Assim como trailers que mostram fragmentos de filmes a serem lançados, trailers de jogos também tem o objetivo de mostrar em um curto espaço de tempo, nesse caso, uma prévia do jogo a ser lançado.
As técnicas de construção de trailers variaram com o tempo, muito em virtude da evolução tecnológica. Quanto maior a evolução tecnológica, melhores eram as construções gráficas.
Não só os aspectos gráficos foram melhorados ao longo do tempo, como também as técnicas utilizadas na divulgação dos trailers dos jogos foram ganhando novos elementos, como por exemplo a colaboração de artistas na composição de trilhas sonoras vistas nos trailers, vista como uma forma de agregar valor aos trailers do ponto de vista sonoro.
As evoluções gráficas fruto do avanço tecnológico, permitiram a criação e utilização de cinemáticas nos trailers, que no campo da física é o estudo dos movimentos sem a preocupação com as suas causas (UFRGS, 2015). Traduzindo para o mundo dos videogames: é o termo usado para denominar um tipo de movimentação gráfica (LEME,2015), diferente da movimentação gráfica utilizada em um jogo.
As cinemáticas passaram a ser largamente utilizada na indústria de jogos, pois sua construção pode ser feita por estúdios de criação especializados e independentes, à parte dos criadores de um jogo. Devido à sua liberdade de criação, possuem gráficos melhores que os apresentados no próprio jogo, pois este está constantemente limitado a quantidade informações que videogames e computadores são capazes de armazenar e processar ao mesmo tempo.
Imagine a seguinte situação: de um lado você tem um processador mediano e memória limitada para gerar 30 ou 60 imagens a cada segundo rodado, utilizando a mesma base criada para rodar o seu jogo. Do outro você tem uma equipe especializada de artistas, computadores extremamente poderosos (e especializados) e toda a liberdade artística do mundo, podendo coordenar cada elemento de forma independente na cena. Na primeira situação descrevemos exatamente o que é um jogo, ou uma animação construída “in-game”. Nela, a qualidade da cena é limitada pelas capacidades do console e pelo motor gráfico construído para interpretar a cena construída. Já na segunda situação [...] que se trata de uma composição gráfica de qualidade muito mais alta, contando com texturas únicas para cada objeto, técnicas avançadas de iluminação que atingem os objetos exatamente de acordo com as fontes de luz projetadas e inúmeras outras qualidades. (PANKIEWICZ, 2009)
As cinemáticas criadas podem ser elaboradas especificamente apenas para fins de divulgação dos trailers, ou podem ser incorporadas aos jogos em pequena escala (devidos as limitações mencionadas anteriormente), com o objetivo de mostrar parte dos acontecimentos da narrativa desenvolvida longo do jogo. Quando incorporada ao jogo, assume o nome de Cutscene que é uma cena que se conta parte do enredo e é frequentemente mostrada na conclusão de um certo nível, ou quando o personagem do jogador morre (OXFORDDICTIONARIES,2015)
Figura 10: Gráfico cinemático do jogo Final Fantasy VIII em 1999. Fonte: Gamehall.uol.com.br
Com a evolução na capacidade de armazenar e processar dados ao mesmo tempo de videogames e computadores, os gráficos dos jogos foram ficando cada vez mais próximos aos gráficos cinemáticos presentes nos mesmos.
Figura 11: Evolução gráfica dos jogos. Jogo Final Fantasy XIII em 2009. Fonte: www.youtube.com
A decisão pela utilização ou não de cinemáticas tem suas vantagens e desvantagens. Uma das principais vantagens é o aspecto gráfico melhorado, que assim como numa vitrine de loja, busca atrair os consumidores utilizando estratégias visuais e sonoras para que a imagem seja vista, experimentada e consumida.
O poder de um empreendimento rentável está em sua capacidade em ser acessível e de convencer o público a gastar seu tempo e dinheiro em seus produtos. Por isso, propaganda realmente pode ser vista como a alma do negócio e os trailers devem mostrar a alma do filme para nos atrair para a experiência que ele quer criar. E isso torna o filme um produto de consumo, com todas as vantagens e desvantagens disso. (HENRIQUE, 2015.)
As principais desvantagens na elaboração de cinemáticas para os jogos e seus respectivos trailers, envolve os elevadíssimos custos. Pequenos estúdios de criação de jogos dispõem de pouco orçamento e muitas vezes tem dificuldade de buscar investimentos para a aplicação de cinemáticas em seus trailers, uma vez que este mostra-se um elemento importante na publicidade de um jogo.
Um trailer oficial costuma custar entre 40.000 e 120.000 dólares e é responsável por cerca de 20% do rendimento total de um filme, ou seja 1/5 do público é atraído por menos de 5% da verba comumente destinada para propagandas. Não é à toa que outros meios de mídia, como games e séries, também passaram a utilizar trailers ao longo do tempo e os resultados tem tanta qualidade quanto os trailers feitos para cinema. Games ainda adicionaram elementos para entender a interatividade do jogo através dos trailers de gameplay além dos trailers cinemáticos, o que enriqueceu ainda mais o universo dos trailers. (HENRIQUE, 2015.)
Visto ao longo deste estudo que a Hiper-Realidade aborda a existência de simulacros comumente vistos na mídia contemporânea, da divulgação de imagens sem representação no mundo real ou “imagens sem semelhança”, e que os trailers possuem os mesmos códigos linguísticos vistos na publicidade na tentativa de fazer um contrato com o cine- espectador através de elementos sensoriais como visão e audição vistos no Marketing de Experiência, o propósito deste estudo foi verificar se o conceito de Hiper-Realidade através da existência de simulacros se faz presente nas imagens divulgadas nos trailers de jogos.
Hiper-Realidade Marketing