindo 1600 metros de comprimento. Os restos que se conservam da condução de água permitem que possamos perceber a viagem de 25 quilômetros que faziam as águas até chegarem próximo ao circo (GUITIAN, 1977). O aqueduto de San Lázaro, mesmo constituindo-se mais largo e baixo que o de Los Milagros, indica pela sua técnica construtiva e seus revestimentos que a obra fosse da mesma época que a do aqueduto de Los Milagros (ALMAGRO, 1961).
O aqueduto de 4 quilômetros de traçado encontra-se em bom estado de conservação e seus vestígios são espetaculares. De grande altura, a galeria principal foi construída em alvenaria com abóbada semicircular e cursos do mesmo material. De trecho em trecho se localizam aberturas de planta quadrada, fechadas com blocos de granito, que se complementavam com entradas que forneciam escadarias para auxiliar na limpeza do duto. O canal, specus, com largura de 0,60 metros apresenta- se coberto por uma camada de argamassa hidráulica (ÁLVAREZ MARTÍNEZ; ANTÓN; JIMÉNEZ, 1995).
O duto sobe para a altura da fazenda La Godina até que atinja o reservatório como Rabo de Buey, a área mais alta do atual bairro La Paz, onde provavelmente existiu uma câmara de decantação de impurezas ou piscina limaria. Infelizmente a
parte final deste trecho foi destruída, pode-se observar junto ao moderno duto os restos da antiga canalização. Todo o traçado, desde sua origem, foi reparado no final do século XIX para que a água seguisse chegando – como na época romana – à cidade, circunstância que se manteve até pouco anos atrás (ÁLVAREZ MARTÍNEZ; ANTÓN; JIMÉNEZ, 1995).
O obstáculo apresentado pelo vale do Albarregas foi salvo com a construção de elevados arcos que ligavam os pilares de sustentação do canal. A obra foi grandiosa, apresentava mais de 1 quilômetros de comprimento, embora hoje encontre-se muito destruída pela ação do tempo e por também servir de pedreira para seu aqueduto substituto construído no século XVI; mesmo assim, ainda apresenta persistentes e importantes ruínas romanas, como alguns pilares com seus arcos inferiores. As duas arcadas inferiores medem 3,85 metros de altura e seus três pilares ainda hoje alcançam 16 metros de altura. Igual as características do aqueduto de Los Milagros, o aqueduto de San Lázaro está construído com amplos cursos de blocos graníticos e cursos estreitos de ladrilhos, sendo deste material os arcos superiores que conduziam a água. A combinação de granito e ladrilho na construção proporcionaria beleza ao monumento. Sob o aqueduto corria a via que ligava Emerita Augusta com Toletum (Toledo) e Corduba (Córdoba) (ALMAGRO, 1961; Idem, 1995).
Figura 13. Alçado dos restos em ruínas do aqueduto de San Lázaro. Disponível em: <http://www.spanisharts.com/arquitectura/imagenes/roma/merida_sanlazaro_plano.jpg>.
Acesso em: 12/12/2014.
Na área denominada Casa do Anfiteatro encontra-se uma torre de decantação e distribuição de água, de planta retangular e construída com mistura de blocos de alvenaria e ladrilho, e coberta por uma abóbada também de ladrilho. Em seu interior, suas paredes estavam decroadas com pinturas. O monumento possuía altura máxima de 4,80 metros e largura de 2,30 metros (ÁLVAREZ MARTÍNEZ; ANTÓN; JIMÉNEZ, 1995).
A localização exata do castellum ou depósito terminal ainda constitui-se desconhecida, embora se suponha suas imediações. Ao escavar-se a casa de Las Torres, sobre a qual se construiu o Museu Nacional de Arte Romano, se achou um bom trecho do duto com ventilação, spiramen, de boa altura que se dirigia até a parte central da cidade e que fundamentalmente provia os edifícios de espetáculos do anfiteatro e teatro, estes que também foram alimentados pelo Cornalvo (Idem, 1995). Durante a Idade Média o aqueduto fora destruído, dos 100 arcos que possuía, hoje restam poucos, apenas dois arcos em forma de semicírculos e suportes de outros arcos superiores, de segmentos resistentes que apresentam a mesma construção, alternando o estilo emeritense de pedra granítica e ladrilhos. Acredita-se que sua altura não teria ultrapassado os 17 metros (GUITIAN, 1977).
No século XVI, em 1504, o duto se encontrava arruinado, a cidade determinou então construir outro aqueduto, o renascentista ou de San Lázaro – nome proveniente de uma capela demolida no século XX –, para que a água seguisse chegando sem problemas para a população. Seu traçado se faz paralelo ao romano e pode ser observado junto aos pilares existentes no vale do Albarregas. O aqueduto constitui-se como uma obra pouco prática, pois os dutos de tubos de barro, por onde se discorria a água, ao longo do tempo se fecharam pelos sedimentos e esta circunstância motivou sua inutilidade (ÁLVAREZ MARTÍNEZ; ANTÓN; JIMÉNEZ, 1995).