O sexto e último ponto amostrado localiza-se no Jardim Nova Esperança (Figura 64), entre as coordenadas 22K 0678062/8159689, denominado genericamente de ponto 6.
Camada Areia muito grossa (g.kg-1)
Areia grossa
(g.kg-1) Areia média (g.kg-1) Areia fina (g.kg-1) Areia muito fina
(g.kg-1)
A 78,16 146,37 227,79 352,85 183,50
B 126,46 223,89 276,94 281,24 83,32
C 73,76 172,07 247,63 301,65 178,17
Tabela 18: Resultado do fracionamento da areia no depósito tecnogênico coletado no Jardim das Hortênsias
Figura 64: Mapa com a localização do ponto de coleta realizada no Jardim Nova Esperança em Goiânia (GO)
Conforme Moysés (2001), o Jardim Nova Esperança é resultado de um longo processo de lutas que assume características diferenciadas no tocante à busca de uma solução para a questão da moradia em Goiânia. Processo este iniciado por um grupo de famílias à procura de uma forma alternativa para resolver os problemas relacionados à moradia, visto que, em sua grande maioria, viviam de aluguel, e suas rendas eram insuficientes para bancar o conjunto de despesas com alimentação, saúde, transporte e, principalmente, com moradia.
O Jardim Nova Esperança era uma área abandonada na periferia de Goiânia, antes chamada de “Fazenda Caveirinha”, à época completamente desocupada e usada pela Prefeitura como depósito de lixo. Logo que se divulgou a notícia de que uma grande área estava sendo ‘invadida’, famílias inteiras de trabalhadores de diversos pontos da cidade, pagando aluguel ou simplesmente tentando sobreviver embaixo de pontes ou às margens dos córregos que cortam a cidade, nas piores condições possíveis, para lá se dirigiram e apossaram-se daquele espaço, até então ocioso. (MOYSÉS, 2001, p.5)
Ainda segundo o autor, enquanto os moradores iam construindo seus barracos, com materiais que variavam desde a alvenaria até papelão e plástico, e instalavam um mínimo de estrutura na área invadida, através do arruamento, da delimitação do tamanho dos lotes e dos
espaços destinados à escola, ao posto de saúde, à igreja, à casa de reuniões, paralelamente, pretensos donos começaram a aparecer, sobretudo empresas agropecuárias e de produtos químicos instaladas em áreas adjacentes, reivindicando para si o direito de propriedade.
Assim, o Jardim Nova Esperança foi pioneiro no parcelamento do solo na região noroeste, de modo a estar, já na década de 90 (Figura 65), completamente consolidado.
Na atualidade, o Jardim Nova Esperança (Figura 66) desempenha papel de centralidade na região noroeste, dada sua significativa participação na economia local, através do comércio e da oferta de serviços que até período recente eram ofertados apenas no centro da capital. O bairro conta na atualidade com infraestrutura urbana em sua totalidade, incluindo pavimentação asfáltica e saneamento básico, segundo informações da Prefeitura Municipal.
Figura 65: Vista geral do entorno do ponto de coleta no Jardim Nova Esperança no ano de 1992
Fonte: DVDOC/SEMDUS/Prefeitura de Goiânia
Jardim Nova Esperança
O ponto amostrado no Jardim Nova Esperança localiza-se às margens do ribeirão Caveirinha, alguns quilômetros à montante do ponto coletado no Setor Chácaras Maria Dilce (ponto 3), nas proximidades do Parque Nova Esperança (Figura 67), empreendimento construído pela Prefeitura de Goiânia. As obras para a construção do parque responderam por inúmeras intervenções na área, entre elas a retirada e movimentação de terra, demolições de áreas construídas, delimitações de dois lagos, além da abertura de ruas feitas pela Agência Municipal de Obras (AMOB).
Figura 66: Visão geral do Jardim Nova Esperança em Goiânia (GO), com indicação do ponto de coleta
Vila Finsocial
Fonte: Google Earth, data da imagem: 09/04/2013
Fonte: Acervo pessoal do autor
Figura 67: Vista parcial do Parque Nova Esperança no Jardim Nova Esperança
Jardim Nova Esperança
No ponto de coleta (Figura 68) não foi possível a inserção do testemunhador considerando o grau de compactação das camadas e a resistência oferecida pelos materiais tecnogênicos, em sua maioria, materiais úrbicos (Figura 69).
Figura 68: Depósito tecnogênico no Jardim Nova Esperança em Goiânia (GO)
Fonte: Acervo pessoal do autor
Figura 69: Materiais úrbicos encontrados na amostra coletada no Jardim Nova Esperança
Depósito tecnogênico construído Ribeirão Caveirinha
Assim como realizado nos demais pontos de coleta, a amostra foi submetida ao peneiramento para separação do material tecnogênico e, na sequência, realizada a análise granulométrica e o fracionamento da areia, cujos resultados constam nas Tabelas 19 e 20, respectivamente, a seguir.
No tocante aos materiais tecnogênicos, a amostra coletada no Jardim Nova Esperança se assemelha com os materiais coletados no Residencial Privê Norte (ponto 4) e no Jardim das Hortênsias (ponto 5), excetuando o fato de não ocorrerem materiais gárbicos. Do ponto de vista granulométrico, predomina a fração areia, com maior participação da fração argila quando comparado ao ponto 5 e menor em relação ao ponto 4. Este fato, acrescido das intervenções antrópicas (remobilização e compactação), pode ser explicativo da resistência oferecida pelo material durante as tentativas de inserção do testemunhador.
Ressalta-se também a instalação da cobertura vegetal, situação semelhante ao ocorrido no ponto de amostragem no setor Chácaras Maria Dilce. Tal fato pode ser indicativo do tempo de formação do depósito, podendo este ser anterior aos encontrados nos pontos 4 e 5, de origem mais recente. Esta hipótese sustenta-se no fato, conforme relatado na literatura, da
Amostra Areia Argila Silte Textura
% g.kg-1 % g.kg-1 % g.kg-1 Jardim Nova Esperança 72,48 724,77 17,60 176,00 9,92 99,24 Franco Arenosa
Amostra Areia muito grossa (g.kg-1)
Areia grossa
(g.kg-1) Areia média (g.kg-1) Areia fina (g.kg-1) Areia muito fina
(g.kg-1)
Jardim Nova Esperança
146,23 0 334,62 324,05 195,08
Tabela 19: Resultado da análise granulométrica realizada na amostra coletada no Jardim Nova Esperança
Org.: do autor Org.: do autor
área onde hoje está assentado o Jardim Nova Esperança ter sido, no passado, utilizada como local de descarte de resíduos sólidos urbanos pela Prefeitura de Goiânia.
Assim, considerando-se o histórico de ocupação do Jardim Nova Esperança tem-se como hipótese que os materiais tecnogênicos encontrados na área são testemunhos dos usos atribuídos à este espaço, acrescido das intervenções realizadas ao longo do processo de urbanização, iniciado no final de década de 70. Deste modo, o depósito identificado no bairro pode ser enquadrado como um depósito construído de 1ª geração.
A seguir, traz-se um quadro síntese (Quadro 7) classificatório dos depósitos tecnogênicos amostrados durante a pesquisa, no intuito de apresentar um panorama dos depósitos tecnogênicos na região noroeste de Goiânia.
DEPÓSITOS TECNOGÊNICOS NA REGIÃO NOROESTE DE GOIÂNIA (GO)