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Este ponto do presente trabalho de investigação-ação evidencia as várias atividades e metodologias seguidas e desenvolvidas de forma a dar prosseguimento ao plano inicialmente traçado. Outro aspeto que se teve em consideração foi o que o QECR define como sendo uma abordagem para a ação: aquele que “considera antes de tudo o utilizador e o aprendente de uma língua como atores sociais, que têm que cumprir tarefas (que não estão apenas relacionadas com a língua) em circunstâncias e ambientes determinados, num domínio de atuação específico” (Conselho da Europa, 2001: 29). Ou seja, pretendeu-se sempre criar contextos comunicativos nos quais os estudantes sentissem necessidade de convocar as várias subcompetências linguísticas para resolverem as propostas de exercícios de cada aula. Por isso, organizaram-se as aulas seguindo uma sequência lógica de evolução da aprendizagem a efetuar e cada uma prosseguiu uma linha progressiva e flexível de passos/ações que se seguiam naturalmente: 1ª ação: atividades de “aquecimento” e de motivação; 2ª ação: tarefas de exploração do tema e 3ª ação: exercícios de reflexão didático-pedagógica. Em todas as aulas criaram-se tarefas intermédias ou possibilitadoras que encaminhassem os alunos para a realização da final. Estabelecendo, portanto, uma focalização por tarefas - também conhecido por “enfoque por tareas”. Por sua vez, as estratégias centraram-se no processo, dado que a criatividade foi desenvolvida como facilitador do processo de escrita e o trabalho em grupo promoveu a escrita colaborativa e a reflexão sobre a escrita:

Gráfico 7: gráfico retirado de (Barbeiro & Pereira, 2007: 34) que ilustra as várias estratégias segundo a sua ação.

Na hora da conceção das atividades, foi constante a ideia de que, para a obtenção de sucesso na aprendizagem, é vital que os estudantes se sintam interessados no que vão aprender – como aliás já se viu na exposição teórica. Nesse intuito, pretendeu-se que as tarefas, estratégias e metodologias se ajustassem aos seus interesses, não esquecendo que a adolescência é marcada por exigências elevadas quer ao nível do sistema executivo quer na interação entre os processos cognitivos e os ligados ao afeto (Fonseca, 2010). Ou seja, tentou-se criar as condições capazes de despertar o contínuo interesse dos discentes e de os conduzir ao desejo de aprender. De igual forma, pretendeu-se elaborar exercícios e estabelecer desenvolvimentos de aulas que as contextualizassem e relacionassem teoria e prática, dado que “tener un motivo para escribir es tener una situación que nos empuja a hacerlo, a actuar” (Bonals, 2000: 33). Logo, para o desenvolvimento da escrita seguiu-se a dimensão compositiva e centrou-se no seu processo.

Outra preocupação na preparação e estruturação dos exercícios foi a consciência de que trabalhar em grupo e em par não é tarefa fácil nem os alunos estavam familiarizados em fazê-lo corretamente. Por essa razão, delinearam-se situações e atividades nas quais os estudantes trabalhassem imbuídos num clima relaxado e agradável (mas motivador de atitudes ativas de aprendizagem colaborativa e por descoberta). Contextos esses que lhes propiciassem motivos para aprender a escrever - e a fazê-lo corretamente - ao mesmo tempo que lhes possibilitassem desenvolver a sua capacidade de saber ouvir e “anular-se” pelo grupo (características fundamentais para trabalhar-se com sucesso em grupo). Isto porque reconhece- se o trabalho colaborativo como sendo fomentador da aprendizagem dos elementos do grupo

desde que trabalhando juntos e em colaboração extraindo dessa interação uma aprendizagem de qualidade e frutífera.

De seguida, apresentar-se-á brevemente a aula prévia ao início da intervenção que se concretizou no dia 14 de janeiro do corrente ano e que teve a duração normal das aulas da disciplina (90 minutos):

Unidade 4: Día-a-día

Aula nº 0 Data: 14/01/2014 Duração: 90 minutos Objetivo:

 Testar metodologias para responder a obstáculos/dificuldades detetadas na observação de aulas.

 Verificar o impacto da metodologia a utilizar e a viabilidade de algumas estratégias. Tarefa final: criação de uma banda desenhada rotina de um agente secreto (que considerassem a mais surpreendente).

Tarefas possibilitadoras:

 Identificar as horas constantes em vários relógios;

 Identificar e utilizar corretamente os conceitos relacionados com a rotina individual (vídeo).

Documentos utilizados e vinculados com o projeto: curta-metragem retirada do YouTube, documentos de apoio encontrados no Pinterest:

(http://pt.pinterest.com/pin/528539706240241800/, http://pt.pinterest.com/pin/528539706240241793/, http://pt.pinterest.com/pin/528539706240242029/).

Metodologia:

 Permitir uma melhor visibilidade para o quadro: a organização das mesas em forma de um U com duas filas no meio e de frente uma para a outra.

 Trabalho em grupo:

o os alunos escolheram o local onde se sentaram e os elementos dos seus grupos (aferiu-se as suas escolhas e possibilitou-se-lhes o desenvolvimento da autonomia),

o a docente-investigadora orientou a disposição dos vários grupos na sala e delineou o número de elementos: 4.

o Durante o desenvolvimento das tarefas, colocou-se uma música de fundo suficientemente baixa para não perturbar e razoavelmente alta para ser ouvida por todos e auxiliar os discentes a controlarem o tom das suas participações dentro dos grupos – pretendia-se: acalmar e conduzir os alunos no prosseguimento das tarefas.

Tabela 6: tabela síntese da aula 0.

De seguida, apresentar-se-ão detalhadamente algumas aulas por estarem mais vinculadas com o projeto e serem as que (dada a sua localização temporal) ilustram o roteiro metodológico e estratégico trilhado permitindo ter-se uma visão mais concreta do trabalho desenvolvido ao longo das aulas. Este ponto do capítulo terminará com um quadro-síntese das restantes aulas. Todavia, afigura-se importante esclarecer que o desenvolvimento dos exercícios de escrita seguem o que Barbeiro & Pereira denominaram de ciclo de escrita por permitir a integração das atividades com o ato de aprender a aprender:

Gráfico 8: representa o ciclo da escrita e os vários componentes: planificação (mobilização do conhecimento prévio, recolha e seleção da informação e organização da informação), composição (redação) e revisão (Barbeiro & Pereira,

2007: 34).

Em todas as aulas, pretendeu-se suscitar surpresa e curiosidade nos estudantes, pelo que por isso, estes eram informados do que se ia desenvolver de forma gradual o que permitia

 Motivação: trabalhada através dos materiais disponibilizados, as atividades solicitadas, a tarefa final e a expetativa face a forma de atuar da docente.

Avaliação:

 No final, passou-se uma ficha de autoavaliação que visava todas as competências linguísticas além de outras (como as estratégias de resolução de dificuldades, verificação dos pontos do projeto, …).

 Os resultados obtidos permitiram verificar que a nova disposição tinha obtido a finalidade desejada (21 dos inquiridos afirmaram que sempre viram para o quadro e 5 frequentemente); os alunos também reconheceram que quase sempre escreveram corretamente e que conseguiram superar as suas dificuldades na escrita).

que se animassem na sua realização e que fossem adquirindo autoconfiança e segurança na sua aprendizagem. Ao fazê-lo, pretendia-se fomentar a autonomia e a motivação dos alunos. Note-se que dois objetivos que estiveram sempre presentes foram desenvolver a autonomia e permitir a todos os alunos, mesmo os mais calados, a sua participação – isto acontecia não por se sentirem intimidados de falar em voz alta, mas porque havia sempre colegas que se pronunciavam mesmo que outro estivesse a participar. Por isso, desde o início, a professora- investigadora deu sempre a voz a todos, alertando várias vezes para essa situação, pelo que nas últimas aulas era algo que ocorria pontualmente.