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B USINESS M ODEL C ANVAS - P ROSUMENTAKTØR

6. ANALYSE AV AKTØRENES FORRETNINGSMODELLER

6.2 B USINESS M ODEL C ANVAS - P ROSUMENTAKTØR

Nas organizações burocráticas, a definição da ação estratégica organizacional normalmente está centralizada na chefia maior, que traça as diretrizes institucionais e determina o modo pelo qual as tarefas serão executadas, fiscalizando sua execução. Há uma repetição automatizada de um modelo gerencial, no qual há uma equivalência entre a estrutura organizacional, as relações e processos internos mantidos e reproduzidos em toda a organização. Como afirmaram Bayley e Sholnick (2006, p. 233):

Os departamentos de polícia não são instituições que funcionam democraticamente. Todos os que estão dentro deles estão conscientes ou sintonizados com as preferências, as exigências e as expectativas do chefe. O que é verdade com relação a um departamento de não está ausente em outras organizações, como uma empresa de negócios e uma universidade. No entanto, a liderança executiva pode ser até mais crítica num departamento de polícia por causa de seu tradicional caráter paramilitar: a polícia constitui um exemplo clássico de organização burocrática.

Nas atuais organizações policiais, os praças na Polícia Militar, representados pelos cabos, soldados e sargentos, bem como os escrivães e investigadores na Polícia Civil, são encarados pelos seus respectivos superiores hierárquicos como meros executores das tarefas preestabelecidas, vigiadas e fiscalizadas pelas instâncias superiores e pelos representantes do controle interno e controle externo das polícias, numa manutenção de uma estrutura organizacional regrada pelo princípio do comando e controle.

Por exemplo, aos investigadores da Polícia Civil cabe a apresentação de um simples relatório de missão policial, após agir somente após expedição de ordem de serviço emanada da autoridade policial, sem que ocorra o efetivo empoderamento de suas funções de investigação, já que agem sem espaço para a criatividade, a flexibilidade e a inovação no trabalho investigativo, onde os investigadores, em seu trabalho de rua e os escrivães, em seu

trabalho cartorário, permanecem trabalhando sem autonomia de forma desarticulada à totalidade da investigação, que é sempre presidida e direcionada pelos delegados de polícia.

No curso da persecutio criminis os investigadores são designados para executarem tarefas específicas como entregas de intimações, condução de pessoas, cumprimentos de mandatos de prisão, busca e apreensão de objetos, oitivas de testemunhas e vítimas. Tarefas estas que normalmente são deflagradas por ordens de serviço específicas, assinadas pelo delegado de polícia, que devem ser apresentadas nas unidades de polícia após o devido cumprimento, mediante narrativa escrita em relatório de missão policial.

Nesse contexto, se verifica uma desvalorização do conhecimento do policial que atua nas atividades de base de investigação. Diligências como as acima enumeradas são cumpridas sem que o investigador ou o escrivão se empodere verdadeiramente de sua função, atue com criatividade e autonomia durante toda a investigação.

Para a Polícia Militar, essa análise de pertinência da atuação policial ao caso concreto, está totalmente concentrada na figura dos comandantes, onde o militarismo dá mais ênfase aos princípios de hierarquia e disciplina.

No caso da Polícia Civil, não cabe aos investigadores e escrivães analisar a pertinência da diligência policial ao caso concreto, sendo esta atribuição do delegado de polícia. Por outro lado, uma vez de posse da ordem de serviço ou na realização de diligências no serviço de rua, os policiais civis atuam com grande liberdade no trabalho de busca de provas realizado nas ruas, agindo com uma temerosa independência no trabalho de caracterização da autoria e da materialidade dos crimes já que podem encontrar inúmeras oportunidades para práticas escusas, abusivas e eivadas de ilegalidade.

Os princípios burocráticos são facilmente constatados ao se analisar a tramitação de uma investigação policial e o seu retrato nos autos de um inquérito policial, pois, dá-se maior ênfase a atividade cartorária em detrimento das ações de investigação de campo.

Enfim, a lógica que conduz a produção de provas e elabora o inquérito policial é uma lógica burocrática, algo típico de organizações tradicionais, cujos pilares básicos estão sustentados no princípio do mando e controle. Todavia, há um aspecto que a burocracia das organizações policiais se distancia do modelo burocrático de Weber, em especial a característica da impessoalidade formalista , cujo preceito se pauta no tratamento indistinto.

Na afirmação de Soares (2006), também é possível constatar uma inversão na pauta administrativas das polícias, onde as atividades-meio de ordem administrativa burocrática são priorizadas em relação às atividades-fim organizacionais, ligadas às suas respectivas atribuições institucionais, o que pode levar à baixa efetividade, eficácia e eficiência.

Em organizações policiais onde não há um histórico cultural de aferição de produtividade e de resultados alcançados, onde as estatísticas nem sempre conseguem retratar a realidade social em termos de cifras de criminalidade real, torna-se muito difícil para os gestores conseguirem calcular o tempo de resposta policial e a taxa de esclarecimento dos crimes ocorridos em cada um das localidades monitoradas.

Em virtude dessa estrutura e pensamento burocráticos, mesmo existindo servidores que observem as necessidades institucionais e o surgimento de novas as possibilidades para repensar o trabalho policial, realizando ações ou desenvolvendo projetos, nem sempre recebem o apoio esperado das instituições policiais a que pertencem, justamente em razão do formato gerencial burocrático. Como pode não existir uma preocupação com a articulação das ações, muitos policiais desenvolvem iniciativas desarticuladas da política institucional, obtendo poucos resultados práticos. Esses desdobramentos seguem articulados na figura abaixo:

Figura 1 Gestão técnico/burocrática na segurança pública

Podem até existir projetos que encontrem respaldo institucional momentâneo, sendo executados durante um período, perdendo a continuidade em sua aplicação devido a mudanças de gestão, sendo substituídos por novos projetos, que eventualmente possam se identificar com a nova gestão, a descontinuidade nas ações organizacionais é manifestação negativa das organizações tradicionais.

Nesse tipo de estrutura organizacional, as pessoas aprendem em momentos e espaços específicos, com baixo aproveitamento do policial das situações cotidianas para sua aprendizagem, pois a atividade cotidiana de investigação não é encarada como uma possibilidade de aprendizado individual, para posterior análise e utilizada como forma de desenvolvimento organizacional, então vejamos as abordagens do item a seguir.