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3. Materialer og metoder

5.5 Avsluttende diskusjon

A influência da participação em uma rede de relações sociais também se faz presente na literatura como um elemento contribuinte para o prolongamento da escolarização de jovens de camadas populares. Usualmente, nomeia-se essa influência por capital social, tal qual descrito por Coleman (1990):

Conjunto das relações sociais em que um indivíduo se encontra inserido e que o ajudam a atingir objetivos que, sem tais relações, seriam inalcançáveis ou somente alcançáveis a um custo mais elevado. O capital social localiza-se não nos indivíduos, mas nas relações entre eles, e a existência de capital social aumenta os recursos à disposição dos indivíduos que encontram-se imersos em tais relações. (COLEMAN apud AQUINO, 2000, p. 24)

Em grande parte das pesquisas nacionais observadas, portanto, percebeu-se a presença de uma rede de apoio social composta por Igrejas, escolas, relação com colegas e professores, namorados, entre outros, que ampliaram as possibilidades, para esses alunos, de conhecimento e permanência no sistema escolar. Ou, como diria Portes (2011), a compreensão da escolarização de longo curso alcançada por indivíduos das camadas populares vincula-se, entre outras coisas, ao suporte e intervenção de terceiros no processo de facilitação e conquista desse percurso.

Almeida (2006), por exemplo, menciona como um traço comum, entre os alunos pesquisados por ele, a falta de um capital familiar informacional sobre a universidade. Situação que acabou, parcialmente, sendo suprida por relações sociais estabelecidas pelos

próprios indivíduos, como presença de namorados e seus familiares, assim como amigos, que incentivaram a entrada desses jovens nas universidades e primos que disponibilizavam informações sobre cursos. Ou, a partir do contato com colegas de escola que fariam vestibular, possibilitando troca de informações. Ou, ainda, a partir de recomendações de diferentes pessoas que apresentavam o cursinho como um elemento necessário para se ter acesso à universidade.

Verificou-se, também, nessa mesma pesquisa, a presença de professores como figuras essenciais no sentido de fornecerem importantes informações sobre a existência do ensino superior como uma possibilidade e, em alguns casos, orientando a respeito das condições de acesso. Encontrou-se, também, a presença de colegas de turma como pessoas-chave para apresentação da universidade, pois estavam envolvidos com a preparação para o vestibular em uma instituição de ensino superior pública. Resultados semelhantes foram encontrados por Piotto (2007), ao mencionar a construção social de trajetórias escolares em alunos de camadas populares.

Almeida (2006) encontrou, igualmente, a contribuição da própria Universidade ao divulgar seus serviços e programas para alunos de escolas diversas, inclusive públicas, como uma forma de apresentar a esses alunos o ensino superior como uma possibilidade.

Portes (2001; 2006), por sua vez, menciona a presença de padres, correligionários políticos e parentes como suporte a alunos pobres, do início do século XX, para a aquisição de conhecimentos necessários ao enfrentamento dos preparatórios para entrada no ensino superior.

Já Andrade (2012), ao examinar a presença de estudantes de camadas rurais no Ensino Superior público e privado, identifica a influência de outras instâncias sociais como escola e professores, além da convivência de diferentes sujeitos, de pertencimentos sociais diversificados, no mesmo espaço geográfico e escolar. Esse tipo de convivência esteve associado, principalmente, ao benefício da bolsa de estudos em escolas privadas, compreendida como uma forma de participação na rede de relações sociais, no sentido de obter favores e dar continuidade aos estudos. Resultados semelhantes foram encontrados por Portes (1993).

Andrade (2012) associou, portanto, o papel de instâncias sociais como a escola e professores na contribuição da construção da longevidade escolar, na medida em que possibilitaram aos seus alunos aprenderem sobre o funcionamento do sistema escolar e

construirem configurações singulares. Resultados semelhantes foram encontrados por Piotto (2007; 2008), Piotto e Nogueira (2013), Portes (1993; 2001), Silva (1999), Souza (2009), Viana (1998) e Zago (2000). A autora ressalta, ainda, o fato de esses alunos terem cursado o ensino fundamental e médio em escolas do meio urbano, o que favoreceu o estabelecimento de uma rede de referências externa ao contexto familiar destes estudantes. A autora associa a isso a constituição de disposições favoráveis ao ingresso no ensino superior, na medida em que os estudantes tiveram contato, por exemplo, com informações sobre o funcionamento do vestibular, seu principal mecanismo de acesso à época.

Carvalho (2012) também encontrou em sua pesquisa a influência da convivência de diferentes sujeitos em um mesmo espaço social, como a escola, igreja e outros espaços coletivos. Pois, verificou que a partir dessa convivência formaram-se, entre jovens rurbanos6 com pouca expectativa de entrarem para o ensino superior, elos duradouros de amizade que funcionaram como uma rede de solidariedade. Isto é, no momento em que cursavam o ensino superior, essa rede atuou de modo a sustentar referências para empregos ou mudanças de moradia da comunidade local para as cidades ao redor. Assim, a autora considerou que essa rede de relações teve o efeito das demais relações sociais observadas. Carvalho (2012) menciona, ainda, o contato positivo desses jovens com a igreja e a escola, que se tornaram parte dessa rede de relações sociais, contribuindo para a aquisição de conhecimento e informação. Resultados semelhantes foram encontrados por Mariz et al (2003) ao investigar a escolarização longa de jovens das comunidades da Rocinha e da Maré. A autora ressalta o papel da igreja atuando como estímulo à perseverança e ao empreendimento de estratégias para entrada no ensino superior, como frequentar cursinho pré-vestibular. Ademais, menciona o grupo de amigos como um fator de apoio e estímulo mútuo, contribuindo para que esses jovens chegassem ao ensino superior.

De acordo com Silva Souza (1999), podemos ainda acrescentar que, no entanto, a participação, de jovens de camadas populares em redes sociais diferentes daquelas que constituíram o habitus primário, propiciou a constituição de um novo habitus. Isto é, a aquisição de um novo modo e estilo de vida favoráveis à longevidade escolar.

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6

Termo utilizado por Carvalho (2012) para se referir a jovens que vivem em um espaço resultante de uma área rural e urbana, influenciado as manifestações culturais locais, as contradições estabelecidas pelo modo de vida e as próprias representações dos moradores de uma área sobre o espaço que habitam. Ou, ainda, pode-se utilizar rurbano para justificar a identificação e localização da escola estudada, em um bairro rurbano, ou seja, com características tanto rurais quanto com traços urbanos.

Pois, ao participarem de movimentos da igreja, associação de moradores, da própria comunidade e em outros espaços externos, os jovens tinham contato com sujeitos que já estavam envolvidos com o contexto universitário, tornando-os familiarizados com esse universo. Além do mais, a formação desse novo habitus, diferente daquele originalmente formado no meio familiar, deu origem a novos interesses e aspirações, que envolviam, inclusive, o plano escolar. O autor atribui, portanto, a essas redes de socialização secundária, o favorecimento da incorporação de disposições que contribuíam para o desenvolvimento de práticas que valorizavam a permanência no sistema escolar.

Costa (2013), por sua vez, obteve resultados em sua pesquisa de mestrado que confirmaram a hipótese de que o sucesso escolar de jovens de camadas populares deve-se ao capital social adquirido, compreendido como uma rede durável de relações constituída, principalmente a partir do meio escolar. Pois, a autora concebeu a escola nesse contexto tal qual Bourdieu (1998), ou seja, a escola pode atuar de modo a “compensar as desvantagens daqueles que não encontraram em seu seio familiar a incitação à prática cultural” (p. 61). Em outras palavras, a escola funcionaria como um meio de prover, na ausência da “herança” familiar, o contato com a cultura dominante, facilitando o trânsito nos ambientes escolares. A autora acrescenta, ainda, que o capital social adquirido possibilitou a esses alunos um leque de possibilidades, estimulando-os a acreditar que poderiam ir além do ensino médio.

Silva Souza (2009) também encontrou evidências de que a rede de relações cultivada pelos indivíduos e suas famílias propicia o acesso a lugares, conhecimentos e informações diversas, influenciando a longevidade escolar. O autor ilustra tal situação mencionando as amizades como formadoras de um grupo em que inspiravam o desejo de quererem algo melhor, convertendo-se em avanços escolares. Ou, o fato de a família lançar mão de sua rede de relacionamentos para obter informações, tais como onde se situavam as melhores escolas, ou a possibilidade do desconto no pré-vestibular.

Em síntese, tal qual mencionado por Portes (2001), observa-se que a presença do outro, ou seja, a rede de relações sociais presentes ao longo da trajetória escolar de alunos de camadas populares atua de modo a favorecer a chegada ao ensino superior. Pois possibilita o acesso a informações sobre o funcionamento escolar, a obtenção de ajuda material, bem como auxílio para a escolha de instituições de ensino de melhor qualidade. Formam-se, assim, grupos de apoio que não apenas influenciam as aspirações escolares familiares e individuais, como favorecem o desenvolvimento de estratégias para a continuidade dos estudos.