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1. Innledning

1.3 Bakgrunn

Sendo o Homem um ser eminentemente social, a comunicação reveste-se de particular importância nas relações interpessoais e é parte integrante de todo o percurso de uma vida.

De acordo com a mesma autora, “A comunicação é um processo de troca, de partilha de informações e de sentimentos, que se desenrola num clima de abertura entre duas pessoas que se exprimem numa linguagem verbal e não-verbal.” (Phaneuf, 2001:VI).

A utilização da comunicação como ferramenta terapêutica revela-se de grande utilidade no estabelecimento de um clima de confiança, através da demonstração de empatia, apoio, escuta e respeito pelos valores do outro, revelando-se como impulsionadora da relação de ajuda e de confiança (Phaneuf, 2005)

Constitui, deste modo a base de todas as relações humanas, variando com a mensagem a transmitir e o contexto. Perante este pressuposto a comunicação pode ser vista como uma “…expressão de ajuda e compreensão que dá resposta à satisfação das necessidades humanas básicas, de ordem afetiva, moral, espiritual e social.” (Almeida, & Silva, 2004).

Os profissionais de enfermagem, para comunicarem eficazmente com os doentes/ famílias, precisam de ter conhecimento das técnicas de comunicação, e de desenvolver competências no domínio da relação de ajuda e de uma observação cuidada. Para que uma comunicação seja considerada eficaz, Sá (1999, p.27) define vários critérios que devem estar presentes: Simplicidade; Clareza; Momento e pertinência; Adaptação; Credibilidade; Congruência e Coerência” e que considero serem os essenciais na comunicação por telefone acrescentando- lhe ainda o tom de voz.

A Sócrates, filósofo grego, é atribuido o seguinte pensamento: “Fala para que eu te veja”, o que se traduz no saber comunicar através da escuta ativa, de modo a conhecer o outro e poder ajudá-lo, tendo sempre o cuidado de validar o que se transmitiu e adotando uma postura humilde e de disponibilidade. Talvez este seja o primeiro passo para assegurar o sucesso de um simples processo e o melhor resultado para o mesmo.

1 A pessoa é um ser social e agente intencional de comportamentos baseados nos valores, nas crenças e nos desejos da

natureza individual, o que torna cada pessoa num ser único, com dignidade própria e direito a autodeterminar-se. Os comportamentos da pessoa são influenciados pelo ambiente no qual ela vive e se desenvolve. (…) a pessoa tem de ser encarada como ser uno e indivisível.(CE,2001, p. 6-7)

A comunicação representa um pilar fundamental em saúde e constitui uma das ferramentas de trabalho dos enfermeiros. Em oncologia a comunicação não se cinge apenas às palavras, ela abarca uma vasta vertente na qual a linguagem corporal está implicada. Muitas vezes é através do comportamento não-verbal, que o enfermeiro demonstra a sua disponibilidade e interesse. Querido et al. (2006, p.358) referem-se à comunicação como “um processo dinâmico e multidireccional de intercâmbio de informação, através de diferentes canais sensório-percetuais (acústicos, visuais, olfativos, tácteis e térmicos) que permitem ultrapassar as informações transmitidas pela “palavra”. Sendo assim, dá oportunidade ao doente para expor os seus problemas, as suas preocupações e de explicar como se sente.

Na perspetiva de Bertone et al. (2007) a comunicação deve fazer parte integrante da prática do enfermeiro de modo a permitir garantir o sucesso dos procedimentos técnicos e da relação, binómio que compete para a melhoria qualidade de vida da pessoa que necessita dos cuidados de enfermagem.

Stefanelli (2005) considera a comunicação, uma das componentes básicas da área da saúde, referindo que o trinómio, comunicação, saúde e enfermagem se interpõem, de tal modo que não se pode falar em saúde e enfermagem sem nos reportarmos à comunicação. Acrescenta, que a comunicação é o eixo integrador entre os cuidados, ensino e pesquisa em enfermagem pois permite que o enfermeiro exerça a sua profissão como ciência e arte, de forma integrada, favorecendo a integração do ser pessoa como ser profissional. Considera-a também a essência do cuidado humano e fundamental na educação em saúde e principalmente essencial à saúde da pessoa. (Stefanelli (2005) salienta no entanto que a comunicação humana e terapêutica são distintas, enunciando a primeira “como um processo de compreender, compartilhar mensagens enviadas e recebidas, em que as próprias mensagens e o modo como se dá seu intercâmbio exercem influência no comportamento das pessoas envolvidas” e a segunda como a utilização da comunicação humana com o objetivo de ajudar o outro, desenvolvendo relações interpessoais construtivas. Na tentativa de ajudar a encontrar meios para manter ou restabelecer a saúde do doente, o enfermeiro faz uso da comunicação terapêutica de modo a identificar os problemas, com base na atribuição que o próprio doente faz dos significados dos factos que lhe sucedem.

Em oncologia, a comunicação é importante e árdua, implica o desenvolvimento de capacidades essenciais na relação estabelecida entre o enfermeiro e o doente/família onde se incluem o saber ser e o saber estar e simultaneamente consciencializar os sentimentos. Encerra princípios específicos, que Imedio (1998) citado Garcia (2002) diz permitirem que a comunicação seja simultaneamente assertiva e terapêutica: o respeito pelos direitos dos

doentes; a confidencialidade; dizer sempre a verdade; transmitir esperança; não ter medo de interagir a nível emocional; ter em atenção que a iniciativa é sempre do utente. Este último aspeto adquire destaque na medida em é o próprio doente que sabe o que precisa e quando é o momento em que se encontra preparado para abordar alguma questão, muitas vezes causadora de sofrimento e angústia.

Diz-nos Garcia (2002, p.23), que “Por vezes, podemos estar tão preocupados em abordar determinada questão que nem nos apercebemos do que realmente preocupa o doente”. Esta frase, adverte-nos para a importância de estarmos atentos e darmos a possibilidade ao doente de se exprimir. Este é um aspeto que deve caracterizar cada momento comunicativo durante a interação com o doente.

A comunicação é assim, um instrumento essencial para atender o doente de uma forma holística e a formação específica nesta área é, acima de tudo, uma obrigação ética e moral do enfermeiro, pois constitui uma estratégia terapêutica que, bem utilizada, pode promover a diminuição do sofrimento do outro.