5 Numerical model for CFD study
5.1 Parameters
Figura 12 - Charge publicada no jornal Tribuna do Norte, no dia 15 de julho de 2012.
Na charge acima, temos a imagem de um carro trafegando em determinada estrada ou via pública, essa está cheia de buracos, alguns bem grandes, vemos que o carro não está nem na mão da direita, nem na da esquerda, mas sim no meio da pista, em cima da faixa, isso porque não há como andar em meio a tantas crateras. No que diz respeito ao verbal temos um único balão de fala em que o motorista do carro diz: “Uni – duni- tê; Sala – me – minguê; o buraco escolhido pra eu cair foi você!”.
Para compreendermos melhor o porquê dos elementos acima aparecerem na charge, vejamos o contexto de produção do enunciado. Essa charge está intimamente relacionada à
charge de número “3”, uma vez que também trata do mesmo tema – os buracos na cidade do Natal, que obteve tanta repercussão e acabou possibilitando o surgimento de várias charges. Um fator que ajudou no alastramento dos buracos foram as chuvas, que no período de julho são sempre constantes em Natal. Elas fizeram com que muitos dos buracos ficassem invisíveis aos olhos dos motoristas, motoqueiros ou ciclistas, que acabavam caindo dentro dos mesmos, por não saberem se estavam rasos ou fundos.
Por conta dos transtornos, a empresa de transportes Guanabara teve que mudar a rota dos ônibus de duas das principais linhas que atendem a região norte de Natal. "Devido ao excesso de buracos existentes nas vias do conjunto Brasil Novo, causados pelas constantes chuvas deste ano e pela falta de reparo por parte da Prefeitura de Natal, a Transportes Guanabara está modificando, temporariamente, os itinerários das linhas 75 (A e B) e 79", diz a empresa, em comunicado à população30. Por conta da mudança, moradores de duas avenidas e três ruas deixaram de ser assistidas pelos coletivos.
Mais uma vez o chargista critica uma situação do cenário natalense ligada diretamente à má administração do governo da prefeita Micarla de Sousa e isso se dá por meio da ironia, da paródia e do exagero. Verificamos a ironia presente no enunciado proferido pelo motorista, pois ele está escolhendo o buraco em que quer cair, mas o que realmente aspirava era que pudesse trafegar livremente e sem nenhum tipo de constrangimento no caminho, é o que acontece nessa técnica, diz-se o contrário daquilo que realmente se quer dizer.
Temos mais uma vez a utilização da técnica de humor denominada de paródia, nessa ocasião há relação de intertextualidade tanto com a consagrada música infantil “Uni, duni, tê” do antigo grupo “Trem da alegria”, em que o refrão que foi parodiado diz: “Uni duni duni tê, ô ô ô ô/ Salamê minguê, ô ô ô ô/ Sorvete colorê/ Sonho encantado onde está você?”, assim como com a parlenda31: “Uni, duni, tê, Salamê, minguê.O sorvete é colorê, O escolhido foi você!.
No texto original e no trecho parodiado na charge, temos a contradição entre os opostos “sonho” versus “pesadelo”, primeiramente a letra da música trata por meio de uma linguagem conotativa de um mundo de magia, em que as crianças estão em busca dos seus
30 Disponível em: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2011/08/23/buracos-se-espalham-por-
natal-e-populacao-cria-mapa-com-mais-de-280-ruas-cadastradas.htm. Acesso em: 15/09/2013.
31 Parlenda é uma forma literária tradicional, rimada com caráter infantil, de ritmo fácil e de forma rápida. Usada,
em muitas ocasiões, para brincadeiras populares. Normalmente é uma arrumação de palavras sem acompanhamento de melodia, mas às vezes rimada, obedecendo a um ritmo que a própria metrificação lhe
empresta. A finalidade é entreter a criança, ensinando-lhe algo. Disponível em:
sonhos encantados. Já na charge, o que o indivíduo está vivendo é um verdadeiro pesadelo, e ao invés de escolher o sonho que poderia viver, ele escolhe um buraco para cair, a vida dele não é de magia e sim de desengano. O texto de humor baseia-se em pontos de outro texto já firmado. Ao tratar da paródia, Peruzzolo (2010) nos diz que os significados e sentidos são retomados pelo observador de outros sentidos que já foram produzidos em outro lugar e que são de conhecimento do mesmo observador. Ocorre no humor um rompimento do processo lógico de produção que é esperado, este rompimento surpreende, provocando assim o riso.
Compreendemos também que nessa charge o motorista ri da sua própria desgraça, ou seja, ele ri de si mesmo, pois ele é o protagonista da situação. A esse respeito o autor Santi (2003), mencionando Bakhtin, afirma que:
No humor das festas populares, Bakhtin encontra uma atitude avessa a qualquer dogmatismo ou restrição à conduta. Uma das características mais importantes do riso seria a possibilidade de o burlador rir de si mesmo; ao incluir-se na sátira, o sujeito não se coloca num ponto de vista exterior ao mundo observado, mas nele se inclui (2003, p. 45).
O exagero, que inclusive é uma das características da charge, também está expresso e serve de motor para o aspecto risível que se apresenta, tendo em vista que essa característica faz o texto engraçado acoplado ao teor axiológico veiculado. Não se pode rir do exagero puro e simples, contudo apenas se ele estiver aliado com o acento de valor carimbado sobre a charge, pois sua força reside exatamente sobre ele. Assim como afirma Propp (1992, p. 88) “o exagero é cômico apenas quando desnuda um defeito. Se este não existe, o exagero já não se enquadra no domínio da comicidade”. É a questão dos inúmeros buracos que impedem o tráfego na cidade do Natal que permite o exagero e este se direciona para um viés cômico.
4.7 O lixo em Natal
Figura 13 - Charge publicada no jornal Tribuna do Norte, no dia 23 de setembro de 2012.
No sétimo texto chargístico, temos a figura de um personagem masculino, possivelmente espantado, pela expresão em seu rosto. Além deste, temos o desenho de vários sacos de lixo, com moscas voando ao redor e ao fundo vários prédios, o que nos faz entender que área onde se passa a situação é uma área urbana, mais precisamente a cidade do Natal. A parte verbal é composta por dois textos, primeiro uma legenda no canto superior esquerdo em que consta: “ Prefeitura de Natal: Se você olhar, você vai ver”, e ainda a forma de balão de fala cujo apêndice se direciona para a figura masculina e diz: “Ver como? Com esssa montanha de lixo atrapalhando?”. Retomemos as condições de produção que propiciaram o aparacimento dessa charge.
A charge foi publicada no dia 23 de setembro de 2012, período em que Natal passou por muitos problemas no que diz repeito a grande quantidade de lixo que encontrava-se espalhada pelas ruas. A situação foi complicando-se no decorrer dos meses e o acúmulo de lixo nas avenidas tornou-se grandioso, para muitos chegou-se a um estado de calamidade pública, a causa foi a deficitária coleta de lixo na cidade que em determinado momento chegou até a ser totalmente paralisada, por conta da falta de pagamento do salário dos funcionários terceirizados. A cada dia que a cidade passava sem coleta, o lixo acumulado nas ruas chegava em torno de 750 toneladas e, quando chovia as dificuldades aumentavam ainda
mais, pois ocorria o entupimento das galerias, calhas e canais de água pluviais, causando alagamentos. Entretanto, os representantes do poder público, como o gerente de operações da Companhia de Serviços Urbanos (Urbana), Márcio Ataliba, lembrou que: “Se cada cidadão colocar seu lixo no lugar devido, diminiu em muito os problemas da rede de drenagem, que já é saturada, ou seja, todos têm que fazer sua parte”32, o gerente assume esse posicionamento,
porque ele quer que a população acredite que a culpa do problema não é apenas dos governantes, mas também da falta de consciência de muitos por jogarem lixo nas ruas.
O problema afetou tanto a periferia de Natal, assim como as suas principais avenidas, ocasionando odor e o risco de infestação de insentos. O gerente da Urbana ainda relatou que para cada dia de paralisação da coleta de lixo domiciliar são necessários dez dias para a regularização do serviço.
Diante do caos que a cidade vivia, cidadãos organizaram um ato intitulado “Marcha do Lixo”, que assim como outros que já haviam ocorrido em Natal (a “Revolta do Busão” por exemplo) foi organizado por meio das redes sociais, com a hashtag #Marchadolixo. O objetivo era que a população levasse o lixo de suas residências e das ruas para a sede do poder municipal e assim fizeram, os moradores jogaram centenas de sacos de lixo em frente ao Palácio Felipe Camarão, sede da prefeitura. Para evitar que o lixo fosse colocado pela população dentro do prédio, guardas do município posicionaram-se na entrada do palácio, apesar disso o movimento foi pacífico.
Figura 14 – Lixo colocado pela população em frente à Prefeitura do Natal. 33
32 Disponível em: http://www.sospontanegra.org/2012/05/lixo-na-rua-provoca-alagamentos-vamos.html. Acesso
em: 20/09/2013.
33 Disponível em: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/12/28/moradores-de-natal-jogam-
Uma curiosidade é que o partido da prefeita Micarla de Sousa, o Partido Verde (PV), assim como o próprio sugere, preza muito pelo meio ambiente, mas não foi o que aconteceu durante o período que ela esteve a frente do governo.
Lembramos que o personagem está representado em forma de caricatura, fazemos essa inferência pela marca dos grande olhos e boca e pelo enorme nariz. A caricatura é marca registrada do gênero charge e é uma das formas fundamentais do exagero, que segundo Propp (1992) são a caricatura, a hiperbóle e o grotesco.
Toma-se um pormenor, um detalhe; esse detalhe é exagerado de modo a atrair para si uma atenção exclusiva, enquanto todas as demais características de quem ou daquilo que é submetido à caricaturização a partir desse momento são canceladas (1992, p. 88)
Assim, capta-se um pormenor que às vezes era imperceptível e através do aumento de suas dimensões torna-o evidente para todos.
A legenda na charge “Prefeitura de Natal: se você olhar, você vai ver” era o slogan34
da prefeitura de Natal, veiculado nas rádios e televisão, como também nas campanhas realizadas por esse governo.
Sobre os slogans, Possenti (2009) diz que:
Os slogans, em especial os políticos, e mais especialmente os veiculados em campanhas eleitorais, retomam slogans anteriores, de outras campanhas, ou são construídos a partir de enunciados correntes, sejam eles de ordem ética e moral, sejam os lugares-comuns que resumem ideologias partidárias, o que os coloca no domínio das relações intertextuais e interdiscursivas (2009, p. 127).
O slogan apresenta uma sonoridade ritmica com a combinação de fonemas que se repetem em toda a frase, é o caso da consoante “v”. Esse ritmo chama a atenção do leitor.
No que diz respeito à interdiscursividade, essa charge retoma discursos outros para formar um novo acontecimento, essa relação interdiscursiva se dá com os discursos anteriores existentes sobre o governo de Micarla de Sousa (o discurso político).
Esse slogan gerou muitas críticas por parte da população, tendo em vista que no final das contas eles não estavam vendo nada, pois a prefeita não tinha feito muita coisa. A gestão fez exatamente o contrário do que transmitia o slogan e outros acabaram sendo criados pelo
34 De acordo com o Dicionário Aurélio (2001) slogan é uma palavra ou frase usada com frequência, e em geral
povo, como os que seguem: “Se você olhar, você vai ver o descaso, a miséria e corrupçao” e ainda “Se você olhar, você não vai ver... contrapartidas”35.
Ainda através desse slogan o próprio governo faz o cidadão de tolo. Temos então mais uma vez a presença da técnica do “rebaixamento”, em que o indívíduo é feito de bobo. É isso que está apresentado na charge, o cidadão é enganado pois ele não consegue ver os serviços e obras realizadas pela prefeitura devido a pilha de lixo que está na sua frente e também por não haver serviços prestados para serem vistos. Para reforçar ainda mais o rebaixamento do cidadão, ele nem mesmo afirma o seu dizer e sim faz uma interrogação, então ele é apresentado como burro (adjetivo que carrega o sentido de pouca inteligência, estupidez, uma pessoa burra é aquela que não consegue entender e avaliar o que lhe é transmitido).
4.8 Problemas à vista
Figura 15 - Charge publicada no jornal Tribuna do Norte, no dia 06 de outubro de 2012.
35 Fonte: http://lauritaarruda.com.br/se-voce-olhar-voce-nao-vai-ver-contrapartidas/98494. Acesso em:
A charge acima apresenta dois personagens, pois mesmo só constando um único desenho, inferimos a presença de uma segunda pessoa pelo balão de fala no lado esquerdo da charge. Temos a imagem de uma mulher, gorda e de cor negra mexendo uma panela em um fogão, a partir das vestimentas que a mulher se encontra, tanto pelo avental como pelo lenço na cabeça, entendemos que ela é uma empregada doméstica. Os elementos verbais presentes são uma legenda no canto esquerdo superior da charge e diz “TJ manda vara da fazenda pública dar prosseguimento a processo de improbidade administrativa que tem Micarla como ré”, a fala do primeiro que diz “Jureeema, cadê minhas batatas?”, a fala da segunda personagem dizendo “Tão assando “chefinha”, tão assando...” e por fim uma placa situada por trás do fogão em que consta “Prefeitura do Natal”.
Recuperando as condições de enunciação dessa charge, elas giram em torno dos acontecimentos que envolviam os processos contra a ainda atual prefeita de Natal – Micarla de Sousa. A ação de improbidade administrativa, ou seja, falta de honestidade e rigor na administração ou função pública, já foi movida pelo Ministério Público Estadual em 2011, após inquérito que apurou irregularidades nos contratos de locação de um imóvel para instalação das secretarias de Saúde e Educação. Entretanto, a sentença inicial havia declarado incompetência da 2ª Vara para julgar uma ação e acabou sendo suspensa, mas a sentença foi reformada e o Juiz Monteiro da Silva pode retomar a apreciação. Então, o Tribunal de Justiça pediu para a Vara da fazenda pública, reconhecendo a sua competência, dar prosseguimento ao processo e julgar a ação, uma vez que muitos eram os indícios que confirmavam a presença de fraudes na prefeitura. Danos ao erário público e violação aos princípios administrativos deram corpo ao processo.
Percebemos que a prefeitura do Natal está sendo representada por uma panela fervendo, podemos entender essa comparação primeiramente porque em uma panela os ingredientes ficam todos juntos, assim como na prefeituta que está tudo misturado, a panela está esquentando e e as batatas estão quase prontas, o mesmo ocorre na gestão de Micarla. A expressão “está assando” significa que alguma coisa não está boa, a situação dela e de seus aliados está complicada, porque os atos ilícitos estão sendo descobertos e investigados, correndo o risco de peder o cargo de prefeita municipal.
Analisando a charge apreendemos que essa trabalha com a noção de estereótipo, uma característica marcante dos gêneros humorísticos, principalmente das piadas. No Dicionário de Análise do Discurso (CHARAUDEAU & MAINGUENEAU, 2004) encontramos a seguinte definição de estereótipo: “Estereótipo e clichê denunciam uma cristalização no nível do pensamento ou no da expressão; portanto, estereótipo designa o que é fixo, estratificado,
cristalizado”. Muitas áreas do conhecimento como a psicologia social e a sociologia veem nos estereópitos respresentações coletivas cristalizadas, crenças preconcebidas frequentemente nocivas a grupos ou a indivíduos. Para a análise do discurso, o estereótipo, como representação coletiva cristalizada, é uma construção de leitura, uma vez que ele emerge no momento em que um leitor recupera, no discurso, elementos espalhados e frequentemente lacunares, para reconstruí-los em função de um modelo cultural preexistente. São esquemas consagrados: os estereótipos de racismo, do pobre, do caipira, da intolerância religiosa, do machismo e do homossexualismo.
Sobre essa questão Possenti (1998) discorre que qualquer estudioso tem o direito de afirmar que as representações expostas nos gêneros humorísticos são grosseiras demais para revelarem qualquer fator significativo, mas pelo contrário, as piadas por exemplo funcionam em grande parte na base de estereótipos, seja porque veiculam uma visão simplificada dos problemas, seja porque assim se tornam mais facilmente compreensíveis para interlocutores não-especializados. Essas considerações de Possenti acerca das piadas podem também se encaixar no gênero charge, pois muitas delas criticam algum tema ou personalidade por meio de determinada aspecto cristalizado que existe em nossa sociedade.
Vários são os perfis que habitam o discurso humorístico: a ideia de que mulher loira é burra, português é burro, judeu só pensa em dinheiro, mineiro é o mais esperto de todos os brasileiros , entre outros. (POSSENTI, 1998). O estereótipo que visualizamos na charge em análise é a representação da mulher negra e gorda como empregada doméstica, essa representação já é comum no cenário social braliseiro, a mídia por exemplo está cheia da estereotipização da mulher negra, esta muitas vezes é considerada apenas como objeto sexual, como uma pessoa desonesta e também incapaz de ocupar cargos trabalhistas elevados ou que estejam ligados pela cultura popular somente ao sexo masculino, o que está representado na charge. Por que não temos uma pessoa do sexo feminino e de cor brança no papel da doméstica? porque o intuito do chargista é mostrar exatamente essa compreensão que a sociedade insiste em delimitar. Cristalizou-se que a pessoa do sexo feminino e de cor negra só pode ocupar cargos baixos, com salários reduzidos e principalmente aqueles que estejam submissos a outroas pessoas, como é o caso da empregada.
Esse estereótipo da empregada negra não é o tema central da charge, mas, como sugere Possenti (2010, p. 39), os esteriótipos são largamente utilizados em textos de humor, muitas vezes de forma ofensiva. Seria o caso dessa charge?
Mas o ponto principal é que o chargista utiliza a técnica da “condensação”, que como já foi mencionado em outra análise ocorre quando há um duplo sentido para determinadas
palavras ou expressões, “trata-se de organizar as estruturas da linguagem de modo a sugerir um sentido oculto, seja pela familiaridade do som, seja pela ambiguidade de sentido” (MUNIZ, 2013, p. 43). A ambiguidade de sentido está marcada na expressão “batatas assando”, que pode significar tanto o vegetal (aquele que se come), como a situação da prefeita Micarla de Sousa.
É preciso compreender o que Possenti (ibidem) salienta:
O leitor não tem apenas que verificar quais são esses sentidos. Mais que isso, cabe-lhe descobrir que, havendo dois, o mais óbvio deles deve de alguma forma ser posto de lado, e o outro, o menos óbvio, é aquele que, em sentido muito relevante, se torna dominante (1998, p. 390).
Além da identificação dos sentidos, compreende-se que o dominante é o que diz respeito à situação da prefeita, pois com a reabertura do processo, as circunstâncias podem complicar-se e ela chegar a deixar o cargo.
4.9 Mais problemas
Figura 16 - Charge publicada no jornal Tribuna do Norte, no dia 18 de novembro de 2012.
Nessa charge, assim como nas demais, temos a relação de elementos de ordem verbal e não verbal. Em forma de balões de fala, direcionados aos dois personagens pelos apêndices, o primeiro diz: “Papai, como é mesmo o nome daquele personagem verde que queria acabar
com o Natal?” e no segundo: “Verde? Acabar com o Natal?... O nome é Micarla, filho. Micarla!” e ainda um texto presente na capa de um jornal que diz: “Relatório com irregularidades de Micarla é entregue”. Quanto ao imagético, temos um menino segurando uma folha com o desenho de uma imagem e um homem (o pai da criança) sentando em uma poltrona lendo um jornal.
Primeiramente, inferimos que a charge foi produzida em meio aos escândalos da gestão da prefeita Micarla de Sousa, como pudemos observar nas outras análises, os problemas ocorreram em vários setores da sociedade natalense. Nesse período, Micarla já havia sido afastada dos trabalhos como prefeita e em novembro Paulinho Freire (antigo vice- prefeito), com a saída de Micarla, assumiu o cargo provisoriamente tomando posse no dia 1º de novembro de 2012. Freire apresentou na tarde do dia 16 de novembro um relatório preliminar com as irregularidades que encontrou quando assumiu a prefeitura do Natal, o documento destacava quinze irregularidades e foi entregue ao Ministério Público e em seguida, encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado, ao Poder Judiciário e à Câmara