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Será adotada a nomenclatura básica introduzida por Brucker (1998), a qual tem o objetivo de criar uma classificação para os diversos tipos de problemas de escalonamento. A notação é composta por três campos ordenados α β γ , onde o primeiro campo descreve os recursos, o segundo as tarefas e o último o critério de otimização.

3.2.1.1.1 Campo αααα - Recursos

Os tipos mais comuns de recursos em sistemas de manufatura são as máquinas paralelas e as máquinas tipo “shop” (especializadas). No caso das máquinas paralelas as tarefas podem ser completadas por uma única máquina. Para o caso de máquinas do tipo shop, existem tarefas que podem precisar ser executadas em máquinas distintas. As máquinas paralelas não constituem o escopo deste trabalho.

3.2.1.1.1.1 Máquinas Shop (Especializadas)

No sistema de manufatura a ser abordado nesta pesquisa, as máquinas são consideradas como dedicadas, ao invés de paralelas. A organização dessas máquinas nos sistemas produtivos dá-se segundo os três principais modelos descritos na Tabela 3.1 e suas possíveis variações.

Tabela 3.1 - Variações de Máquinas do Tipo Shop.

Tipo Descrição

Flow-Shop (Fm)

No modelo flow-shop (line-transfer), todas as tarefas têm o mesmo número de operações as quais são executadas na mesma ordem, por todas as m máquinas em série. Após a execução em uma máquina, a tarefa entra na fila para execução na próxima máquina. Geralmente as filas seguem a disciplina FIFO (first in

first out);

Open-Shop (Om)

Neste modelo as tarefas também devem ser executadas por todas as m máquinas, entretanto, alguns tempos de execução podem ser nulos. Não existem restrições quanto à ordem das máquinas onde cada uma das tarefas deve passar;

Job-Shop (Jm)

Neste modelo cada uma das tarefas possui um roteiro pré- determinado. O número de máquinas, como nos modelos anteriores também é m. Um tipo especial de job-shop onde uma tarefa pode visitar uma máquina mais do que uma vez, é denominado por recirculação (com a palavra recrc no segundo campo).

3.2.1.1.2 Campo ββββ - Tarefas

Além das características das tarefas mostradas anteriormente como tamanho (tempo de execução), data de disponibilidade e data de término, serão introduzidas aqui outras características bastante comuns, conforme a Tabela 3.2.

Tabela 3.2 - Outras características do campo de tarefas.

Tempo de preparação (setup) da máquina (sjk)

Dadas duas tarefas tj e tk, sjk corresponde ao tempo de

preparação de uma máquina que executou uma tarefa tj e

vai executar uma tarefa tk. Caso este tempo também

dependa da máquina mi em questão, usa-se a notação sijk.

No caso de tj ser a primeira (ou última) tarefa executada na

máquina, o tempo de preparação é denotado por s0j e sj0,

respectivamente.

Relações de precedência (prec) Quando existir, a ordem para a execução das tarefas geralmente é representada por um grafo orientado, onde os vértices correspondem às tarefas e os arcos às relações diretas de precedência. Um arco de uma tarefa tj a uma

tarefa tk faz com que a tarefa tkpossa iniciar sua execução

apenas após o término da tarefa tj. Caso o grafo de

precedência pertença a uma família específica, ao invés de

prec, coloca-se o nome da família no segundo campo. Os mais comuns são: intree, outree, chains, split-compute-

merge, dentre outros.

Tempo de comunicação entre máquinas (cjk)

No caso de precedência entre duas tarefas tj e tk, se a tarefa

tk finaliza a sua execução no instante t na máquina mi, a

tarefa tk não pode iniciar a sua execução antes do instante t,

na mesma máquina mi, ou do instante t + cjk em qualquer

outra máquina.

Interrupção ou preempção (prmp)

Quando é possível interromper uma tarefa, ela não precisa necessariamente terminar na mesma máquina em que começou a sua execução. O tempo de execução utilizado até a interrupção não é perdido. Quando a tarefa volta a uma máquina qualquer, ela só precisa ser executada durante o tempo restante após a última interrupção.

Restrições de escolha de máquina (Mj)

Este item aparece no segundo campo quando a tarefa tj

No caso de problemas de escalonamento que não se adaptem as variações apresentadas na tabela, pode-se definir novos parâmetros para os campos, desde que a notação de Brucker para os campos recurso, tarefa e critério de otimização sejam respeitados (BRUCKER, 1998).

3.2.1.1.3 Campo γγγγ - Critério de Otimização

Para a definição dos principais critérios de otimização usados em problemas de escalonamento, torna-se necessário denotar o instante em que cada tarefa tj termina a sua execução, sendo este instante normalmente chamado de Cj. Para cada tarefa é

associada uma função de custo fj(Cj). A função de custo total para a maioria dos

critérios de otimização corresponde ao máximo,

max{ fj(Cj)  1 ≤ j ≤ n}, (3.1)

ou a soma de todos os custos,

( )

= n j

Cj

fj

1 (3.2) O problema de escalonamento consiste em encontrar uma solução que minimize a função de custo total. As funções de custo mais comuns são definidas na Tabela 3.3.

Tabela 3.3 - Funções de Custo mais Comuns.

Tipo Descrição

makespan (Cmax) Definido como o instante de tempo em que a última

tarefa é finalizada, Cmax = max{C1,...,Cn}. Neste caso o

critério corresponde ao máximo e as funções fj( ) são

funções identidade.

Tempo total de término

(

Cj

)

Definido como a soma dos instantes de término de cada tarefa, = = n j Cj Cj 1

Tempo total de término ponderado

(

ωjCj

)

Definido como a soma dos instantes de término de cada tarefa com peso jω ,

= = n j jCj jCj 1 ω ω

Lateness (grau de atraso) Lj = Cj – dj , pode assumir valores negativos

Earliness (grau de

adiantamento)

Ej = max{0, dj – Cj}

Tardiness (grau de atraso

efetivo)

Tj = max{0, Cj – dj}

Penalidade unitária por

atraso > ≤ = dj Cj se dj Cj se

U

j 1 0

Da mesma forma que o makespan, definido por max{Cj}, é denotado por Cmax, os

critérios de maximização também são denotados por Lmax, Emax, Tmax e Umax.

Dessa maneira, para o problema de escalonamento de tarefas para as células de manufatura virtuais independentes adotadas neste trabalho, com tempo de execução

pij, relações de precedência arbitradas por grafos de precedência em m máquinas

notação dos três campos α β γ , em que a representação para o problema de escalonamento para a produção proposta para essa pesquisa é dada a seguir, na eq.(3.3), onde o critério de otimização segue uma heurística simples41 resultante da combinação de duas outras regras heurísticas também simples e bem conhecidas dos pesquisadores da área:

Jm | prec;recrc;Pij;Cij;t;di;Sijk;Mi P | Regra Heurística (3.3)

Portanto, devido ao indeterminismo quanto aos instantes de chegada das tarefas, usar-se-á uma regra heurística combinada para o terceiro campo do problema descrito pela notação da eq.(3.3), e o sistema se baseará em regras de despacho.