1. Introduction
1.3. Bacterial defense mechanisms
Uma primeira coleta de folhetos nos acervos foi realizada antes das entrevistas. Os critérios gerais para a escolha de que folhetos coletar estavam, principalmente, no período aproximado em que haviam sido publicados, na representatividade dos autores e editores e, em alguns casos, de títulos67. Após a realização da entrevistas, voltei aos acervos na busca dos folhetos que haviam sido citados, de maneira significativa, pelos leitores/ouvintes que entrevistei, e que ainda não faziam parte do corpus principal de análise. Nesse processo, algumas dificuldades foram encontradas, na medida em que os folhetos foram citados, em sua maioria, por personagem, por enredo e, em um menor número de casos, por título e por autor. No processo de construção do corpus que efetivamente analisei, utilizei, também, edições fac-similares de folhetos publicadas em antologias.
Em um primeiro momento, analiso um corpus formado de 109 folhetos68, a partir de determinadas categorias, algumas delas estabelecidas previamente a partir do contato com estudos sobre o impresso do ponto de vista de sua materialidade, e, outras, definidas posteriormente, a partir do trabalho empírico, cotidiano, de idas e vindas, com
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Para definir que autores, editores e títulos são considerados representativos, baseei-me em estudos e repertórios publicados sobre o tema.
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Dos 109 folhetos analisados, 104, publicados em Pernambuco, na Paraíba, no Ceará, na Bahia e em Sergipe, foram considerados como componentes do corpus principal da pesquisa. Seis folhetos foram analisados, mas considerados secundariamente – principalmente confrontados ao corpus principal – por terem sido publicados no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Os 109 folhetos analisados não indicam 109 títulos. Em muitos casos, foram analisadas mais de uma edição de uma mesma história.
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os folhetos analisados. Trabalho, neste estudo, com o total de folhetos que coletei, publicados a partir do início do século (1904) até a década de 1950 (1957). Na verdade, os títulos priorizados na coleta situaram-se, aproximadamente, entre 1925 e 1955. No entanto, folhetos anteriores a esse período e, eventualmente, posteriores, foram também analisados. Muitos folhetos (mais de 40% do total) não trazem data de publicação. No entanto, na grande parte dos casos, suas características externas permitem (destacando- se, entre outros, o modo geral de composição do impresso, o seu preço e o endereço do autor e/ou editor), senão uma localização precisa das datas em que foram editados, uma aproximação a elas. Assim, alguns folhetos, embora não datados, foram agrupados, para efeito de análise, entre outros da mesma década. O material com que trabalhei apresenta ainda algumas outras limitações, como, por exemplo, a impossibilidade de análise do papel da capa (quanto à cor, quanto à espessura ou quanto ao tipo, por exemplo) e do papel utilizado no miolo do texto, na medida em que utilizei-me, na maioria dos casos, de fotocópias dos originais e, em outros, de edições fac-similares, publicadas principalmente pela Fundação Casa de Rui Barbosa69. Poemas publicados em antologias foram, em razão da especificidade desse estudo, interessado sobretudo nos aspectos materiais do impresso, não considerados. Apesar dessas limitações, considero o corpus de folhetos com que trabalhei, embora não exaustivo e talvez não representativo, significativo para o tipo de análise escolhida no estudo, na medida em que contempla os principais autores e editores de folhetos, apontados pela bibliografia sobre o tema. Os pesquisadores que têm trabalhado com literatura de cordel sabem das grandes limitações existentes para a identificação dos títulos publicados em um determinado período, em conseqüência da dispersão dos acervos (muitos dos quais particulares), da dificuldade da tarefa de identificação exata da data de publicação e da autoria dos folhetos e da quase ausência de repertórios analíticos sobre o tema.
No decorrer da pesquisa, foi tornando-se evidente que, quanto mais pudesse estabelecer comparações entre os impressos (no interior do corpus e fora dele, como tentarei demonstrar nos próximos capítulos), mais elementos teria para compreender os leitores/ouvintes que buscava caracterizar. Na medida em que o objetivo do trabalho, nesse primeiro capítulo, era principalmente o de levantar certas hipóteses no que se
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Na Bibliografia do final da tese, indico os acervos ou edições fac-similares onde os títulos foram pesquisados.
refere à constituição, permanências e transformações do público leitor/ouvinte do gênero cordel, não considerei relevante o fato de os títulos terem sido citados nas entrevistas.
A análise foi feita a partir de uma descrição minuciosa das características materiais dos folhetos70, que foram agrupados por década, a partir das datas (em muitos casos, aproximadas) de publicação. Quis, com esse procedimento, obter uma visão geral das permanências e transformações observadas nesse gênero de impresso, no decorrer do tempo. Foram considerados dados importantes: título; autor; editor; data e local de publicação; local de venda; preço; número de páginas; número de poemas por folheto; número de estrofes do(s) poema(s); disposição das estrofes na página; presença ou ausência de outras páginas, no folheto, sem poemas; gênero do(s) poema(s); tamanho (medida) do folheto; características gerais da capa (destacando-se, na análise, a presença ou ausência de desenhos, gravuras ou clichês e a técnica utilizada para sua confecção), da contra-capa e da quarta-capa; disposição gráfica da primeira página; presença ou ausência de referências a direitos autorais; tipos gráficos utilizados; presença ou ausência, no interior do texto, de certos caracteres gráficos, como vinhetas e clichês; denominações dadas, pelo editor ou autor, ao próprio folheto; disposição das maiúsculas e minúsculas no início de cada verso do(s) poema(s). A análise realizada, descrita no primeiro capítulo do trabalho tem, assim, uma natureza predominantemente quantitativa.
Três hipóteses principais quanto às características dos leitores/ouvintes visados pelos autores/editores de folhetos ao longo do tempo foram-se delineando no decorrer da pesquisa. A primeira diz respeito ao grau de escolarização e ao pertencimento social do público. No início de sua história, os folhetos pareciam visar, primordialmente, um público com um grau médio de escolarização e pertencente, primordialmente, às camadas médias. A partir de meados dos anos 30, principalmente, o público leitor visado pelos autores e editores é composto, principalmente, de pessoas analfabetas e semi-alfabetizadas: há uma “popularização” do público. É nesse momento que se montam redes de distribuição e o editor deixa de ser exclusivamente o poeta: o folheto
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Os folhetos foram agrupados, por data aproximada de publicação, em dez grandes quadros, que descrevem as características observadas.
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torna-se um impresso de “larga circulação”71. A segunda hipótese refere-se ao pertencimento rural ou urbano do leitor/ouvinte. Os folhetos pareciam destinados, em suas origens, a um público primordialmente urbano (mesmo que seus autores fossem, de modo geral, de origem sertaneja e que uma parcela significativa da população urbana fosse constituída de migrantes). Aos poucos, os folhetos “voltam” às pequenas cidades e comunidades rurais do interior do(s) Estado(s). Finalmente, a terceira hipótese diz respeito às maneiras de ler: aos poucos, a leitura em voz alta (a oralização do texto se reflete na materialidade do impresso) vai-se tornando generalizada. A leitura silenciosa, que co-existia com a leitura oralizada72 nos primórdios da história do cordel, parece, aos poucos, tornar-se menos importante. Essas três hipóteses que, em linhas gerais, foram confirmadas, ao mesmo tempo em que emergiram, em grande medida, da análise dos dados foram-se tornando, a partir de um determinado momento, também guias da análise.
No segundo capítulo desta parte do trabalho, no estudo dos textos, busquei analisar, a partir de alguns elementos, quem eram os leitores/ouvintes de folhetos visados notadamente pelo autor dos poemas. Em outras palavras, ao proceder à análise dos textos, buscava insistentemente respostas àquela que se tornou a principal questão norteadora do estudo: a quem interessaria ler/ouvir histórias daquele tipo nas décadas de 30 e 40? Ou seja, que tipo de leitor o autor e o editor tinham em mente quando produziam os poemas73? Algumas categorias consideradas importantes para a melhor compreensão de quem era o público leitor visado pelo autor e editor de folhetos emergiram do contato com pesquisas realizadas no âmbito da história cultural, com a bibliografia especializada sobre folhetos, com estudos sobre o “leitor modelo”74 e com
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Essa expressão tem sido utilizada em vários estudos realizados no âmbito da História Cultural, em lugar da expressão “popular”. Ver, entre outros, Roger Chartier (org), 1996.
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Mesmo nos círculos eruditos, até as primeiras décadas do século, era mais comum ouvir do que ler poesia.
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No início da análise descrita nesse capítulo do trabalho, por muitos momentos, buscava abstrair os rostos e os gestos dos leitores/ouvintes que entrevistei. Aos poucos fui percebendo que esse procedimento nem sempre era possível nem, necessariamente, auxiliava na tarefa de melhor compreender os leitores impressos nos textos. Pelo contrário, em muitos momentos, as entrevistas me forneceram mais elementos para que pudesse entender os leitores visados pelo autor e/ou editor.
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Refiro-me, sobretudo, aos trabalhos de Umberto Eco (como Eco, 1986/1979 e 1994). Para o autor, os termos “autor” e “leitor modelo” devem ser entendidos como tipos de estratégia textual: “Dissemos que o texto postula a cooperação do leitor como condição própria de atualização. Podemos dizer que o
texto é um produto cujo destino interpretativo deve fazer parte do próprio mecanismo gerativo. Gerar
trabalhos que investigam as relações entre oralidade e letramento75. Embora não possa
– como, aliás, em qualquer estratégia. (...) Por conseguinte, preverá um Leitor-Modelo capaz de cooperar para a atualização textual como ele, o autor, pensava, e de movimentar-se interpretativamente conforme ele se movimentou gerativamente.” (Eco, 1986, p.39).
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Os estudos que buscam investigar as relações que se estabelecem entre oralidade e letramento emergiram, sistematicamente, no início dos anos 60. Eric Havelock (1995) localiza, entre os anos 1962 e 1963, quatro publicações fundamentais que contribuíram para a constituição desse novo campo de pesquisas. Esses trabalhos, versando sobre temas diferentes e originários de países diversos, tinham em comum o fato de colocarem a oralidade em destaque: em 1962, foram publicados The Gutenberg
Galaxy, de McLuhan, no Canadá, e La pensée sauvage, de Lévi Strauss, na França; em 1963, Jack
Goody e Ian Watt publicaram o artigo The consequences of literacy na Inglaterra, e Eric Havelock publicou Preface to Plato nos Estados Unidos. Mais recentemente, em 1977, Jack Goody publicou
The domestication of the savage mind (1977). Para Havelock (1995), naquele momento, as próprias
transformações por que passavam os meios de comunicação contribuíram para que a palavra oral fosse (re)considerada objeto de estudo de destaque. Na mesma direção, Walter Ong (1982) situa nas décadas de 60 e 70 um movimento acadêmico de (re)descoberta da oralidade como objeto de estudo. Os trabalhos realizados nesse período, em diversas áreas de conhecimento – como a Antropologia, a Sociologia e a Psicologia –, enfatizaram o caráter oral da linguagem e as profundas implicações, em todos os níveis, da introdução da escrita em culturas tradicionais. Muitas dessas pesquisas debruçaram-se, através de trabalhos de campo, sobre sociedades ainda orais, buscando vestígios daquilo que se convencionou denominar oralidade primária: “melodias, cantos, epopéias, danças, exibições e músicas, ainda preservados oralmente e transmitidos de geração a geração entre as sociedades tribais...” (Havelock,1995). De maneira semelhante, Cook-Gumperz e Gumperz (1981) situam as origens das pesquisas sobre os efeitos culturais do letramento nos estudos de folcloristas e pesquisadores da área de literatura que investigaram os processos através dos quais os grandes épicos eram transmitidos nas sociedades não letradas, como é o caso dos trabalhos de Albert Lord (1960) e Havelock (1963). Na avaliação de Ong (1982), pode-se considerar a emergência desses estudos com preocupações semelhantes em um mesmo período histórico como um movimento de (re)descoberta da oralidade, na medida em que já Saussure apontava o caráter oral da linguagem. Do mesmo modo, trabalhos de antropólogos estruturalistas realizados anteriormente haviam analisado a tradição oral em sociedades sem escrita em detalhes. Para Ong (1982), a “novidade” dos estudos mais recentes estava na preocupação dos pesquisadores em contrastar, realizando oposições, a oralidade e escrita, em diversos níveis. Nesse sentido, diversos autores (por exemplo, Ong,1982 e Havelock,1995) citam o trabalho de Milmam Parry, realizado na área de estudos literários, ainda nos anos 20 na Iugoslávia, como um dos marcos iniciais desse novo campo de estudos. Na tese L’epithète traditionelle dans
Homère, publicada em Paris em 1928, Parry analisou a Ilíada e a Odisséia, trabalho que teve
prosseguimento através de seu discípulo Albert Lord que, em 1960, publicou The single of tales. Naquele momento, Lord divulgou o material que Parry havia recolhido entre os bardos, realizando uma análise dos cantores tradicionais iugoslavos. Havelock (1995) cita ainda diversos outros trabalhos que antecederam a década de 60 e que, de algum modo, já realizavam esse contraste entre oralidade e escrita como, por exemplo, Ramus: method and decay of dialogue, de Walter Ong, publicado em 1958. A realização de estudos pondo em evidência as diferenças entre a oralidade e a escrita provocou também um novo interesse pela palavra escrita e seu principal suporte contemporâneo: o texto impresso e, em particular, o livro. Nessa direção, destacam-se algumas obras que centraram suas análises nas conseqüências da palavra escrita e impressa em sociedades e épocas determinadas, como é o caso de L’apparition du livre, de Henri-Jean Martin e Lucien Febvre, publicado em 1958, e The
printing press as an agent of change: communication and cultural transformation in early modern Europe, de Elizabeth Eisenstein, publicado em 1979. Os efeitos da introdução da escrita e da imprensa
em sociedades não letradas têm sido, pois, uma das principais questões que norteiam o campo de estudos sobre as relações entre oralidade e letramento. Segundo Havelock (1995), o desenvolvimento crescente, a partir dos anos 60, de pesquisas no campo de estudos que investiga as relações entre o oral e o escrito, coloca, na atualidade (o texto foi escrito em 1987), os conceitos de oralidade e de oralismo em uma situação diferente da que tinha anteriormente, ganhando maior importância acadêmica. Esses conceitos, segundo o autor, contribuem para a caracterização de sociedades que, dispensando o uso da escrita, têm se valido da linguagem oral em seus processos de comunicação. As expressões têm sido utilizadas também para identificar um certo tipo de consciência, supostamente
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ser caracterizada como uma narrativa oral, a literatura de folhetos traz, necessariamente, mesmo que consumida em um meio urbano e com forte presença da escrita, grandes “resíduos de oralidade”76. As relações entre oralidade e escrita parecem, pois, perpassar os diversos aspectos da produção, edição, circulação e recepção dos folhetos de cordel. Nesse sentido, os estudos citados contribuíram para a melhor elucidação do aspecto oral impregnado nos textos.
Por outro lado, outras categorias emergiram do próprio contato, paciente, minucioso, cotidiano, com o material empírico. O que apresento no segundo capítulo, como resultado dessa análise, é, sobretudo, como busquei fazer no capítulo anterior, o levantamento de indícios de quem era esse público leitor de folhetos. Inicialmente, busquei detectar marcas da oralidade (como a presença do discurso direto em relação ao indireto na construção do texto; o uso e a importância conferida aos adjetivos na elaboração do poema; a presença do elemento mítico-religioso; a questão da proximidade ou não com o interlocutor/leitor; a utilização de um dialeto oral regional nas histórias, etc.). Busquei também indicações, nos textos, sobre a “enciclopédia” do leitor77 esperada pelo autor e/ou editor e busquei levantar hipóteses acerca do tipo de raciocínio ou operação exigidos do leitor para que ele pudesse fazer uma leitura fluente, sem maiores dificuldades (foram consideradas, nesse caso, sobretudo, as antecipações e inferências, no “caminho narrativo”, impostas pelo texto ao leitor suposto)78. Na análise
criada pela oralidade (Havelock,1995). Essas preocupações têm sido centrais nos estudos realizados nesse campo.
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Expressão utilizada por Ong (1982).
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A expressão é de Umberto Eco: “Os meios são muitos: a escolha de uma língua (que exclui obviamente quem não a fala), a escolha de um tipo de enciclopédia (se começo um texto com [como já está claramente explicado na primeira Crítica...], já reduzi, e bastante corporativamente, a imagem do meu Leitor-Modelo), a escolha de um patrimônio lexical e estilístico... Posso fornecer sinais de gênero que selecionam a audiência: [Queridas crianças, era uma vez um país distante...]; posso restringir o campo geográfico: [Amigos, romanos, concidadãos!]. Muitos textos tornam evidente o seu Leitor-Modelo, pressupondo apertis verbis (perdoem-me o oximoro) uma específica competência enciclopédica.” (Eco, 1986, p.40).
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Mais uma vez, Umberto Eco auxilia a melhor compreender essas questões: “Assim o leitor, como primeiro movimento para poder aplicar a informação que lhe foi fornecida pelos códigos e subcódigos, assume transitoriamente uma identidade entre o mundo a que o enunciado se refere e o mundo da própria experiência, tal qual é refletido pelo dicionário de base. Se, à medida que a atualização procede, se descobrem discrepâncias entre este mundo da experiência e aquele do enunciado, então o leitor realizará operações extensionais mais complexas.” (Eco, 1986, p.59). Mais adiante, ao falar sobre as “encenações comuns”, o autor prossegue: “Portanto, as encenações ditas ‘comuns’ fornecem ao leitor a sua normal competência enciclopédica, que partilha com a maior parte dos membros da cultura a que pertence e em sua maioria são regras para a ação prática. (...) As encenações intertextuais, pelo contrário, são esquemas retóricos e narrativos que fazem parte de um
dos textos dos folhetos, outras fontes foram utilizadas com o objetivo de melhor compreender os próprios textos dos poemas. As memórias e romances, por exemplo, permitiram uma identificação aproximada do que fazia e do que não fazia parte do universo cotidiano das pessoas na época, o que foi fundamental principalmente na análise da “enciclopédia do leitor”79. Por outro lado, a comparação de certos aspectos dos textos analisados com contos populares, literaturas ou manifestações populares tradicionais que circularam no Brasil e em outros países permitiu uma aproximação daquilo que a princípio parece estranho, mas, na verdade, é universal.