O processo de observação decorreu ao longo do ano letivo, foi constituído por dois momentos. Um primeiro momento de assistências às aulas do professor orientador cooperante e do professor estagiário, sem um registo formal, onde o instrumento de registo era o “olhómetro” e discutíamos em núcleo de estágio, após a aula, os comportamentos do professor e dos alunos, a adequação dos conteúdos e metodologias utilizadas e possíveis estratégias de intervenção, tendo em vista a melhoria do processo de ensino aprendizagem. Esta forma de observação prolongou-se durante o ano letivo e, por vezes, colaborávamos na aula e em simultâneo, observávamos.
O segundo momento de observação esteve mais concentrado no segundo período e no início do terceiro período, em que selecionamos para observar dez aulas do professor estagiário e dez aulas do professor orientador cooperante, utilizando uma checklist de observação (consultar anexo D) construída por nós. Como já referido anteriormente, esta checklist foi elaborado atendendo aos pontos específicos que queríamos observar, ou dificuldades por nós sentidas, no sentido de observar para posteriormente, em grupo, encontrarmos as estratégias para ultrapassar essas dificuldades e também verificar se as estratégias sugeridas eram eficientes e eficazes.
Em algumas sessões também utilizamos as gravações vídeos, mas tendo em conta o que pretendíamos observar, não achamos relevante utilizar nas atrás referidas 20 sessões. As
filmagens tiveram objetivos relacionados com a avaliação diagnóstica, formativa e sumativa e como instrumento auxiliar do processo ensino aprendizagem, tanto do ponto vista do professor como do aluno, para observar as suas prestações.
2.5.3.1. Procedimentos
Os procedimentos abaixo descritos referem-se à observação com utilização da checklist de observação (consultar anexo D).
Ao longo das observações, na coluna registo, foi colocado sim, não, às vezes e mais ou menos (+/-: onde não considerávamos totalmente conseguido). Na coluna observações colocámos questões, sugestões e outras observações, que considerámos pertinentes. Depois da observação e após discussão dos dados da observação, em núcleo de estágio, acrescentámos um parágrafo ou dois, sobre coisas a alterar, manter ou reforçar em próximas aulas.
2.5.3.1. Apresentação e Análise dos Resultados
Os resultados apresentados neste ponto teve por base os registo formais.
No que concerne às aulas observadas orientadas pelo professor orientador cooperante, 6 reportaram aulas de uma turma do 8º ano na matéria de Ginástica e as outras 4, uma turma do 9º ano em matérias relacionadas com os JDC (Futebol, Basquetebol e Andebol).
No que diz respeito às aulas assistidas do 8º ano, foram identificadas questões/problemas relacionadas com os conteúdos a abordar, como abordá-los, estratégias para alunos com mais dificuldades, estratégias para os mais proficientes, a especificidade do feedback, formas de motivá-los e de mantê-los concentrados e empenhados na matéria, e como rentabilizar o tempo. Todas as questões anteriormente levantadas foram discutidas e originaram sugestões e estratégias que posteriormente foram aplicadas e podemos afirmar que resultaram (umas mais eficazes que outras) e que repercutiram em alterações muito positivas da turma a nível de comportamento,
empenho, desempenho e de motivação. Em relação à assistência às aulas da turma do 9º ano, as questões levantadas estiveram mais relacionadas com alguma inércia, por parte dos alunos, principalmente para iniciar as tarefas, alguma falta de empenho e motivação. Após uma observação mais cuidada, começamos a aperceber que os alunos ao receberem feedbacks instrutivos ou corretivos, nem sempre, reagiram da mesma forma e pareceu-nos que se sentiram pressionados, havendo algum aluno a comentar que independentemente do que se esforçasse nunca estaria bom, para o professor. Tendo em atenção a estes dados, sugerimos que o professor tentasse alterar a sua postura e linguagem para passar a mensagem: os alunos não terão que ser atletas de elite, que poderão falhar, o que importa é que voltem a tentar melhorar o seu desempenho e também que demonstrem empenho nas tarefas. Outra estratégia, foi dar mais feedbacks aprovativos e quando fosse necessário dar feedbacks instrutivos e corretivos, dá-los de forma positiva, valorizando sempre o que o aluno consegue fazer e o seu empenho em melhorar. As estratégias apresentadas anteriormente resultaram e foram eficientes e eficazes, sendo notório um aumento de motivação e empenho dos alunos porque sentiram que estavam a ser valorizados.
No que diz respeito às aulas assistidas do professor estagiário, todas as observações foram realizadas com a mesma turma, sendo esta do 8º ano e a matéria abordada em todas elas foi os JDC, nomeadamente Futebol, Basquetebol e Andebol.
Os problemas identificados:
• Nos alunos: relacionamento entre alunos muito conflituoso e pouca interajuda, clima relacional tenso;
• Em relação ao professor: a postura em aula, utilização de muitos feedbacks desaprovativos e corretivos e poucos ou inexistentes feedbacks aprovativos; • Em relação aos conteúdos: o ajustamento da complexidade das tarefas tendo em
consideração os objetivos e à heterogeneidade da turma.
Para os problemas apresentados foram sugeridas estratégias como: o professor adoptar uma atitude mais receptiva em relação aos alunos; solicitar atividades que exijam uma maior interajuda; valorizar os comportamentos positivos dos alunos e seus esforços e empenhos, aumentando o número de feedbacks positivos; intervir de imediato em caso de comportamentos de desvio. Em relação aos conteúdos, tentar complexifica-los ou
“descomplexificá-los”, jogando com fatores como, o número de jogadores, o espaço, os objetivos e a colocação de condicionantes, atendendo ao nível de proficiência dos alunos.
No que concerne à colocação em prática das estratégias sugeridas, o professor teve alguma dificuldade em operacionalizá-las, utilizando por vezes, mas não de forma consistente em todas as aulas. Ainda em relação aos problemas identificados na turma, as áreas que verificámos melhorias mais significativas, foram o clima relacional e o controlo de aula. No que diz respeito aos outros problemas identificados tiveram melhorias pontuais mas não consistentes (não se verificavam em todas as aulas).