Participação brasileira no comércio internacional – O Brasil perdeu market share no comércio global, com uma redução da casa dos 2.5% nos anos 50 para 0,8% em 2003. Governo e iniciativa privada devem fazer esforços no sentido de incrementar as relações comerciais exteriores brasileiras.
Comércio internacional e desenvolvimento – A busca de uma maior integração comercial poderá oferecer não apenas benefícios específicos em termos de um melhor equilíbrio do Balanço de Pagamentos, mas também benefícios gerais para o setor produtivo e os consumidores, implicando um aumento simultâneo de exportações e importações. A política de integração do Brasil a outros países do mundo deverá estar desatrelada de condicionantes outras que não a própria integração e os benefícios que ela traz.
Pauta de exportação – A pauta de exportações brasileira tem apresentado uma melhora do seu perfil, tanto em termos de sua diversificação quanto em termos da maior presença de produtos de maior valor agregado e industriais (produtos dinâmicos), os quais apresentam menor tendência de perda de valor nos mercados
internacionais. Sugere-se neste estudo um aprofundamento dessa tendência e maiores incentivos à exportação de serviços.
Benefícios do comércio internacional para as empresas – ganhos de escala, desenvolvimento tecnológico, especialização produtiva, melhor uso dos recursos disponíveis, qualificação da mão-de-obra, desenvolvimento de novas estratégias, extensão do ciclo de vida dos produtos são apenas alguns exemplos de benefícios trazidos pela participação das empresas no comércio internacional.
Benefícios do comércio internacional para os países – redução dos preços, integração política e econômica com outros países trazendo estabilidade para o país e a região, crescimento econômico, aumento da importância política do país em nível internacional, maior poupança interna decorrente da redução de preços aos consumidores e aumento dos lucros das empresas, uso racional dos recursos nacionais, maior acesso a capitais internacionais, entre outros, são os benefícios esperados pela maior abertura comercial do Brasil ao exterior.
Estratégias para a internacionalização das empresas brasileiras – Nota-se a grande ausência de estudos sobre estratégias de internacionalização de empresas brasileiras, bem como a inadequação do uso de modelos oriundos de outras realidades nacionais por parte das empresas nacionais. Algumas das questões do Core V, inclusive, mostraram-se pouco adequadas à realidade de um país de renda média-baixa, como o Brasil. A idéia geral prevista na lógica de análise do software parte de uma realidade industrial avançada que pretende exportar seus produtos para países mais atrasados, exatamente o oposto daquilo que as indústrias brasileiras e de outros países de renda média e baixa buscam fazer.
Diversidade de caminhos – A depender do estágio de desenvolvimento organizacional em que a empresa se encontra e da natureza de seu produto e seus processos produtivos, a internacionalização de uma empresa pode se dar de maneiras diferentes, desde a exportação indireta até o estabelecimento de subsidiárias no exterior, passando pelas demais alternativas existentes. Ressalta-se, porém, uma crescente nos níveis de risco da operação e possibilidades de ganho
quando se avança dos tipos mais simples para os mais complexos de internacionalização.
Questões relacionadas à internacionalização – É importante para a empresa notar aspectos externos e internos quando do início de suas atividades globais. As características do mercado e da concorrência são tão importantes quanto as características da empresa na definição de suas estratégias de internacionalização.
Etapas da Internacionalização – As evidências encontradas sugerem que a exportação é apenas o início dos processos de internacionalização da empresa. Aquelas organizações que se pretendem efetivamente exportadoras deverão cruzar outras etapas mais complexas desse processo com o intuito de valerem-se de todos os benefícios advindos da atuação em mais de um país.
Condições para a Internacionalização – Embora a ação internacional traga benefícios para a empresa, que se desenvolve em suas habilidades gerenciais e produtivas quando do encontro com novas realidades e desafios, há um conjunto de características da empresa que atuam como uma pré-condição para a ação internacional, cuja análise sistemática recebe o nome na literatura de Prontidão para Exportar.
Estratégias de Internacionalização – Diferentes dos “modos de internacionalização”, tais estratégias envolvem aspectos de longo prazo e de caracterização do perfil da empresa na atividade global, devendo estar profundamente integrada com as estratégias gerais da empresa, sua capacidade de avaliar as condições ambientais nas quais pretende operar e compatibilizar essas condições com suas competências e recursos internos.
Foco estratégico na internacionalização – Dadas as diferenças marcantes entre os países, suas culturas e seus mercados competitivos, as empresas têm buscado equações que compatibilizem as vantagens oriundas das economias de escala, as quais muitas vezes conduzem à oferta de produtos padronizados em mais de um país, com as exigências crescentes dos mercados por produtos exclusivos e adequados às suas características específicas.
Prontidão para Exportar Organizacional e do Produto – Em que pese haver forte relação entre a empresa estar pronta para a atividade exportadora e o produto que ela pretende oferecer também se encontrar pronto, há evidências que sugerem a necessidade de se fazer uma distinção analítica entre essas duas vertentes que virão a compor o sucesso (ou o fracasso) da empresa no comércio global. A própria Prontidão Organizacional também parece dever ser avaliada em diversas partes, de modo a poderem-se estabelecer políticas de avaliação e desenvolvimento organizacional que ataquem diretamente os problemas detectados, no lugar de abordagens genéricas e superficiais.
Prontidão do Produto e Vantagens Comparativas – Há fortes indícios de que as empresas podem auferir vantagens na competição global a partir da exploração de vantagens comparativas do país em relação a competidores de outros países, embora tais vantagens sejam mais bem exploradas se a empresa for capaz de traduzir sua melhor posição competitiva em custos e disponibilidade de recursos de um determinado grupo de produtos em ações diretas de internacionalização de suas vendas.
Prontidão para Exportar da Indústria Paulista – O parque industrial do Estado de São Paulo parece se encontrar plenamente preparado para a atividade exportadora, apresentando setores ou empresas isoladas que possuem as competências internas necessárias para a atividade exportadora como exceções diante de uma regra geral de falta de prontidão para a internacionalização.
Prontidão para Exportar e Estratégias de Internacionalização – A despeito da existência de possíveis críticas ao pensamento gradualista de alguns autores do campo da estratégia internacional, parece não haver dúvidas de que empresas que se encontram em patamares diferentes de sua prontidão para exportar tendem a encontrar sucesso em seu esforço de internacionalização valendo-se de diferentes estratégias de ingresso na competição global. Segundo nosso estudo de campo, apenas uma pequena parcela das indústrias paulistas gozam de pleno desenvolvimento organizacional e de linhas de produtos, o que as tornaria habilitadas a perpetrar planos de ingresso intensivos nos mais variados mercados internacional. No outro lado da matriz encontram-se muitas indústrias cuja prontidão
tanto do produto quanto da própria empresa para atividades internacionais encontram-se em estágios muito iniciais de desenvolvimento, indicando que a atividade exportadora só tende a ocorrer em bases claramente reativas, mediante o contato de um comprador estrangeiro ocasional.
Prontidão dos produtos paulistas para a exportação – Embora a indústria paulista apresente um nível médio de competitividade internacional superior nas suas linhas de produtos em relação à prontidão das empresas em si mesmas, ainda assim há um grande conjunto de produtos marcadamente atrasados se comparados com seus concorrentes internacionais.
Políticas de Desenvolvimento do Potencial Exportador – As evidências indicam que uma política pública ou de entidades de classe efetiva para conduzir mais empresas brasileiras rumo à atividade exportadora deverá estar baseada na análise específica das características da empresa, e não em modelos genéricos de desenvolvimento, pois empresas diferentes apresentam dificuldades de natureza diferente no que se refere à atividade exportadora. Embora o contato com compradores e competidores internacionais seja uma atividade da maior importância para sensibilizar produtores nacionais quanto à realidade do comércio global, é preciso fazer muito mais do que organizar missões ao exterior. É preciso aprofundar o diagnóstico sobre quais as dificuldades específicas de cada setor no tocante às exportações de seus produtos e atacar tais dificuldades simultaneamente ao processo de convencimento dos empresários sobre a importância do comércio exterior para as empresas e para o país.
Exportação e Competitividade – Há evidências de que as empresas que já exportam algum percentual de seu faturamento possuem um escore médio superior às que não exportam. Isso parece indicar duas conclusões distintas. (1) As empresas mais bem preparadas para a atividade exportadora segundo a metodologia de análise do software Core são as que possuem mais possibilidade de êxito nessa atividade ou (2) as empresas que já exportam desenvolvem mais intensamente as competências aferidas pela metodologia usada neste estudo. Adicionalmente, o resultado acima parece confirmar a validade da ferramenta Core como instrumento de avaliação das empresas que são ou pretendem ser exportadoras, visto que há um aumento da
média de pontos entre as efetivamente exportadoras, seja isso uma causa ou um efeito das ações de comércio internacional.
Atividades Internacionais e Competitividade – A atividade internacional que mais fortemente está associada ao aumento da competitividade exportadora da empresa é a participação assídua em feiras internacionais. Nelas o administrador encontra-se frente-a-frente com seus concorrentes e seus clientes, adquire uma visão panorâmica do mercado global e capta o potencial que as exportações podem trazer para sua organização.
Ramos Industriais de Vanguarda – As evidências encontradas indicam que não há ramos industriais expressivamente mais desenvolvidos do que outros. Embora se tenha aí um aspecto positivo, que é a diversificação do parque produtivo paulista, isso indica que não foi desenvolvida uma política industrial marcante, capaz de explorar as vantagens comparativas do país e otimizar o uso dos recursos nacionais. Ao contrário, o que se vê é o fruto de um mercado fechado, que buscou ser uma autarquia econômica e ainda não obteve êxito na passagem desse modelo para um modelo de integração econômica internacional.
Empresas Estrangeiras no Brasil – Notou-se, neste estudo, que as indústrias de capital estrangeiro possuem em média maior nível de preparo para a competição internacional. Porém, esse melhor nível de preparo deve-se mais ao seu porte – superior ao da média da indústria nacional – do que a um melhor desenvolvimento organizacional em si. Isto significou, concretamente, que as empresas oriundas do Brasil atingem o mesmo nível de competitividade das estrangeiras quando obtém as mesmas dimensões em porte e faturamento.
Grandes para competir – As evidências indicam pela forte correlação entre porte industrial e capacidade competitiva. Embora as pequenas e médias possam e devam buscar sua internacionalização – até mesmo como caminho para o crescimento – as grandes empresas são as que reúnem as melhores condições de atuar em mais de um país.