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Atualmente vive-se numa época de elevado grau de competitividade, obrigando as empresas a uma busca incessante pelo conhecimento e por melhores capacidades, inclusive fora dos mercados onde atuam. Desta forma, existe um foco intenso em I&D (Criscuolo, 2009; Dunning e Lundan, 2009). Penner-Hann e Shaver (2005) incidem mesmo na ideia de que pelo facto de os produtos atuais estarem cada vez mais desenvolvidos tecnologicamente, as empresas, para se manterem competitivas em mercados mais desenvolvidos, são obrigadas a incrementarem recursos em I&D para dar resposta à concorrência e aos próprios mercados.

Cantwell e Piscitello (2000) concluíram que se consegue uma clara melhoria em termos de capacidade tecnológica, sempre que uma empresa consegue obter conhecimento de diversas fontes, nomeadamente de diversos pontos geográficos, incrementando, assim, as suas valências. Phene e Almeida (2008) defendem que a competitividade de uma empresa melhora significativamente quando existe um intensivo investimento em I&D. Iwasa e Odagiri (2004), além de partilharem essa ideia, referem também o facto de esse investimento contribuir para um melhor desempenho em inovação. Penner-Hann e Shaver (2005) demonstram, que quanto mais se investir em I&D, melhores são os resultados da empresa. Significa isto que, quanto mais intensa for a I&D, mais preparada a empresa estará para responder às exigências específicas do mercado. Uma das consequências deste caminho é o facto de se gerar uma complexidade ao nível operacional, obrigando, dessa forma, as empresas a terem um nível de organização, comunicação e coordenação bastante elevado (Gassmann e Von Zedtwitz, 1999; Argryes e Silverman, 2004, Lien et al., 2005). Gavetti et al. (2012) e Hsu et al. (2015) concluíram que um investimento em I&D, sobretudo a um nível internacional, proporciona às empresas um grau de competitividade muito maior, tornando-se mesmo um fator de diferenciação.

O processo de I&D para criar e manter as inovações tecnológicas, de produtos ou de processos, envolve um conjunto de fatores tais como a criação, a disseminação e a aplicação de conhecimento (Vincente-Lorente, 2001; O’Brien, 2003; Li e Kozhikode, 2009; Wang, 2010). Chen (2008) refere que o investimento em I&D é um custo atual cujo proveito será a longo prazo e cujo retorno não é garantido. A opção por uma empresa apostar na I&D implica gastos elevados e é fruto dos processos que os gestores têm em relação à estratégia para as suas empresas.

É claro que esta política de investimento depende muito da cultura da própria empresa e do meio geográfico onde esta está inserida. Kull et al. (2014) sugerem que existe um interesse e uma procura muito mais acentuada em investir em I&D, em mercados cujo grau de inovação é grande, comparativamente a empresas que se situem em mercados menos competitivos. Lee

e O’Neill (2003) e House et al. (2004) referem o facto de que, em mercados mais inovadores, a necessidade de entreajuda entre as empresas e as instituições públicas é crucial para o incentivo de as empresas apostarem no investimento em I&D. House et al. (2004) referem ainda a importância que a evolução da sociedade tem na procura de I&D por parte das empresas, pois essa cultura inovadora propicia condições para a existência desse investimento e o consequente retorno, uma vez que evidencia por parte de todos os agentes de mercado um esforço, um interesse e um objetivo comum em inovar. Assim, estes autores constataram que mercados onde existam relações de proximidade entre os diversos agentes, é criada uma competição saudável, em contrapartida com empresas onde o apoio é diminuto, não proporcionando condições de retorno ao investimento em I&D. Esta ideia foi também constatada por Lewellyn e Bao (2015) em que existe um menor investimento em I&D em situações em que a empresa se encontra num ambiente isolado e ambíguo, comparativamente a empresas que se inseriam em situações de coordenação coletiva, onde o investimento por parte das empresas é muito maior em I&D.

Assim, para o crescimento e sobrevivência da empresa é crucial investir em I&D (Lee e O’Neill, 2003). Embora o retorno daí subjacente tenha que ser visto a médio e longo prazo, o lado negativo será sempre o facto de existir um custo imediato (Dalziel et al., 2011). Nas PME, dada a dimensão das mesmas, esta situação pode ser problemática, uma vez que a dimensão das PME pode não suportar este gap de tempo entre o custo e o ganho. Por isso, é necessário que a gestão das empresas consiga conciliar a capacidade financeira com os investimentos em I&D. Desta forma, existe, muitas vezes, uma aversão ao risco no que respeita a esses investimentos em I&D (Anderson et al., 2012). Curiosamente, Balkin et al. (2000) e Tsao et al. (2015) constataram que a capacidade de inovação das empresas está positivamente relacionada com os honorários dos CEO’s. Cheng (2004) constatou que existe um relacionamento positivo entre o investimento em I&D e o facto de os CEO’s se encontrarem perto da reforma, ou de se retirarem da empresa, ou quando as empresas têm uma queda nos lucros. Ou seja, as empresas por vezes respondem a fatores adversos ou a outros estímulos mais pessoais, como é o exemplo da posição e situação dos seus CEO.

Ainda em relação às PME e, uma vez que estas são a grande maioria por todo o mundo, existe uma clara dependência do que é investido em I&D com o poder de decisão das famílias que detêm a posse da empresa (Morck e Yeung, 2003; Peng e Jiang, 2009). Isto acontece porque ao existir um investimento em I&D isso possibilitará às empresas um crescimento e, consequentemente, o controlo da empresa por parte dos familiares pode ser posto em causa, pois o receio de não serem capazes de lidar com o crescimento da mesma e de não conseguirem acompanhar estrategicamente a evolução que esse investimento traga e exige, é bastante grande (Gómez-Mejía et al., 2007). Seja como for, se a aposta em I&D for algo que traga uma melhoria ao nível económico para a empresa, então será sempre uma solução a ponderar (Lee e O’Neill, 2003). McGrath e Nerkar (2004) referem que as empresas mais

familiares que apostam pouco na I&D tornam-se menos capazes para explorarem as oportunidades do mercado e, como tal, o seu crescimento é reduzido ou mesmo nulo. Kim et al. (2008) e Kim e Park (2012) referem que, para se poder investir em I&D, é necessário ter capital suficiente, bem como o facto de se possuir uma boa estrutura de ativos proporcionar a uma empresa a possibilidade de, com mais facilidade, investir em atividades de I&D. Coad e Rao (2010) referem que um fator determinante, ao nível interno, para uma empresa investir em I&D é a rentabilidade. Além disto, como a I&D envolve um grau de incerteza e de risco elevado, obriga a um investimento a longo prazo que permita um suporte constante às necessidades financeiras que tal investimento exige. Outro determinante importante no investimento em I&D são os recursos humanos que as empresas têm (Galende e suarez, 1999). Fleming (2001) diz que os recursos humanos com capacidade e com conhecimento das tecnologias em que a empresa está envolvida, proporciona uma maior influência na possibilidade de as empresas poderem desenvolver novas tecnologias e melhores atividades de I&D.

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