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1. Innledning og problemstilling

1.1 Bakgrunn 13

As novas exigências que vêm sendo apresentadas pelas atuais políticas educacionais, considerando como a educação para o século XXI, em especial para a educação científica dos estudantes e os questionamentos em torno da formação inicial, conduz a uma reformulação da formação inicial dos professores de Química. Uma das perspectivas que vem se consolidando pertinente a essa problemática consiste na Profissionalização da Docência. (RAMALHO, NÚÑEZ E GAUTHIER, 2003; MARCELO, 2012; IMBERNÓN 2010; GATTI, 1997).

As reformas educacionais que provocam mudanças educacionais são apontadas por Núñez e Ramalho (2008) como fator que vem tomando a “profissionalização docente” como uma categoria estruturante da atividade docente, ou seja, supõe uma formação voltada para o desenvolvimento de competências, saberes e habilidades para o ensino visando a uma educação de qualidade dos estudantes.

Segundo Ramalho, Núñez e Gauthier (2003), o termo “profissionalização” apresenta diversos sentidos, segundo os contextos específicos de seu uso, definindo-se pelas relações dialéticas das características objetivas e subjetivas que pautam os processos de construção de identidades profissionais. A profissionalização é uma forma de representar a profissão como processo contínuo/descontínuo ao longo da história da docência.

“A profissionalização é um movimento ideológico, na medida em que repousa em novas representações da educação e do ser do professor no interior do sistema educativo. É um processo de socialização, de comunicação, de reconhecimento, de decisão, de negociação entre os projetos individuais e os dos grupos profissionais. Mas é também um processo político e econômico, porque no plano das práticas e das

organizações induz novos modos de gestão do trabalho docente e de relações de poder entre os grupos, no seio da instituição escolar e fora dela”. (NÚÑEZ; RAMALHO, 2008).

A profissionalização da docência, segundo Ramalho e Núñez (2014), é uma forma de se conceber a atividade profissional dos professores, consequentemente, da formação inicial, como momento crucial no desenvolvimento da profissão.

Veiga (1998) faz uma afirmação que, nos dias hodiernos, ainda tem validade. Para a autora, a profissionalização não é um processo que se produz de forma endógena; pelo contrário, é um processo que envolve o esforço da categoria para efetivar mudanças na atividade profissional atrelada às finalidades e aos objetivos da educação, partindo de um “saber científico” próprio dos interesses comuns.

A profissionalização é definida por Ramalho e Carvalho (1944) citado por Nuñez, Ramalho e Gauthier (2003) como:

[...] o processo no qual uma ocupação organizada, normalmente, mas nem sempre, em virtude de uma demanda de competências especiais e esotéricas, e da qualidade do trabalho, dos benefícios para a sociedade, obtém o exclusivo direito a executar um tipo particular de trabalho, controlar a formação e o acesso, e controlar o direito de determinar e avaliar as formas de como realizar o trabalho. (NUÑEZ, RAMALHO E GAUTHIER, 2003.p.39).

Para os professores, uma nova visão de profissionalização se faz necessária, considerando-se a natureza social e educativa do trabalho. O professor constrói saberes, competências, não para uma autonomia individual ou competitiva, ou para um poder autoritário, mas para educar segundo perspectivas de socialização, ou seja, de favorecer a inclusão pelo saber, neste caso o conhecimento sobre leitura compreensiva.

Para Ramalho, Núñez e Gauthier (2003), a profissionalização apresenta dois aspectos, que constituem uma unidade: um interno, denominado profissionalidade, e outro externo, o profissionalismo. Assim, a profissionalização se estrutura em torno dessas duas dimensões, como elementos nucleares de construção de identidades profissionais.

4.1.2.A profissionalidade

Na visão de Marcelo (2009), a profissão docente é uma profissão do conhecimento em que o saber tem sido o componente legitimador da profissão docente. Dessa forma, a questão dos conhecimentos profissionais constitui elemento essencial na profissionalização desde a formação inicial dos futuros professores de Química.

Como estado e processo, Núñez, Ramalho e Gauthier (2003.p.53) definem a profissionalidade como “conjunto de características de uma dada profissão que tem uma natureza mais ou menos elevada segundo os tipos de ocupação”.

De acordo com Núñez e Ramalho (2008), o termo “profissionalidade” expressa ainda a dimensão relativa ao conhecimento, aos saberes, técnicas e competências necessárias à atividade profissional.

“Por meio da profissionalidade, o professor adquire as competências necessárias para o desempenho de suas atividades docentes e os saberes próprios de sua profissão. Ela está ligada às seguintes categorias: saberes, competências, pesquisa, reflexão, crítica epistemológica, aperfeiçoamento, capacitação, inovação, criatividade, pesquisa, dentre outras, componentes dos processos de apropriação da base de conhecimento da docência como profissão”. (NÚÑEZ; RAMALHO,2008).

O termo competência é entendido por Nuñez, Ramalho e Gauthier (2003.p.70) como a “capacidade manifestada da ação, para fazer com saber, com consciência, responsabilidade, ética, que possibilita resolver, com eficácia e eficiência, situações problemas da profissão”. A competência envolve saberes, habilidades, atitudes, valores, responsabilidades pelos resultados, orientada por uma ética compartilhada. A formação de competências é um processo complexo, que implica relações diversas entre os diferentes níveis de conhecimento, dos saberes, esquemas de ação, elementos efetivos, motores do contexto.

Pela profissionalidade, o professor adquire os conhecimentos necessários ao desempenho esperado em suas atividades. Isso implica, de um lado, a obtenção de um espaço autônomo, destinado ao professor, onde ele possa transitar com certa liberdade; de outro lado, um espaço onde a sociedade deva reconhecer seu valor e a necessidade de seu trabalho. Ao estudar o conhecimento profissional sobre a forma de ensinar os estudantes a ler de forma compreensiva, convém situar o referencial teórico na dimensão da profissionalidade.

4.1.3. O profissionalismo

Segundo Núñez e Ramalho (2008), o profissionalismo traduz a dimensão ética dos valores e normas, das relações, no grupo profissional, com outros grupos. É mais do que um tema de qualificação e competência; é uma questão de poder: autonomia, perante a sociedade, o poder político, a comunidade e os empregadores; jurisdição, perante os outros grupos profissionais; poder e autoridade, perante o público e as outras profissões ou grupos ocupacionais.

“É uma construção social na qual se situa a moral coletiva, o dever ser e o compromisso com os fins da educação como serviço público, para o público (não discriminatória) e com o público (participação). O profissionalismo se associa ao

viver-se a profissão, às relações que se estabelecem no grupo profissional, às formas de se desenvolver a atividade profissional”. (NÚÑEZ; RAMALHO, 2008).

Ademais, refere-se à reivindicação de um status distinto dentro da visão social do trabalho. Implica negociações, por um grupo de atores, fazendo com que a sociedade reconheça qualidades específicas, muitas vezes, complexas e difíceis de ser adquiridas, proporcionando, assim, não apenas certo monopólio sobre o exercício de um conjunto de atividades, mas também uma forma de prestígio. O reconhecimento de tal status está atrelado à ideologia dominante de uma sociedade, em determinada época, isto é, o reconhecimento pela sociedade.

No profissionalismo, se manifesta a autonomia do profissional e, nele, estão inter- relacionadas as categorias: remuneração, status social, autonomia intelectual, serviços, compromisso/obrigação, vocação, ética, crítica social, democracia, coletividade, etc.

Como sugerem Núñez, Ramalho e Gauthier (2003).

“O duplo aspecto da profissionalização, em suas dimensões interna (profissionalidade) e externa (profissionalismo), é um processo dialético de construção da identidade profissional e do desenvolvimento profissional que se articulam uma ao outro”. (NÚÑEZ, RAMALHO E GAUTHIER, 2003.p.53). Dessa forma, percebe-se o quanto essas categorias fazem parte da configuração da formação do docente, sendo, pois, dimensões que se completam para formar uma unidade, professor enquanto profissional.