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Bakgrunn for ICISS- rapport Responsibility to protect

In document Norsk luftmakt i Libya (sider 60-63)

4. Empirisk kartlegging av variabler

4.3. Humanitære normer (X2)

4.3.2 Bakgrunn for ICISS- rapport Responsibility to protect

Nesta seção, três produções textuais elaboradas no semestre de 2010.1 são expostas. Esses textos foram produzidos, presencialmente, a partir da leitura de um cartum que tinha como tema principal dois tipos de Educação: particular e pública. O cartum, apresentado na Figura 11, é reproduzido a seguir.

Figura 11.1: Cartum disponível na avaliação aplicada em 2010.1.

Vejamos os textos na íntegra.

ALUNO D

1Ao observarmos a charge podemos perceber que na mesma o acesso à educação pelas 2pessoas com condições sócio-culturais e financeiras desprestigiadas são morenas,

3pobres e sem conhecimento de seu “mundo” uma vez que a criança da escola 4particular de condições financeiras favorecidas, é bem vestida, senta-se na cadeira de

5forma correta, a cadeira e a mesa são bem conservada e suas ideias são representadas

7se preocupa com a postura, ou talvez por a cadeira e a mesa além de ser

8desconfortável, são mal conservadas, suas idéias são representadas por um tipo de

9lâmpada que funciona a querosene, ou além dessa última criança não ter condições e

10morar em um lugar que não possui energia elétrica, ela não tem incentivo a

11educação, nem a uma escola conservada de qualidade.

ALUNO E

1Ao vermos a charge nos dar a entender diversas coisas enfrentadas pela população, e

2uma das coisas é a própria educação, onde as diferentes classes de pessoas tendem a

3enfrentar, como explicita a charge. A minoria com acesso a escolas particulares, com

4maior reflexo de aprendizagem, representado pela luz de energia, pelo bem-estar, pela

5melhor comodidade, e pelas condições financeiras a essa classe oferecida. Enquanto

6do outro lado, a educação considerada menos desprestigiada: “A pública”.

7Considerada um verdadeiro caos. Onde o aprendizado quase não tem luz, como

8representado pelo lampião. O aprendizado, sente-se no escuro, incapaz, multilado

9pelas consequências a ele oferecido no âmbito escolar pela sociedade.

ALUNO F

1A charge registra duas situações: a) a forma como a educação particular é tratada,

2iluminada constantemente; b) a forma como a educação pública é tratada, iluminada

3de forma precária. Como vemos, os dois personagens vivenciam situações totalmente

4opostas, caracterizando fielmente como a educação é vista em nosso país.

5Uma coisa interessante em uma das imagens é a carteira quebrada, com remendas. E

6realmente é assim a educação pública: poucos investimentos na estrutura das escolas,

7falta apoio na formação profissional, falta de políticas claras que criem mecanismos

8de avaliar os profissionais da educação e o que fazer para que eles não venham ainda 9mais agravar esse câncer social, como também falta de políticas sociais eficazes,

Como vimos no início desta seção, nessa atividade são observados dois modelos de educação: público e privado. A partir da leitura dos três textos produzidos, constatamos que os alunos compartilham das mesmas informações acerca desses modelos de educação.

Quadro 3: Conceptualização de “ educação particular” e de “educação pública”.

EDUCAÇÃO PARTICULAR EDUCAÇÃO PÚBLICA

- a criança da escola particular de condições financeiras favorecidas, é bem vestida (Aluno D)

- ideias são representadas por uma lâmpada a energia (Aluno D)

- cadeira e a mesa são bem conservada (Aluno D)

- maior reflexo de aprendizagem (Aluno E)

- bem-estar (Aluno E)

- melhor comodidade (Aluno E) -iluminada constantemente (Aluno F)

- pessoas com condições sócio-culturais e financeiras desprestigiadas(Aluno D)

- a cadeira e a mesa além de ser desconfortável, são mal conservadas (Aluno D)

- suas idéias são representadas por um tipo de lâmpada que funciona a querosene (Aluno D)

- um verdadeiro caos(Aluno E)

- o aprendizado quase não tem luz, como representado pelo lampião(Aluno E)

- O aprendizado, sente-se no escuro, incapaz, multilado(Aluno E)

- iluminada de forma precária(Aluno F)

- a carteira quebrada, com remendas. E realmente é assim a educação pública: poucos investimentos na estrutura das escolas (Aluno F)

Através do quadro, podemos perceber a ativação de frames relacionados aos dois tipos de ensino, particular e público, sendo estabelecido o atributo categoria, o qual se relaciona diretamente ao esquema CONTÊINER. Dentro do CONTÊINER da

“educação particular”, mais uma vez o atributo categoria é ativado a partir do fragmento a criança da escola particular de condições financeiras favorecidas, é bem vestida (ALUNO D). Essa criança está inserida dentro da categoria de pessoas com condições financeiras mais estáveis. O CONTÊINER da “educação pública” também é constituído pelo mesmo atributo quando o ALUNO D insere os participantes do ensino público na categoria de pessoas com condições financeiras desfavorecidas: pessoas com condições sócio-culturais e financeiras desprestigiadas.

Figura 17: Educação particular/pública é CONTÊINER.

Os textos também revelam um conjunto de conhecimentos (frames) acerca da ambientação de escola, mais especificamente, do cenário. O ALUNO D enfoca alguns elementos que compõem a sala de aula, como as cadeiras e as mesas. Para a escola particular, temos a construção: a cadeira e a mesa são bem conservada [...]. Já para o cenário da escola pública, temos: a cadeira e a mesa além de ser desconfortável, são mal conservadas. O ALUNO F focaliza a precariedade do ensino público a partir do cenário a carteira quebrada, com remendas. E realmente é assim a educação pública: poucos investimentos na estrutura das escolas. Nesses casos, o atributo cenário é estruturado pelo esquema imagético de PARTE/TODO, os estudantes indiciam uma compreensão de ensino através de aspectos estruturais da sala de aula.

Figura 18: Cadeiras e mesas (partes) compõem o cenário sala de aula (todo).

Outro esquema que estrutura a construção da referência é o de ESCALA, uma vez que é a partir de nossas experiências corporais que conseguimos distinguir o que é confortável e desconfortável. A partir desse esquema também somos capazes de apreender que as coisas e os acontecimentos indicam determinados graus de intensidade, vejamos algumas expressões utilizadas pelo ALUNO E: maior reflexo de aprendizagem/bem-estar/ melhor comodidade. Esse esquema juntamente relacionado ao esquema PARTE/TODO estrutura o atributo taxonomia. Nos fragmentos citados no Quadro 3, podemos constatar a classificação do ensino particular e público a partir de um conjunto de elementos que possuem vários graus de importância desde a estruturação da sala de aula até o processo de aprendizagem.

No que concerne às relações vitais, percebemos em todos os textos a compressão da relação vital de parte-todo. No decorrer de suas produções, os ALUNOS E e F recorrem a mais elementos que compõem o cenário da sala de aula, como a sua iluminação, para construírem um entendimento acerca do cartum. Vejamos: ALUNO E: o aprendizado quase não tem luz / O aprendizado, sente-se no escuro; ALUNO F: a forma como a educação particular é tratada, iluminada constantemente. Nos trechos, há a compressão da relação vital de analogia estabelecida pelo esquema imagético de LIGAÇÃO, que possibilita uma comparação entre os elementos dos cenários e a estruturação dos ensinos. Constatamos que essa relação é instanciada a partir dos elementos apresentados no cartum, em que a educação pública é representada por um candeeiro que aparece apagado, enquanto a particular é associada à luz elétrica. No final de seu texto, o ALUNO F utiliza a expressão câncer social para referir-se aos problemas que ocorrem na educação pública brasileira. Na expressão, há uma analogia comprimida, uma vez que há uma LIGAÇÃO entre os elementos que compõem uma doença e o que está ocorrendo com o ensino público.

Figura 19: Esquema LIGAÇÃO entre doença e ensino público.

A expressão utilizada pelo ALUNO F, câncer social, está ligada à compreensão de que o ensino público sofre de uma doença em que há o crescimento desordenado de células infecciosas (problemas como falta de investimentos e de estrutura) que invadem os tecidos e órgãos (escolas estaduais e municipais), podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo (país).

Todas as construções linguísticas citadas em nossa análise constituem e articulam-se na construção das referências (modelos de educação). Observamos que os alunos recorrem com frequência aos elementos não verbais disponíveis no cartum para construírem os conceitos de educação pública e privada. Esses elementos ativam vários domínios cognitivos (frames, esquemas e relações vitais) que estão ancorados nas experiências desses estudantes.

Vale salientar que os domínios cognitivos que estruturam a construção da referência não são estanques. Eles são construídos e reconstruídos à medida que ocorrem mudanças em nosso entorno sócio-histórico-cultural. Na década de 70 do século passado, por exemplo, a educação pública era considerada a melhor, as pessoas que estudavam em escolas particulares eram conhecidas como aquelas que não acompanhavam o nível de ensino do modelo público. Atualmente, o ensino público é considerado um verdadeiro caos, como cita o ALUNO E. Dessa maneira, a referência não pode ser apenas considerada como um rótulo que corresponde a uma coisa ou evento, mas sim como algo construído a partir de uma atividade cognitiva que engloba linguagem, aspectos sociais e perceptuais.

In document Norsk luftmakt i Libya (sider 60-63)