7. NORMALISERING
7.9 B ETINGET UTFALL
Pode-se concluir, em relação à revisão, que existem muitos estudos que abordam os fatores de risco entre o TCTH, em especial as coortes retrospectivas. Entretanto, não foi encontrado nenhum estudo que trouxesse evidências fortes em relação aos fatores de risco para perfusão renal ineficaz voltada para esta população. Carece-se, portanto, de estudos clínicos que envolvam randomização, assim como metanálises, a fim de apresentar evidências científicas fortes.
Em relação a validação clínica conclui-se que o risco de perfusão renal ineficaz atingiu parcela considerável dos pacientes submetidos ao TCTH deste estudo e que os fatores de risco para o risco de perfusão renal ineficaz que foram determinados em parte já eram conhecidos por estudos prévios, embora tenham surgido novidades como dias de internação; dias de internação após a realização do TCTH; o uso da Teicoplamina (quando isoladamente) e Voriconazol e número de dias com febre.
7.1 Quanto ao conceito e identificação da perfusão renal ineficaz em pacientes submetidos ao TCTH
Em relação ao conceito para perfusão renal ineficaz existe muito dissenso na literatura. Os critérios para identificação da perfusão renal ineficaz, mais comumente, adotados têm sido os critérios RIFLE e AKIN. Estes trazem definições operacionais para estratificação do problema renal que variam desde o risco até a perda total da função renal. A partir do estudo realizado percebe-se que a definição para o diagnóstico apresentada pela NANDA-I não facilita sua identificação pelo enfermeiro na prática clínica. Neste sentido, considerando a definição da NANDA-I (2013) e o critério RIFLE (2004) e AKIN (2007), entende-se que o risco de perfusão renal ineficaz pode ser definido como o risco de redução na circulação para os rins, caracterizada pelo aumento de 1,5x o valor da Cr sérica ou a redução em 25% no valor da TFG ou débito urinário < 0,5 ml/kg/h em 6 horas, por um período igual ou superior a 48 horas e que desta forma se torna capaz de afetar a saúde do ser humano. Desta forma, os valores de Cr sérica, TFG e volume urinário seriam os fatores de risco principais ou essenciais para a identificação do diagnóstico de enfermagem de risco de perfusão renal ineficaz.
7.2 Quanto aos fatores de risco para perfusão renal ineficaz no TCTH identificados pela revisão integrativa
Fatores de risco para perfusão renal ineficaz foram identificados nos pacientes submetidos ao TCTH a partir da revisão integrativa da literatura realizada. Foram 43 fatores de risco: admissão em UTI; albumina sérica (< 3,5mg/dl); alta malignidade/doença de alto risco; aminoglicosídeos; Anfotericina B; ausência de doença vascular; baixo nível de Cr basal; CMV; comorbidades; Cr sérica > 0,7mg/dl pré TCTH; Cr sérica > 90mmol/l em 1 mês; CsA/CsA dose dependente; CTP; DECH; DM; duração da neutropenia; ganho de peso; hemoglobina baixa; hiperbilirrubinemia; HAS/HAS prévia; HLA não aparentado; idade; incompatibilidade do HLA; inibidores de calcineurina; MO ao invés de CTP; Metotrexato; mieloablação; multifatorial; nefrotoxicidade (Anfotericina B, Vancomicina, Aminoglicosídeo); proteinúria basal; QT prévia (superior a 3 tratamentos); sepse/choque séptico; sexo feminino; síndrome hemolítica urêmica; SOS; superfície corporal maior; TCTH alogênico; TCTH autólogo prévio; TFG alta; toxicidade hepática; toxicidade pulmonar; Vancomicina e VM. Dos fatores de risco encontrados, os que mais estiveram presentes nos estudos relacionados à perfusão renal ineficaz neste tipo de paciente foram: SOS, sepse e choque séptico, DECH, uso de Anfotericina B e idade.
Foi possível verificar que os fatores de riscoefeitos secundários ao tratamento, exposição à nefrotóxicos, hipóxia, infecção e malignidade são válidos em relação ao apresentado no diagnóstico da NANDA-I.
7.3 Quanto à incidência do risco de perfusão renal ineficaz entre pacientes submetidos ao TCTH
Entre os 216 pacientes deste estudo, 54 (25%) desenvolveram o risco de perfusão renal ineficaz, 39 (18,1%) apresentaram injúria e 16 (4,7%) insuficiência, segundo o critério RIFLE. Sendo assim, 49,5% (107) dos pacientes submetidos ao TCTH tiveram evolução normal da função renal após a realização do transplante até a alta hospitalar.
7.4 Quanto aos fatores de risco para o risco de perfusão renal ineficaz entre pacientes submetidos ao TCTH
As variáveis que apresentaram associação significativa (p ≤ 0,05) em relação ao risco de perfusão renal ineficaz foram: doença de base; comorbidades presentes à admissão para o TCTH; tipo de TCTH realizado e a fonte de células utilizadas; tempo para pega medular; dias de internação; dias de internação após a realização do TCTH; tipo de condicionamento utilizado; ocorrência de óbito; aumento no nível sérico da Cr; aumento de BT superior a 2mg/dl; dias de utilização de CsA EV (para pacientes submetidos ao TCTH alogênico); número de dias com febre; uso de Teicoplamina (quando isoladamente), Anfotericina Lipossomal e Voriconazol; ocorrência de hipertensão durante ou após o TCTH; cultura positiva para fungos; internação em UTI e dias de internação; submissão a VM; ocorrência de SOS, sepse, CMV positivo, icterícia pós TCTH, hipóxia; aumento em número de vezes da Cr sérica; pior valor da TFG e a quantidade de redução na TFG.
7.5 Quanto ao modelo de predição de risco para risco de perfusão renal ineficaz entre os pacientes submetidos ao TCTH
As variáveis que predispõem ao risco para o risco de perfusão renal ineficaz no modelo final de regressão logística múltipla foram: BT com nível sérico superior a 2mg/dl, presença de níveis elevados de Cr sérica após o TCTH e a ativação do CMV. Já o uso de Teicoplamina é fator protetor quando combinado aos demais fatores de risco componentes do modelo de predição de risco.