- Dimensão II: Perceções de Peritos espanhóis sobre a Comunicação Organizacional enquanto Processo;
- Dimensão III: Perceções de Peritos Espanhóis sobre a Avaliação 360º enquanto Conceito;
- Dimensão IV: Perceções de Peritos Espanhóis sobre a Avaliação 360º enquanto Processo;
- Dimensão V: Perceções de Peritos Espanhóis sobre a Relação entre a Avaliação 360º e a Comunicação Organizacional.
4.3.1. Perceções de Peritos Espanhóis sobre a Comunicação Organizacional enquanto Conceito
Em relação à Dimensão I – “Perceções de Peritos Espanhóis sobre a Comunicação Organizacional enquanto Conceito” não foi a centralidade da comunicação organizacional a categoria que obteve uma maior frequência (embora também sido referida muitas vezes), contrariamente ao que se verificou no estudo realizado em Portugal, mas sim a categoria referente à relevância da comunicação da liderança. Neste caso, as subcategorias que surgiram como inovadoras foram: a criação de vínculos, os comportamentos de voz e a confiança; o compromisso e a motivação, como já haviam sido mencionados na investigação anterior, não se constituíram como dados novos. De acordo com os entrevistados, a comunicação das lideranças poderá contribuir para a criação de vínculos, por parte dos colaboradores; para os seus comportamentos de voz e
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para uma melhoria da sua confiança. Estes resultados vão ao encontro de investigações anteriores, pois sabe-se que o comportamento dos supervisores e dos líderes tem vindo a ser encarado como um influenciador crítico dos comportamentos de voz, no sentido em que são eles que podem oferecer as condições necessárias para que os comportamentos de voz se verifiquem (e.g. Detert & Burris, 2007; Detert et al., 2013; Carnevale et al., 2017; Morrison, 2014). Para além disso, quando as chefias adotam uma liderança comunicativa, os colaboradores assumem um maior envolvimento (Johansson, 2015), que poderá estar relacionado com a criação de vínculos e um maior “engagement” (Johanson, 2015; Johansson, 2018), que poderá associar-se às questões da confiança.
Estas novas subcategorias que surgiram, particularmente, os comportamentos de voz e a confiança, assumiram especial relevância para os objetivos desta tese, uma vez que se constituíram como importantes “outputs” para a criação do modelo teórico de análise (explicado no capítulo seguinte referente ao terceiro estudo, de cariz quantitativo). No que diz respeito à questão da centralidade, verificou-se que, tal como no estudo concretizado em contexto português, também neste caso os peritos mencionaram com maior frequência a centralidade da comunicação interna, comparativamente à comunicação externa
A utilização das tecnologias de informação apareceu com uma frequência bastante elevada, tendo sido abordada de outra forma, sendo que todas as suas subcategorias se constituíram como novas. Neste caso, os entrevistados dirigiram-se, particularmente, às Redes Sociais “Online”, nomeadamente: à sua centralidade, à sua bidirecionalidade e, à sua eventual falta de transparência. Apesar de alguns autores defenderem a pertinência das tecnologias de informação, considerando que as mesmas têm vindo a transformar a forma como as organizações comunicam, sendo algumas delas promotoras de uma comunicação mais constante (e.g. Almeida 2003; Hewitt, 2006), não tínhamos como objetivo direto o estudo das Redes Sociais “Online”, embora se tenha constituído este resultado como novo e relevante.
Na investigação realizada em Portugal, as caraterísticas da comunicação do líder surgiram com uma elevada frequência (logo a seguir à centralidade), o que não se verificou neste caso. Os peritos espanhóis acrescentaram a questão da assertividade e da comunicação não-verbal, sendo estes resultados novos e pertinentes para a criação do Modelo Teórico de Análise. Um aspeto a frisar é o facto de a comunicação não-verbal ter sido mencionada no estudo português, embora de uma forma genérica e não se referindo
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especificamente à comunicação de chefias. A confidencialidade, a empatia e a escuta- ativa já haviam sido mencionadas no estudo realizado em contexto português.
Nesta investigação, os docentes universitários espanhóis apelaram à relevância das questões culturais, considerando que as mesmas poderão influenciar a forma de comunicar; algo que não havia sido referido anteriormente e que corrobora estudos anteriores que defendem que a cultura organizacional possibilita uma maior compreensão da comunicação que se estabelece entre os atores organizacionais, sendo que diferentes culturas envolvem diferentes assunções e conhecimentos, contribuindo, também, para a aquisição de diferentes significados das mensagens recebidas (Duck & McMahan, 2012). Para além da cultura, os participantes acrescentaram a relevância da comunicação organizacional para a sociedade, informação inovadora deste estudo e com um forte contributo teórico, uma vez que não havia sido abordada na investigação realizada em Portugal.
A criação da reputação foi outro aspeto que os docentes universitários vieram acrescentar à criação de identidade anteriormente mencionada. Os autores Smidts, Riel e Pruyn (2000) corroboram esta ideia defendendo que uma comunicação organizacional ineficaz poderá colocar em causa a reputação de uma organização.
A evolução da comunicação organizacional e a relação com áreas adjacentes foram aspetos referidos neste estudo, tal como haviam sido frisados no estudo anterior. Porém, a evolução da comunicação organizacional surgiu com uma menor frequência, neste caso. Um outro aspeto que os peritos espanhóis tiveram em conta e que não havia sido abordado na investigação anterior foi o facto de aquando da definição da comunicação organizacional ser necessário considerar a comunicação interna e externa simultaneamente e não uma em detrimento de outra. Tal corrobora trabalhos anteriores que defendem que as duas formas de comunicação (i.e., interna e externa), quando englobadas no seio organizacional devem ser encaradas como interdependentes (Smidts, Riel & Pruyn, 2000).
A diferença idiomática também assumiu um papel importante neste estudo, por ter sido referida como uma categoria nova. De acordo com os peritos espanhóis, o conceito e a forma de definir a comunicação nas organizações difere entre Portugal e Espanha, sendo que em Portugal a mesma é conhecida por “comunicação organizacional” e em Espanha por “comunicação corporativa”. Esta categoria apelou, então, às diferenças concetuais entre o contexto português e o contexto espanhol, algo muito pertinente para
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esta tese, uma vez que se realizou nos dois contextos e que se pretendia perceber eventuais diferenças.
Ainda em relação à comunicação organizacional enquanto conceito, os entrevistados defenderam um modelo integrado em que se tivesse em conta uma visão holística da comunicação, algo que não havia sido considerado na investigação portuguesa anterior. Esta questão poderá estar relacionada com o Modelo de Comunicação em Contexto defendido por Fisher (1993). De acordo com este modelo toda e qualquer comunicação ocorre num determinado contexto, devendo ser considerados fatores contextuais como: caraterísticas do grupo – o grupo a que os interlocutores pertencem; a estrutura e cultura - relacionadas com as práticas de supervisão; os sistemas de informação; as políticas; as regras; os valores e as caraterísticas das tarefas (Fisher, 1993).
Para além da perspetiva estratégica, frisada no estudo realizado em Portugal, os docentes universitários espanhóis acrescentaram uma perspetiva operativa da comunicação organizacional, considerando uma visão não somente estratégica, como também instrumental (e.g. ferramenta de gestão). Esta informação assumiu um caráter inovador, pois uma grande parte das investigações têm vindo a assumir que a comunicação organizacional deverá ser encarada de acordo com uma perspetiva estratégica. Por exemplo, de acordo com o Modelo Estratégico, defendido por Fisher (1993), a comunicação organizacional promove a formação da estratégia da organização, considerando a missão e identidade desta última, mas também os “stakeholders” externos, tais como, os clientes e os fornecedores.
Ainda como um dado novo surgiu a questão da coerência entre aquilo que é comunicado pelas organizações e as suas ações, sendo que os “experts” consideram que essa coerência deveria existir e nem sempre existe, podendo este aspeto tornar-se prejudicial para a eficácia organizacional.
Finalmente, considerou-se a categoria referente à responsabilidade social corporativa, tendo sido aquela que apresentou uma menor frequência, tal como no caso do estudo português. Assim, esta ideia de que a comunicação organizacional é relevante para a responsabilidade social corporativa acabou por ser reforçada.
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4.3.2. Perceções de peritos espanhóis sobre a Comunicação Organizacional