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À REPOSIÇÃO FLORESTAL: UMA REPRESENTAÇÃO

A ocorrência da Araucaria angustifolia constituiu uma das características mais marcantes da vegetação florestal no planalto meridional do Brasil, ocupando uma área significativa (200.000 km2) abrangendo principalmente o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Situada em altitudes acima de 500 m e em clima sem período seco; ocorrência de quatro a seis meses frios e até três meses quentes durante o ano. Trata-se de floresta particularmente restrita ao Planalto, caracterizada por gregarismo como sucede com a

Araucaria angustifolia no estrato emergente, imprimindo à floresta um aspecto de floresta de

coníferas único. O pinheiro ocorre naturalmente em solos originários de diversos tipos de rochas, como granitos, basaltos e sedimentares. Entretanto, “em vários solos de campo” (EMBRAPA, 2001), as condições de solo que mais afetam o crescimento dessa espécie, são: deficiência de nutrientes, toxidez por alumínio e profundidade do solo, quando inferior a 1m. Lençóis freáticos a menos de 90 cm de profundidade tornam-se restritivos ao crescimento do pinheiro, mas não impedem a regeneração natural (BOLFINI et al., 1980).

A araucária é considerada uma espécie muito exigente em condições de fertilidade e física do solo, principalmente em relação à profundidade do perfil útil às raízes. Os solos mais adequados para seu cultivo seriam os Latossolos Vermelhos com horizonte A bem desenvolvido, altos teores de cálcio e magnésio, ou alta percentagem de saturação de bases, profundos, friáveis, porosos, bem drenados, com boa retenção de água e textura franca a argilosa (HOOGH, 1981). Devido ao tipo de raiz pivotante (pião), a araucária não aceita impedimentos para seu crescimento normal. Segundo Mattos (1994), o sistema radicular da araucária alcança, geralmente, 1,8m de profundidade, ocupando principalmente, a camada até 1,2m de profundidade, onde há maior fertilidade do solo e melhores propriedades físicas.

Os atributos do solo mais influentes na produção da araucária ainda não são conhecidos. A disponibilidade de nutrientes foram considerados com maior importância que a textura e profundidade (EMBRAPA, 2001). No entanto, a exigência em fertilidade química é contestada por cultivos em solos menos férteis quimicamente, como Cambissolo Húmico Alumínico (Cambissolo húmico textura argilosa) em Colombo (PR) (EMBRAPA, 2001), que possui condições físicas muito boas para o desenvolvimento vegetal e que poderiam compensar as deficiências químicas (ALBUQUERQUE, 2006)122. O plantio da araucária em solos de baixa fertilidade resulta em crescimento bastante irregular e lento e, a madeira produzida com qualidade inferior. Em áreas de solo raso, de piçarra, de pedregulho em quantidade, de lençol freático próximo da superfície, as raízes se atrofiam e morrem já ao final de 3 a 5 anos de idade (SANQUETTA E NETTO, 2000). O incremento volumétrico anual da araucária no sul do Paraná, área natural de ocorrência e de mesmo clima, variaram de 26m³/ha até 1m³/ha, discrepância atribuída às condições de fertilidade e de profundidade do solo (SANQUETTA E NETTO, 2000).

Nos plantios de araucária da Florestal Gateados, em Campo Belo do Sul (SC), foram constatados incrementos médios anual de 8m³/ha a 15m³/ha (BRDE, 2005). Os “agrônomos” não souberam definir com precisão a principal causa das variações de produção, porém, suspeitam de problemas relacionados à fertilidade e compactação do solo (BRDE, 2005). A EMBRAPA realizou plantio experimental a céu aberto, em Latossolo Roxo Álico, solos considerados mais favoráveis de Cascavel, no Paraná, em espaçamento 3m x 2m, a espécie apresentou aos 4 anos de idade altura média de 5,21m, altura média das árvores dominante de 6,16m, diâmetro de 8cm e sobrevivência de 97% (EMPBRAPA, 1986).

No sul de Minas Gerais, dentro de uma mesma propriedade, foram identificados bons plantios em solos de mata, com produção estimada de 18m³/ha/ano e plantios ruins em solos de campo, com produção estimada de 3m³/ha/ano, tendo também como causas dessa variação, as condições de fertilidade química e física do solo, principalmente a profundidade (GOLFARI apud EMBRAPA, 2001).

Figura 18 - Araucárias em campo sob solo considerado propício para florestal. Foto: Arquivo do autor, Painel/SC, 2006.

No sul do Brasil, os solos mais adequados para o plantio da araucária são os Latossolos Roxos Distróficos do oeste e sudeste do Paraná e do oeste de Santa Catarina, especialmente aqueles em que a floresta nativa foi recentemente derrubada, e com pH menor de 6,0 (HOOGH & DIETRICH, 1981; EMBRAPA, 2001). Por isto a exigência em solo é um dos aspectos mais problemáticos para reflorestamento com Araucaria angustifolia (BRDE, 2005), tanto em fertilidade química, quanto à profundidade e à compactação do solo (SANQUETTA e NETTO, 2000). As variações de produtividade da araucária são elevadas dentro de sua área natural, pois somente 25% da superfície desta área apresentam condições

economicamente vantajosas para o cultivo da araucária (GOLFARI apud CARVALHO, 1994).

Associados às florestas, os campos silvestres dominaram uma ampla área da região, marcada por temperaturas baixas e solos fracos. Solos rasos e lixiviados estariam entre as causas para ocorrência de déficits hídricos e dificuldade de fixação de vegetação arbórea. As áreas de topos de morro concentram estas condições para o desenvolvimento de campos de altitude (OLIVEIRA-FILHO et al., 1994). Estes solos poderiam ser lentamente colonizados por florestas e por isto, somente os solos e o clima não explicam porque as florestas não ocuparam uma extensa faixa de campos que se estende por 1000 km da Argentina ao Estado de São Paulo no Brasil (DEAN, 1996). De acordo com a intervenção antrópica, a degradação da vegetação resulta na degradação do solo, bem como a contínua perda de solo resulta em uma dificuldade crescente de recomposição natural da vegetação.

Todavia, em muitos locais ocupados por campos considerados nativos, as terras poderiam ter sido lentamente colonizadas por florestas, quando os atributos dos solos atuais e o clima dos últimos 1500 anos não expliquem a ausência de florestas.

Se os solos ocupados por florestas são os mais férteis, ou tornam-se mais férteis depois de ocupados por florestas, enquanto os solos ocupados por campo são mais fracos, a menos que tenham sucedido áreas desmatadas, a formação de campos silvestres livres de árvores em uma ampla área da região explica-se também pela exigência edáfica da araucária.

As fisionomias de campo rupestre e campo de altitude estão associadas aos solos rasos e jovens do alto das montanhas, enquanto em altitudes menores, nos solos mais antigos e profundos, ocorrem cerrados ou florestas condicionados à fertilidade e regime de água dos solos e freqüência de incêndios (OLIVEIRA-FILHO et al., 1994).