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1. INTRODUKSJON

1.2 B AKGRUNN FOR VALG AV TEMA OG PROBLEMSTILLING

Todos os movimentos de análise feitos ao longo da tese tiveram como objetivo traçar os contornos dos leitores pensados para a revista Grande Hotel, procurando-se, de certo modo, confrontá-los com seus leitores empíricos. Em outras palavras, ao nos debruçarmos sobre o impresso, nossos esforços estiveram voltados para os leitores visados pelos responsáveis pela produção da revista a fim de não somente apreender o seu perfil como também verificar em que medida esses leitores idealizados pelos produtores do impresso aproximavam-se ou se distanciavam dos leitores de “carne e osso”. Portanto, no presente texto, buscamos, a partir dos indícios que a própria revista nos oferece, dar forma às mulheres e aos homens que, no ato de produção do impresso, foram pensados como leitores da revista, assim como trazer os traços, características daqueles que, efetivamente, leram Grande Hotel entre 1947 e 1961.

Nessa direção, no primeiro capítulo da tese, procuramos compreender, em linhas gerais, a revista. Dessa maneira, sem perder de vista o período histórico em que Grande Hotel circulou no País, em um tempo em que outras revistas já circulavam no Brasil, analisamos o impresso, buscando estabelecer conexões com outros impressos da época. Dados de tiragem e circulação de Grande Hotel foram explorados, considerando-se dados da mesma natureza de revistas de atualidades, de revistas femininas e de revistas de fotonovelas, incluindo-se nesse grupo as revistas da “imprensa do coração” (“de la presse du coeur”) da França e da Itália.

Uma vez que partimos do pressuposto segundo o qual a materialidade de um impresso influencia os caminhos percorridos por seus leitores na produção de sentidos para os textos que leem, optamos pela análise material da revista Grande Hotel como um dos instrumentos metodológicos da investigação de que tratamos nestas linhas. Dessa maneira, o foco de nossa análise no capítulo 1 da tese foi o suporte em que os textos de Grande Hotel foram publicados, sua estrutura, sua organização quanto ao conteúdo aí publicado; as dimensões da revista, imagens e cor. Atentas a esses aspectos materiais do impresso, procuramos apontar características de seu público leitor (suposto e ‘real’).

No capítulo 2, continuamos focalizando os componentes de edição de Grande Hotel, buscando fornecer um panorama da revista, tanto do ponto de vista da sua forma, quanto do

67 ponto de vista de seu conteúdo. Uma vez que seus textos, seções e colunas são essenciais para o delineamento do perfil de seus leitores idealizados e de seus leitores empíricos, o trabalho de análise sobre eles constituirá toda a tese. Porém, mais especificamente, no segundo capítulo do trabalho, focalizamos a produção material da revista. Por isso, contemplamos, nesta segunda parte da tese, o tipo de papel utilizado em sua confecção, as imagens que a compõem, suas capas, quarta capas, contracapas. Também nos interessou aprofundar na análise dos modos escolhidos por seus produtores e editores para publicar os textos veiculados na revista. Nossa narrativa, dentro do possível, foi construída sempre na tentativa de estabelecer relações com características de outras revistas da época, incluindo-se as estrangeiras Grand Hôtel e Nous Deux, assim como dados da apropriação da revista brasileira. Há ainda outros componentes de Grande Hotel que privilegiamos na análise, apresentada no segundo capítulo da tese: os anúncios veiculados na revista, bem como seu número de páginas entre 1947 e 1961.

O Leitor-Modelo de Grande Hotel, assim como os traços de seus leitores empíricos são o foco dos três últimos capítulos da tese. Se nos dois primeiros capítulos do trabalho, nosso objetivo foi, antes, apresentar um panorama da revista, talvez pouco conhecida pelos leitores da tese, sem, contudo, deixar de dar indicações sobre seus supostos leitores e seus leitores ‘reais’, nos capítulos 3, 4 e 5, os leitores visados para Grande Hotel e seus leitores empíricos foram centrais em nossa análise. No capítulo 3, partindo das características do impresso, procuramos mostrar como, a princípio, a revista brasileira, por sua origem e ligações com as revistas Grand Hôtel e Nous Deux, visava um leitor mais geral, com diversas características quanto ao gênero, nacionalidade, origem social, escolaridade ou domínio de habilidades de leitura e escrita. É também nesse capítulo que procuramos evidenciar como, no desenrolar da história editorial de Grande Hotel, especialmente durante os anos 1950, a revista foi se adaptando ao público brasileiro. Então, discutimos as características do impresso, sobretudo de seu conteúdo, que nos permitem afirmar que uma parte de seus textos passou a ser direcionada a um leitor brasileiro.

Nos capítulos 4 e 5, trabalhamos, finalmente, com os dados do impresso que nos indicavam, especialmente na década de 1950, uma ‘Leitora-Modelo’ para a revista brasileira e para a grande maioria de seus textos. É nesse momento que a revista tem, em grande medida, leitoras como público-alvo. Diferentemente do início de sua circulação no Brasil, Grande

Hotel se transformou, gradativamente, durante os anos 1950, em uma revista feminina, e, no

68 trazemos mais características dos leitores empíricos de Grande Hotel, como também de seus modos de apropriação do impresso.